Amadorismo x Transformismo
Estamos em 2008 e o transformista ainda é visto como uma subclasse artística. Somos discriminados mesmo dentro do meio LGBTTT. Mas o que é ser um transformista? O nos difere dos demais à solta por aí? Somos profissionais? O que fazemos é arte? O que é arte? Existe algum órgão público que nos apóia? Podemos ser sindicalizados como artistas? Dá pra viver do transformismo no Ceará? Pense!
Com esses questionamentos levanto um debate sobre artistas da noite, amadorismo, dinheiro e afins, pelo simples e básico propósito de ser respeitado. “Dignidade já” é um dos lemas da nação LGBTTT e dignidade está ligada ao respeito. Dar-se ao respeito é ser digno. Respeitar o próximo é exercer seu papel de cidadão. Pagar pelo trabalho cumprido não deve ser um fardo, e sim um ato consciente de quem é profissional e organizado. Quando você se respeita você pode exigir seus direitos sem que haja punições, castigos. É não se considerar melhor, nem o único. É ser solidário e prestativo. Ficar feliz com a alegria dos outros.
Ver-se como o centro das atenções é fato marcante na noite, mas temos que nos postar de forma mais humana menos centrista, ser mais sensatos, ter menos inveja, viver o dia também, ver o sol, tomar uma água de coco, ler um bom livro, pensar. Planejar e estudar o que se vai fazer é fundamental para o trabalho de um artista transformista. Mas será que apenas o humor tem vez aqui no Ceará? Humoristas são transformistas, mesmo que eles não queiram aceitar esse fato, eles são sim. Alguns são muito bons, lógico, em todos os ramos há o bom e não tão bom profissional. Cheguei ao divisor de águas, o profissionalismo.
O bom profissional cumpre sua palavra até o fim, sabe aonde quer chegar e não toma, ou pelo menos toma o mínimo possível de decisões precipitadas. Pensa antes de agir e faz o dinheiro girar. Compramos tecidos, maquiagem, bijuterias, jóias, sapatos, etc e tal…movimentamos a renda local siiiiim. Por isso, eventos de novos talentos, premiação para os melhores do ano, concursos de dublagem, desfiles de Miss, a parada em prol do orgulho guei, são válidos, fazem com que as pessoas dêem atenção ao que fazemos. Temos que exigir nossos direitos sim. Cobrar cachês sim. Basta de mediocridade. Honremos o direito à igualdade. Não queiram só aparecer. Isso não leva à nada. Faça seu trabalho bem feito e com amor que o reconhecimento virá. Lembre-se: “O BEM SEMPRE VENCE O MAL”.
Beijos à todos!
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Excelente texto amiga, não tem nem o que comentar vc já disse tudo. Realmente nossa classe precisa de mais respeito e sobretudo reconhecimento. O que anda acontecendo na cena gay é sermos vistos como simples pessoas que andam fantasiadas… Nós que nos montamos profissionalmente sabemos que não é bem assim, se um leigo no assunto for avaliar o quanto essa “fantasia” sai caro vai ficar estarrecido! Além do mais precisamos de mais espaços, mais trabalhos, espero que os empresários da noite se sensibilizem com isso, não pq somos coitadinhos, mas pq levamos entretenimento de bom gosto e somaremos com certeza qualidade a qualquer festa ou evento que seremos contratados. Ser transformista não é fácil…
Bjus a todos