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ARTIGO. Márcio Retamero: “Troco minha homofobia pela sua corrupção”

Postado em 26, mai de 2011 por admin em Artigo

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A Presidenta Dilma Rousseff vetou, nesta quarta-feira, o kit anti-homofobia que seria distribuído em escolas públicas do país inteiro (saiba mais aqui). Mais do que um golpe no bom senso, o veto impediu, pelo menos por enquanto, a esperança de um país melhor e mais justo. Militantes LGBTT do Brasil inteiro têm lamentado a decisão, que pode ser essencial para o abrandamento da homofobia no Brasil.

Publicado inicialmente no Portal A Capa, um texto de Márcio Retamero, teólogo e historiador, ilustra com bastante clareza o sentimento de “traição” com que Dilma deixou as pessoas sem preconceitos. Com a devida autorização do autor, o ZONAMiX tem a honra de trazer belas e sábias palavras aos nossos leitores.

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Troco a minha homofobia pela sua corrupção

O dia de ontem foi amargo para a população LGBT brasileira, mas não é um dia para ser esquecido, pelo contrário, é dia para se lembrar e trazer à memória fatos políticos antes acontecidos, como no tempo da campanha eleitoral.

A Frente Parlamentar Evangélica, numa manobra política suja e equivocada, foi ao balcão de negócios no Palácio do Planalto e disse: “Troco minha homofobia pela sua corrupção”. A presidente Dilma Rousseff aceitou de bom grado, afinal, a Frente Parlamentar Evangélica estava ameaçando não votar projetos do governo, trancar a pauta no Congresso, além de engrossar as fileiras da oposição que pedem as contas sobre o enriquecimento meteórico do ministro Antonio Palocci. Para blindar seu ministro, Dilma aceitou de bom grado, vender, mais uma vez, por muitas moedas de prata, as pessoas LGBT.

O deputado federal Anthony Garotinho (PR-RJ) confirmou em seguida à reunião no balcão de negócios do Palácio do Planalto que “a preocupação do governo com o risco de Palocci ser convocado a prestar esclarecimentos no Congresso foi usada pela bancada religiosa para cobrar a suspensão da distribuição do kit anti-homofobia do MEC”.

O líder da Frente Parlamentar Evangélica, o deputado federal João Campos (PSDB-CE), também confirmou a barganha da homofobia pela corrupção. Declarou: “Nós reunimos, nesta terça-feira (24), a bancada evangélica e a católica, decidimos impor uma série de condições. Se o governo insistisse em manter o kit, bloquearíamos a votação na Câmara e apoiaríamos a convocação do ministro Palocci para dar explicações.”

A presidente Dilma até foi elogiada pelo deputado representante da ditadura militar no Brasil, regime contra o qual lutou, inclusive pegando em armas! Jair Bolsonaro declarou: “sou obrigado a elogiar a presidente Dilma Rousseff”.

Alguns militantes do movimento LGBT foram ao Twitter, Facebook e nas listas de debates dos grupos de militância LGBT no Yahoo para declararem que estavam surpresos, abatidos, enojados, decepcionados! Alguns se contentaram em referendar o “jogo político”, dizendo que “as coisas são assim mesmo”. Outros pediram “muita calma nessa hora, pois tem muitos equívocos no episódio”; outros pediam que os militantes se unissem contra nosso inimigo em comum, o fundamentalismo religioso, mas “o governo é nosso amigo” (?). Mui amigo!

Quanto vale a homofobia que faz sofrer e leva ao suicídio, além do assassinato de milhares de jovens e adolescentes LGBT? Para o governo Dilma, vale o ministro Antonio Palocci! Para os deputados da Frente Parlamentar Evangélica, vale a suspensão do kit anti-homofobia em troca do apoio à corrupção, sujando ainda mais suas mãos já sujas das porcarias que sabem produzir muito bem!

Quando eu soube da notícia, fiquei com raiva, muita raiva, mas esta logo passou depois que eu me lembrei: 1) a carta compromisso que a presidente, então candidata, assinou com os evangélicos fundamentalistas, se comprometendo em vetar tudo que fosse projeto que ia de encontro “à liberdade religiosa, à liberdade de expressão e aos valores da família brasileira”; 2) da sua aparição para comemorar a vitória ao lado do senador Magno Malta, posando para as câmeras dos fotógrafos e cinegrafistas e; 3) no dia de sua posse, o cumprimento caloroso do bispo Edir Macedo e outros líderes religiosos, convidados para o ato.

Não, eu não me esqueci desses pequenos “detalhes” da campanha eleitoral e dos dias que se seguiram à vitória de Dilma Rousseff.

O dia de ontem foi amargo e abateu a todos e todas que sonham com uma escola sem homofobia, com uma sociedade curada da homofobia, com adolescentes e jovens libertos da homofobia internalizada e dos seus algozes homofóbicos. Se existe um caminho seguro para a cura da nossa sociedade da homofobia que nela reina, tal é o caminho da educação, da democratização do conhecimento, da aquisição de valores dos Direitos Humanos.

O outro caminho, o caminho da criminalização da homofobia, poderá até colocar muita gente na cadeia (eu não creio nisso!), pode gerar muitas multas, mas jamais vai tratar o mal pela raiz a fim de extirpá-lo do tecido social.

Alguns líderes do movimento LGBT nesta altura do campeonato se apegam à semântica: “suspenso não é o mesmo que cancelado”. Pois é, mas eu não acredito, e faz tempo, em coelhos de páscoa e papai Noel; até porque a Frente Parlamentar Evangélica pode ser fundamentalista, viver quase que na Idade Média, mas burra ela não é! Os que fazem parte dela sabem se organizar e jogar o sujo jogo da política, tanto que conseguiram!

No VIII Congresso LGBT do Congresso Nacional, participei da Mesa 01 de debates sobre o direito LGBT ao casamento civil. Ao meu lado, estava Preta Gil, a deputada Erika Kokai (PT/DF), dentre outros. Ouvi ali a senadora Marta Suplicy (PT/SP) dizer que se passaram 16 anos desde seu primeiro projeto de lei visando a ampliação dos direitos civis para a população LGBT e que até o presente momento, nada, nenhum projeto sequer foi aprovado pelo Congresso Nacional em prol dos direitos civis LGBT.

O motivo da inatividade do Congresso Nacional em relação á população LGBT é o mesmo desde então: a luta renhida dos fundamentalistas religiosos contra o avanço da cidadania LGBT no Brasil. A pergunta que não quer calar é: até quando, povo LGBT, continuaremos derrotados por eles? Até quando ABGLT e demais associações da militância, seremos derrotados por eles? Quando que daremos início ao nosso “Bash Back”? Quando enfrentaremos frente a frente o fundamentalismo religioso no Brasil?

As lésbicas e os gays cristãos, cansados de tanta sujeita e de ser massa de manobra, além de moeda de troca no balcão das negociatas politiqueiras, abatidos com a decisão da presidente Dilma de nos vender, mas não derrotados, se uniram no Rio de Janeiro. A Igreja da Comunidade Metropolitana do RJ e o Diversidade Católica convocam o povo cristão LGBT e todos e todas que, neste momento estão indignados, para juntos realizarmos uma passeata-protesto no calçadão da praia de Ipanema, no posto 09, no próximo domingo, dia 29 de maio, às 10h.

Combateremos o bom combate e juntos rogaremos: caia sobre a Frente Parlamentar Evangélica, sobre o Palácio do Planalto, sobre os corruptos, sobre o fundamentalismo e fundamentalistas religiosos, o sangue das vítimas de homofobia no Brasil!

“Porque o grito existe; então eu grito!” (Clarice Lispector). Gritemos!

* Márcio Retamero, 37 anos, é teólogo e historiador, mestre em História Moderna pela UFF/Niterói. É pastor da Comunidade Betel/ICM RJ e da Igreja Presbiteriana da Praia de Botafogo. É autor de “O Banquete dos Excluídos” e “Pode a Bíblia Incluir?”, ambos publicados pela Editora Metanoia. E-mail:marcio.retamero@gmail.com.

ARTIGO DO LEITOR: A República da Farinha – o momento dos grandes partidos políticos brasileiros

Postado em 02, mai de 2011 por admin em Artigo, Texto do Leitor

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por Alexandre Haubrich, jornalista, editor do blog Jornalismo B (http://jornalismob.wordpress.comhttp://twitter.com/jornalismob /http://twitter.com/alexhaubrich)

A atuação dos partidos políticos brasileiros hoje pode ser explicada através da farinha. Já tivemos o Ciclo do Açúcar, o Ciclo do Ouro, o Ciclo do Café. Tivemos até a versão político-institucional mais chique, mais cheia de fricotes, o café-com-leite, assim com hífen e tudo. Pois hoje vivemos o Ciclo da Farinha. De sacos diferentes, mas ainda assim farinha.

Peguemos os mais encorpados partidos do país e vejamos se a farinha não é o elemento comum entre eles, se não é ela quem norteia os rumos da política nacional. A farinha, unida a doses variáveis de fermento, é a receita geral, ainda que um ou outro mestre-cuca da alta elite culinária prefira a farinha que passarinho não come.

O PSDB segue a receita da vovó estrangeira, que vem e volta ao Brasil de acordo com suas conveniências, mas não gosta muito daqui. De qualquer forma, ela está sempre em contato, enviando sua mais nova receita aos filhinhos tucanos, nova receita que é sempre a mesma. Está caduca ou apenas quer fixar bem seus ingredientes na nossa cabeça? Bondosa. Fato é que o contato é sempre através de cartas, para que venha junto seu cheiro de enxofre, tão agradável ao olfato das aves de bico longo que habitam essas paragens.

A receita do PSDB baseia-se, teoricamente, em fazer o bolo crescer para depois dividir. Mas, cozinheiros amadores que somos, sabemos que em qualquer casa que se preze quem está na cozinha acaba por decidir o quanto quer comer. Se muitos estão ajudando a fazer o bolo, muitos comem, irremediavelmente. Se poucos se fecham a sete chaves na cozinha, fazem um bolo enorme e comem tudo sozinhos.

Mas não veja no PSDB ou em sua avó estrangeira muita criatividade. Com problemas para manter o peso, os tucanos pouco mais fizeram do que deixar mais light a receita usada pelo seu primo DEM, receita essa criada pela querida vovó deste último, a Dona Arena. Essa rigorosa senhora passou a tal receita para o seu filho, o PFL, que repassou para o DEM. Os passos são mais ou menos semelhantes aos da receita do PSDB, mas, para fazer o bolo como prefere o DEM, bata bastante. O bolo da Dona Arena também tem um gosto um tanto adstringente: enrola a língua do vivente, dificulta a fala. E é preciso comê-lo com cuidado, sem estardalhaço e com um ritual determinado anteriormente pelo cozinheiro. Caso contrário o cidadão ficará chocado com o que pode acontecer.

O PT, por sua vez, nunca teve muitas condições financeiras para comer bolo. Comia terra, mas comiam todos. Desde 2001, essa realidade mudou. O PT ascendeu à classe média, e ganhou até o direito a fazer seu próprio bolo. Fez, faz, e tem distribuído os pedaços para mais gente. Mas não deixa mais ninguém entrar na cozinha, e a receita, que pegou emprestada do PSDB, ganhou apenas um pouco mais de açúcar.

E o PMDB? Bom, esse não sabe cozinhar, mas come o que vier. E pede para repetir.

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ARTIGO DO LEITOR: A Ditadura brasileira ainda viva – a cidadania torturada

Postado em 01, abr de 2011 por admin em Artigo, Destaque, Texto do Leitor

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por Alexandre Haubrich, jornalista, editor do blog Jornalismo B (http://jornalismob.wordpress.com / http://twitter.com/jornalismob / http://twitter.com/alexhaubrich)

Aos quatro anos de idade, Edson Teles entrou em um prédio na Rua Tutóia, no bairro do Paraíso, em São Paulo para encontrar os pais, que não via há alguns dias. Simpáticos nomes o da rua e o do bairro. Edson ouviu a voz da mãe chamando seu nome, mas, quando se virou, não reconheceu o rosto e o corpo que portavam aquela voz. Em seguida, encontrou o pai, em outra sala, sentado em uma cadeira aparentemente normal para uma criança. Mas havia cintas de couro nos braços da cadeira. Era 1972, e Edson visitava os pais no DOI-CODI, centro da repressão da Ditadura Militar brasileira. “Meu filho perguntou ‘por que o pai é verde?’ e minha filha perguntou por que eu estava azul”, contou anos atrás a mãe de Edson, Maria Amélia de Almeida Teles.

Na última semana, em um seminário em Porto Alegre, Edson desabafou: “me envergonho de ser brasileiro. Oferecemos o Brasil para ser paraíso dos torturadores. Se torturarem em nome do Estado, aqui são anistiados”. E Edson e sua irmã Janaína não são um caso raro. Muitas crianças viram seus pais serem torturados pelo Estado brasileiro que, entre 1964 e 1985, impôs a seus cidadãos o fim da cidadania e de qualquer possibilidade de dignidade. Socos e pontapés eram carinhos. A violência vinha através de choques elétricos por todo o corpo, afogamentos, fuzilamentos simulados. Homens e mulheres, muitas vezes nus, eram pendurados em paus-de-arara, humilhados de todas as formas, reduzidos a nada. E se Edson e Janaína não são um caso raro, e tampouco a tortura a que foram submetidos seus pais foi um caso raro, também não foi a tortura a única forma pela qual cidadãos brasileiros foram agredidos por seu próprio Estado.

Assassinatos e sequestros também eram comuns. Sim, hoje ainda são. Mas, naqueles anos, quem cometia esses crimes era o Estado, e os cometia como Estado, não apenas através de indivíduos que corrompiam as instituições. O Estado e seus agentes eram os criminosos, os assassinos, sequestradores, torturadores. Brasil nunca mais. Muitos cidadãos brasileiros foram obrigados a fugir do país. Deixaram para trás seu lugar e seus familiares, amigos, colegas. Deixaram para trás toda uma vida para começarem a construir outra longe daqui.

O silêncio, para os militares e civis que referendaram o Golpe de 1964, era a causa pela qual lutavam. Gritos? Permitidos apenas nas salas de tortura, e apenas gritos de dor. Parte significativa da imprensa apoiou a Ditadura de seu início até as portas de seu fim, quando percebeu que, ou abandonava o moribundo, ou morreria junto. A outra parte da imprensa, porém, a parte séria, viu muitos de seus representantes torturados, desaparecidos ou acuados. O fetiche do silêncio.

Derrubada a democracia que se aprofundava no governo João Goulart, os golpistas não queriam mais saber de política, apenas de poder. Um professor falando sobre política em aula poderia ser denunciado por um aluno como terrorista. A mesma coisa em conversas de bar ou de qualquer lugar. O risco de tortura, assassinato ou “desaparecimento” sempre iminente. Se antes a política já era afastada do povo, em 64 o Estado tirou do povo o direito de se aproximar da política.

Com a chamada “abertura democrática” da década de 1980, não acabou-se verdadeiramente com a Ditadura. Até hoje suas sobras contaminam a vida dos brasileiros. A herança da Idade das Trevas tupiniquim está no autoritarismo e na violência policial, na despolitização popular, na agressividade da direita, na ignorância, no conservadorismo moral preconceituoso, racista, machista e homofóbico. Esses resquícios sobrevivem também no imaginário demente de alguns políticos e alguns militares que anseiam pela reinstitucionalização de todos esses absurdos.

Continuam dominando importantes setores do país as pessoas que financiaram e apoiaram de diversas formas a Ditadura Militar. Grandes empresários, destacados políticos, graduados militares. Os donos da comunicação brasileira também entram nesse bolo. É por tudo isso que, enquanto nossos países vizinhos agem para limpar a sujeira deixada por suas respectivas ditaduras – sem varrer essa sujeira para baixo do tapete –, aqui o silêncio segue imposto.

É para punir os responsáveis pelo massacre da cidadania brasileira que é necessário revisar a Lei da Anistia, assinada em 1979, que, ao mesmo tempo em que beneficiou quem lutava por um Estado democrático, absolveu automaticamente as pessoas que, em nome do Estado brasileiro, cometeram todos os tipos de crime. A tortura e o assassinato em nome do Estado foram permitidos, o que configura uma arbitrariedade e um desrespeito aos brasileiros representados por esse Estado. Os cidadãos que lutaram contra a Ditadura Militar já foram fortemente punidos das mais diversas formas ainda durante aquele período. Os representantes dessa Ditadura, não. Além disso, a Lei da Anistia foi aprovada pelos opositores ao regime com uma arma na cabeça. Da mesma forma que obtinham confissões através da tortura, os governantes de então impuseram sua própria imunidade como condição para deixarem o povo brasileiro serre-empoderado minimamente.

A abertura imediata de todos os arquivos da Ditadura Militar e a ampla divulgaçãode seu conteúdo, assim como o trabalho de resgate histórico do que vivemos, é outra obrigação do Estado brasileiro. Os cidadãos têm o direito de conhecer sua própria história, a história de seu país. Se o Estado é uma instituição da sociedade, e esta é formada pelo conjunto dos indivíduos, o Estado somos nós, e nós temos o direito de conhecer a verdade e o dever de lutar por esse direito. Para que não corramos o risco de retornar àquela situação de terror precisamos saber detalhadamente o que nos levou a ela o que a manteve por tanto tempo. Só assim, com a punição dos gerentes da nossa Idade das Trevas e com o direito à verdade, poderemos realmente encarar de frente as heranças daquele tempo que ainda nos assombram.

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ARTIGO do leitor – 28 de junho: Dia Mundial do Orgulho Homossexual

Postado em 28, jun de 2010 por admin em Artigo

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Fortaleza de todas as cores

Em 28 de junho de 1969 estourava, em Nova Iorque, a Revolução de Stonewall, quando Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (LGBT) lutaram por igualdade de direitos. A partir daquele momento, surgiram os movimentos e grupos organizados a favor dos direitos homossexuais em todo o mundo. A população LGBT passou a ocupar as ruas e a construir o que chamamos hoje de Parada pela Diversidade Sexual, que acontece todos os anos, em todo o mundo.

Em Fortaleza, a primeira Parada aconteceu em 1999 e contou com a presença de aproximadamente 500 pessoas. A última, ocorrida em 2009, reuniu cerca de 900 mil pessoas, segundo informações da Polícia Militar. Esses números mostram que as Paradas pela Diversidade Sexual reúnem mais e mais pessoas que, sendo ou não LGBTs, dizem não à homofobia e sim ao respeito e à liberdade de orientação sexual.

O tema da Parada deste ano, que acontece no dia 27 de junho, na Beira Mar, remete ao período eleitoral e traz o tema: “Vote contra a homofobia: defenda a cidadania!”­. A Prefeitura de Fortaleza preparou durante todo o mês de junho uma programação envolvendo todos os cantos da cidade, trabalhando questões ligadas à saúde, arte, direitos humanos e participação de LGBTs, ciclo de debates sobre direitos sexuais, prevenção de Doenças Sexualmente Transmissíveis, show na Praça do Ferreira, dentre outras ações.

Todos os dias, LGBTs são violentados e mortos, simplesmente por amarem pessoas do mesmo sexo. Com a campanha “Fortaleza de todas as cores”, a Coordenadoria da Diversidade Sexual, ligada desde o ano passado à Secretaria de Direitos Humanos de Fortaleza (SDH), quer mostrar que Fortaleza é uma cidade para todos e todas, onde ninguém deve discriminar o outro por sua orientação ou identidade sexual. Como diz nossa campanha: a diversidade sexual está nas ruas, na música, no ar e está também na nossa cidade.

Orlaneudo Lima
Secretaria de Direitos Humanos de Fortaleza – Coordenadoria de Diversidade Sexual

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PERSONAGEM DA SEMANA: Orlaneudo Lima convive com AIDS há 20 anos

ARTIGO DA SEGUNDA: O que esperar de 2009?

Postado em 05, jan de 2009 por admin em A Redação, Artigo, Artigo da Segunda, Social Light, Social Night, T+U+D+O

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Por João Paulo Magalhães

Previsões são sempre isso: um ato de prever ou de tentar adivinhar o que acontecerá em um espaço de tempo que pode ser curto (questão de dias) ou longo (em anos). E é incrível como nesta época a mídia se empenha em trazer editoriais com coisinhas que muitas vezes beiram o engraçado.

Mas por que a mídia adora publicar as previsões, por mais bobas que sejam? Primeiro, porque o público adora bancar o adivinhão e fazer a linha “bola de cristal”. Deu errado? “A previsão errou!” Deu certo? “Tá vendo? Eu sou adivinhão…”.

E como seria uma previsão para o mercado mix cearense? Será que em 2009 teremos mais opções de boates? E as já existentes, como ficarão? Alguma boate fechará? Alguma abrirá filial em outra cidade do país? E os promoters de festas itinerantes, o que farão para impressionar ainda mais o público? Vamos tentar adivinhar o futuro comigo?

As palavras abaixo foram escritas com base em nossa experiência de sete anos no mercado. Não somos adivinhões, muito menos donos da verdade, mas conhecemos bem (muito bem!) as pessoas por trás de todas as casas abaixo citadas. Como o mercado mix é muito mais amplo e não se restringe a boates, o artigo “O que esperar de 2009?” terá continuidade na próxima semana.

Nesta primeira parte, comecemos pelas festas… vamos lá?!

beto_divineBOATE DIVINE - 2009 marca o nono ano da mais tradicional boate mix do Ceará. O próximo 1º de abril (não é mentira!) também será marcante pelos dois anos da saída de Lena Oxa da Divine. Passados 20 meses, a boate continua incrivelmente admirada, embora com público um pouco menor se comparado a 2006, três anos atrás. Continua sendo o berço do glamour cearense: drags e transformistas. É lá – e somente lá – que os artistas têm respeito, admiração e brilho próprio. A Divine ganhou outro grande concurso: o “Transformista do Ano”, que elegeu Bárbara Undarelly a melhor de 2008. Ao lado do Aniversário da Divine (janeiro), Top Drag (agosto) e do Halloween (outubro/novembro), o Transformista do Ano já é fato no mercado e persegue o objetivo máximo de levar brilho, glamour e dublagem, além de talento e carisma, ao palco da boate que é referência nacional. Neste ano, além dos quatro grandes eventos acima citados, o público deve presenciar um investimento ainda maior nas apresentadoras da casa. Pelo destaque dos últimos meses, leva vantagem Táblata Fitterman. Com talento de sobra e incrível carisma, Fitterman é mais que um exemplo a ser seguido: é o grande nome da Divine hoje.

garotag2MISSES / CONCURSOS DE BELEZA - Resolvi juntar tudo num tópico só. Talvez eu possa até ser injusto, porque há eventos extremamente bem preparados, e há concursos demasiadamente desorganizados. Fortaleza, entre o meio “queen”, é conhecida como um dos principais pólos de “beleza gay” no país. Ainda não houve uma cearense eleita Miss Gay Brasil, a faixa mais desejada por elas, mas as cearenses marcam sempre intensa presença no evento, muitas vezes concorrendo representando outros estados. No Ceará, mais especificamente, deixo destaque para o Garota G (sempre ele) e para os últimos trabalhos para conferir maior organização ao Miss Gay Ceará. Concursos de bairros (Miss Gay Messejana, Miss Gay José Walter, entre outros) correm por fora e têm conquistado espaço na imprensa. E têm sido falados pela organização, não pela falta dela… pelo menos alguns.

aline_mpALINE CARVALHO / PAULA OLIVEIRA (MARCOS PAULO) - Embora sem o comando residente de uma boate ou bar, a dupla se consolidou em 2008 com o sucesso da marca “Pagodão VIP”. Geralmente aos domingos, ou em véspera de eleição (em anos eleitorais, obviamente), o “Pagodão” é considerado “VIP” porque agrega importantes segmentos do público mix: gays lindinhos, lésbicas animadas e heteros super simpáticos. A última edição do evento foi marcada pela multidão que lotou, dançou e se divertiu ao som de Déborah Lima e Rafaella Manville, duas das maiores representantes da axé-music cearense, pela primeira vez se apresentando no mesmo palco. “É uma espécie de junção de Cláudia Leitte com Ivete Sangalo”, como brincou Aline. O projeto certamente terá continuidade neste ano, com periodicidade no mínimo bimestral. O domingo, definitivamente, tem duas rainhas…

dsBOATE DONNA SANTA - Dezembro passado foi o mês que marcou, definitivamente, uma mudança de curso estratégico na boate. O projeto é bem antigo, é verdade, mas a Donna Santa só agora conseguiu implantar – com muito sucesso – o melhor do forró no meio dos gays. Caso anunciasse este projeto um ano atrás, a pouquíssimo tempo, ressalta-se, a DS seria coberta de críticas. Por quê? O gay cearense só agora passou a aceitar socialmente o forró. Não que a dance-music tenha perdido espaço (digamos que não), mas o forró é hoje um ritmo base para qualquer evento direcionado ao público mix. A prova está no sucesso da apresentação da banda Furacão do Forró, que marcou recorde de público (e de animação) na maior boate mix do Nordeste. Não estranhe se nas próximas semanas você encontrar Solteirões do Forró, Forró Balancear, Forró Real ou qualquer outra “estourada” como atração da Donna Santa. Os proprietários da boate gostaram – bastante – do retorno e prometem fortíssimos investimentos na área para este semestre ainda. É uma busca para atrair heterossexuais? Com certeza. Mas o gay também gosta de forró e deverá ter oportunidade de conferir atrações historicamente ligadas ao público: shows de drags e caricatas (como Silvetty Montilla) devem ser mais intensos neste ano. Além do sábado, o foco da boate hoje é a sexta-feira, com o Love Space. É a Donna Santa entrando de vez na concorrência da sexta-feira, historicamente um dia “parado” para os gays cearenses. Pelo menos até o ano passado…

meetBOATE ME3T MUSIC & LOUNGE - A caçula do mercado é também a mais compacta. Se no dito popular “as melhores fragrâncias estão nos menores frascos”, a máxima do “por trás de uma grande mulher – Monah Monteiro – há uma geniosa equipe” também vale. Prova disso foi a arrasadora repercussão da matéria Personagem da Semana com Paula Roberta, a ex-namorada, atual sócia e sempre companheira de Monah Monteiro, a carismática promoter que está à frente da ME3T. A equipe ganhou o reforço de Thalles Walker, publicitário, RP e responsável pela comunicação visual da boate. Com carreira consolidada devido ao sucesso das festas itinerantes, Monah Monteiro deve seguir seu projeto de “festas fora” em 2009, embora com periodicidade mais tímida. Mais famosa, a “Os 7 Pecados Capitais” deve chamar atenção na edição deste ano, a sexta, e já começou a ser preparada (mas só deve acontecer em dezembro próximo). No 2 linhas (11/11/2008) nós trouxemos, com exclusividade a informação sobre negociações polêmicas envolvendo duas boates. Após a publicação da matéria, muita coisa foi apressada, outras coisas mudaram, mas nada ainda foi consumado sobre a possível inauguração de uma boate comandada por Monah Monteiro e Paula Roberta (sócias-proprietárias da ME3T) no espaço onde até então funcionava a Music House, sua concorrente. A polêmica acirrou o fim de ano fortalezense e deve ter novos capítulos em 2009. Resta saber se os destaques serão para o trabalho ou para brigas de ego…

mboxMUSIC BOX / MUSIC HOUSE - O charmoso Music Box é o bar-boate fantasiado de “caixinha” preferido do público que sai às quintas e sextas. Com a concorrência da ME3T às sextas, a boate, segundo frequentadores, perdeu um pouco de público mas continua a ser referência em boa música na capital cearense. Já a Music House, dos mesmos proprietários do Box, encontra-se atualmente fechada e seu investimento é em festas itinerantes, como a que realizou na noite de Natal, na Torre Quixadá. Público seleto, gente bacana e intelectuais formam o público-alvo do grupo. Em 2009, além de contar com o profissionalismo de Eurico Moreno Jr., mais experiente dos promoters na atualidade, os destaques devem ficar para a procura de um novo espaço para a Music House, que funcionava sempre aos sábados. Com o imbróglio sobre o antigo endereço, a manutenção da marca virou uma questão de honra – bem além da profissional – e deve impor um novo padrão de concorrência entre as casas gays de Fortaleza: sai o tom brando, entram as ações fortes, intensas. É, 2009 deve ser uma “caixinha” de surpresas. Literalmente…

pazPROMOTERS DE FORTALEZA - Em poucas cidades no país o “promoter” é uma marca tão valiosa quanto entre os gays em Fortaleza. O mercado atualmente encontra-se consolidado, e há iniciantes que tentam burlar essa barreira de confiança imposta pelo público. Os destaques em 2008 ficaram para Rafa Barros e Isa Tavares, que investiram alto e trouxeram grandes eventos e atrações à cidade. Os demais devem ter em 2009 um ano bem agitado. Depois de um período “de paz” que durou dois anos, aumentou a concorrência e a aversão entre alguns profissionais. É importante frisar o “alguns”. O que se PODE esperar é um forte jogo (incluo o limpo e o sujo). Mas o que se DEVE esperar é ética, trabalho e juízo. E o que EU espero? Que sejam evitados desgastes desnecessários, que os profissionais aprendam a lidar com a liberdade de expressão (a mídia é paga, não comprada) e que só há uma forma de resultar em sucesso: respeito ao público. Alguns, além disso, precisam aprender a ler: antes de ligar para aquele promoter e fazer terrorismo, que tal ler direitinho o texto? Ler faz bem para a cabeça, entender faz bem ao coração e estupidez barata faz muito mal à sociedade. Mas a maioria (senão todos) sabe bem: trabalho faz bem à saúde. E muito bem ao bolso.

E você, o que espera de 2009?

ARTIGO: Uma noite para chamar de minha

Postado em 09, nov de 2008 por admin em Artigo, Social Light, Social Night, T+U+D+O

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por João Paulo Magalhães

Vez ou outra dá vontade de escrever um artigo. Principalmente sobre coisas boas. E agora, melhores ainda.

Quem trabalha na noite frequentemente entra em crise quando se pergunta: há quanto tempo você não se diverte? Ué, trabalhar numa festa não é se divertir? Não. Não mesmo. Mas eles não gostam do que fazem? Sim, amam. Mas não se divertem. Pelo menos no sentido literal da palavra, no físico…

O “divertir-se na noite” a que me refiro é o ato de ir a uma festa sem se preocupar com horário, com a programação das atrações, com os melhores ângulos para retratar aquele evento na cobertura fotográfica, tampouco se preocupar em sempre parecer simpático para que o público não te veja como “estrela”.

O sábado (08/11) foi especial. Estava ao lado (sempre) de Marcello (não, ele NÃO é meu namorado) e, ainda no comecinho da semana passada decidimos: vamos aproveitar o final-de-semana na ME3T. Por que a ME3T?

No último “2 linhas” escrevi que a ME3T, embora bem recente no mercado, já se consolidou como um dos principais (e dos melhores, confirmei agora) destinos de gays (lésbicas, simpatizantes…) em Fortaleza. Mas até então a nota tinha saído de uma visão profissional. Todo bom homem (ou mulher) da comunicação é curioso. Aliás, a curiosidade é praticamente um pré-requisito para o sucesso, seja ele editorial ou não. Fechei questão: vou fazer de uma, a minha noite. Uma noite para chamar de minha.

Tudo pronto, pilhas e câmera no carro, Marcello no banco do passageiro, dance tocando no som do carro (mas em volume somente audível internamente), conversa vai, conversa vem… Uma parada antes na Divine. O Halloween da boate encheu a rua General Sampaio de fantasias e fantasiados. Câmera entregue, as pilhas foram junto, recomendações sobre angulação de imagens feitas e… Bingo! A noite é minha. Aliás, é nossa!

Chegamos ao número 273 da R. Coronel Jucá, Meirelles. O movimento era normal e tranquilo. Estacionar e sair do carro sem ser perturbado por um “guardinha” é uma sensação agradabilíssima. Embora ele surja (não se sabe de onde) na hora da saída. Tudo pronto, panfletos do site à mão (depois deixamos na bancada do caixa). Passamos pela primeira revista de seguranças. Damos boa noite e recebemos a educada retribuição. Leonardo Bruno preenche a comanda com nosso nome. O segundo segurança confere. Estamos livres?!

Sim. Estamos livres. Leves e soltos também. É incrível como todos os homens ali são lindos. Fariam os primeiros seguranças uma seleção? Bem, eles nos deixaram entrar, né?!

Como sempre fazemos como estamos trabalhando, ficamos nas bordas, olhando o movimento, sentindo o clima da festa. Sede? Sim. Vou de água com gás. Um amigo aqui, outro conhecido ali, umas paqueras acolá… “Que gaaaaato!”, expressamos para um gatinho (no auge dos seus 20 e poucos aninhos), de camiseta, sarado, branquinho… “É de João Pessoa”, informa um amigo nosso. Terra booooa, hein?! Continuamos a reparar o movimento. “Oi, prazer”. O gatinho (aquele sarado, branquinho, de camiseta) nos cumprimenta. O prazer é nosso!

Encontramos mais amigos. Desta vez, um ex-professor, com quem passamos tempos e tempos relembrando as aulas e, claro, falando de… homens! Ah, sempre eles. Deu vontade de beber. Embora eu quase não consiga ingerir bebida alcoólica, o uísque me soa bem (embora não seja canção, fica melhor empregado que “me entra”). Ai, Marcello, tá forte. E tome careta. “Sim… é o original”. E o falso é fraco? “Além de fraco, dá dor de cabeça no dia seguinte”. Até agora, a única dor é a do arrependimento em ter tomado pouco. É comum vender uísque falso em boate? “Até mais do que você pensa…”. Tomou? Tomei.

Nosso ex-professor vai embora. Marcello, muito bem entretido, mal me vê atrás dele. Sou incrivelmente tímido. Quando bebo (embora pouco), fico mais sociável (ou seria menos insociável?). Alguns confundem até com antipatia. Mas não é isso. “Ei, tu viu?”. O que? “Ele olhou”. Ah, nem vi… estava prestando atenção no DJ.

A apresentação do DJ Diego Bran foi bacanérrima. Destaco uma memorável cena que de longe observava (e babava). Diego Bran tocava violino, num ritmo equibilibrado às batidas fortes de “Alone-Maya“. Delirante. Sensacional! Foi a cena da noite.

O organismo pede e a bexiga grita. Banheiro! Na volta, passando pelo dance, o público interage com o gogo boy (e as meninas com a gogo girl). Muito solícitos, os dois entram no clima do evento. Eles pegam. Apalpam. O gogo boy sorri. E oferece o outro lado. Ah! De enlouquecer…

A iluminação muda. Os refletores destacam a cabine do DJ. Thalles Walker! Interativo, dança, levanta as mãos, faz o público interagir e joga o hit “Don´t cry for me, Argentina“. Dela, Madonna. Flashback é a especialidade do DJ (só por brincadeira) e relações públicas da casa. Arrasou! O segundo hit vem da voz de Whitney Houston. Gritos. O que foi? O público delira, acompanha o refrão, canta e nós nos encantamos com tudo aquilo.

A noite para nós acabou cedo. Saímos por volta das 3h. Não porque queríamos (não mesmo), mas pela obrigação de pegar a câmera de volta, partir para casa, dormir (embora pouco), acordar logo, postar as fotos, produzir os textos, fofocar sobre os “acontecidos” de ontem ao telefone e… deixa pra lá.

Sim. Havia muito tempo que não me divertia tanto. Com sinceridade, sem falsos elogios. A ME3T faz sucesso pela frequencia de homens lindos, interessantes e interessados. Carão? Se houve algum, não vi. Estudantes, intelectuais e pessoas da sociedade se reúnem naquele ambiente, tornando-o leve o bastante para a diversão e forte o bastante para reservar bons e agradáveis momentos. É o que eu chamo de uma ótima noite. Uma noite para chamar de minha.

O que a vitória de Luizianne representa para nós, gays?

Postado em 06, out de 2008 por admin em A Redação, Artigo, momentaneaMENTE, Política, Social Light, T+U+D+O

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Nunca, na história desta cidade, os gays tiveram tanta vez e voz. Parafraseando a mais coloquial das expressões de Lula, a reeleição de Luizianne Lins representou um momento fundamental na manutenção e, principalmente, no andamento das políticas públicas voltadas à Diversidade Sexual em Fortaleza.

É natural esperar um discurso ufanista, o popular oba-oba, para celebrar a vitória de uma simpatizante que desde sempre representou e lutou pelos direitos dos homossexuais em nossa cidade. Luizianne simplifica a essência do gay: um ser guerreiro, que luta pelos objetivos e que não descansa enquanto não cumpre o seu papel.

Luizianne muito tem feito pelos gays de Fortaleza. Mesmo quando teve voltada para si um batalhão inteiro de preconceito e homofobia quatro anos atrás, a candidata do PT não titubeou, assumiu a responsabilidade e hoje colhe o que plantou: sinceridade nas urnas, e paixão nas ruas.

Em meio aos 593.778 votos de confiança (50,16% do total) , Luizianne leva consigo o peso de governar a quarta capital em população no país, num Estado ainda um tanto machista e homofóbico (embora a passos lentos, vamos ano a ano melhorando este problema). Mas… o que a vitória de Luizianne representa para nós, gays?

É sempre bacana podermos contar com alguém que, embora não seja do “meio”, simpatize com as políticas da diversidade sexual (porque “causa gay” me soa brega e rotulante). Logo em seu primeiro ano no governo, a “Lôra” implantou a Coordenadoria da Diversidade Sexual, chefiada até então por Mitchelle Meira (candidata a vereadora, teve 2.609 votos) e atualmente está representada por Orlaneudo Lima, ex-presidente do GRAB e um dos maiores nomes da militância gay no Brasil.

Mas talvez o maior feito político de Luizianne tenha sido o de trazer o debate sobre homossexualidade às casas de nossas famílias. Luizianne destacou-se porque, sem medo algum, levantou a bandeira do arco-íris e mostrou-se ser à favor da Diversidade. Ganhou votos e admiradores porque foi pioneira. Patrícia Saboya e Renato Roseno também defenderam a Diversidade como bandeira política, mas foi Luizianne a candidata dos gays.

E promoveu até um “relaxe, gay também é gente” em um candidato. Um tanto que constrangido (não sei se ele ou os gays), Moroni Torgan fez uma patética ceninha “eu aceito vocês, tá?!” ao posar ao lado de homossexuais. A foto foi parar na FOLHA DE SÃO PAULO e teve muitos comentários aqui no Blog da Redação (relembre aqui!).

A Prefeita de Fortaleza fez um primeiro governo repleto de respeito aos gays. Especialmente ao ZONAMIX, uma ainda tímida mídia, mas que se espelha na fortaleza interna de Luizianne e segue seu caminho rumo à democratização da informação feita por e para gays. Para nós, um motivo de honra. Para nossos milhares de internautas, mais um veículo para colaborar na sua opinião social.

Enumerar erros num momento de festejos é mais complicado que falar dos avanços. É óbvio que progredimos – e muito -, e mais óbvio ainda é que muito ainda falta fazer. Nos próximos quatro anos devemos progredir ainda mais em programação cultural, com o apoio ao ForRainbow. Na luta contra a homofobia, a Prefeitura tem de investir cada vez mais na capacitação de professores da rede municipal. Educação pessoal se aprende em casa; mas é na escola que nossas crianças têm o primeiro contato social de suas vidas. Inclusive, é lá onde vão aprender que homossexualidade não é contagioso, mas contagiante; não é motivo para chacota, mas de muito orgulho. O apoio à realização da Parada Gay de Fortaleza deve ser mais intenso: que tal fazer como São Paulo, onde a Parada é um evento importantíssimo no calendário de eventos da cidade? Que tal fazemos uma campanha publicitária e entrar no turismo gay-friendly? Que tal? Ahn?!

Não precisamos de obras rotulantes. Mas queremos segurança e liberdade (estas, dever do Estado, mas princípios que devem ser defendidos por qualquer autoridade) para trocar carinho em público, ou simplesmente juntar amigos e paqueras em praças públicas, como acontecia na Pracinha da Gentilândia e hoje na Praça Portugal, aos sábados.

Precisamos também, caros governantes, de um trabalho social mais efetivo para mostrar aos jovens a importância do uso de preservativo em relação sexual. Seria de bom tom também uma campanha que mostrasse aos nossos irmãos fortalezenses o quão perigoso e sem volta é o caminho das drogas. É lastimável perceber o quanto a nossa juventudade está se perdendo no consumo e no tráfico desse ciclo de vício e violência.

Enfim, a reeleição de Luizianne nos representa muito. Literalmente. Além da segurança de ter uma governante que se preocupa com as causas sociais (especialmente as da diversidade sexual), a “Lôra” é uma figura carismática, guerreira, e que deve usar da humildade e da competência para trabalhar. Assim como os gays, Luizianne é alvo de fortes críticas. Mas as críticas a ela dirigidas também ajudam a nos tornar cidadãos fortalezenses. E com muito orgulho.

Nos próximo quatro anos, Fortaleza tem de ser mais que bela. Fortaleza tem de ser Belíssima!

ARTIGO: A (im)possibilidade de comprar ingresso para ver Madonna

Postado em 04, set de 2008 por admin em Artigo, Foi Uó!

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Por Thiago Marinho
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E a confusão está instalada neste país! Desde a última segunda-feira (1° de setembro), fãs da cantora Madonna de todo o Brasil estão na luta para a compra de ingressos para seus shows. As apresentações acontecem nos dias 14, 18 e 20 de dezembro, somente no Rio de Janeiro e em São Paulo.

O procedimento de compra para os ingressos começaram há duas semanas, quando a empresa responsável pediu aos fãs para fazerem um pré-cadastro na Internet, para facilitar a compra. Cerca de 200 mil pessoas fizeram, o que não adiantou muita coisa. Ou para melhor dizer, não adiantou de nada.

À 0h de segunda (1° de setembro), começou a batalha para a compra dos ingressos, e o caos instalou-se em todos os pontos de venda. Seja pela Internet, call center ou em bilheterias, tudo está hiper complicado para se ter o tão sonhado passaporte na mão. Olha que o ingresso nem é tão barato assim: varia entre R$ 180 a R$ 600, valor bem “salgado” para o nosso país. E esse calvário se repetiu no mesmo horário do dia 3 de setembro. Eu mesmo ainda estou estafado de ficar à frente de um computador durante doze horas!

Na maioria dos países por onde a popstar estará passando com sua nova turnê, não há filas reais. A venda é exclusivamente via Internet, nada mais justo e apropriado em tempos digitais. No Brasil, país com maior tempo médio de navegação na web (24 horas e 54 minutos por pessoa) e que não vê ao vivo a cantora desde 1993, a história sempre é diferente.

No Brasil também nunca os melhores serviços de vendas on-line são utilizados em eventos de alta demanda, como o do U2 (lembram-se?). É sempre uma empresa de pequeno ou médio porte, geralmente alinhada aos interesses comerciais dos produtores (aliás, é um rentável negócio). O consumidor que se cadastrou com antecedência no site do serviço Ticketsforfun e passou os últimos três dias na frente do computador, repetindo passos, clicando, dando refresh para tentar comprar um dos ingressos mais caros da turnê da cantora vai encerrar o calvário frustrado. Vai gritar e ouvir desculpas esfarrapadas, como sempre. Algumas delas, técnicas, e incompreensíveis. Pobre consumidor, destratado mais uma vez.

Todos os meios de comunicação noticiaram a confusão para a compra de ingressos para os show, e o pior de tudo é que a empresa responsável pela confusão não se pronunciou em nenhuma das matérias, mostrando assim pouca preocupação em esclarecimentos reais. Ou melhor, uma única preocupação: com os lucros financeiros. Mas eles não visionam que possam ficar “queimados” para os próximos eventos que possam fazer no país. Já dizia a minha mãe: “o mais importante na vida não é ter muito dinheiro, e sim ter o nome limpo na praça”.

Hoje a venda dos ingressos continua um caos. Os telefones dos call centers estão congestionados, o site de compra está fora do ar e as bilheterias estão abarrotadas de pessoas, que se arriscam em filas sem segurança. Quem está fazendo a festa com tudo isso são os cambistas, que estão negociando entradas por até 3 mil reais. É lucro na certa!

Hoje uma nova luz no fim no túnel foi anunciada: a Time 4 Fun confirmou que negocia a realização de um terceiro show da cantora Madonna em São Paulo, que seria no dia 21 do mesmo mês. A produção de Madonna avalia pedido da empresa responsável pela vinda da cantora ao Brasil para a efetivação de um terceiro show. A decisão final deve ser tomada na noite de hoje.

Com 15 anos como fã de Madonna, me sinto frustado, lesado e sem forças para seguir em frente neste calvário para a compra de ingressos. O Brasil é cheio de erros, defeitos e descrenças, de forma geral, pela impunidade que impera, em todos os segmentos e a cada instante. A população se sente acuada, sem ação, pois justiça também é algo que passa longe. No caso da venda de ingressos não poderia ser diferente. Aqui fica o meu protesto como um fã, que tentou de todas as formas vê seu sonho realizado, mas o viu se distanciando por uma empresa que não respeita seu consumidor. Agora é só esperar por mais um capítulo desse pesadelo que não tem fim.

ARTIGO: Indústria do sexo engole o Centro de Fortaleza

Postado em 21, ago de 2008 por admin em Artigo

2 comentários

Por Thiago Marinho
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Voltando às nossas pautas sobre comportamento, hoje o Blog da Redação resolveu abordar um tema que para muitos parece um “tabu”, em que grande maioria as pessoas prefere colocar para “debaixo do tapete”. Estou falando da indústria do sexo em Fortaleza. Já consolidada como a 4ª maior capital brasileira (vivem por aqui aproximadamente 2,8 milhões de pessoas), em pleno desenvolvimento econômico, Fortaleza perdeu ares de província e agora respira um momento muito expressivo de grande cidade. Hoje somos servidos por uma série de serviços, seja na indústria de serviços, entretenimento e até na de sexo.

O sexo virou produto de consumo até caro pela cidade, haja vista os estabelecimentos voltados para esse tipo de serviço. Vamos contar comigo. Só em se tratando do público LGBTT, temos 4 termas (mais conhecidas como saunas), algo em torno de 12 cinemões eróticos, 2 boates que possuem Dark Room, ruas voltadas para exposição e negociação de sexo (Avenida José Bastos, Rua Clarindo de Queiroz, Bárbara de Alencar, Meton de Alencar, Duque de Caxias, essas são as mais conhecidas), além de muitos, mas muitos locais para pegação (esse item fica na imaginação de cada leitor).

Hoje o bairro do Centro, em Fortaleza, respira sexo. O que antes era o espaço onde boa parte da população mostava seu poder de consumo, em que ruas e avenidas passavam um ar de tranquilidade, hoje calçadas e praças respiram sexo por todo lado.

Com a migração da população cearense para os shoppings e grandes conglomerados de lojas, o centro virou ponto para duas únicas coisas: estacionamento de carros e estabelecimentos voltados para o sexo. Quer fazer um teste? Passe pela Avenida Clarindo de Queiroz, na madrugada de sábado para domingo, por volta das 2 horas da manhã (de preferência de carro), que você verá a grande exposição de corpos de vários gêneros.

A audácia desses profissionais é tão grande que eles ficam desfilando nas calçadas quase nus, mostrando o que podem oferecer aos clientes por algumas notas de real. Não critico o trabalho de prostitutas, travestis e garotos de programa, pois é um trabalho como qualquer outro e boa parte deles faz isso pela falta de oportunidade, mas sim pela descaracterização do nosso boêmio Centro da cidade, que hoje virou o Centro do SEXO.

Já as saunas da cidade são um caso à parte. Hoje temos quatro, que estão para todos os gostos e bolsos. Tem uma para a grande elite localizada nos arredores do Centro Cultural Dragão do Mar, onde a maior frequencia é de pessoas mais discretas, turistas e com o poder aquisitivo mais elevado. Já no Centro, outras três, mostrando mais uma vez o poder do bairro na indústria do sexo. Essa mais populares, detêm uma série de serviços de entretenimento como serviço com garotos de programa, sauna, bares, suíte, piscina, varandas, dark rooms, cinemas e muitas outras coisas que até Deus duvida. Hoje as saunas em Fortaleza tornaram-se um grande sucesso de estabelecimento comercial. Em dia fraco, uma sauna dessas chega a receber 50 pessoas. Já no final de semana e em feriados, chega a receber entre 100 a 120 pessoas, em sua grande maioria “sedentos” por um bom sexo casual.

Estou escrevendo esse texto não para criticar essa indústria do sexo no Centro de Fortaleza, pois é público e notório o “boom” dessa indústria no bairros, mas sim porque deve-se ter um trabalho por parte dos órgãos municipais para a revitalização do local. Nós, saudadosistas, não gostaríamos de ver o nosso bom e velho Centro tomado por essa indústria erótica.

Uma vez estava voltando de uma festa nos arredores do Dragão do Mar. Conversando com o taxista, que era de Recife e estava morando em Fortaleza há dois anos, ele me relatou algo preocupante: nosso Centrão virou point sexual para todo tipo de público. Segundo o taxista, “boa parte das pessoas que pegam taxi nos finais de semana está à procura de sexo fácil sem compromisso. Querem uma boa “gozada” sem se preocupar com nada e vão ao Centro da cidade, como ponto certo, sem arrependimentos“. Essa declaração do taxista me deixou muito triste, e principalmente preocupado com o futuro do Centro de Fortaleza.

Nessas próximas eleições temos de exigir dos nossos futuros governantes ações de revitaliação para o Centro, de forma que o grande público volte a frequentá-lo. Abertura de Centros Culturais, bares, museus, festas e que se crie uma grande efervescência em seus arredores, pois o Centro segue o mesmo caminho que a nossa saudosa Praia de Iracema, que de grande local da boêmia cultural, passou por uma fase de local para sexo “fácil”, e hoje amarga um momento de decadência total tomado pelos vândalos e usuários de drogas. A nossa história pede socorro pela boca do Centro da cidade!

ARTIGO: Felicidade = Amor?

Postado em 30, jul de 2008 por admin em Artigo

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por Thiago Marinho
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Em uma recente entrevista ao Portal Terra, o símbolo sexual gay (apesar dele ser “hetero”), ator e agora consultor da Rede Record de Televisão, Alexandre Frota, declarou que não tem em seu planos envelhecer acompanhado de esposa e filhos. Quer ficar sozinho. Vocês não leram errado, SOZINHO! “Eu gosto de ficar sozinho. Tento entender porquê as pessoas querem ficar juntos. É como passar o réveillon de branco, foi algo que a sociedade criou“, afirmou.

Com essa declaração de Frota, abriu-se uma discussão dentro de mim. É possível ser sozinho, solteiro e feliz? Existem pessoas que não têm muito talento para namorar, tampouco para casar. Elas preferem caminhar sozinhas na vida, sem paciência ou habilidade para aprofundar-se em relacionamentos. Os tempos atuais beneficiam estas pessoas na medida em que hoje se pode ter encontros efêmeros, sexo avulso, salas de bate-papo e sites de relacionamento na Internet, enfim, toda uma cultura que dá suporte aos solteiros.

Existem vários tipos de solteiros buscando por um relacionamento. Tem aqueles com os pés no chão que buscam um amor possível. Isto significa que compreenderam que ninguém é perfeito e que o próprio relacionamento é imperfeito. Estes têm mais chances de encontrar um par. Mas, existem também aqueles que são muito idealistas e procuram um par perfeito e não se dão conta de que a relação deve ser construída passo a passo e para tanto há de ter muita habilidade. Estes, vagam pelas noites em boates e pela internet sem jamais encontrar o príncipe ou a princesa encantada. No geral, são pessoas que cobram muito tanto de si como dos outros.

A melhor coisa de ser solteiro é a liberdade, a autonomia para ir e vir sem ter que dar satisfação para os outros. Você faz tudo na hora que quer, escolhe seu próprio ritmo. Tem mais tempo para si, para se cuidar, ler um bom livro, para meditar. Você pode sair com quem quiser sem ter que prestar contas. Acredito que é completamente possível ser um solteiro feliz. Aliás, felicidade ou infelicidade podem ocorrer estando ou não você acompanhado de alguém. Tudo é uma questão de como você encaminha sua vida, com mais ou menos otimismo. Não faltam boas opções para você transitar pelas cidades, mesmo sendo solteiro. Cinemas, teatros, programações culturais, bares, boates. Você pode ter bons amigos, sair para paquerar, pode participar de cursos ou desenvolver hobbies.

O público LGBTT em si é carente por natureza, sempre está à procura de aventura, de um novo amor, de algo que possa suprir alguma falta em sua vida, e entregam sua felicidade sempre nas mãos do “outro”, e fazem isso de forma errônea. Hoje está mais complicado se ter um relacionamento duradouro, pois existe uma “grande” corrente de pessoas que mentem a todo instante, e criam já no primeiro encontro uma pessoa (em suas fantasias) que não são, mas quando a máscara cai, o baque é grande! Já existe um grupo, esse é “enorme” de pessoas, que está procurando apenas sexo, como se a vida fosse um grande “açougue” e fôssemos “carnes” expostas, para um bom sexo casual, sem envolvimento. Não estou dizendo que sexo não seja bom, e é, mas com sentimento envolvido é melhor ainda.

Nos dias atuais é comum você ouvir essa frase: “eita, está é durando o relacionamento!”, em alusão a relacionamentos que passam de 6 meses em diante, em virtude de como as pessoas estão descartando as outras. Preocupação com o sentimento do próximo é algo que nem é cogitado pela grande maioria. Parece ser uma grande disputa de quem “fica” com mais pessoas. Mas será que a quantidade é melhor que a qualidade? Não. A qualidade é fundamental, principalmente se amamos e esse sentimento é recíproco.

Em suma, as duas situações são maravilhosas na nossa vida: estar solteiro e está casado. Mas desde que as duas sejam vividas com qualidade. Como? No caso do solteiro, vivendo isso não como “martírio”, como se fosse a coisa pior do  mundo, mas aproveitando o seu “eu interior” para se reciclar, se cuidando fisicamente, espiritualmente e psicologicamente. Se dê presentes, como livros, CDs, shows, coisas que possa lhe enriquecer de alguma forma, pois estamos nessa vida para aprender a todo instante.

Não busque desesperadamente por um parceiro, seja no ônibus, topic, terminal, trabalho, faculdade, boates e muitos outros locais de sociabilidade. A pessoa certa vai aparecer, e não quebre essa linha de destino buscando como única meta da sua vida “namorar”. A vida é feita não só de relacionamentos amorosos. Sei que para viver o “amor” é algo fundamental, mas esquecemos que existem vários outros tipos como o materno, fraterno, e amor que podemos dar ao próximo, como por exemplo sendo voluntário em alguma obra social, pois egoísmo não leva a nada.

Agora para você que está casado, ou namorando viva tudo com toda a plenitude como se fosse o último dia de suas vidas. Mas saiba que nem tudo é para sempre, e que você pode viver numa boa sem o ser amado da atualidade. Para terminar, a felicidade pode existir nos dois momentos, só basta termos mais amor próprio incondicional, e buscarmos a real vontade de ser feliz nas pequenas coisas.

ARTIGO: Acredite na Beleza. Mas qual Beleza?

Postado em 15, jul de 2008 por admin em Artigo, Social Light, Social Night, T+U+D+O, Vídeos

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por Thiago Marinho
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Mundo velho e decadente mundo, ainda não aprendeu a admirar a beleza. A verdadeira beleza, a beleza que põe mesa, e que deita na cama, a beleza de quem come, a  beleza de quem ama. A beleza do erro puro do engano da imperfeição…” (Zeca Baleiro – Salão de Beleza).

Desde o último dia 6 de julho é veiculado nos principais canais de televisão a nova propaganda da marca de perfumes e cosméticos “O Boticário”. O comercial mostra um mundo sem beleza, tendo o cinza como cor predominante, com mulheres despidas das suas vaidades, usando as mesmas roupas, como se fossem uniformes. Na rua, um carro de som anuncia mensagens contra a beleza. Todas as mulheres cortam seus cabelos no mesmo padrão: curtos. A locutora indaga: “Não seria bom viver em um mundo sem vaidade? Imagine um mundo onde a beleza não é valorizada”.

OBS.: desligue o player da rádio na barra superior

No final, uma daquelas moças iguais percebe que há algo errado e corre para um prédio abandonado e, em um de seus empoeirados apartamentos, encontra uma pequena caixa prateada. Dentro, uma maquiagem da marca. Ela usa, então, o batom vermelho e sai, surpreendendo a todos com as cores da maquiagem, que se destacam no universo dominado pelo cinza. Uma a uma, as mulheres a olham, com admiração. Percebe-se que uma nova mentalidade começa a nascer. A mulher dá um sorriso discreto, com orgulho. A voz feminina, conclui: “Não, não seria”. Entra a assinatura: “O Boticário. Acredite na Beleza”. A proposta da campanha é acreditar no poder da beleza como agente transformador e contagiar todos ao redor.

A marca de cosméticos descobriu, por meio de uma pesquisa com mais de dois mil consumidores, que, ao se sentirem mais bonitas, as pessoas enxergam tudo mais vibrante, alegre e colorido, considerando-se dispostas e com atitude para vivenciar as coisas boas do dia-a-dia.

Após assistir a esse comercial, eu mesmo me fiz essa pergunta: será que é possível vivermos em um mundo sem vaidades, onde todos são iguais? Não seria nada bom viver num mundo como o do comercial. As diferentes formas de ser dos seres humanos “pensantes”, seja física ou psicologicamente, fazem a diferença e geram estudos e discussões em nossa existência. Viver num mundo uniformizado, igual, geralmente é o pior pesadelo de todos os tempos, logo o melhor da vida é viver harmoniosamente com as DIFERENÇAS!

Viver num mundo sem espelhos seria ruim também. Não tanto por causa dos espelhos em si, mas pelo clima opressivo e da proibição de não podermos fazer algo tão simples como ver nossa imagem. Imagina o horror que seria viver num mundo em que há comida suficiente e acessível, mas as pessoas preferissem viver com fome pra perder uns quilinhos? Puxa, não quero nem pensar!

Beleza é um conceito muito subjetivo. O dicionário Aurélio fala: “beleza é a qualidade do que é belo“. Acho que tal definição ou é tão simples que não consigo entender ou passa longe de uma verdade ou sequer tentativa de verdade, algo muito superficial. Estaria então o padrão de beleza tão elevado que ao chegarmos à perfeição aceitaríamos qualquer coisa como bela? Viríamos à beleza em cada ser por ele existir? Estaria a beleza em cada gesto e cada manifestação da natureza?

Na minha concepção a verdadeira beleza está relacionada a tudo o que é natural, original. Você já notou que em tudo o que se faz (inclusive no que se relaciona à “construção do belo”) o homem busca inspiração na natureza? Seja imitando formas, cores ou sons. Pare para contemplar uma paisagem natural, por exemplo: uma praia deserta, uma cadeia de montanhas, a Chapada dos Guimarães, ou a Chapada Diamantina. É um encanto, não só pelo visual, mas pelo que é capaz de despertar em nosso interior, no nosso sentir.

Já por um outro lado a indústria de consumo quer lucrar, pura e simplesmente. Mas, pra isso, precisa criar um clima que diga que as pessoas esteticamente “feias” são as erradas se não comprar  determinado creme, tinta pra cabelo, sapato caro ou roupa de grife. A indústria nos diz, diariamente, várias vezes por dia, como somos horríveis. Mas como a “beleza” está ao nosso alcance. Não será barato (se fosse só passar determinado creme…), nem fácil, nem indolor. Mas estamos prontos para passar nossa existência inteira achando que correr atrás de um padrão inatingível é o nosso ideal de vida. Isso não tem nada a ver com beleza. Tem a ver com consumo. Tudo que o comercial diz é que seria horrível um mundo em que as pessoas não usassem roupas, sapatos, e cortes de cabelo caros, então como as pessoas na empresa “O Boticário”, iriam viver?

Para terminar esse texto, gostaria de deixar claro dois posicionamentos meus com relação a essa discussão.
Primeiro: temos que elogiar os profissionais da agência de propaganda de São Paulo AlmapBBDO, que criaram um comercial tão subjetivo que gerou e está gerando um série de discussões pertinentes.
Segundo: a beleza e a vaidade são necessários para uma boa vivência em nossa existência, mas nada exagerado, enlouquecido, levando pessoas as salas de cirurgias como se fosse a coisa mais banal do mundo fazer uma plástica, isso não concordo! De que adianta uma embalagem maravilhosa, se o que realmente importa “o conteúdo” não é muito legal.

Parece meio clichê, logo BELEZA É FUNDAMENTAL, MAS A BELEZA INTERIOR É A QUE PERDURA POR TODA A ETERNIDADE. SÃO NOSSAS AÇÕES COM O PRÓXIMO QUE FICAM PARA SEMPRE!

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