por João Paulo Magalhães (contato@zonamix.com.br)
Rozangela Alves Justino. É este o nome da psicóloga mais comentada nos últimos tempos. Ao lado, a imagem dela. Rozangela causou polêmica ao defender o direito à “cura” da homossexualidade. O problema é que, desde 1999, o CFP (Conselho Federal de Psicologia) baixou norma em que proíbe que seus profissionais apoiem pessoas que voluntariamente desejem deixar a atração pelo mesmo (resolução 01/99). Em outras palavras, o CFP reconheceu que a homossexualidade não é doença nem comportamento.
Ao jornal Folha de São Paulo, o de maior circulação no país, Rozangela afirmou já ter atendido e, pasmem, “curado” centenas (!!!) de pacientes ao longo de seus 21 anos de profissão. O tratamento, segundo a doutora, pode levar de quatro a cinco anos e 50% da chance de cura depende do paciente. O interesse pelo tema é tamanho que sua tese defendida na pós-graduação foi: “Uma possibilidade de resgate da heterossexualidade”.
Mas, segundo ela, o que leva um indivíduo a “virar” homossexual é o tratamento recebido durante a infância ou a adolescência. Mais do que isso, é o prazer sentido nestes abusos. E ainda achou espaço para se vangloriar: “Sinto-me direcionada por Deus para ajudar as pessoas que estão homossexuais”.
Por seu tratamento polêmico, Rozangela Justino foi julgada pelo CFP e, na sexta-feira passada (31/07), sofreu a pena mais leve: censura pública (veja notícia aqui). O caso, claro, tomou conta da mídia (especialmente a gls) e houve até uma discreta comemoração das ONGs em defesa dos direitos de homossexuais. Justo.
Em seu blog, a psicóloga evitou polêmica. Até o fechamento desta postagem, só há dois textos atualizados em agosto. Ambos, como se pode esperar, criticaram a decisão “antidemocrática” do CFP e defenderam o “trabalho exemplar” da doutora. De quem partiram as defesas? De um bispo anglicano e um católico, este, o notável Dom Cláudio Hummes.
A polêmica toda, claro, deixou em polvorosa os seres “defensores da moral e dos bons costumes”. Protestos em defesa da cura da homossexualidade foram feitos, gritos pela liberdade de expressão foram esbravejados e a internet foi usada como forma de mobilização da “causa”. Até um abaixo-assinado virtual foi criado. Tudo, por enquanto, não passou de lorota.
Em 2007, quando também foi censurada pelo Conselho Regional de Psicologia, no Rio de Janeiro, Rozangela disse que via o pedido de cassação de seu registro profissional como “uma injustiça”. Pobre doutora Rozangela Alves Justino…

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Optei por não expressar maiores opiniões a respeito do trabalho da profissional. Não me julgo embasado teoricamente para debater esta ou qualquer área da psicologia. Minha orientação sexual não foi consequência de abusos sofridos na infência, nem é causa de transtornos psicológicos. Sou gay, sinto-me absolutamente confortável, não sofri abusos quando criança, adolescente e tampouco enquanto adulto. Sou gay e sou feliz. Isso me basta.