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ARTIGO DO LEITOR: Estilo Donna Santa

Postado em (Artigo da Segunda, Texto do Leitor) por admin em 30-06-2009

Por Luis Arthur Costa (luisarthurcs@yahoo.com.br)

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No mundo contemporâneo, é comum a sociedade dividir-se em múltiplos, incontáveis segmentos. A diferenciação entre os indivíduos é, ao mesmo tempo, sua busca de inserção em grupos que os acolham e contemplem as nuanças da personalidade de cada um.

Vestimentas, adornos, as músicas que escutamos, as leituras que fazemos, os programas de televisão a que assistimos, os lugares que frequentamos, dentre outras atitudes, tudo contribui para que enveredemos por uma teia de ideias, reações, relações, enfim, as quais moldam e exprimem as nossas individualidades.

Participar de uma determinada comunidade já causa no outro que nos conhece e/ou observa uma série de impressões. Por exemplo, um sujeito homossexual, cuja orientação é sabida por parentes e amigos, para uns pode parecer seguro de seu desejo, corajoso, politicamente progressista; outros, em contrapartida, eventualmente deduziriam tratar-se de alguém excessivamente desinibido, com características efeminadas, intolerante quanto à não aceitação total de sua condição sexual pela sociedade.

Entre a comunidade mix fortalezense, é bastante perceptível a quantidade de (pré-) julgamentos dirigidos a cada um de seus membros. Uma breve menção ao nome de uma boate insta a algumas noções acerca de seu público.

Há quem defenda a existência de estabelecimento primordialmente frequentado por uma determinada “classe A” – seria de abastada? – ou “classes A e B” – abastados e bajuladores? – ou, ainda, “AB” – médios ascendentes ou ricos decadentes? Consequentemente, segundo esse raciocínio, haveria os locais cujo acesso priorizaria uma clientela tipo “C” – de coitados? –, talvez “CD” – coitaDinhos? –, além da mais famigerada, “E” – provavelmente, de excluídos mesmo.

Particularmente, entendo essa linha de pensamento como frívola, vazia de conteúdo e sem grandeza de objetivo, servindo somente a interesses de meia dúzia de mixófobos – grosseiramente, pessoas avessas a algum tipo de mistura, intersecção social – que beneficiam, com isso, a própria ilusão de irradiarem algum tipo de superioridade material e/ou moral.

Na capital alencarina, destacam-se quatro importantes casas noturnas voltadas para a comunidade LGBT. Comumente, atribuem-se, a cada uma, segmentos específicos de clientes. Porém, todas, sem exceção, insistem, um fim-de-semana após o outro, em desfazer seus estigmas. E na X Parada pela Diversidade Sexual do Ceará não foi diferente. Pelo contrário, evidenciou-se mais ainda que a única finalidade dos preconceitos é serem quebrados. Durante o evento, o caso mais surpreendente foi o da Donna Santa.

Muitas vezes tachada como um espaço popularesco e repudiada por isso – como se “povo” fosse uma porção desagradável da sociedade –, a Donna Santa provou-se na vanguarda dessas críticas. O imenso trio elétrico que seus organizadores levaram à Av. Beira-Mar de Fortaleza incontestavelmente simbolizava o tamanho do valor da Diversidade para nossos sonhos de democracia, liberdade, igualdade e harmonia. Sobre o trio que marchava em nome do respeito, e em seu derredor transbordavam consciência cidadã, ativismo e luta por justiça social, sem que se perdesse a alegria, a empolgação e a paixão pelos ideais em questão.

Carol Feitosa, uma das promoters, ungida por um sentimento maternal – aquele do “em coração de mãe sempre cabe mais um” –, mal conseguia negar os almejados 15 minutos de fama a um ou outro transeunte que pedisse, implorasse até, para subir no trio. E o pai dessa Donna Santa, seu mentor responsável, atento e queridíssimo, Leco Lima, pouco ou nada conseguia conter seu sorriso de satisfação com a filha que, pelo visto, atingira uma espécie de maioridade intelectual.

O trio da Donna Santa explodia em cores, músicas e pulos em sua superfície e provenientes de seus seguidores na pista, aguerridos discípulos de um casal de mestres que paulatinamente surpreende o Ceará com os resultados de seu árduo e incansável trabalho. Faltou um milímetro sequer de espaço a qualquer mixofobia. Etnias, classes, desejos e diferenças se uniram ali em nome de causas que os difamadores do movimento LGBT julgam esquecidas ou suprimidas por celebrações fúteis de uma sexualidade oca.

Nada mais agradável, enriquecedor e revigorante para quem luta por direitos iguais em nosso estado do que o sublime privilégio de assistir de perto a uma talentosa dupla de promoters suar, ter os pés pisados tanto quanto qualquer um que caminhava na Parada, deixar os cabelos se desgrenharem ao longo de muita dança e muita brisa, demonstrando que a igualdade deve partir do espírito e ficar no exemplo. A simples lembrança desses momentos certamente é o início de uma profunda e fundamental transformação nos valores da nossa sociedade. Esse é o jeito, o “estilo Donna Santa” de agir e contribuir por um mundo melhor.

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ARTIGO DA SEGUNDA: Dia das Mães Lésbicas

Postado em (Artigo da Segunda) por admin em 11-05-2009

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por Valdeck Almeida de Jesus (1)

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Ser mãe é uma missão da qual poucas mulheres são merecedoras. Sim, pois a mãe, além de principal responsável pela procriação, pelo instinto maternal e de preservação da espécie, tem uma missão muito maior, que nem todas as mães estão conscientes. É a missão de educar os filhos para o mundo, para fazer parte da nossa complexa sociedade.

Ser mãe era apenas sinônimo de parir o filho e de colocá-lo no mundo, de “dar a luz” como se diz. Hoje em dia o simples “dar a luz” não basta. O depois, o dia a dia, a vida inteira de uma pessoa está baseada na educação que a mãe dessa pessoa lhe deu.

O pai “faz” o filho, a mãe carrega esse filho por nove meses, traz ele ao mundo e tem a missão de prepará-lo para a vida. Isso, na família tradicional, em que havia um pai provedor dos mantimentos e responsável pela proteção física e material da família. Hoje, a realidade do que se entende por família é bem diferente. Mais diferente ainda, quando se trata de família formada por mãe lésbica.

Com educação castradora, a mulher, reproduzindo os modelos de educação machistas, preparavam e ainda preparam os filhos machos para serem garanhões e as filhas fêmeas para reprimirem seus sentimentos e serem submissas ao mundo machista.

Quantas filhas lésbicas não se tornaram mulheres, não se casaram e repetiram com os seus filhos a educação que receberam? Quantas mulheres não suportaram o peso de um homem sobre si por anos a fio, e até que a morte os separasse, por medo de assumir sua sexualidade? Incontáveis almas foram infelizes nesses muitos anos em que a mulher foi reprimida e proibida de ter direitos os mais básicos, como o de sentir prazer sexual.

Mães lésbicas, em todas as épocas, foram as mais discriminadas. Como a mulher não demonstra muito a sua sexualidade homossexual, acaba por camuflar, por esconder sua verdadeira essência. Muitas mães lésbicas nunca sentiram prazer com seus maridos, viveram e morreram vegetando, deitando e levantando sem nunca terem experimentado um orgasmo. Sim, um orgasmo. Pois a mulher tem tanto ou mais direito que o homem em desfrutar do prazer do sexo. E como sentir prazer reprimindo os próprios desejos?

Subalternas, subjugadas, submissas, as mulheres enfrentaram séculos de repressão e muitas delas ainda enfrentam situações caóticas em suas vidas. Espancadas, assassinadas, sem que nada se faça para estancar essa violência desmedida contra um ser tão frágil e tão especial na cadeia da evolução do homem.

O instinto materno, a procriação, são próprios da mulher. Mas muitas mulheres, na condição de lésbica, jamais gostariam de ter um filho do seu próprio ventre, porém o tiveram por força das circunstâncias. Muitas delas jamais assumiram seu desejo por outra mulher, outras tantas jamais tiveram um contato físico-sexual com outra mulher. Repressão, repressão e repressão é o que viveram durante a vida inteira.

Mas a natureza não para de evoluir, e atualmente já temos alguns exemplos de luta com final vitorioso. Se a poeta Ana Cristina César só conseguiu demonstrar sua angústia através dos poemas, reveladores de sua homossexualidade, outras tantas como Ana Carolina e Cássia Eller foram além e, no caso dessa última, mesmo após a sua morte, a justiça reconheceu o direito de sua ex-companheira de ficar com a guarda do filho da Cássia Eller.

Mas isso ainda é muito pouco. Não se vê muitas mulheres se assumindo como homossexual e sendo respeitadas como seres humanos que são. Não se vê muitas mulheres em luta por direitos iguais. Direitos outros, seculares, lhe são negados, que até passa de roldão o direito à livre expressão sexual.

Não parem mulheres guerreiras, não parem de lutar, lembrem-se das 129 operárias que morreram queimadas numa ação da polícia para conter uma manifestação numa fábrica de tecidos, em 8 de março de 1857, em Nova Iorque, nos Estados Unidos. A luta daquelas mulheres guerreiras não deve ser esquecida… Unam-se mães, no dia das mães, no dia Internacional da Mulher, unam-se todos os dias do ano, para lutar pelo direito de ser livre para amar, de ser livre para ser mãe, ser solteira, ser lésbica. Lutem por mais essa causa, que a vida merece muito mais que filhos educados para serem machistas.

A vida merece a liberdade e o direito igual para todos.
Feliz Dia das Mães.

(1) Valdeck Almeida de Jesus é escritor, poeta e estudante de jornalismo. Site pessoal: www.galinhapulando.com .

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ARTIGO DA SEGUNDA: Sou gay e adoro futebol!

Postado em (Artigo da Segunda) por admin em 04-05-2009

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por João Paulo Magalhães

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Ainda existem gays que gostam de futebol” é a ironia em forma de comentário que me chegou como mensagem no MSN agora a pouco. Cômico seria se não houvesse um detalhe trágico: o irônico autor é gay. E daí?

E daí que eu adoro futebol. Ponto. Vou a estádio e tudo. Adoro.

A mídia parecia monotemática nos últimos dias. Televisão, rádio, jornal e internet só falavam das finais dos campeonatos estaduais. Aqui no nosso, Ceará e Fortaleza, campeões dos dois turnos (tecla SAP: o campeonato cearense se divide em primeiro e segundo turnos. Por quê? Gerar renda para os times, principalmente. Os dois “sub-campeões” disputam a final do campeonato e só um é eleito campeão do Campeonato Cearense de Futebol), disputaram uma partida de arrepiar. O melhor de tudo: deu Fortaleza. Leão, Tricolor de Aço. Bora, Leãaaaaaaao!

Minha paixão pelo futebol vem desde criancinha. Inesquecível foi a primeira vez que vi aquele gramado espetacular, em 1993. Não era tão bem tratado quanto hoje, mas já era lindo. As arquibancadas – lotadas – são o próprio espetáculo do evento. As conversas, os dramas, os palavrões e até a paquera. Tudo é fantástico. O futebol mexe com os meus sentimentos e eu não deixo de ser gay por isso.

Por que ainda há pessoas que se prestam a fazer comentários mesquinhos, beirando o ridículo? A pergunta é difícil, a resposta idem, mas alguns fazem questão de complicar ainda mais. Que diferença faz se um gay prefere ver futebol a assistir a um desfile de moda? Alguém se torna mais gay por se ligar à moda? Ou deixa de sê-lo por simplesmente ignorar os padrões estéticos? Cartão amarelo (advertência)!

Antes de sermos homo ou heterossexuais, nós somos brasileiros. Tudo bem, nem todo brasileiro é louco por futebol, mas a maioria é. Essa cultura está no nosso sangue, enraizada na nossa cultura. Eu sou gay, gosto de homens, mas minha paixão mesmo é o futebol. Se já deixei de sair com o namorado pra assistir a um jogo? Já.

O que é extremamente desagradável é ter de aturar comentários bobos, infantis, preconceituosos. Eu conheço poucos gays que, como eu, sabem discutir futebol, gostam de ir a estádios ou simplesmente torcem por um time. Alguns, quando me ouvem falar sobre o esporte, tentam cortar o assunto. Dizem ser “coisa de cafuçu”. Que bola fora!

Meu jeito sério é sinal de minha característica introspectiva, mas por vezes sou observado como uma pessoa séria demais. Diante de um jogo de futebol – ainda mais, decisivo – os meus sentimentos mais ocultos afloram. Uns dizem me desconhecer, outros se mostram ainda mais eufóricos que eu. O cartão vermelho (expulsão) existe justamente para aqueles que criticam. Fora!

O certo é que hoje eu estou feliz da vida. Meu time, o Tricolor de Aço, sagrou-se Tricampeão estadual pela terceira vez ontem. Isso quer dizer que o Fortaleza Esporte Clube já conquistou três títulos seguidos por três vezes em sua história. Meu time foi fundado em 23 de fevereiro de 1912 e ganhou seu 37º título estadual ontem, em cima do maior rival, o Ceará Sporting Club.

Por falta de companhia, assisti ao jogo de ontem em casa, pela TV. O primeiro tempo (um jogo de futebol é dividido em dois tempos de 45 minutos mais um tempo extra dado pelo árbitro) foi do Ceará, que precisava vencer. Aos 10 minutos do segundo tempo, o Fortaleza empatou e segurou o resultado até os angustiantes 49 minutos. Após o apito final, foi a vez do grito: É CAMPEÃAAAAAAAAAAAAAAO!

O futebol já me deu muitas emoções. Já me fez chorar, inclusive. Falo palavrão, repito canções de insulto à torcida adversária, visto a camisa de meu time, discuto com familiares, grito, berro, meu coração bate mais forte. Futebol é emoção, é prazer, é orgulho.

É gooooool! Claro, é do Leão. Tricampeão!

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ARTIGO DA SEGUNDA: Seria, ele, o homem certo no momento errado?

Postado em (Artigo da Segunda) por admin em 27-04-2009

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por João Paulo Magalhães

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É impossível ser feliz sozinho“, é a frase que estampa o espelho da suíte de um motel. Beijos, tesão, pegadas aqui e acolá e ainda mais beijos. Pegadas novamente, tesão, olhos no olhos, beijos e lambidas. Mãos, pés, nariz e mais o que você quiser. Mais tesão, pegada forte, puxão no cabelo, chupão (de leve) no pescoço, carinho no rosto. Ah, bateu o arrepio…

O que se passou ali foi incrível. Foram momentos que o corpo tratou de guardar e a mente, de perpetuar. Cenas facilmente encaixadas em roteiro de filme de amor. Ah, mas aquilo não era ficção. Aquilo foi real, tão real quanto os mais especiais momentos de nossa vida. Mas, tão especial quanto, ele foi passageiro. Não só de ficção vive a fantasia.

É incrível, mas você já reparou que os mais incríveis momentos acontecem quando você menos espera? É aquele cara que passa do outro lado da rua e cruza o olhar com o seu, ou aquele garoto que, do nada, pede uma informação e agradece com aquele sorriso capaz de balançar o mais rígido dos corações-de-pedra. Pensar em paquera faz arrepiar. E como arrepia!

Gostar é fácil. Difícil é haver reciprocidade neste gostar e, se houver, mais difícil ainda é ser retribuído na forma e no momento agradável. Namorar é difícil porque é muito mais do que gostar. Namorar é ter, mas é também poder. É ter carinho e atenção e poder retribuir da maneira e no momento oportuno. Namorar é sofrer, mas sofrer de amor não é nada agradável. Namorar é divino, é bom pra pele, pro ego e pro coração.

Por mais experientes que pensemos ser, por mais “blindados” pensemos estar, no namoro cada caso é um caso. Aos 24 anos eu já paquerei, já levei fora, já namorei e já fiz sexo sem compromisso como muitos outros. Já fui traído, já chorei depois de uma discussão, já saí todo perfumado de short e chinelo para encontrar aquele gatinho em quem não conseguia parar de pensar. Nem todos os casos progrediram, nem todas as paqueras deram certo, mas todos foram – muito – especiais.

Sim, o tesão uniu, mas quando ele passou ficou o sentimento. O beijo aproximou, mas o coração fez com que a gente nunca se separasse. A mão agarrou, mas a mente não deixou fugir. A lembrança ficou, mas a oportunidade foi embora. Seria, ele, o homem certo no momento errado?

A indagação acima foi uma forma de abrandar a afirmação. Os amigos fazem rir, os especiais se unem nos momentos bons e os mais especiais ainda nos fazem perceber a diferença entre ficção e a realidade, entre o sonho e o fato. Sim, não é nada agradável ouvir verdades quando o que mais queremos é fantasiar um momento. Não é agradável, mas é deveras importante.

Rolou prazer? Sim. Tesão? Muito. Foi bom? Demais. Foi uma decepção? Não. E aí? Nada. E bate o arrepio angustiante…

Afinal, qual seria o momento certo para o homem ideal? E afinal, quem faz o momento? O que é o momento? E o homem certo é o ideal? O que é certo, o que é ideal na nossa vida? Viver intensamente, evitar sofrer por pequenas coisas, chorar e sorrir sempre que quiser. O homem precisa ser o certo? Qual o momento ideal?

Já é madrugada de segunda e ele não me sai da cabeça. Nós nos conhecemos há cinco dias (sim, cinco dias), já perdemos contato uma vez e a noite de domingo terminou com telefonema desligado na cara depois de uma discussão. Tudo tão intenso quanto o que vivemos, tão real quanto o que fizemos. Que vai passar eu sei, afinal nada na vida é para sempre. Mas não quero que passe agora, eu quero viver.

O momento pode não ser o errado e o homem pode não ser o certo. Errado é deixar de viver e certo é fazer tudo aquilo a que temos direito, que estamos com vontade de fazer. E a minha vontade é de beijá-lo, abraçá-lo, cheirar o pescoço e sentir o peso suave da mão me alisando o rosto. A minha vontade é de parar o tempo quando ele dá aquele sorriso lindo, é de esquecer um pouco os problemas quando ganho um abraço. Eu o quero. Muito. Seria, ele, o meu homem certo no momento errado?

ARTIGO DA SEGUNDA: Afinal, a religião nos une ou nos separa?

Postado em (Artigo da Segunda) por admin em 13-04-2009

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por João Paulo Magalhães

Passado o período de Páscoa (de reflexão para cristãos e judeus e uma data qualquer para muçulmanos), é natural que fiquemos a refletir sobre vida e também sobre a morte, o que plantamos de bom enquanto vivemos. A morte celebrada na Páscoa é a lembrança de todo o sofrimento de Jesus Cristo, a quem os cristãos acreditam ser o filho de Deus. Para os seguidores do judaísmo e do islamismo, a páscoa é o nascimento da liberdade do seu povo. Para um, é a morte, o sofrimento. Para outro, é a liberdade, o nascimento.

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Religião nunca foi (nem agora é) o meu forte. Na verdade, respeito e acho de suma importância que cada cidadão tenha a sua crença, que siga seus ensinamentos e que – mais importante ainda – coloque em prática o que é pregado na teoria. A religião salva, liberta, mas também prende.

Na cabeça da maioria de nós, os gays, é comum que surjam muitas dúvidas quando a sexualidade nos começa a aflorar. Nem sempre sentimos atração no corpo do sexo oposto e quase nunca encaramos isso com naturalidade. É comum criar a imagem de pecado, e a Igreja Católica faz questão de contribuir ainda mais para estas indagações. Do mesmo jeito que liberta, a religião te acorrenta a uma teoria (sim, teoria) que pode não ser tão verdadeira assim.

A pergunta é: Afinal, a religião nos une ou nos separa? A crença num único Deus é fortalecida pelas três maiores religiões no mundo (islamismo, cristianismo e judaísmo). Quase 70% da população mundial se declara seguidor de alguma dessas religiões. Elas unem seus seguidores, mas também separam os povos. A Guerra Santa, ou jihad para os muçulmanos, é um exemplo disso.

Ainda no período colegial estudamos as Cruzadas, as guerras que a Igreja Católica iniciou para expulsar os muçulmanos da Europa. Por quê? Porque lá devia imperar o catolicismo, e ponto final. Deus e Alá são um só. Ninguém sabe quem são, ninguém nunca viu, mas muita gente acredita neles. Graças a Deus!

Em sua obriga publicada em 1844, o grande pensador Karl Marx (“o maior filósofo de todos os tempos”) disse: “Die Religion… Sie ist das Opium des Volkes“. No Brasil, conhecemos essa expressão como: A Religião é o Ópio do Povo. O ópio a que Marx se refere é a droga mais famosa de sua época, que se espalhara no Oriente e provoca euforia, inicialmente, para em seguida causar decadência física e intelectual. Entendam como quiser.

Alguns podem interpretar a religião como uma instituição paradoxal. Muçulmanos, católicos e judeus entendem a homossexualidade como um comportamento errado (para ser brando) e muitas vezes abominável (para ser mais claro). Mas isso não quer dizer que haja gays seguidores destas religiões. Aliás, há uma ideia clara: há gays religiosos e também há religiosos gays. Estes, muitas vezes, utilizam a religião para não encarar uma realidade; aqueles, por sua vez, usam da realidade para encarar a religião.

As Igrejas já defenderam guerras (portanto, usam uma justificativa para a morte) e também pregam a vida como uma dádiva super valiosa que deve ser, sempre, defendida antes de qualquer outra coisa. As Igrejas já mataram em nome da religião, mas já salvaram milhões de pessoas do desespero, já abrandaram muitas dores. É, sim, um paradoxo: causa dor, mas também afaga a ferida.

A Páscoa para mim é um exemplo de que mesmo discordando em alguns pontos, a religião é importante para a formação de um caráter íntegro. Seja pelo exemplo (triste) da morte, seja pela maravilhosa experiência da liberdade de um povo. A religião nos une na dor, e algumas vezes nos separa impedindo a cura de uma ferida. A religião é dor, mas também é afago. A morte é um afago e a libertação causa dor também. É um verdadeiro paradoxo a que estamos expostos. É o verdadeiro paradoxo da vida. Afinal, a religião nos une ou nos separa?

ARTIGO DA SEGUNDA: A imagem do Papa numa camisinha? Quanto desrespeito!

Postado em (Artigo da Segunda) por admin em 30-03-2009

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por João Paulo Magalhães

O mundo foi pego de surpresa na semana passada com a campanha de ativistas franceses a favor do uso de preservativos. Até aí, ideia bacana. O excesso ficou por fora: a embalagem trazia a imagem do Papa Bento XVI com a frase “I said No” (“eu digo não”, em português). Quer saber? Achei de muito mau gosto!

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Não, não sou católico fervoroso. Aliás, tampouco me considero católico. Acredito em Deus e isso já me é o bastante. Em minha concepção, é desrespeitoso desrespeitar a crença alheia. Sim, se eu não concordo com certas coisas da Igreja Católica, isso é uma decisão minha e não de outras 1,2 bilhão de pessoas.

Do ponto de vista do marketing, a jogada foi sensacional. A imprensa do mundo inteiro discutiu não só a foto, mas a relação da Igreja Católica com o uso da camisinha, uma indiscutível proteção muito mais do que necessária para a espécie humana. Do ponto de vista humano (leia-se, ético) foi um desastre!

A Igreja Católica é fervorosa quando critica o aborto? Sim, é. Faz até excomunhão. A Igreja Católica é incisiva quando critica o uso da camisinha? Sim. Os católicos seguem este dogma? Não, não seguem. Assim como não deixam de fazer o aborto, não deixam de se prevenir usando preservativo, tampouco a maioria dos católicos deixa de manter relação homossexual porque a Igreja diz… bem, a Igreja Católica condena, você sabe. Mas não entremos neste mérito.

A boa jogada de marketing foi só isso até chegar a ponto de desrespeitar uma crença. Nós, gays, temos uma boa capacidade de procurar entender o outro lado e não somos tão narcisistas quanto parecemos ser. Olhemos o caso pela lupa de nossa realidade diária, dentro de nossa casa.

É possível que uma parcela significativa (senão a maioria) dos leitores já tenha passado por algum problema em casa. Falo de problema religioso: “meu filho, isso é pecado“. Mesmo quando nossos pais aceitam nossa sexualidade, a ideia de que isso está errada persiste. E precisaremos sacrificar mais de uma geração inteira para que os homossexuais possam ser vistos com naturalidade (ou não).

camisinha_do_papaSim, a Igreja Católica (chefiada por Joseph Alois Ratzinger, ou Bento XVI) é calorosamente contra o uso de camisinha, assim como nossos pais podem ver uma relação homossexual com receio. Imprimir a imagem de um religioso numa camisinha é como estampar a cara de nossos pais numa revista pornô com os dizeres: “Não faça isso!”. É falta de respeito? Eu julgo que sim. É de mau gosto? Muito!

Se o Papa acredita que a camisinha é somente mais uma parte do problema da AIDS (entre outras DSTs, naturalmente), a opinião é dele. Tudo bem, Bento XVI é formador de opinião e divulga seu pensamento (embora discordante de nossa opinião) para outras bilhões de pessoas no mundo. A mensagem é dele, e segue quem quer. Ninguém tem o direito de censurá-la, mesmo que alguém duvide da eficácia de sua ideia.

A Igreja Católica tem um vasto histórico de erros, e até a sua alta cúpula assume isso. Católicos mataram milhões de pessoas nas Cruzadas e continuam a fazer Guerra Santa (católicos x protestantes) na Irlanda do Norte. A Igreja apoiou a escravidão em troca de terras e riqueza. Os jesuítas “catequizaram” os nativos americanos (mataram-nos, em outras palavras). A Igreja apoiou o Holocausto e o papa anterior, João Paulo II, se redimiu de todos estes erros do passado e pediu desculpas (num gesto raro, mas nobre). Hoje, a Igreja critica a camisinha, é dura com o aborto e até branda (se é que podemos dizer isso) com os homossexuais (“é errado, mas nós os amamos”). Quem garante que eles não revejam essas ideias mais adiante?

Nós, gays, passamos por situações (muitas vezes, vexatórias) que nos tornam socialmente mais fechados, porém mais abertos a lidar com a diferença. A campanha da camisinha pode até não ter sido necessariamente uma jogada a favor dos direitos homossexuais, mas nossos semelhantes estão cada vez mais instruídos e a par dos problemas causados pela relação sexual sem preservativo. A crítica à camisinha é mais um dos erros, ao meu ver, que a Igreja pode vir a corrigir nos próximos anos (ou séculos), mas sua opinião deve ser respeitada.

Respeitar as diferenças (não só as sexuais, mas de opinião também) deve ser o guia para as próximas gerações. Seguramente será, porque é cada vez mais comum a totalmente pacífica convivência entre hetero e homossexuais. O tempo vai tratar de mostrar à Igreja Católica que algumas de suas defesas pela moralidade (sic) são coisas do passado, e somente isso. O futuro é fruto do aperfeiçoamento das opiniões do presente, e nada (nem a Igreja) será capaz de barrar o uso da camisinha, talvez uma das mais importantes criações que somente no século passado (com o advento da AIDS) tenham sido popularizadas.

A Igreja Católica nos deve respeito porque também somos criações de Deus (segundo a crença religiosa). E nós devemos respeito à Igreja pelo mesmo motivo. “Amai-vos uns aos outros” (João 13,34). Este é talvez o mais nobre dos ensinamentos da Igreja Católica. Talvez o único.

ARTIGO DA SEGUNDA: A banalização da “putaria”

Postado em (Artigo da Segunda) por admin em 09-03-2009

Tá difícil arranjar namoro hoje em dia, viu?! E como tá. Essa não é simplesmente uma afirmação, mas faz parte – quase que com unanimidade – das rodas de conversa entre amigos e até ex-desconhecidos (aquele “novo conhecido”, com quem você inicia uma conversa).

Com significado bem amplo, a “putaria” a que me refiro é o excesso de “pega e não se apega”, a popular “linha puta”: olhar, beijar e deixar. Assim mesmo, nesta ordem, e sem qualquer escolha. Basta passar na frente e… Bingo!  O “velocímetro” continua rodando, afinal, a “fila” não anda, ela voa em velocidade supersônica.

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Nem adianta se fazer de santinho, de coitadinho, de bem amado. Se até hoje você nunca se jogou na buraqueira, certamente um dia o fará. Por que? Porque tá na moda ficar e não se apegar; é a completa banalização da putaria! Seria um fenômeno nacional? Local, será? Ou, digo mais, é um fenômeno natural? Sobrenatural? Imoral?

Desculpas para isso não faltam. “Terminei o namoro, estou sofrendo e quero arranjar logo alguém“. Faça a puta! “Ah, eu nunca namorei – e nem quero“. Arreie a quenga! “Eu sou tímido e só consigo pegar alguém quando estou bêbado“. Então beba! “Eu sou feio e as pessoas só ficam comigo quando estão em estado de embriaguez total“. Reze! “Rezar para quê?” Para que haja muita gente bêbada, ora!

O mais comum dos casos acima é o primeiro, em que alguém tenta curar a saudade de outro alguém “usando a boca” de outro ser humano. Isso é justo? Isso é ético? Sei lá… Funciona? Às vezes sim, às vezes não. Há pessoas que se dão bem nisso. Dão sorte, é possível. Outras dão azar: ficam com o melhor amigo do ex aí a putaria (no sentido mais negativo possível) tá feita. Ah, quer saber? Fuja disso.

Os homens de hoje banalizaram a putaria porque é difícil encontrar alguém que se encaixe na maioria de suas exigências. Tudo bem que tem gente que excede demais no pedido de namoro pro Papai Noel, mas é impossível continuar um relacionamento com um homem seco (magérrimo) se você gosta mesmo é dos que têm carne. A não ser que o magrinho atenda a outros gostos do seu tipo de homem.

Não há nada mais broxante do que conversar com um cara (bonitinho, às vezes não) e ele, com cinco minutos, já vir falar em namoro. Calma, gente! Todo mundo fala em namoro, seus amigos vivem de caso, mas o homem certo vai vir no momento ideal. Demora? Pode demorar dias, meses, anos, às vezes até décadas. Mas um dia ele vem.

As pessoas mais especiais de minha vida eu conheci em momentos que nunca imaginei que fosse rolar. É aquela velha história da surpresa, é a mais pura essência do ser surpreendido da melhor forma, com a pessoa mais incrível que você conheceu até ali. Alguns têm paciência para levar essa demora na boa, outros não.

Há os que usam do célebre ditado: “enquanto não encontro o homem certo, eu me divirto com os errados“. Criticar? Para quê? Aplaudir? Para que também? O homem da sua vida pode vir justamente no meio desses errados, mas também pode se afastar ao vê-lo se divertindo com todos os outros errados. O que fazer? Paciência!

Paciência é o remédio para quem quer namoro sério hoje. Falei acima dos que gostam – e fazem – putaria, mas também há muita gente atrás de um relacionamento hoje. Poxa, há algo mais gostoso que acordar de manhã com a ligação do gatinho? E aquela mensagem apaixonada? O jantar a dois. Aquelas risadas bobas e as briguinhas infantis que nos fazem voltar a ser criança. E que tal andar de mãozinhas dadas, ficar a noite toda agarradinho, sentindo o cheiro do pescoço e beijando muito na boca? Ah, e isso é porque nem comecei a falar do sexo.

Depois de voar com as palavras acima, que tal começar a paquera agora? Lembra daquele gatinho da balada de sábado com quem você paquerou pencas, mas ficou foi com o amigo dele? Vai ser difícil conquistá-lo, hein?! E aquele gatíssimo que passou, olhou no fundo dos teus olhos e desapareceu? Será que foi embora mesmo ou aquele não era o momento certo de vocês se conhecerem?

O bom da vida é experimentar, é ousar. Ficar é muito bom, namorar é maravilhoso, mas ser correspondido é incrível, é divino. E para ser correspondido nos dias de hoje, bem além de arranjarmos um namorado, temos de reorganizar nossa vida, nossas atitudes. Quer fazer a puta? Faça, mas lembre-se das consequencias. Quer fazer a santa? Faça também, mas lembre-se que você vai ficar sozinho. Por um bom tempo ou não, ficar sozinho é essencial para o autoconhecimento. Ficar sozinho pode secar o ego, mas nos enche de esperança para o grande encontro com aquele gatinho com quem você sempre sonhou.

Eu lanço um desafio: que tal parar de distribuir beijos e investir numa só pessoa? Não tem ninguém em mente? Aguarde. Afinal, quem gosta de namorar aquele cara que, onde você chega, há gente comentando: “Tu tá namorando o Fulano? Já fiquei com ele!.

ARTIGO DA SEGUNDA: Ah, Diego, por que eu te deixei passar? Por quê?

Postado em (Artigo da Segunda) por admin em 03-03-2009

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por João Paulo Magalhães

Ah, aquele chupão no pescoço… que lembrança maravilhosa! O carnaval passou, todo mundo já sabe de cor as putarias que fez (e até as que fez e não lembrava), os excessos deram o tom do período e o que sobra? Saudades, muitas saudades!

Estou numa época bastante reflexiva, acredita? E é porque geralmente meu lado emocional é (bem) regular. Tanta reflexão me fez pensar mais no que deixei de fazer do que fiz, propriamente dito. O que deixei de fazer, confesso, me deixou com mais saudades e uma incrível dor na consciência: por que eu deixei aquele gatinho de Natal passar? Por quê? Porra!

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Para todo sujeito com cara de nerd, de óculos e com timidez em demasia, é excitante ser paquerado pelo garoto-mais-lindo-da-festa. E bota excitante nisso! Mas nem sempre a excitação é a garantia do sucesso. Bem, aquele gatinho eu beijei, o problema é que só beijei.

Calma, calma, calma. Tudo bem que era carnaval, que era a época da putaria reinar, que não sou nenhum neurótico sexual e passo longe de ser santinho. O problema, caro leitor, é que me apequenei diante de tudo aquilo. O gatinho olhou, me puxou pelo braço (sabe aquele puxão de macho? Ainda fico arrepiado…), disse poucas palavras ao pé do ouvido (das quais só lembro do nome dele), tascou-me um beijo, fez minha vida parar por alguns instantes e o juízo – bem, que juízo? – fazer uma visitinha a Plutão. E eu, caro leitor, sabe o que fiz? “Ai, vou dar uma voltinha…”.

Tá, pode me esculhambar que eu mereço, só não vale me apoiar, dizendo que fiz certo porque estávamos (bingo!) no carnaval. Paciência…

Mas se o tímido pegou o gatinho-mais-lindo-da-festa, por que ele se arrependeu? Vai fazer a bonita? O problema é que em vez de fazer a bonita, ele inovou: foi fazer a puta. Foi querer ficar com quem visse pela frente, foi querer aproveitar o breve momento de embriaguez (mas consciente) para fazer o que seu amigo costumeiramente faz.

Aqui não vale o brega (porém sábio) dito do “diz-me com quem andas e dir-te-ei quem és“. Enquanto eu sou tímido, meu amigo é uma beleza de extrovertido (pra ficar por aqui). Mas não fui querer copiá-lo, nem vou negar que ficar com vários é um maravilhoso estimulante para o ego que ultimamente andava nada estimulado.

O problema é que ficar com quantos quiser não faz parte de minha personalidade. Não é minha praia, saca? Nada contra, mas não sou assim. O outro problema foi que deixei o gatinho esperando. Outro maior ainda foi olhar a cara dele de decepção ao me ver ficando com o terceiro da noite. E o problema maior foi: quando eu quis, já era tarde. Puta que pariu! De novo: puta que pariu! Porra!

A vida é realmente dura para quem tem atitudes moles, por vezes infantis. Perdi a oportunidade de conhecer um cara super gato, com quem passei breves e encantadores 20 minutos, mais que suficientes para torná-lo inesquecível. Eu fui mole, pequei com minhas ideias (não diria princípios), caí na falsa tentação e fiquei no duro, na dura realidade de ter fracassado naquele dia. Logo num sábado, um sábado de carnaval. Puxa vida!

A lembrança daqueles momentos maravilhosos ainda não me saiu da cabeça. Foram 20 minutos que marcaram, tanto que resolvi expressar aqui tamanha impaciência com este peso que me tem tomado a consciência.

Ah, Diego, ah Diego… como me arrependi. Você fez certo, eu errei. Seria pedir demais, mas queria tanto te reencontrar. Queria tanto te mostrar que não sou aquilo que mostrei. Ah, Diego, eu pequei, eu errei. Eu me arrependi e sei, já é tarde. Como pude ter te deixado passar? Como pude ter errado tanto, logo com você?

Ah, Diego, ficou em mim uma lembrança. E que lembrança! Não consigo parar de pensar em ti, não consegui te esquecer. Quanto tempo precisarei para isso? Mas uma coisa já passou, já sumiu: aquele chupão que me deixaste no pescoço já saiu, mas nunca me deixará esquecer daquele dia. Ah, Diego… Ah, Diego…

P.S.: não sou (ou era) nada romântico. Pelo menos achava (ou agora tenho certeza de que não sou mesmo). Aquele chupão deixou marcas bem além da superfície. Nem me pergunte por foto dele… queria tanto!

ARTIGO DA SEGUNDA: E gotas de glitter caíram no chão!

Postado em (Artigo da Segunda) por admin em 15-02-2009

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por João Paulo Magalhães

Tinha tudo pra dar certo, mas não deu tão certo assim. Previa-se um fracasso total, mas não o foi. Não total, mas foi fracasso. Quando digo que em Fortaleza não há mais espaço para o amadorismo, não tiro o pensamento de uma bola de cristal, mas de uma bolha de vidro que me permite fazer uma singela ponte entre o público e os artistas/empresários/aspirantes a famosos.

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É muito cômodo analisar uma situação de longe sem perceber a fundo todo o esforço investido, as gotas de suor derramadas, a expectativa depois das tantas ligações e da lágrima do resultado. Não de fracasso, mas lágrimas que diriam “será que você fez tudo certo?“.

Podia ter sido melhor. Sim, podia. Mas podia ser bem pior se não tivéssemos pessoas interessadas em um diferencial, em fazer um evento diferente. Mesmo que esse diferente seja tão diferente que os opostos sequer notam a diferença.

Quem gosta de café com adoçante, dificilmente aceita tomá-lo com açúcar somente em respeito ao anfitrião. Não que o açúcar seja prejudicial à saúde e o adoçante seja o símbolo básico da magreza, o hipócrita sentido da estética. Se essa informação tivesse sido levada em conta, o café não seria derramado da xícara com a rapidez do ato de se despedir de alguém: “Muito obrigado, mas eu tenho de ir embora“.

Para trabalhar com gays é preciso ter paciência. O resultado não sai da noite para o dia, assim como gotas de luxo não caem do céu. No tempero da vida, temos de aprender a dosar sentimentos, a perceber oportunidades e, fundamentalmente, temos de saber que nem sempre investir dinheiro numa proposta (mesmo que ela seja diferente – às vezes nem tanto) é garantia de sucesso. Aliás, sugiro que os verbos aprender, perceber e saber sejam mais levados em consideração.

É extremamente desagradável criticar uma coisa quando ela não atinge o seu objetivo, assim como é demasiadamente cruel só olhar para um lado negativo. Eu sugiro uma pergunta, uma apenas: QUEM AQUI NUNCA FRACASSOU? Quem aqui nunca promoveu uma festinha de amigos e só contou com meia dúzia deles? Quem aqui nunca se surpreendeu (positivamente) com o “ombro amigo” de um desconhecido quando precisou? Quem? Quem? Quem?

O amadorismo deve passar longe de nosso planejamento de vida, não apenas do ofício. Ser amador é preparar-se para o fracasso, sempre. Mas, afinal, leitor, o que é ser amador?

No meio do mercado mix de Fortaleza temos inúmeros exemplos de início fracassado e de final exitoso. O clichê do “todo início é difícil” é uma gota de ânimo para o também clichê: “foi ruim, mas o próximo pode ser melhor“. Ser amador é insistir num caso de fracasso, por mais clichê que ele seja; ser profissional, ao meu ver, é seguir um caso de sucesso – por mais clichê que ele também seja, obviamente.

O êxito profissional é uma combinação de resultados tão complexa quanto uma equação matemática, mas tão nobre como uma relação social. Ela deve ser baseada no respeito, mas tem de contar com boas doses de força interior, audácia e ganância. Eu não conheço um profissional de sucesso que não seja ganancioso. E há uma opinião unânime: quem não tem ganância, firma-se para sempre no papel de mero coadjuvante da cena.

Foi ruim, mas podia ter sido melhor. Sim, podia ter sido melhor, mas não foi tão ruim. A experiência conta, a frustração é válida, a preocupação deve ser levada em conta para os projetos seguintes, mas deve-se ter uma certeza: ser profissional é honrar seus compromissos. Do mesmo jeito que ser amador é cair na armadilha da desonra pública: quem tenta enganar, engana-se duas vezes. Lembre-se!

A tentação do ser famoso é grande, o puxa-saquismo ainda impera, mas é triste perceber o erro quando ele podia ter sido um grande acerto. Errar não é fracassar uma vez, mas acertar é sim ter êxito depois de um fracasso. As duas, mesmo tão distantes, se ligam. Interligam-se, pra ser poético. Errar e acertar são tão ligados que às vezes se tornam iguais. Mas a ideia não era ser diferente? Era. Foi.

Não esqueça que ser diferente vem depois de ser. E ser não é simplesmente um verbo intransitivo. Ser tem uma conjugação pessoal bem acima da verbal. Foi, é e será são variações de um mesmo verbo, mas são diferentes porque não estão no mesmo tempo. E para estarmos no tempo ideal, precisamos focar nosso investimento, nos cercar de profissionais que conheçam o tempo e, mais do que isso, saber aonde estamos indo. Porque embora pingos de sucesso não caiam do céu, gotas de fracasso são levadas ao chão quando o amadorismo impera.

O período é de carnaval, a folia toma conta dos sentimentos, as ações são uma putaria (com o perdão da expressão chula), mas a fantasia nunca sai da nossa mente. A fantasia de dias melhores deve ser mais forte que uma pitada de glitter. A fantasia fica, mas as gotas de glitter saem, vão embora para o lixo.

A fantasia de um trabalho melhor conta para um futuro exitoso. O glitter, poeticamente ilustrado, cai em gotas. Pouco a pouco ou de uma vez. E as gotas caem. Ontem, gotas de glitter caíram no chão! E a fantasia, onde estará amanhã?

ARTIGO DA SEGUNDA: O quê? Aquele “hetero” é gay?

Postado em (Artigo da Segunda) por admin em 09-02-2009

- O quê? Você fez com o Paulão?
- Sim, o próprio.
- O Paulão? Aquele homofóbico? Aquele que fala mal das gays, que bate em viado, que surrou a irmã quando ela se assumiu sapa?
- E caia: eu fui ativa!
- Passada!

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O papo acima é fictício, as personagens também, mas a essência é real: quanto mais nós, gays, nos conhecemos internamente, mais nos deparamos com situações envolvendo a mais fraca face da homofobia: hipocrisia enrustida. Ou seria a enrustida homossexualidade?

Existe uma regra básica que certamente você já comentou com algum amigo hetero: SEMPRE DESCONFIE DE QUEM FALA MAL DOS GAYS. E incluso a isto não está somente a questão da homofobia, mas de uma irresistível atração pelo mesmo sexo que por vezes é ocultada (ou, pelo menos, pretende-se ocultar) pelo ato de falar. Criticar.

É possível também que você, meu leitor, já tenha até protagonizado uma cena de “iniciar” um “heterossexual” (com todas as suas aspas) numa relação homoafetiva. Sim, conheço vários amigos que depois de tentar a felicidade com tantas mulheres, resolveram investir num homem, com todas as características físicas que aí se encontram. O que vem ao caso são os pseudo-homofóbicos, aqueles que criticam por trás e na frente (ou atrás também, por que não?) encaram a homossexualidade como um fetiche. Um fetiche muitas vezes inconfessável.

O popular ato do banheirão (precisa explicar?) é a saída de muitos deles. Viu um cara afeminado passeando no shopping? “Não sei o que um viadinho vem fazer num ambiente desse“. Viu um gatinho com cara e jeito de homem? “Minha gata, vou ali dar um mijão“. Diante do mictório, todos os seus inconfessáveis desejos ficam reféns de um órgão cabeçudo que realiza no de baixo o que o de cima sempre quis. São minutos, as vezes segundos, de desejos reprimidos que na loucura do orgasmo deixam ali muito mais do que sêmen: um gosto reprimido.

Deve haver algum leitor que “virou gay” depois da primeira transa homo. Há outros que sequer experimentaram o sexo oposto. “O que eu faria com aquilo? Nada!“. O mais comum é conhecer boys que viraram gays depois de provar da fruta. Ou de ser provado, por que não?

Quanto mais o tempo passa mais a gente se depara com opiniões diferentes, mas sempre com o enredo igual: “ele era o gostosão da rua, namorava minha irmã, comia todas as meninas da rua e ontem foi pego dando o c* pro melhor amigo dele“. Decepção ou orgulho?

Todo gay sabe que o verdadeiro heterossexual é aquele que chega, conversa, brinca e até troca experiências de vida. O hetero convicto é aquele que abraça – e beija – até mesmo um gay. O afeto, seja por beijo, abraço ou aperto de mão, não muda a sexualidade de alguém. Mas há uma infalível forma para conhecer um falso hetero: dê a ele cinco minutos, bastam cinco, de anonimato, de privacidade. Ele vai se jogar, galera!

No banheiro, na cama, na escada ou no elevador, é possível que no momento em que você lê este artigo um hetero-come-todas-e-odeia-viado esteja caindo na tentação de dar. Você sabe o que, só não sabe para quem. “Tá faltando homem no mercado“, dizem elas. Até para os gays, meninas. Acreditem!

ARTIGO DA SEGUNDA: Afinal, de que lado está o vilão?

Postado em (Artigo da Segunda) por admin em 02-02-2009

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por João Paulo Magalhães

Por que nós sempre procuramos um vilão para justificar os próprios fracassos? Por que algumas pessoas insistem em debater um assunto do qual nada sabem e do qual tanto se especula? Por que, leitor? Por quê?

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Fugindo do clichê “não me interessa o que pensam de mim”, protesto: eu me interesso sim! Claro, quero saber para mudar o que achar de errado e investir mais ainda para melhorar o que julgo (ou o que as pessoas julgam) correto. Uma coisa é fazer uma auto análise. Outra coisa é fazer SÓ o que mandam. E quanto a isso, caro leitor, tenho a consciência limpa.

Certa vez, parado em frente a uma boate, vi uma certa artista acenando, fazendo caras e bocas como se protestasse. Como estava, me mantive. Não achando pouco, a mesma famosa veio para perto. O vidro estava fechado, as portas trancadas e por sorte passou uma viatura do Ronda do Quarteirão. Calma, não ia chamar a polícia. Eu sequer ouvi o que aquela personagem dizia. Acredito que é sempre vantajoso ouvir, desde que seja proveitoso. Ouvir desaforo ou aguentar chiliques de gente de ego ferido é perda de tempo. E só isso: perda de tempo.

Tamanho protesto (pra ser bondoso) provavelmente tenha sido porque a mesma foi (e será) alvo de críticas no ZONAMIX. Ela, como qualquer outra, será criticada quando julgarmos um momento ruim. Não que ela seja sempre ruim, ou que as outras sejam sempre as boas. Aqui, não há proteção. Nós devemos uma resposta ao público. E somente a ele. Acertou? Que ótimo, ganha elogios. Errou? Lamento, mas cabe uma crítica. Quem sabe você melhora na próxima apresentação!

O que espanta é perceber que há gente que ainda se coloca como mocinho e procura sempre um vilão para a história. Há aquele que acha que basta pagar para ser bem falado, mas há também aquele que acha que saiu porque alguém pediu. Ah, paciência. Aqui, tem quem mande. E são dois. Somente!

Trabalhar para o público é também um ato de extremo conhecimento interior. Muitas vezes a gente erra quando pensa que vai acertar, e acaba tendo muito êxito quando pensa que sairia o contrário. São coisas da vida, gente.

O primeiro mês de 2009 voou, vocês perceberam? Não, não, nenhum trabalho caiu do céu ou o sucesso vai sair se expandindo feito pólen, só com a força do vento. O vento traz sim uma oportunidade de sucesso, mas para aqueles que estão preparados para recebê-lo. Afinal, as oportunidades se dissipam no ar. Elas são como o vento: passam. E somente passam.

Muitas vezes paramos para pensar: por que isso aconteceu comigo? Eu dei o melhor de mim e o público não percebeu. Por quê? Outros preferem pensar positivo: eu errei aqui, mas na próxima não vou cometer este mesmo erro. Página virada. Ótimo pensar assim. Que bom seria manter esse nível de comportamento. Você concorda?

Na dúvida, que saibamos ouvir. É sempre bom ouvir, ler, conversar com o público. É muito bom fazer perguntas, até mesmo aquelas mais cabeludas e aquelas que jamais gostaríamos de responder. É um bom exercício, experimente.E pergunte-se: Afinal, de que lado está o vilão?

ARTIGO DA SEGUNDA: Posso desabafar? É péssimo estar solteiro!

Postado em (Artigo da Segunda) por admin em 26-01-2009

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por João Paulo Magalhães

A coisa mais complicada do mundo é o namoro. Pelo menos é o que falam. Tudo bem, pode ser uma das mais complicadas. Aliás, refaço: a coisa mais complicada do mundo é… ficar sem namorado.

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Ah, é chato. Na solteirice o humor piora, o raciocínio às vezes desanda, a vista cansa, a secura aumenta… A paciência, ah! a paciência, esta sim é desejada… porém, na solteirice, ela é quase ausente.

Há algumas pessoas que chamo de Independentes de Namoro desde o Nascimento. Em uma sigla: INN. Há outros que chamo de Dependentes de Namoro desde o Nascimento, os DNN. Com a máxima do “toda regra tem sua exceção”, descarto os demais e me limito aos dois citados.

namoro_artigo2Os membros do INN são aqueles que ficam, ficam, ficam e só ficam. “Namoro? O que é isso?” Namorar é agarrar um gatinho mais de uma vez. “Ué, já bati meu recorde ao ficar com um duas vezes”. Não, doido. Namorar é ficar bem além de duas vezes… é jantar junto, viajar acompanhado, dormir abraçadinho, transar todo dia. “Ué, eu transo”. Com um? “Com um… por dia”. Ai, deixa pra lá…

Um papo entre dois DNN seria engraçado, né? Ai, estou apaixonado. “Que óoootimo, amigo. Quem é o gato?”. Aquele amigo daquele fica, daquele ano. Lembra? “Qual? Aquele com quem você passou três meses?” Não, antes dele. “O de dois anos?” Não, depois dele… “Teve o de 1 ano e sete meses”. Foi antes. “Ah, deixa pra lá… e aí?” Terminei com Paulinho ontem e comecei com ele agora a pouco. “Que ótimo, amigo. Eu também voltei com o meu”. Com o teu? “É… com o Julinho, o ex”. Que ex? “O Julinho, antes do Carlinhos, com quem comecei depois de namorar o Fernandinho”. Complicado, né? Os DNN são aqueles que não conseguem sequer passar dias, imagina meses, sem um namorado. Que coisa!

Mais difícil que entender uma conversa entre dois DNN é entender o que se passa na cabeça de um Dependente de Namoro desde o Nascimento. Seriam eles mais felizes? Ou menos infelizes? Aliás, qual o conceito de felicidade?

namoro_artigoQuem é mais feliz? Os INN, com toda sua independência de namoro, ou os DNN, com zero de carência afetiva? Falando em carência afetiva, o INN leva desvantagem nisso ou sua vantagem está no fato de ele não se ligar a ninguém? Estaria protegido? O DNN ficaria em desvantagem por querer beijar demais, transar demais, viajar demais… e quebrar a cara demais?

O fato é que cada um tem seus motivos para se achar no INN ou se perder no DNN. Podemos ainda inverter as posições: se perder no INN e se achar no DDN. Inverter posições é bom, é legal. Para alguns dá prazer, para outros nem tanto. Há os que preferem uma posição só, mesmo que desde sempre. Há os que variam. Há os que não variam.

Na vida, há os INN e os DNN. Mas, muito além deles, há os que amam e são amados. Há os que não amam e são amados, e os que amam e não, infelizmente não, não são amados. Na vida há muitas outras espécies de dependentes ou independentes. Posso desabafar? É péssimo estar solteiro!

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ARTIGO DA SEGUNDA: Ei, psiu! Eu (não) quero ser famoso!

Postado em (Artigo da Segunda) por admin em 19-01-2009

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por João Paulo Magalhães

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Começou mais uma edição do programa Big Brother Brasil. Críticas ou elogios à parte, a questão é: o que NÃO vale fazer para ser famoso? Os participantes de lá juram a lei de que “na guerra, tudo vale”. Mas de que guerra falamos? Vale a pena fazer sacrifícios físicos e psicológicos por dinheiro? Mais ainda: vale a pena passar por cima da ética pelo simples fato de tornar-se famoso?

famaA máxima da discussão pode ser inserida entre gays, lésbicas e afins aqui em Fortaleza. E reformulo a pergunta: estaria, você, preparado para todos os testes (físicos e psicológicos) que a FAMA exige? Estaria, você, preparado psicologicamente para críticas públicas? Você aceitaria ter o profissionalismo contestado em meio a milhares de leitores (ou curiosos)?

Já ouvi histórias que me fizeram rir, seja por total desprezo, seja pelo caráter cômico, meramente cômico, de sua essência. Mas também já ouvi (e vi, e li) história para chorar. Chorar de rir e chorar de profundo desprezo. Vale também um choro de lamentação?

É incrível a rotulação por que passam empresários, artistas, profissionais ou aspirantes a famosos que desempenham trabalho, seja ele qual for. Peguemos a nossa lupa e foquemos um mercado mais específico: o de Fortaleza.

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Já fui recebido com um “chegou a nata da sociedade gay cearense“. Ai, permitam-me. Puta-que-pariu, que brega! Pra citar outro exemplo: “Tudo bem, meu amoooooooooor?” (acompanhado de um largo sorriso). Horas, dias ou minutos depois: “ei, você ainda tem cortesia para essa festa”? Tá, eu deixo… pode rir!

fama3E também já escutei casos curiosos: “Bote o meu banner na frente porque eu sou mais bonito“. Uh! “Quando eu vou ser o Personagem da Semana, hein?”. A resposta dos sonhos: quando você disser a que veio. Vai mais uma: “Você podia fazer uma fazer uma matéria comigo“. É? “É… podia me colocar como promoter-revelação“. Gargalhe à vontade!

Sendo justo e sincero, eles são poucos, pouquíssimos. Sempre tive a sorte de viver cercado por pessoas boas, competentes e, embora humanos (propensos a falhas, contudo), que têm algo na cabeça além de cabelos (pintados ou não) e ideias além da crítica à roupa daquela bicha ali, ou da ausência de marca da camisa da outra de cá. Mera futilidade. E ainda dizem que os humanos são diferentes. Será?

O fato é que não são 7 intensos anos. São 84 intensos meses de alegrias e tristezas. Mais que isso, são aproximadamente 2.500 dias dedicados ao trabalho, mais de 60.000 horas na frente do computador ou planejando o que escrever quando estiver diante dele. Foi um tempo rápido que me deu experiência, algumas tristezas, inúmeros motivos para celebrar e milhões (sim, milhões) de pessoas lendo textos nossos. É um fato a ser celebrado. Mas, definitivamente, a causa não é a fama. A fama sequer é a consequencia.

fama5O fato de ser conhecido mais prejudica que ajuda. No momento da paquera, é brochante quando o gatinho vem e diz: “Eu adoro o seu trabalho, João Paulo Magalhães“. Pow, cala a boca e beija logo!

Mas também é bom fazer um trabalho amplo. Do outro lado da paquera, é extremamente gratificante e excitante receber um elogio de quem você nunca imaginou existir. “Você é o João Paulo Magalhães?“. Sim. “Parabéns pelo ZONAMIX!“. Muito obrigado. Você tem alguma sugestão? “Sim, que tal vocês fazerem uma coluna sobre…“. Que ideia bacana. Vamos estudá-la. “Pois veja mesmo. Vai bombar“. Muito obrigado.

Tão gostoso quanto o orgasmo (tudo bem, um pouquinho menos gostoso) é receber uma crítica construtiva, um elogio bem fundamentado e uma sugestão totalmente aproveitável. Ah! Como é bom ser… famoso? Aliás, o que é fama?

fama6Você é o famoso barman?“. Famoso e gostoso, hein! “Você é a famosa drag-queen cara de puta?” Putíssima! “Você é o famoso promoter… como é o nome mesmo?” Deixa pra lá…

Aliás, que famoso você é? Que fama você quer? Quem você chama de famoso? E quem não é, você intitula de pão-com-ovo? A rima, solta, é também uma ironia. Um provável fruto do destino (ou da falta de educação e cultura de alguns).

A fama está para todos como a riqueza. Uns lutam para conquistar, sabem aproveitar ou simplesmente se lambuzam com uma lama passageira. Outros, conquistam pelo trabalho. Adoram se exibir e não perdem uma oportunidade de aparecer. Há também os que conseguem conviver com a fama, mantém-se simples e pés-no-chão.

Afinal, o que é a fama? Você quer mesmo aparecer? E, se quiser, que profissional você é? Quem tem fama, nem sempre leva quem quer para a cama. Mas quem faz muito bem na cama, tem fama. Velada ou solta, tem fama e (este sim) leva pra cama. A pergunta é: que fama você quer?

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ARTIGO DA SEGUNDA: Depilar? Aparar? Brochar? Você aprova a depilação masculina?

Postado em (Artigo da Segunda) por admin em 12-01-2009

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Por João Paulo Magalhães

depilacao3Ah, que me desculpem os depilados, mas o pelo faz parte da beleza masculina. É minha visão – pode não ser a sua -, e tenho certeza de que muitos concordam: não há nada mais brochante que ir para a cama com um homem que depila até a sobrancelha. Francamente!

A ideia deste artigo me veio à cabeça quando lia uma matéria sobre o tema na revista Época (Nº 555, p. 76). A manchete era: “Eles se depilam, elas adoram”, e dizia como as mulheres aprovam (obviamente houve espaço para as críticas) e até incentivam a nova onda de vaidade masculina. A revista encara o tema como uma transposição da cultura gay para o heterossexual. Será que todo gay se depila?

Não sei se posso chamar essa atração por pelos de fetiche. Não sei. Pode ser. Mas também pode não ser. Além do intelecto, o que atrai num homem é o jeito de homem, as ações de homem, as atitudes de homem. Não que um depilado seja mais ou menos homem, mas pelo é sinônimo de masculinidade, não de falta de higiene.

depilacao5“No calor do Brasil, é mais higiênico homem sem pelos”, disse uma carioca de 19 anos à Época, que afirmou detestar pelos no corpo masculino. Seu próximo passo, acredite, é depilar o peito de seu namorado, Bruno. Ah! Cada um com seus gostos…

A principal desculpa para a depilação está na higiene. Mas fico a me perguntar: pelos realmente causam mau cheiro?

O suor, seja ele masculino ou feminino, é causado pela ação das glândulas sudoríparas que são responsáveis pela manutenção da temperatura corporal – o que, evidentemente, possibilita a normalidade fisiológica. Essas glândulas se localizam em todo o corpo (por isso você sua tanto). As responsáveis pelo odor característicos são as apócrinas, localizadas nas axilas, na genitália e ao redor dos mamilos. O mau cheiro é causado pela secreção da decomposição de bactérias, uma defesa natural do organismo humano.

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Muito além da aula de biologia, há os que garantam que depilar as axilas, por exemplo, acaba com o mau cheiro daquela parte. O mesmo vale para os mamilos (peito) e para a região genital. Os pelos do saco escrotal, aprendemos ainda no período colegial, são responsáveis por manter uma temperatura propícia à correta produção de espermatozóides. Aí entra, com certeza, a garantia da proliferação da espécie. Viva Charles Darwin!

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Para mim, mau cheiro é causado pela falta de higiene pessoal, não pelo excesso de pelos. Sim, vivemos em uma cidade de clima tropical, com temperaturas sempre acima dos 30°, suamos bastante mas herdamos dos índios o costume de tomar banho DIARIAMENTE. Muitas vezes, até mais de um por dia. Os europeus – precursores da depilação masculina em massa – se depilam, mas fedem muito mais que os peludos brasileiros. Por que será?

O (mau) cheiro não é necessariamente alvo de reclamação geral. Há aqueles que se sentem excitados com odor característico, como o dos pés (chulé); outros se sentem atraídos não só pelo cheiro, mas por pelos das axilas. Há várias comunidades no Orkut tratando sobre isso. Há, inclusive, os que se sentem atraídos pelo cheiro de fezes. É sério!

depilacao6O ato de raspar os pelos não é necessariamente uma garantia de higiene. Já pensou se alguém se decidisse a extrair os dentes para acabar com o mau hálito? Estranho, não? Ou cortar os pés para acabar com o chulé… Francamente!

Há os gays que se depilam e os que se mantém absolutamente limpos, mesmo peludos. É extremamente excitante ver um corpo masculino limpinho, cheirosinho, com pelos bem tratados e devidamente aparados. Depilação me remete ao corpo feminino, pelo qual não me atrai de forma alguma.

Já ouvi histórias de gente brochar ao ir para a cama com um gatinho cheirosinho que, ao tirar a camisa, exibiu suas axilas raspadas. É um gosto por masculinidade estereotipada. Eu chamo de atração por pelos, outros chamam de frescura. É por isso que dizem que gosto é igual a… Você sabe bem o quê.

ARTIGO DA SEGUNDA: O que esperar de 2009?

Postado em (A Redação, Artigo, Artigo da Segunda, Social Light, Social Night, T+U+D+O) por admin em 05-01-2009

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Por João Paulo Magalhães

Previsões são sempre isso: um ato de prever ou de tentar adivinhar o que acontecerá em um espaço de tempo que pode ser curto (questão de dias) ou longo (em anos). E é incrível como nesta época a mídia se empenha em trazer editoriais com coisinhas que muitas vezes beiram o engraçado.

Mas por que a mídia adora publicar as previsões, por mais bobas que sejam? Primeiro, porque o público adora bancar o adivinhão e fazer a linha “bola de cristal”. Deu errado? “A previsão errou!” Deu certo? “Tá vendo? Eu sou adivinhão…”.

E como seria uma previsão para o mercado mix cearense? Será que em 2009 teremos mais opções de boates? E as já existentes, como ficarão? Alguma boate fechará? Alguma abrirá filial em outra cidade do país? E os promoters de festas itinerantes, o que farão para impressionar ainda mais o público? Vamos tentar adivinhar o futuro comigo?

As palavras abaixo foram escritas com base em nossa experiência de sete anos no mercado. Não somos adivinhões, muito menos donos da verdade, mas conhecemos bem (muito bem!) as pessoas por trás de todas as casas abaixo citadas. Como o mercado mix é muito mais amplo e não se restringe a boates, o artigo “O que esperar de 2009?” terá continuidade na próxima semana.

Nesta primeira parte, comecemos pelas festas… vamos lá?!

beto_divineBOATE DIVINE - 2009 marca o nono ano da mais tradicional boate mix do Ceará. O próximo 1º de abril (não é mentira!) também será marcante pelos dois anos da saída de Lena Oxa da Divine. Passados 20 meses, a boate continua incrivelmente admirada, embora com público um pouco menor se comparado a 2006, três anos atrás. Continua sendo o berço do glamour cearense: drags e transformistas. É lá – e somente lá – que os artistas têm respeito, admiração e brilho próprio. A Divine ganhou outro grande concurso: o “Transformista do Ano”, que elegeu Bárbara Undarelly a melhor de 2008. Ao lado do Aniversário da Divine (janeiro), Top Drag (agosto) e do Halloween (outubro/novembro), o Transformista do Ano já é fato no mercado e persegue o objetivo máximo de levar brilho, glamour e dublagem, além de talento e carisma, ao palco da boate que é referência nacional. Neste ano, além dos quatro grandes eventos acima citados, o público deve presenciar um investimento ainda maior nas apresentadoras da casa. Pelo destaque dos últimos meses, leva vantagem Táblata Fitterman. Com talento de sobra e incrível carisma, Fitterman é mais que um exemplo a ser seguido: é o grande nome da Divine hoje.

garotag2MISSES / CONCURSOS DE BELEZA - Resolvi juntar tudo num tópico só. Talvez eu possa até ser injusto, porque há eventos extremamente bem preparados, e há concursos demasiadamente desorganizados. Fortaleza, entre o meio “queen”, é conhecida como um dos principais pólos de “beleza gay” no país. Ainda não houve uma cearense eleita Miss Gay Brasil, a faixa mais desejada por elas, mas as cearenses marcam sempre intensa presença no evento, muitas vezes concorrendo representando outros estados. No Ceará, mais especificamente, deixo destaque para o Garota G (sempre ele) e para os últimos trabalhos para conferir maior organização ao Miss Gay Ceará. Concursos de bairros (Miss Gay Messejana, Miss Gay José Walter, entre outros) correm por fora e têm conquistado espaço na imprensa. E têm sido falados pela organização, não pela falta dela… pelo menos alguns.

aline_mpALINE CARVALHO / PAULA OLIVEIRA (MARCOS PAULO) - Embora sem o comando residente de uma boate ou bar, a dupla se consolidou em 2008 com o sucesso da marca “Pagodão VIP”. Geralmente aos domingos, ou em véspera de eleição (em anos eleitorais, obviamente), o “Pagodão” é considerado “VIP” porque agrega importantes segmentos do público mix: gays lindinhos, lésbicas animadas e heteros super simpáticos. A última edição do evento foi marcada pela multidão que lotou, dançou e se divertiu ao som de Déborah Lima e Rafaella Manville, duas das maiores representantes da axé-music cearense, pela primeira vez se apresentando no mesmo palco. “É uma espécie de junção de Cláudia Leitte com Ivete Sangalo”, como brincou Aline. O projeto certamente terá continuidade neste ano, com periodicidade no mínimo bimestral. O domingo, definitivamente, tem duas rainhas…

dsBOATE DONNA SANTA - Dezembro passado foi o mês que marcou, definitivamente, uma mudança de curso estratégico na boate. O projeto é bem antigo, é verdade, mas a Donna Santa só agora conseguiu implantar – com muito sucesso – o melhor do forró no meio dos gays. Caso anunciasse este projeto um ano atrás, a pouquíssimo tempo, ressalta-se, a DS seria coberta de críticas. Por quê? O gay cearense só agora passou a aceitar socialmente o forró. Não que a dance-music tenha perdido espaço (digamos que não), mas o forró é hoje um ritmo base para qualquer evento direcionado ao público mix. A prova está no sucesso da apresentação da banda Furacão do Forró, que marcou recorde de público (e de animação) na maior boate mix do Nordeste. Não estranhe se nas próximas semanas você encontrar Solteirões do Forró, Forró Balancear, Forró Real ou qualquer outra “estourada” como atração da Donna Santa. Os proprietários da boate gostaram – bastante – do retorno e prometem fortíssimos investimentos na área para este semestre ainda. É uma busca para atrair heterossexuais? Com certeza. Mas o gay também gosta de forró e deverá ter oportunidade de conferir atrações historicamente ligadas ao público: shows de drags e caricatas (como Silvetty Montilla) devem ser mais intensos neste ano. Além do sábado, o foco da boate hoje é a sexta-feira, com o Love Space. É a Donna Santa entrando de vez na concorrência da sexta-feira, historicamente um dia “parado” para os gays cearenses. Pelo menos até o ano passado…

meetBOATE ME3T MUSIC & LOUNGE - A caçula do mercado é também a mais compacta. Se no dito popular “as melhores fragrâncias estão nos menores frascos”, a máxima do “por trás de uma grande mulher – Monah Monteiro – há uma geniosa equipe” também vale. Prova disso foi a arrasadora repercussão da matéria Personagem da Semana com Paula Roberta, a ex-namorada, atual sócia e sempre companheira de Monah Monteiro, a carismática promoter que está à frente da ME3T. A equipe ganhou o reforço de Thalles Walker, publicitário, RP e responsável pela comunicação visual da boate. Com carreira consolidada devido ao sucesso das festas itinerantes, Monah Monteiro deve seguir seu projeto de “festas fora” em 2009, embora com periodicidade mais tímida. Mais famosa, a “Os 7 Pecados Capitais” deve chamar atenção na edição deste ano, a sexta, e já começou a ser preparada (mas só deve acontecer em dezembro próximo). No 2 linhas (11/11/2008) nós trouxemos, com exclusividade a informação sobre negociações polêmicas envolvendo duas boates. Após a publicação da matéria, muita coisa foi apressada, outras coisas mudaram, mas nada ainda foi consumado sobre a possível inauguração de uma boate comandada por Monah Monteiro e Paula Roberta (sócias-proprietárias da ME3T) no espaço onde até então funcionava a Music House, sua concorrente. A polêmica acirrou o fim de ano fortalezense e deve ter novos capítulos em 2009. Resta saber se os destaques serão para o trabalho ou para brigas de ego…

mboxMUSIC BOX / MUSIC HOUSE - O charmoso Music Box é o bar-boate fantasiado de “caixinha” preferido do público que sai às quintas e sextas. Com a concorrência da ME3T às sextas, a boate, segundo frequentadores, perdeu um pouco de público mas continua a ser referência em boa música na capital cearense. Já a Music House, dos mesmos proprietários do Box, encontra-se atualmente fechada e seu investimento é em festas itinerantes, como a que realizou na noite de Natal, na Torre Quixadá. Público seleto, gente bacana e intelectuais formam o público-alvo do grupo. Em 2009, além de contar com o profissionalismo de Eurico Moreno Jr., mais experiente dos promoters na atualidade, os destaques devem ficar para a procura de um novo espaço para a Music House, que funcionava sempre aos sábados. Com o imbróglio sobre o antigo endereço, a manutenção da marca virou uma questão de honra – bem além da profissional – e deve impor um novo padrão de concorrência entre as casas gays de Fortaleza: sai o tom brando, entram as ações fortes, intensas. É, 2009 deve ser uma “caixinha” de surpresas. Literalmente…

pazPROMOTERS DE FORTALEZA - Em poucas cidades no país o “promoter” é uma marca tão valiosa quanto entre os gays em Fortaleza. O mercado atualmente encontra-se consolidado, e há iniciantes que tentam burlar essa barreira de confiança imposta pelo público. Os destaques em 2008 ficaram para Rafa Barros e Isa Tavares, que investiram alto e trouxeram grandes eventos e atrações à cidade. Os demais devem ter em 2009 um ano bem agitado. Depois de um período “de paz” que durou dois anos, aumentou a concorrência e a aversão entre alguns profissionais. É importante frisar o “alguns”. O que se PODE esperar é um forte jogo (incluo o limpo e o sujo). Mas o que se DEVE esperar é ética, trabalho e juízo. E o que EU espero? Que sejam evitados desgastes desnecessários, que os profissionais aprendam a lidar com a liberdade de expressão (a mídia é paga, não comprada) e que só há uma forma de resultar em sucesso: respeito ao público. Alguns, além disso, precisam aprender a ler: antes de ligar para aquele promoter e fazer terrorismo, que tal ler direitinho o texto? Ler faz bem para a cabeça, entender faz bem ao coração e estupidez barata faz muito mal à sociedade. Mas a maioria (senão todos) sabe bem: trabalho faz bem à saúde. E muito bem ao bolso.

E você, o que espera de 2009?