Poucas pessoas dentro do meio mix têm a experiência e a competência política de Andréa Rosati, 25 anos, natural de Palmácia (a 70km de Fortaleza), caçula de uma família de 11 irmãos (8 mulheres, 2 homens e 1 trans). Transexual assumida, Andréa nasceu André, mas por pura ironia da natureza: “Sempre fui uma criança meiga, com traços femininos. Sempre fui pintosa”, brinca.

Andréa diz que sempre gostou de política e seu primeiro contato com a militância foi na 6ª série, quando reuniu seus amigos para a formação do primeiro grêmio de sua escola. “Nosso grupo era conhecido como a chapa dos viados”, conta rindo. Embora vivendo em uma cidade de interior e com fortes trejeitos femininos, Andréa afirma que nunca sofreu muito com preconceito. “Minha mãe era a segunda mulher do município. Era muito apegada ao padre, e isso fazia com que as pessoas de lá me respeitassem muito”, afirma.
Foi numa noite calourenta de terça-feira que a equipe do ZONAMIX chegou a um flat na Av. Abolição, com vista para a Beira-Mar, cartão postal da capital cearense. Andréa já nos esperava na recepção. Lia jornal e quando nos aproximamos, não deixou seu velho costume de falar sobre política: “tô lendo aqui as coisas do PSDB. Esse povo…”. Filiada ao Partido dos Trabalhadores (PT) desde os dezesseis anos (”assim que tirei meu título de eleitor, me filiei ao PT”), Rosati atualmente trabalha no Governo do Estado do Ceará, onde faz a coordenação multi-secretaria de políticas públicas voltadas aos direitos de homossexuais. “Tenho contato direto com o secretariado do governador Cid Gomes. Falo com o Secretário de Segurança a qualquer hora que queira”.
Andréa Rosati é uma franco-articuladora dentro do poder cearense. Nos preparativos para a Parada Gay deste ano, em junho, organizou um café-da-manhã entre militantes e alguns secretários do Governo. Foi também convidada a sentar-se à mesa, ao lado de vereadores e até da Prefeita, quando do lançamento da Frente Parlamentar pela Livre Expressão Sexual (releia aqui), da Câmara Municipal de Fortaleza, em 2007. Na ocasião, coube a Rosati a representação do Governo do Estado, fato que a deixa orgulhosa. Sua mais recente articulação política resulta da homenagem que a ATRAC (Associação das Travestis do Ceará) receberá amanhã (sexta, 21/11/2008), a partir das 15h, no Plenário 13 de Maio, na Assembléia Legislativa. Em comemoração aos sete anos da associação, estarão lá representantes e militantes das principais correntes políticas e sociais em defesa da diversidade sexual.
A homenagem da ATRAC foi o principal gancho para nossa matéria. Queríamos pegar uma travesti (embora Andréa descreva-se como transexual) e alguém que fosse ligado diretamente a militância. Ninguém (seja ele(a) travesti, transexual, gay, lésbica ou afim) é mais indicado que Andréa Rosati. Seja pelo seu trabalho dentro do poder, seja sua luta incessante fora do poder, na voz das ruas, nos microfones das palestras, nos discursos em cima de um trio elétrico.
Por trás de uma “mulher” forte e autêntica, há uma doce carcaça quando o assunto é pessoal. Rosati mostra-se visivelmente constrangida quando indagada sobre assuntos íntimos, como paquera e, fundamentalmente, sexo. Embora responda a todas as perguntas como todo político que tenha o dom da oratória, optamos por não publicar determinados assuntos.
“Adoro festas. Costumo sair muito para forrós e barzinhos”. Rola paquera? “Ooooh, se rola!”. Os homens te confundem como mulher? “Eu me acho mulher. Alguns confundem sim, mas faço questão de avisar logo. Não engano a ninguém”. Andréa avisa também que, muito em breve, deve tornar-se mais feminina (pelo menos parcialmente) pelo método cirúrgico. “Estou na fila do SUS para a mudança de sexo”. Rosati tem passado por uma série de terapias com psicólogos e diz estar mais do que na hora de assumir seu lado psicológico também no físico. “Mas as pessoas têm de entender que não é uma mudança de sexo assim. Não é porque vou tirar uma parte de mim que me transformarei em mulher”. Volta ao seu lado político quando fala em números: “Há 20 pessoas aqui no Ceará inscritas neste programa. Só estamos esperando uma resposta do Ministério da Saúde para sabermos onde será nossa operação. No Nordeste, nenhum hospital está adequado a esse tipo de procedimento”.
Andréa é também conhecida do público mix. Embora em menor frequencia, ela também costuma ir a festas gls. Os concursos de beleza são seus favoritos. Andréa Rosati foi escolhida Miss Gay Simpatia, no Garota G, em 2006. Era com a faixa que passou longo tempo desfilando na Divine e na Donna Santa, boates preferidas das trans. Mas explica o porquê da preferência por forró: “Nas festas gls eu não sou tão paquerada”. Sai a política Rosati, entra a pessoa Andréa.
Sempre sorridente e atenciosa com as pessoas, Andréa Rosati é enfática quando diz que sente “mais dificuldade em cuidar das coisas do coração” que falar sobre política. “Luto para que os gays tenham os mesmos direitos que os heterossexuais”. Essa luta é diária. “Uma vez estava num supermercado e vi uns funcionários zombando de uma gayzinha pintosa. Fui lá e perguntei porque eles faziam aquilo. Debati e debato sempre”. Embora com mente e (agora) corpo de mulher, qual a característica masculina que nunca saiu dela? “Eu sou uma pessoa muito centrada com minhas idéias. Se acho uma coisa, vou até o fim. E também me considero radical, porque sou muito rígida com minhas ideologias”. Andréa não se julga briguenta, mas diz que gosta de lutar pelos direitos humanos. “Sou radical na luta pela liberdade”, define-se.
Ela também nunca escondeu sua vontade de tornar-se “a vereadora mais votada de Fortaleza”. Embora tenha tido uma ótima chance de tentar sua primeira eleição majoritária neste ano, Andréa julgou que não era o momento ideal. Conversei com o partido, e vimos que ainda estava cedo. “Minha candidatura foi lançada pela Luizianne Lins, prefeita. No dia da convenção do partido, eu estava lá como candidata. Só não me registrei no TSE”. Conversamos também sobre candidatos homossexuais que usaram o programa de TV de uma forma, digamos, circense. “Sou totalmente contra o gay que vai na TV para fazer política de forma caricata. Política é coisa séria e deve ser tratada com seriedade”. A candidata homossexual assumida e com plataforma gls como principal tema da companha com mais votos (2.609) foi Mitchelle Meire (relembre aqui a votação dos principais candidatos gays). Andréa afirmou ter apoiado outro candidato do PT, “que saiu eleito, com ótima votação”. Pode dizer quem foi? “Guilherme”, o terceiro mais votado.
Com um aguerrida militância na voz e um profundo trabalho a favor dos direitos da diversidade, era natural esperar um apoio a Mitchelle Meire, não? “Não… no PT há grupos diferentes dentro do mesmo partido. E como falei, me considero radical, sigo sempre os meus princípios”. Andréa é do mesmo grupo de Guilherme, sobre quem fala com profundo respeito e admiração.
Em pouco mais de uma hora de conversa agradável, Andréa Rosati demonstrou estar afinada no discurso da defesa dos direitos homossexuais. Lembrou ser a única a fazer a ponte entre gays e o poder público na atualidade, com articulações envolvendo Prefeitura e Governo do Estado. Mostra-se bastante respeitosa quando fala ao ZONAMIX, mídia que aproveita para elogiar sempre que tem oportunidade. De Andréa, além do carinho sempre presente, recebemos convites e informações diretas da política, dando conta principalmente de avanços para a causa gay.
A ATRAC é a homenageada da semana na Casa dos deputados, mas a Personagem da Semana é Andréa Rosati, a forte representante de gays, lésbicas, transexuais, transgêneros, bissexuais, heterossexuais e até dos assexuados. Como ela mesma se define, a radical defensora da liberdade.
Péssima notícia para os gays que gostam de cultura e qualidade editorial. Pouco mais de um ano após ser lançada, 
set especialíssimo é o mestre, DJ e VJ Sílvio de Paula. Tudo isso é no sábado, 22/11, a partir das 23h.
Capa da primeira edição de uma revista volta ao público mix nacional, 
O gato ao lado se chama Micael Borges. Você ainda vai ouvir muito falar desse nome em 2009… Micael tem 19 aninhos e será o primeiro protagonista negro da novelinha teen Malhação (Rede Globo), na temporada que estréia em janeiro e que será parcialmente gravada em
Contamos com você para continuar o sucesso sempre crescente de nossa marca.
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Polêmica. Muito polêmica. A 

Chegamos à boate por volta das 16:45h desta quarta (12/11). Armamos as cadeiras e uma mesa na área externa e começamos a explicar nossa matéria. Informamos que faríamos perguntas aos empresários e promoters. Em alguns casos, as perguntas eram as mesmas. Paulo Gurgel (ao lado, de camisa vermelha listrada), de ante-mão, disse que ficaria ouvindo e deixaria as explicações para Júnior Cohen. “Ele é quem cuida dessa parte social”. Ao longo das quase três horas de conversas (por muitos momentos esquecemos a entrevista e conversávamos como amigos e parceiros de longas datas). Um fato nos impressionou: retraído no começo, foi Paulo quem mais falou (ao lado de quem, adivinha?!). Deixou a timidez de lado, encarnou o empresário satisfeito com o trabalho (dele e dos empregados) e nos deu excelentes declarações.
Enquanto o tímido falava, o extrovertido brincava. “É engraçado que quando tô hoje com os meus amigos, eu fico dando pinta, dizendo as gírias de gays. Eles olham pra mim e dizem: ´macho, tu tá virando gay?´”, conta Cohen, dando risadas. “Quando novinho eu era daqueles que brincava os gays na rua. Claro que me arrependo, mas é porque sou brincalhão mesmo”. Humpf!

Mas tamanha confiança assim é recente. Dois anos atrás, o mercado mix de Fortaleza vivia o final (feliz) da “época abre-boate-fecha-a-outra-boate”. Hoje, temos quatro grandes boates em pleno funcionamento, e todas com seu público. Mas é a Donna Santa que se destaca entre elas: “Enquanto 500 pessoas podem entupir uma outra boate, porque elas são mais compactas, na Donna Santa este público mal lota um, dos dois ambientes”, explica Leco, que ainda completa: “antes me chamavam de Leco-fecha-boate”. E ele credita o sucesso dos dois anos da boate ao trabalho “de todos”.
Além de revolucionar a noite mix cearense trazendo um grande público a cada evento, a Donna Santa foi a primeira boate gay a abrir espaço ao tradicional ritmo de nosso estado, o forró. “Antes da boate abrir, eu ia muito a festas com meus amigos. A forrós, inclusive. E percebi que era grande a quantidade de gays que frequentavam aquele ambiente”, explica Leco. “A primeira vez que trouxemos forró para a Donna Santa foi um sucesso absoluto. Foi Karine Mittre e Forró Lenhada, mas já recebemos grandes bandas como Pollyana Mel, Forró Diferenciar e já temos agenda marcada para Forró Real na Donna Santa”. Forró Real? “Sim”. Uh!
Sobre reformas, os empresários são cautelosos. “Temos, sim, planos. E alguns a curto prazo”. Em primeira-mão, Junior Cohen nos contou que já para este final de novembro está programado o lançamento do terceiro ambiente da casa, na parte de cima do dance. “Será um espaço sensual, dedicado à paquera”. “Devemos aumentar o tamanho de nossa boate também. Não sei se pra cima ou pros lados. Ou os dois”, informa, com poucas palavras, Paulo Gurgel. “Nossas reformas serão feitas durante o carnaval, porque é o único período que a Donna Santa fecha por 15 dias”. Sobre interesse em outros estabelecimentos mix, Gurgel informa que tem muita vontade de inaugurar uma barraca de praia. “Já tivemos esse projeto ainda no primeiro ano da Donna Santa, mas acabou não dando certo. Nossa idéia ainda persiste, mas queremos fazer um trabalho diferenciado, com ótima estrutura”.
Sobre o momento atual do mercado, os empresários mostram-se altamente empolgados com as oportunidades de Fortaleza. “Não vamos abandonar esse público tão cedo. Pelo contrário, estamos só começando”. Paulo e Junior, quando perguntados sobre quem são os concorrentes da Donna Santa, não titubeiam: “Quem são nossos concorrentes? Nós mesmos”. Perguntamos sobre como eles lidam com os empregados. “Na festa de um ano da Donna Santa, quando todos os clientes saíram, mandei o Leco Lima pro bar e chamei todos os funcionários para a pista de dança. Ficaram todos dançando e nós servindo a eles. Alguns se emocionaram, pegaram o microfone, falaram que já haviam trabalhado em muitos locais, mas serem respeitados como humanos era a primeira vez”, orgulha-se Paulo. “Nós também temos muito carinho e respeito pelos nossos funcionários. Quando algum tá com problema financeiro, fazemos uma vaquinha por aqui e ajudamos a ele”, diz Júnior.
De fato, a equipe técnica e gerencial da Donna Santa é a mesma desde a inauguração. Os três DJs (Daniel de Paula, Doripan e Kacilla), os promoters (Leco Lima e Carol Feitosa) e o gerente (Carla, que foi embora para Teresina pouco tempos depois, e Isaque, o atual). “Tá vendo aquele nosso funcionário ali? Ele vem aqui porque gosta. Não havia necessidade de tá aqui hoje”, aponta Júnior. Reparamos que o funcionário se comunica livremente com eles, e até nos agradou trazendo uma bandeja com água.
O Banco do Nordeste do Brasil (BNB), anunciou para 2009 realização de concurso público. Deverão ser oferecidas 400 vagas, sendo 300 para os níveis médio e médio/técnico (assistente administrativo e analista técnico) e 100 para o superior (especialista técnico), além da formação de cadastro de reserva. Para uma melhor preparação, o Sindicato dos Bancários do Ceará está com inscrições abertas para mais um um curso preparatório para o BNB.
A mais tradicional boate genuinamente gls de Fortaleza, a Divine (ou Diva, para os íntimos), realizou ontem a oitava edição de sua festa de Halloween. Com decoração assinada por Ciro Alencar, a boate se transformou num verdadeiro “circo dos horrores”: por todo canto havia bruxas e fantasmas decorativos nas paredes e no teto; na pista, o horror ficou por conta das bacanérrimas fantasias do público, que entrou bem no clima do evento.
Às 2h em ponto (pontualidade, aliás, é a marca da Divine), as cortinas do palco se abrem e entram os bailarinos do show de Satyne Haddukan, que apresentou a primeira parte do evento. Participaram ainda da apresentação Rayanna Rayovac e Flávia Fontenelle, que comandaram a escolha da melhor fantasia da noite.




Nosso objetivo foi alcançado na noite desta terça-feira (04.10), quando fui ao encontro da palestrante. Abramos um parêntese: Fernanda Meirelles é arte-educadora, formada em Letras (UECE), dá palestra sobre arte e cultura, além de ser talvez o maior nome feminino entre os fanzineiros de Fortaleza.
Britanicamente, estava no horário e no local marcados. Ao chegar ao estabelecimento, Fernanda, com uma blusa branca básica e uma saia com estampas floridas e tênis, estava terminando suas falas no projeto “Literatura de Lua”, no qual, duas vezes por semana, ela convida um profissional ou um leitor comum (e explica: “essa é uma das grandes diferenças do projeto”) para discutir temas ligados à literatura, ao som de boa música e para um público bem atento e seleto. Entrei na sala e fiquei quietinho, observando tudo…
De cara, entrei na questão sobre o beijaço organizado por Fernanda em 2002, em um estabelecimento de entretenimento na Praia de Iracema. No mês de maio daquele ano,
Mas a vida de Fernanda não se resume somente ao beijaço. Formada em Letras pela Universidade Estadual do Ceará - UECE, e com especialização em Arte-Educação pelo CEFET, hoje a profissional se desdobra em várias atividades, seja nas suas aulas que ministra no Centro Cultural Bom Jardim, equipamento ligado ao Governo do Estado, ou em seus projetos paralelos, como o “Literatura de Lua”, além da confecção de fanzines e postais. “Em dezembro estarei expondo novos postais que terão a temática do sono como ponto de partida. Eu (escrevendo) e Bob (desenhando) somos os autores, e formamos a dupla Supercordas”.
Fernanda disse ser fã de Paradas Gays, em contraponto a alguns intelectuais que acham que esse tipo de movimentação política transformou-se grandes carnavais fora de época e perdeu o cunho político. “Adoro ir a Parada Gay e participar desse tipo de evento. Acho que é um momento onde pessoas diferentes em vários aspectos, não só de sexualidades, podem conviver de perto, incluindo família, paqueras, namorados e amigos. Só em isso acontecer, o evento já vale a pena!”.
Quando o assunto é relacionamento familiar, Fernanda se derreteu toda, mostrando grande admiração por sua mãe. “Ela é uma mulher ninja, além de ser muito elegante e esclarecida. Quando ela soube, logo no começo, passamos por todas as fases, dificuldades e desencontros. Mas com o tempo, diálogo, convivência – inclusive conhecendo minhas namoradas – ela passou a encarar com naturalidade. A grande preocupação dela era o que de ruim poderia acontecer comigo devido ao preconceito alheio“. Falando em relacionamentos, Fernanda mandou um recado para as candidatas de plantão: “estou solteira!”, enfatiza.
Na próximo dia 14 de novembro (sexta-feira), quem vai estar no auditório da Faculdades Nordeste (Fanor) ministrando palestra é o escritor e jornalista da Rede Globo de Televisão, Caco Barcellos. A iniciativa é mais uma edição do “Experience Day - Experiências que valem à pena“, projeto mantido pela Fanor há dois anos e que já trouxe convidados como o jornalista Zeca Camargo e o astronauta Marcos Pontes. A palestra terá início às 20 horas, na sede Fanor Dunas (Av. Santos Dumont, 7800).
Já está para ser votado no Senado Federal em Brasília, um projeto de lei que propõe o fim da meia entrada para estudantes em cinemas, nos fins de semana e nos feriados. A proposta quer regularizar a emissão da carteira que passaria a ter um padrão único em todo o território nacional. Se aprovada, a nova carteira só poderá valer meia-entrada no cinema de segunda a sexta-feira, não sendo permitida nos fins de semana e feriados.