1-Olá Diego! Lembro da primeira vez que te vi… Você estava fazendo uma cobertura no Buffet do Ricardo Dione sobre o Miss Gay Ceará. Isso já tem um tempinho. Conte-me sua experiência no portal ZonaMix.
Bom, minha relação com o Zonamix é ótima. Sempre tive total abertura pra divulgar meu trabalho. Uma das coisas que eu tenho em mente é voltar à ativa no site, nesse momento estou trabalhando na idéia de um blog com uma amiga, terminando isso vou marcar uma reunião com João Paulo pra ver a possibilidade de encaixar na grade. O Zona de certa forma me abriu muitas portas, lembro de uma matéria linda que João fez sobre meu trabalho na primeira vez que me ouviu tocar na antiga Queen’s, até comentei com ele sobre isso esses dias. Ele falava algo do tipo: “Guardem o nome desse DJ, ele fez um som diferente de tudo que havia ouvido aqui nos últimos tempos”. Eu, é claro, fiquei super feliz. E assim o é ate hoje.
2-Como deu início sua carreira como Dj?
Tudo foi uma grande coincidência que deu muito certo. Eu sempre amei música eletrônica, eu era daqueles que ficava a noite inteira dançando do lado da cabine do DJ, vibrando com a música. Daí, pesquisava constantemente sobre tudo. O MYSPACE, uma espécie de portal da música, era minha bíblia diária. Estudei muito sobre conceitos antes da prática, acho que isso foi decisivo na minha musicalidade. Fica aqui um conselho aos iniciantes, a carreira de DJ tem que ser uma grande paixão, parece que isso, ultimamente, tem ficado por trás da exposição que a carreira proporciona. Na época, eu estava conversando com a Carol Feitosa, antes da DS abrir, sobre minha vontade de aprender e, por ironia do destino, um dos donos da “Donna Santa” estava do lado. Quando ele ouviu o assunto disse prontamente: “Rapaz, quer aprender? O DJ Kacila te ensina, vai na boate aos sábados a tarde”, e assim o fiz. Kacila foi meu grande mestre. Doripan também influenciou bastante no quesito musicalidade. Comecei então a tocar na DS, abrindo a noite, mas isso só 6 meses depois que aprendi a técnica, só queria começar quando estivesse realmente pronto, tecnicamente e musicalmente formado. Carol e Leco me abriram essa porta de início. Teve o “Cafofo do Barão” também na época que me ajudou, através do DJ Marcelo Fort e do Cid. Após 3 meses tocando como convidado na DS ganhei o prêmio de DJ Revelação do “Troféu Boca”. Depois disso, fui convidado pra tocar em João Pessoa e não parou. Até que surgiu o convite pra minha primeira residência na Meet, fator decisivo na minha carreira. Lá, ao longo desses quase 2 anos, tenho adquirido experiência e maturidade enquanto DJ. Meu feeling e minha performance estão cada vez mais trabalhados. Paula Roberta, Monah Monteiro e Thalles Walker me deram total sempre. E me acompanham com muito carinho. A Meet é como uma família!
3-O que ou quem te dá mais prazer em tocar? Qual tipo de som você jamais usaria numa pista?
Gosto de tocar aquilo que me anima, tem muito do feeling na hora, isso vem com o tempo. A pista é uma troca de energias. Se eu tô bem, a pista flui e o público sente o set de maneira mais bacana. Não posso negar que Offer Nissim me influenciou muito na parte performática. Offer é Diva. Acho que meu diferencial tem sido justamente esse, além das performances, eu trabalho essa troca de energia constante com a pista. Uma vez em Recife, na Metrópole, um carinha me parou após meu set e disse assim: “Menino, incrível você ali em cima, não consegui ficar parado. Acho que sei o você sente quando está ali em cima, a gente sente a música vibrar em você, pulsante, vocês se confundem. É como um orgasmo.” Eu parei, olhei pra ele e disse: ‘Putz! Nem eu descreveria tão bem.’” (risos) Isso me marcou bastante. A música é isso. Eu jamais tocaria em meu set algo que não seja vertente do house, por que house é minha paixão.
4-Claro que sempre existiram grandes galãs, seja em Hollywood como no Brasil, mas é fato que a imagem do homem sensual está sendo mais explorada. Qual sua opinião a respeito do deste fato?
Olha, eu acho que vivemos uma era IMAGÉTICA. Isso faz parte da nossa relação com o mundo contemporâneo. Os meio de comunicação audiovisuais acabam fomentando isso tudo, o que acaba gerando esse “tesão” pela imagem. Eu acho que o conteúdo é importante, por que a imagem não se sustenta por si só. Portanto, é importante que esses homens além de cuidarem do corpinho, cuidem da mente para se tornarem mais admiráveis e menos descartáveis. De início, eu tirava bastante a camisa no “line up”, fazendo justamente esse jogo de sensualidade. Hoje, invisto em elementos que me ajudam bem mais, mas não descarto tirar a camisa naquele momento de calor insuportável (risos), por isso voltei a academia esses dias. Gordinho não dá, né? (risos).
5- Você aceitaria aparecer no quadro GATO DA SEMANA do meu Blog no ZonaMix?
Ain, até poderia ser. Mas quando eu estiver em forma de novo. Tô sem malhar faz um tempinho, logo volto à forma e aí sim a gente combina.
6-Quando adolescente eu e um colega do IBEU pensamos em criar um duo tipo ”Pet Shop Boys” (risos). O que você curtia aos 13, 14 anos?
Gente, essa foi minha época pré-universidade, quando não havia ainda apurado meu gosto pela música. Acho que curtia o POP mesmo. Ah, curtia também um pouco de forró, pagode. Era uma fase meio heterossexual, sabe? (risos) Nem pensava em ser gay nessa época. Uma confusão só. Eu também era muito religioso, o que acabava influenciando no meu gosto musical.
7-No próximo domingo haverá a maior parada pela diversidade sexual do planeta. Você já foi assistir alguma vez? O que você pensa da nossa parada de Fortaleza?
Estava discutindo isso hoje, inclusive. Eu considero a parada um evento de grande exposição e, portanto, tem seu papel social e político importante pra nós, enquanto gays. A maneira como ela é organizada é que pode ou não render melhores resultados, algumas paradas são puramente comerciais, por exemplo. Eu não acredito que a inclusão do que André Fischer, criador do Mix Brasil, chama de “FUN” deva ser desconsiderada. O fato é que existe uma visão preconceituosa de ambos os lados em questão: MOVIMENTO POLÍTICO X BOATES (exemplo). O movimento político, com suas bandeiras e lutas têm total importância, mas é inegável que para atingir as massas precisa-se do “FUN”. Este é o motivo de termos a maior Parada Gay do Mundo. Como já disse aqui, não estou reduzindo a importância das bandeiras e lutas levantadas e postas em questão. É de suma importância essa discussão pra conquista de nossos direitos civis. É questão de somar. Ainda não fui à Parada Gay em Sampa, mas considero que a Parada da Diversidade em Fortaleza tem crescido e se tornado forte a cada ano, ainda mantendo pontos importantes como não vender espaço na rua, por exemplo. Acredito que a grande dificuldade pro movimento político seja aprender a se aproximar mais do público e a despolitização das pessoas é um grande entrave nesse sentido.
8-Você é Dj fixo da Boate MEET. Todavia está sendo considerado o Dj mais festejado do CE pelo nordeste. O fato citado confere?
Então, fico muito feliz com o que meu trabalho tem me rendido. Hoje, além da Meet, sou residente mensal da Off Club em Salvador e do Feitiço em Natal. Sem querer ser clichê, mas já sendo. Considero que isso seja fruto do amor pelo que eu faço. Toco por paixão e quando não sentir mais amor pelo que eu faço, com certeza eu não continuarei nas pickups. Gosto de sentir o frio na barriga a cada apresentação, isso me diz que acertei na escolha da profissão. Meu trabalho no Nordeste tem sido bem gratificante, tenho recebido convites constantes para tocar em Recife, Teresina, Maceió e João Pessoa, além de Natal e Salvador. Agora, estou negociando também, Joinville e Curitiba, espero que dê tudo certinho. Claro que temos uma dificuldade de nos inserirmos no eixo (Rio-São Paulo), mas isso se deve também a dificuldade de levar uma atração desconhecida ali somada aos custos com passagens. Mas o importante é que aos poucos tenho me firmando no mercado nordestino e pra isso o trabalho tem sido duro. A gente abre mão de muita coisa pela profissão, o namorado quem o diga (risos). Em relação à Meet, ali me sinto em casa. É meu cantinho de luz.
9-Qual sua opinião no tocante a shows (transformistas, drags, trans, caricatas). Você tem alguma opinião ou crítica? Quero seu relato como público.
Eu considero a noite GAY muito diversa e as tranformistas, drags, trans e caricatas fazem parte dessa diversidade. São ícones da noite. Acho que nossa cidade tem um misto de opções para todos os públicos. Há obviamente os que não gostam dos shows durante a balada. Tenho amigos em Natal, por exemplo, que detestam ver a pista parar no momento do show por cerca de 1 hora. No entanto, tem também os que vão à boate por que curtem prestigiar o trabalho dos artistas. Aqui, tem se observado uma diminuição dos clubs que trabalham neste sentido. Não posso afirmar que isso seja uma tendência, a prova disso é a Blue Space em Sampa, a Divine em Fortaleza, prefiro dizer que seja uma opção por cativar outro público. Temos casas com shows e outras não. Lá em Natal ainda há uma influência maior dessas personalidades na noite. No bar em que trabalho, o Feitiço, as caricatas são um sucesso. Destaque para Katreva de Cupuá e Shanaya Porynkuanto, talentosíssimas. A Vogue também tem apresentações em todos os dias de funcionamento, com a apresentadora residente, Shakira, e suas convidadas. Eu ADORO ver um bom show!
10-E Fortal vizinho a Natal só tem a Divine (que eu amo de paixão, lá é o meu cantinho de luz ‘risos’). De antemão agradeço por te aceito meu convite para esse Chá das Quintas e pedir que deixe uma mensagem aos nossos leitores Zonautas e seus contatos para eventos. Abração!
Espero que tenham curtido a entrevista e que possam ir prestigiar meu trabalho todas as sextas na Meet. Quero mandar um grande abraço também aos leitores de todo o Nordeste, especialmente de Natal e Salvador, onde tenho minhas residências mensais. Quero agradecer também a toda equipe do Zonamix pelo suporte de sempre. E, por último, quero agradecer MUITÍSSIMO a você pelo convite pra fazer parte da sua coluna. Você é sempre tão linda, gentil e educada comigo. Obrigadíssimo mesmo. No mais, um beijo grande a todos e todas. Nos vemos no DANCEFLOOR.