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PERSONAGEM DA SEMANA: Letícia Layser – exemplo da vida para os palcos e passarelas

Postado em (Personagem da Semana) por admin em 03-10-2009

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São comuns entre o meio das montadas, aquelas/aqueles que se vestem de mulher, os elogios de “linda!” e os gritos de “abalou, viado!”. Em 2008, depois de ficar em segundo lugar no Concurso Garota G, Letícia Layser ouviu muitas críticas. “Não tenho responsabilidade pelo que meus amigos fazem”, disse. Ainda na apuração dos votos, e indignado com um voto 7 (variava de 5 a 10), um folião invade o palco, troca insultos e, por fim, cospe na vencedora, Yasmin Hilton (relembre o caso aqui). Após o episódio, deu-se início a um quebra-quebra vergonhoso, com direito a pontapés e muitas palavras de baixo calão. Enfim, um fato lamentável. Mas passou.

leticia_layser3A personagem desta semana talvez tenha sido injustiçada com a ação descrita acima. Talvez, porque o autor do protesto foi seu namorado, Marcelo, com quem vive há três anos. Ele também se monta, e atende pelo nome de Sharlesiè Dias. Sobre o episódio da discussão, Marcelo se mostra arrependido, já Letícia não: “Eu não estou arrepedida porque não tive nada a ver com isso”. O assunto está superado? “Totalmente”, dizem. A má impressão é quebrada logo de cara. Letícia Layser, que se monta há cinco anos, tem muita história curiosa a mostrar. E vamos contar.

Era tarde de quarta-feira. No local marcado, Letícia surgiu com um chapeuzinho fashion. Suas unhas nos chamaram atenção: estavam pintadas de vermelho. Gênero gótico? Talvez. O gelo da entrevista é quebrado em poucos minutos. Durante quase uma hora e meia, e com diversos temas expostos, Layser sempre caía no assunto do momento: Concurso Garota G. É o seu sonho? “Sim, estou me preparando para ganhar”. Vai investir alto? “Planejo investir R$ 4 mil neste concurso. O que promete? “Surpresas. Posso adiantar que vai ser uma bomba”. A bomba, pelo que entendemos, é para fazer explodir os olhos e a emoção do público que participa do maior evento transformista do Ceará e um dos mais conceituados do Brasil.

Letícia Layser nasceu Wandemberg da Silva Rocha, e teve uma infância bastante sofrida. Seus pais se separaram quando ainda era criança e ele foi viver com a avó paterna. “Minha avó era tudo para mim”, resume. E entra na história triste: “Minha família nunca engoliu o fato de eu ter jeito e ser gay. Meu avô tinha pavor a isso”. Era no ombro da avó que Wandemberg encontrava carinho, afeto e amor. “Meu avô é militar e daí você tira as dificuldades pelas quais passei”. Berg, como é chamado intimamente, disse que por muito tempo teve de dormir na rua para não se encontrar com o avô. “Ele saía cedo para o trabalho. Eu ficava na rua, perto de casa, até a hora de ele sair. Quando ele saía, eu me levantava e ia para a casa de minha avó. Foi muito sofrimento”. Ele conta que não dividia o mesmo ambiente com o avô.

leticia_layser4Berg começou a se relacionar com homens com 11 anos, com um rapaz um ano mais velho. “Fiquei com ele até os 18 anos”. Era um namoro? “Não exatamente, mas sempre ficávamos e tínhamos um relacionamento a dois”. O término foi dos mais desgastantes: “Quando ele descobriu que eu me montava, fez um papel me difamando e distribuiu em todo o bairro. Sofri muito”, diz ele. O garoto em questão, com quem Wandemberg se relacionou, morava próximo. Vocês ainda têm contato? “Não, nenhum. Eu sempre o vejo, mas nós não nos falamos. Ele fez a máfia comigo”.

Wandemberg criou Letícia Layser em 2004, cinco meses após a morte de sua avó querida. “Estava passando por um momento muito difícil em minha vida, pois amava a minha avó”. E lembra: “Num determinado dia um amigo me chamou para me montar. Eu nunca tinha pensado nisso até aquele momento”. E o resultado? “Ah, foi maravilhoso. Eu me senti muito bem, recebi o carinho que sempre quis e realmente me encontrei dentro de um vestido de mulher. Eu virei o centro das atenções!“.

Aos 23 anos, Berg disse que não pretende viver uma vida dupla. “O Wandemberg morreu. Hoje eu vivo a vida de Letícia”. Diante de artistas com nomes muitas vezes cômicos, Letícia Layser até que é comportado. O nome surgiu da personagem homônima, vivida por Juliana Didone na novela teen Malhação. A Letícia da TV Globo era a primeira protagonista pobre e fez um arrasador sucesso na trama. “O Layser veio de repente: estava folheando uma revista e vi este sobrenome. Achei bonito”. Wandemberg Rocha virou, então, Letícia Layser.

leticia_layser5Atenciosa, generosa e persistente são características perfeitamente usadas para descrevê-la. A entrevista foi interrompida várias vezes para que ela pudesse atender a ligações. “Agora não posso falar porque estou dando uma entrevista para o ZONAMIX. Depois eu te ligo”, era a sua resposta. Letícia estava acompanhada de Marcelo, seu namorado e companheiro, seu fiel escudeiro. Pelo pouco tempo que passamos juntos, notamos uma grande afinidade entre ambos, seja em olhares ou nas respostas às nossas curiosidades. Marcelo é um dos responsáveis pelo crescimento profissional e pessoal de Berg ou Letícia.

“O Marcelo é tudo para mim. Não sei o que seria de mim sem ele”, diz Letícia. De fato, ele esteve presente nos principais momentos da vida de Wandemberg. “Hoje eu tenho um salão de cabeleireiro que funciona na minha própria casa”, diz. E completa: “Só tenho isso porque o Marcelo me incentivou a trabalhar e a ganhar meu dinheiro”. Foi num outro salão que ela e ele se conheceram. “Eu já conhecia o Marcelo porque ele namorou uma amiga minha. Quando ele apareceu no salão, eu o cumprimentei e começamos a conversar. Na saída, ele pediu meu telefone. O resultado é que estamos morando juntos desde o terceiro dia em que nos conhecemos. Nós nos amamos muito”.

O carinho que eles sentem é perfeitamente exposto. Após sumir por um tempo, Marcelo reaparece com churros para sua amada. Os dois comem e a conversa segue. Como um casal recém formado, eles mostram o afeto que hoje é tão raro encontrar: amor verdadeiro. Instigado a falar, Marcelo, que é bastante tímido, diz que sempre gostou de homens efeminados, com trejeitos femininos. Letícia sorri e pega na mão dele.

leticia_layser6“No ano passado eu fui passar um tempo em São Paulo. Comecei a fazer programa, mas desisti logo”. Letícia foi com o intuito de “trabalhar” para conseguir dinheiro e fazer a cirurgia de implantação de prótese de silicone. “Desisti três dias depois por causa do Marcelo”. Instantaneamente, ele fala: “Imagina você saber que o seu namorado está na rua, exposto a todo tipo de violência e ainda transando com qualquer cara por dinheiro”. Letícia conta que passou por momentos inesquecivelmente tristes. “Passei por muita humilhação. Agora vejo o que elas [as demais transexuais] passam”. Eles vieram embora para Fortaleza, deixaram o sonho da prótese de silicone mas recomeçaram a viver o amor. “Meu sonho ainda é colocar silicone”, lembra Layser.

O assunto mais comentado foi, claro, a proximidade da edição 2009 do Concurso Garota G, marcado para o dia 24 de outubro. Letícia é apontada como a grande favorita. “Tem muita gente babado neste ano. Só para vocês terem ideia, Linda Rayssa e Fernanda Scaranze já anunciaram que vão descer (ou seja, participar) do Garota G neste ano”. Ainda completa: “O nível está alto”.

Layser não viu problemas em falar abertamente sobre o caso do ano passado. “Eu não estava pronta para ganhar”, diz com a devida humildade de miss. De fato, Letícia está bem mais madura e consciente. “Eu me sinto preparada para ganhar o concurso neste ano e representar muito bem o Ceará no Miss Gay Brasil, em Juiz de Fora”. A vencedora do Garota G garante vaga para o concurso Miss Gay Brasil, o maior do gênero no país.

Para não fazer feio, Letícia Layser planeja gastar 4 mil reais nas preparações para o evento. “É muito dinheiro”, diz. “O Marcelo sempre diz que este dinheiro eu podia usar para colocar o silicone, por exemplo. Mas me sinto bem mesmo é na passarela”. Letícia conta que não há espaço para derrota: “Se eu perder, vou passar a concorrer em outros estados. Vou atrás de gente que me valorize, já que aqui eu não tenho isso”. É um protesto em busca da faixa de miss.

leticia_layser7Na semana anterior, Layser foi destaque na programação da boate Divine, o tradicional reduto de artistas e fãs de shows transformistas. “Apresentei a programação da Divine na sexta, no sábado e domingo”, lembra. “Saí de lá muito aplaudida. Deu tão certo que já fui convidada a fazer parte do cast de apresentadoras da boate”. Segundo Letícia, até agora houve só elogios: “Muitos elogios, muita gente me parabenizando. Estou adorando isso”.

Os olhos cheios de lágrimas de Letícia, quando instigada a falar sobre a infância, mostraram um desabafo com sabor de vitória. “Minha avó morreu nos meus braços. Minutos antes ela disse que queria viver para me ver vencendo todos os obstáculos da minha vida. Infelizmente Deus a levou logo, mas continuo seguindo minha trajetória e tudo o que conquisto eu dedico a ela”. Os olhos, marejados, trazem emoção até quando Letícia fica em silêncio. “Hoje, todo mundo da minha família fala comigo, me procura. Até as minhas tias que não me suportavam vão ao meu salão e tentam puxar conversa. Posso dizer que venci. Foi muito difícil, mas eu venci”.

Quanto ao futuro, Wandemberg não tem dúvidas: “Eu quero enterrar o Wandemberg”. Por quê? “Ele me traz muita tristeza. Hoje eu tenho muito mais características da Letícia do que do Berg”. E o que sobrou? “A vontade de vencer, com certeza. Eu sou guerreiro”. E o que aprendeu? “Com a Letícia eu vivo os melhores momentos da minha vida. Eu tenho todo carinho e a atenção de que preciso”. Sobre a batalha da vida, Layser lembra com orgulho: “Eu morei durante muito tempo na rua e convivi com todo tipo de gente. Tive acesso a tudo, inclusive a drogas. Mas nunca entrei nesta. Nunca experimentei drogas e nem me arrependo disso”. Brilhante exemplo!

Poucas vezes a nossa equipe se deparou com personagens tão misteriosos e cheios de histórias bonitas ainda ocultas. Vencer pode até não ser uma palavra que a descreva perfeitamente, mas seguramente é uma busca sempre presente em sua história. O saber ganhar e perder é relativo; uns nem tentam e poucos conseguem prosseguir e lutar por um sonho. Mais do que dar a volta por cima, Letícia Layser soube, em toda a sua vida, valorizar os momentos de atenção e buscar sempre explorar a vida como uma batalha com derrotas prováveis, mas vitórias sempre possíveis. Como se diz no meio, “Abalou, Letícia!”

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texto: João Paulo Magalhães (contato@zonamix.com.br)
colaborou: Thiago Marinho
imagens: arquivo pessoal

PERSONAGEM DA SEMANA: Kacilla, DJ residente e um dos pilares da boate Donna Santa

Postado em (Personagem da Semana) por admin em 18-09-2009

Sempre discreto, dono de uma cara fechada, preocupado com o que vai além de sua função nos dias de funcionamento e, talvez, um dos poucos – e principais – pilares de sustentação da Donna Santa. O Personagem desta semana é José Edson Júnior de Oliveira. Ou melhor: DJ Kacilla.

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Mas… de onde veio o apelido “Kacilla”? Por ser o filho mais novo da família, era sempre chamado por todos de “caçula”. DJ Caçula não rola, né? Daí, com a troca de letras, o caçula deu forma ao nada iniciante Kacilla. E não é que pegou?!

Natural do Maranhão, ele já viveu no Piauí e reside, atualmente, em Fortaleza, onde está desde a inauguração da Donna Santa, em outubro de 2006. É malabarista, já recebeu convite para trabalhar no parque Beto Carrero World, em Santa Catarina, e está DJ. Está porque… não gosto de ser DJ“. Como? “Sempre gostei de música, sou produtor de uma grande parte dos hits que toco na Donna Santa, mas não quero continuar nisso. Kacilla confidenciou ao ZONAMIX que seu grande projeto é, num futuro bem próximo, fazer parte da administração da maior boate mix do Ceará – se é que já não faz. Aspiração, experiência e reconhecimento não lhe faltam por lá.

kacilla_2Na entrevista, Kacilla foi bem enfático ao dizer que só trabalha como DJ por respeito e carinho aos proprietários da Donna Santa. “O Oza [refere-se a Ozael Júnior, um dos proprietários] é um cara sensacional“. Com os olhos marejados, ele deixa claro e límpido o respeito que mantém pelo empresário. Há de se ressaltar: Kacilla e Ozael moram juntos. E nada de pensar bobagem: são meros amigos de peito, irmãos de coração.

Nunca gostei de ser DJ. O Paulo [Gurgel] e o Ozael [Júnior], proprietários da DS, sabem que não gosto de estar à frente das pickups. Meu negócio é a parte administrativa da casa, o trabalho grosso mesmo“. Muito franco. Kacilla esteve presente do momento da inauguração à mais recente festa realizada – e possivelmente ainda estará por muito tempo. “Comecei na DS como LJ [light-jockey]“, uma espécie de DJ da luz. Com a saída de Daniel de Paula e Doripan, dois ex-residentes, Kacilla assumiu a função sozinho – de março a agosto de 2009, ele foi DJ residente único na boate.

Voltando um pouco no tempo, antes de assumir as pickups de boates como Metalúrgica e Mercearia (Teresina-PI) e a Donna Santa, aqui em Fortaleza, Kacilla era dançarino de break, ritmo originário dos guetos negros americanos, e também fazia apresentações com bicicletas. Com suas peripécias, Kacilla foi convidado a trabalhar no circo de Beto Carrero (já falecido), fato que acabou não acontecendo.

Adorava trabalhar com dança e com bicicletas também, fazendo malabarismos. Sempre que possível, eu fazia apresentações beneficentes e isso me fazia sentir muito recompensado com o sorriso das crianças ao ver as minhas apresentações. Nisso sim eu me encontrava“, desabafa.

Falando em crianças, ele é pai de duas garotas (uma com cinco anos e a outra com dez anos), que moram com a mãe em Teresina (PI). Tenho muitas saudades das minhas filhas. Pena que elas não podem vir sempre me ver aqui em Fortaleza, mas sempre que dá eu vou visitá-las. É por elas que eu trabalho tanto. Os olhos, mais uma vez marejados, desta vez denotam a saudade. “Quase sempre acordo chorando, lembrando da minha família que está longe. Minha mãe quase vinha morar uma época comigo, mas não deu certo. Minha família é grande, todos os meus irmãos moram com meus pais e eu sou o único que mora longe“.

kacilla_3O que o mantém longe da família e, especialmente, das filhas, é o trabalho. Kacilla é uma espécie de “faz-tudo” na Donna Santa. Ele toca músicas, mas também orquestra ideias. Um exemplo claro é em relação à última reforma da casa: “Criei uma boate em 3D e me reuni com Paulo e o Júnior. Todo dia nós discutíamos quais as melhores formas de se fazer essa reforma, tudo isso dentro do orçamento. O grande problema de lá é a estrutura que é muito grande e isso leva tempo e demanda muito dinheiro para a execução de qualquer obra“. Não, ele não é arquiteto. Sim, ele tem talento para isso. “Ficou da forma que imaginamos“, enfatiza.

Na prática, Kacilla também tem voz ativa na direção da Donna Santa. O exemplo citado foi quando da saída de Daniel e Doripan da boate. “Era uma coisa que já estava sendo discutida há muito tempo, mas eu mesmo intervi algumas vezes“. Ele fala na amizade: “Sempre gostei de trabalhar com os meninos e por três vezes tentei abortar a saída deles. Na quarta, não foi possível“. Com a saída de Daniel e Doripan, alguns nomes foram cogitados para assumir, ao lado de Kacilla, a residência da casa. “O Diego Baez foi o primeiro a ser consultado. Foi uma indicação minha“.

Kacilla confessou ao ZONAMIX que muito admira o talento e a veia artística de Diego Baez. “Ele tem muito futuro“. As negociações foram iniciadas, mas Diego optou por continuar na MEET Music & Lounge, boate concorrente. Semanas depois, Baez assumiu também como DJ residente e promoter de uma boate recém-inaugurada em Natal, Rio Grande do Norte, onde trabalha até hoje.

Com a negativa de Diego, outro pupilo assumiu a residência da Donna Santa: foi Thiago Silva, um dos nomes mais novos do mercado cearense.Quem treinou o Thiago [Silva] fui eu. Acho que ele está se saindo bem, elogia. Nem a divisão de cabine com Silva faz Kacilla mudar de ideia. “Não quero dizer quando, mas não vou passar muito tempo na pickup de lá. Tenho um projeto para a Donna Santa e nos próximos dias devo conversar com os proprietários“. Haverá, portanto, uma vaga a ser preenchida.

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Questionado sobre se acompanha o trabalho de outros DJs da cidade, Kacilla foi enfático em dizer que não – e nem tem muito interesse. “Saí poucas vezes para ver meus amigos tocar. Só fui uma vez na MEET e nunca fui à Divine“. E completa: “Não conheço muito a cidade. Sou muito caseiro, meu negócio é ficar em casa, no computador“. E quanto às demais boates… “Já fui uma vez àquela que fica ali perto daquele hotel, como é o nome?“. Mucuripe? “Isso, essa mesmo“. É, nem deu tempo de esquecer que ele não gosta de sair de casa…

Com esse jeito caseiro e introspectivo, Kacilla já foi confundido várias vezes como uma pessoa metida e chata, rótulo do qual quer desfazer. “Por ser muito caseiro, não gostar de badalações e ficar na minha em meu ambiente de trabalho, sou confundido com uma pessoa chata e petulante, o que não é verdade. Existe uma grande diferença entre a timidez e a arrogância, e garanto a vocês que arrogante não sou“. Não é. “Uma vez já rolou um desentendimento com um DJ que tocou na DS. Mas já está tudo certo“. Kacilla também dá ideias de atrações. “Tenho um ótimo contato com Leco Lima e Carol Feitosa, promoters. Antes de fechar com uma atração eles pedem a minha opinião“. As sugestões de Kacilla são sempre atendidas.

kacilla_5A Donna Santa é na minha vida como um grande filho que deve ser cuidado a todo instante. Fico muito chateado quando chega alguém que de alguma forma quer desfazer algo na casa“. Longe de querer figurar como funcionário-padrão, ele afirma que também tece críticas. Sempre que tem algo errado, eu chego pra eles e falo: ´olha, isso não está certo´. A opinião de Kacilla é sempre levada em consideração. “Temos um projeto que já posso adiantar: será realizado esporadicamente às sextas-feiras. Traremos sempre um top-DJ nacional para tocar na Donna Santa. Já fechamos com Gustavo Scorpion e Edson Pride“, duas feras celebradas no Brasil inteiro.

É comum observar o quanto as grandes – e grandiosas – equipes são servidas por pessoas e profissionais que, na maioria das vezes, ficam ocultos e são avessos à badalação. A questão de aparecer parece relegada à condição do fazer acontecer. Até porque um trabalho só é perfeitamente realizável quando, assim como numa construção, temos a fachada, a pintura, o projeto e as bases – e estas, são muitas.

José Edson Júnior de Oliveira seguramente não é mais um desconhecido que prefere o anonimato como forma de se preservar. Kacilla é heterossexual, trabalha com e para homossexuais. É pai, é malabarista, é DJ e tem pinta de arquiteto. É filho caçula, mas é tratado com respeito pela grandeza de sua experiência. Ele nada mais é do que um pilar, um grande pilar de sustentação da Donna Santa.

PERSONAGEM DA SEMANA: Lívia Mendonça, a travesti que encantou o Brasil no Ídolos (Record), fala com exclusividade ao ZONAMIX

Postado em (Personagem da Semana) por admin em 11-09-2009

livia_5Era noite de quarta-feira em Fortaleza. Céu limpo, trânsito não muito intenso e agitação moderada na região do Papicu, onde se encontram os bares e restaurantes mais badalados da capital cearense. Foi num deles que fomos recebidos por Lívia Mendonça, 20 anos, libriana de 21 de outubro e atualmente a travesti mais famosa do Brasil. Ela achou um tempinho entre uma reunião e outra para falar, com exclusividade, ao ZONAMIX.

Oi, meninos, tudo bem?“. Tudo ótimo, Lívia. Antes de tudo, ficamos muito felizes pela oportunidade de entrevistá-la. “Ah, que tudo”. Nossa conversa dura aproximadamente uma hora, tá? Com uma carinha não muito boa, ela sorri pro seu assessor, que estava ao lado. Tudo bem, tudo bem, faremos o possível para agilizar tudo.

Desinibida e mostrando-se absolutamente à vontade, Lívia é daqueles exemplos que nos faz pensar: a natureza errou? Ela não é feminina somente no cabelo grande e na voz fina. Lívia Mendonça tem comportamento, jeito, expressão e doçura femininas – aquela doçura que só as mulheres sabem ter. A natureza pode ter “errado” ao dá-la uma característica física masculina, mas acertou em cheio ao torná-la uma mulher de verdade.

Como toda travesti, Lívia já tem próteses de silicone nas mamas. “Coloquei em São Paulo“, lembra. Pretende fazer a cirurgia de readequação genital? “Sim, é meu sonho. Neste momento, ela para e pede, com a doçura que lhe é particular, que não façamos perguntas clichês. Não entendi. “Só não quero que vocês me façam perguntas que já tô cansada de responder, como quando eu me descobri travesti, se eu quero ser cantora, como é minha convivência com a família…”. Recado dado.

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Isso não quis dizer, contudo, que nós não tivemos estas respostas. Aos poucos introduzimos os assuntos (importantes, friso) e ela, com muita simpatia, respondeu. Foi aos treze anos que me descobri travesti, e fiquei deslumbrada. Lívia conta que nunca teve de contar à sua mãe sobre sua orientação sexual: “Nunca precisei disso. Minha mãe sempre soube“. Com tanto carinho e atenção dentro de casa, ela se diz uma felizarda. “Nunca tive problema com minha família“. Sobre sua mãe, a quem demonstra enorme carinho, dá palavras sinceras: “Minha mãe é tudo para mim. Tudo, tudo. Quero trabalhar bem muito, juntar dinheiro e dar uma vida digna a ela. É este o meu sonho“.

Lívia Mendonça ficou nacionalmente conhecida – e admirada – ao participar do programa Ídolos (veja matéria aqui), um programa musical da Rede Record. Na eliminatória em Fortaleza, que reuniu milhares de cantores de todo o Nordeste, ela ficou entre os 10 participantes selecionados para a segunda fase do programa. “Quanto ao que vai acontecer no programa, não posso falar nada“. Tudo bem. E quanto ao que já aconteceu?

Foi uma surpresa para mim. Eu estava no salão de cabeleireiros onde trabalho (ela é maquiadora) quando um amigo meu passou e me chamou para ir ao Ginásio Paulo Sarasate (onde ocorreu a seleção). Foi tudo muito rápido. Nem pensei muito e disse: ´vamos!´. Peguei dinheiro, entrei no táxi e fomos. O que ocorreu a partir daí você seguramente já sabe: Lívia cantou duas músicas de Maria Bethânia, fez arrepiar “da ponta do dedo até o cabelo” um dos jurados. Saiu de lá com um elogio raríssimo de um deles: “Você é ma-ra-vi-lho-sa”.

livia_2Até então ela nunca havia cantado em público. “Estou adorando ser uma cantora de banheiro profissional“, brinca. Lívia não tem problema quanto a ritmos musicais, mas confessa preferir, obviamente, MPB. Ainda arriscou uma canjinha rápida pra nossa equipe: “Adoro Ana Carolina. Vou cantar, oh: ´eu quero uma lua pleenaaaa´…“. É, ela arrepia mesmo.

Entre um papo e outro, Lívia fumou – e muito. “Preciso parar de fumar mesmo. Este é meu único vício“, confessa, e diz que não gosta de bebida alcoólica. Você gosta de bichos? “Nossa, eu amo!“. Prefere qual? “Qualquer um. Já criei até uma cobra, acredita?“. Lívia disse que a cobra ficava escondida dentro do sofá. Todos gargalhamos. Visivelmente emocionada, ela interrompe as risadas. “Ah, por causa do programa eu tive de me desfazer de um cachorrinho. Era muito apegada a ele“. Os olhos da nova artista, neste momento, encheram-se de lágrimas. Lágrimas estas que expuseram, ainda mais, a característica feminina da fragilidade emocional. Bem, ela não é tão frágil assim.

Lívia, é comum pessoas compararem travestis com garotas de programa. Você já teve algum problema por causa disso? “Olha, já tive sim. Uma vez um abusado chegou para mim e perguntou ´quanto é? Eu pago!´“. E a sua reação? “Ah, meu filho, eu fui grossa. Pra pergunta idiota eu dou uma resposta mais idiota ainda. Esculhambei com ele. Ela conta que é constantemente paquerada, mas que não é muito de ceder aos encantos masculinos.

Você conta logo que é travesti? “Não, pra quê? Só se eu estiver interessada, e daqui que isso aconteça…“. Ela conta que nunca gostou de frequentar bares e boates gays de Fortaleza. “Já conhecia a Donna Santa, mas só tinha ido lá umas duas vezes“, conta. Foi lá, na Donna Santa, que Lívia Mendonça fez a primeira apresentação pública após o Ídolos (veja matéria aqui). Lá, ela cantou três músicas, recebeu todo o carinho do público e conta que se emocionou. “Nossa, eu estava muito nervosa. Mas ocorreu tudo bem. Foi babado!“.

livia_3Sobre o passado, Lívia não faz reservas ao sofrimento. Parei de estudar na 8ª série. Pretendo, com certeza, retornar aos estudos. Cursar faculdade? “Não sei se chego a tanto, mas quero muito estudar música. Eu amo cantar“. E alguém duvida do talento dela?

A comunicativa Lívia Mendonça já ralou – e muito. Acordava todo dia às 5h da manhã para trabalhar. Antes da fama, ela fazia panfletagem na Av. Beira-Mar, distribuindo propagandas de uma academia de ginástica. “Eu adoro me comunicar com o público. Quando tava panfletando, sempre conversava com quem passava. Se vinham duas senhoras, eu dizia: ´E aí, jovens, tudo bem? Olhem a promoção dessa academia. Passem lá para ver´. E conta que rolava muita paquera: “Nossa, vocês não faziam noção dos homens lindos que me abordavam“. Como era a cantada deles? “Tem o seu telefone aqui no panfleto?”. E como você se saía? “Rapaz, deixa disso, meu marido tá me esperando em casa“. Solteira, Lívia se mostra um tanto descontente com os homens. “Já tive três namorados, mas me decepcionei com todos. Já sofreu algum preconceito por ser travesti? “Pelos namorados?“. Sim. “Não. Eu só conto quando tenho confiança e nunca houve problema com nenhum homem não“. E quanto à sociedade? “Ah, já passei por uma situação bem difícil“.

Num exame de rotina, um médico visualizou um raio-X de seu tórax e mandou interná-la imediatamente. “Queriam me internar na área masculina, mas bati o pé e disse que ia para onde estavam as mulheres“. Depois de algum tempo, eis que Lívia tem uma desagradável surpresa. “Saí para tomar soro e quando voltei para a sala de internação, ela estava vazia. A responsável tinha tirado todo mundo de lá por minha causa“. Lívia conta que o médico não percebeu as suas próteses de silicone – por isso saiu uma grande faixa branca em seus pulmões. A atitude de Lívia naquele momento foi chamar a sua mãe. “Saí de lá imediatamente. Nunca me senti tão pequena quanto neste dia. Assinei um termo de responsabilidade e fui embora. Minha mãe quis até processar o hospital, mas deixei de lado“.

Para o futuro ela já está se preparando. Lívia se preparava para entrar em outra reunião logo após a nossa entrevista. “Estamos montando uma banda“, disse. “Agora a pouco fechei um contrato para abrir o show de Fernanda Abreu num festival de músicas que vai acontecer em Jericoacoara, no comecinho de outubro“. Como sonho, e já dito anteriormente, ela pretende voltar a estudar, trabalhar muito, ganhar dinheiro e dar o melhor sustento possível a sua mãe. Ainda arrisca uma brincadeira: “Quero arranjar um namorado, sabia?“. Hum, e qual seu tipo de homem? “Bem rico“. Todos rimos.

Excedemos – e muito – o tempo que combinamos no início. “Ah, gente, já acabou?“. Sim, Lívia, já estamos conversando há uma hora e meia. “Ih, é verdade. Mas eu adorei. Quando a matéria vai ao ar?“.

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Expressiva, comunicativa, emotiva e completamente linda. Eu arriscaria mais um: feliz. Porque a felicidade está na cara de Lívia, no comportamento dessa futura artista e no amor que ela mantém pela mãe e pela música. Lívia Mendonça une características de três artistas de grande sucesso. “Já me disseram que eu tenho a voz de Maria Bethânia, o comportamento doidão de Ivete Sangalo e a carinha de Cláudia Leitte“. A comparação só é válida quando se acrescenta um tempero: não, ela não é mulher, mas leva emoção ao cantar, como Bethânia, alegria pessoal, como Ivete Sangalo e extravasa muita felicidade como Claudinha Leitte. Talvez tenha sido por isso que nem percebemos o tempo passar…

PERSONAGEM DA SEMANA: Alessandra Guerra, militante lésbica, defende a maconha e se diz contra a monogamia e a família

Postado em (Personagem da Semana) por admin em 04-09-2009

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por João Paulo Magalhães (contato@zonamix.com.br)

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No último 29 de agosto foi comemorado o Dia Nacional da Visibilidade Lésbica. A data traz referência ao 1º Seminário Nacional de Lésbicas, ocorrido de 29 de agosto a 1º de setembro de 1998, no Rio de Janeiro. Naquela oportunidade, o movimento reuniu mais de 100 ativistas de diversos estados brasileiros a fim de discutir políticas públicas e sociais para lésbicas. No Ceará, poucas militantes têm a garra e a bagagem político-social de Alessandra Guerra.

ps_alessandra_7Nascida em São Paulo e vivendo há seis anos em Fortaleza, Alessandra Guerra é um – se não for o principal – dos nomes mais citados pelo movimento lésbico cearense. A propósito, entende-se por movimento lésbico o trabalho de inclusão de homossexuais – no caso, femininas. “Nós achamos que até hoje o movimento homossexual é muito voltado aos gays“, diz.

Alessandra é também fundadora do LAMCE (Liberdade e Amor entre Mulheres do Ceará), grupo que ainda não tem sede fixa, mas que recebe muito apoio da Prefeitura Municipal de Fortaleza. “A Prefeitura nos ajuda muito“, confirma a militante. “Nosso trabalho é de educar e conscientizar a população a respeito da homossexualidade feminina“.

Seu primeiro contato com a militância surgiu sete anos atrás, quando assinava uma coluna no já extinto portal Armário X. Era, então, o surgimento da web-militância. “No site, nós publicávamos textos de pessoas que saíam do armário. O objetivo era ajudar gays e lésbicas que se sentiam retraídos para assumir a sua condição sexual“. O Armário X foi uma iniciativa pioneira do escritor Fabrício Viana, que também assina uma coluna no ZONAMIX (veja aqui).

ps_alessandra_3A oportunidade de vir morar em Fortaleza veio de repente. “Estava precisando de grana, e resolvi vir para cá“. Alessandra conta que imaginava conseguir emprego rapidamente na capital cearense: Lá em São Paulo, a gente tem uma visão muito curta do Nordeste. Eu pensei que ia chegar aqui e logo conseguiria emprego pelo simples fato de ser paulista. Pensei que os cearenses iam se deslumbrar“. Ela conta que não foi bem assim. “Não foi mesmo. Eu esperava ser contratada em alguma empresa têxtil, no cargo de criação de estamparia, mas tive de ir vender meu artesanato na praia, andando de barraca em barraca“. E completa: “Até hoje, quando preciso de dinheiro, saio vendendo meu artesanato na Praia do Futuro“.

Alê, como é chamada pelos amigos, se considera uma militante feroz. Quando começa a falar sobre o LAMCE, usa palavras fortes, combativas. Não à toa seu sobrenome é Guerra. O grupo surgiu de uma dissidência do GRAB (Grupo de Resistência Asa Branca). “Respeitamos muito o GRAB pelos trabalhos com soropositivos no Ceará. A luta deles é reconhecida nacional e até internacionalmente. Mas entendemos que o GRAB foca muito o trabalho para gays, e as lésbicas ficam de fora“.

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Ela confidenciou uma forte discussão ocorrida em junho deste ano, dias antes da realização da X Parada pela Diversidade Sexual do Ceará (confira blog especial do ZONAMIX). Já estamos na décima edição e nunca uma lésbica foi escolhida como Madrinha da Parada“. Alessandra conta que o LAMCE ia lançar o nome de Marilúcia Mesquita, coordenadora do grupo Divas, mas ela foi preterida em favor de Vânia Dutra. A militante, então, dispara: “Quem é Vânia Dutra? Vocês a conheciam?“.

ps_alessandra_14Segundo o Grupo de Resistência Asa Branca, a Madrinha da Parada Gay de Fortaleza é escolhida através de uma reunião aberta ao público e frequentada por militantes e empresários. “No dia em que eles fizeram esta escolha, nenhuma lésbica participou da reunião. Só soubemos do resultado depois“. Segundo Alessandra Guerra, o nome de Vânia Dutra foi exposto por Andréa Rosati (veja Personagem da Semana com Andréa Rosati), assessora de políticas públicas LGBTT do Governo do Estado do Ceará. Mais uma vez, ela levanta polêmica: “Dizem que Vânia Dutra foi escolhida por ser amiga da primeira-dama do Estado. Esperavam, assim, conseguir mais verbas para a Parada Gay de Fortaleza“. Vânia Dutra Melo Sousa, 53 anos, é ex-presidente da Associação das Primeiras-Damas do Ceará e atualmente ocupa o cargo de secretária de cultura do município de Horizonte, cidade da região metropolitana de Fortaleza (leia mais sobre ela aqui).

Em relação a verbas, definitivamente, Alessandra Guerra não tem do que reclamar. “A Prefeitura de Fortaleza nos ajuda muito. Como não temos uma sede fixa, muitas vezes utilizamos os telefones da própria Coordenadoria da Diversidade Sexual, ligada ao gabinete da Prefeita, para fazer ligações“. Ela conta ainda que Luizianne Lins muito tem ajudado a militância local. “Em relação ao governo geral, eu tenho ressalvas a fazer, mas é inegável o avanço das políticas públicas voltadas a gays e lésbicas em Fortaleza, na atual gestão“.

ps_alessandra_6Além de ser um exemplo político pessoal, Luizianne Lins foi corresponsável pela inclusão de Alessandra Guerra na militância local. “Eu havia chegado há pouco tempo em Fortaleza quando, pela televisão, me deparei com aquele comercial de campanha do Moroni [Moroni Bing Torgan (DEM) era o candidato a prefeito de Fortaleza mais bem colocado, segundos as pesquisas na eleição de 2004, quando resolveu atacar ferozmente um projeto de governo de Luizianne Lins, tida como "azarão" da campanha. O projeto frisava o ensino de diversidade sexual nas escolas públicas. A peça, considerada de extremo mau gosto e de altíssimo teor homofóbico, fez com que Moroni fosse fortemente criticado por outros setores da sociedade e analistas indicam tais críticas à derrota eleitoral nas urnas]“. Ao assistir ao comercial, Alessandra conta que se revoltou: “Fiquei muito revoltada com aquelas palavras dele [a peça publicitária dizia: "Eu não quero ver o meu filho discutindo educação sexual nas escolas"] e logo pensei: “Poxa, se esse homem ganhar nós estamos perdidas“. No dia seguinte, ela foi até o comitê eleitoral de Luizianne e se engajou, de vez, na campanha da candidata petista.

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Hoje, a relação entre o LAMCE e o governo de Luizianne Lins é de extrema cordialidade. “É a Prefeitura, praticamente, que patrocina toda a Parada Gay de Fortaleza, a terceira maior do país [neste ano, o público foi estimado em 900 mil pessoas, o que a coloca entre as maiores do mundo]“. Em 2006 o LAMCE fez história ao levar para a Av. Beira-Mar o primeiro trio elétrico formado, exclusivamente, por lésbicas. O projeto foi estendido nos anos seguintes, mas em 2009 a organização não optou pelo trio. Segundo Alessandra Guerra, o gasto mínimo para colocar um trio da avenida é de R$ 10 mil. “Isso, só o aluguel, fora a decoração, som, taxa dos bombeiros“. Ao ZONAMIX, ela confessou que usou “apenas” R$ 5 mil neste ano. “Optamos por solicitar a metade da verba para sair junto do público, no asfalto“. O que fizeram com este dinheiro? “Realizamos conferências e oficinas na periferia de Fortaleza. No dia da Parada, juntamos as meninas do LAMCE, compramos cartolinas e cartazes e fizemos uma espécie de abre-alas do evento. Palavras de ordem (ou nem tanto assim) foram flagradas pelo ZONAMIX: “Luanna é sapatão! Alessandra é sapatão! Eu sou sapatão!“. (veja matéria aqui)

ps_alessandra_10Seu prazer no corpo feminino vem desde sempre. Apesar de já ter tido relação sexual com homens, Alessandra conta que o primeiro beijo em uma mulher aconteceu enquanto ela e um grupo de amigos gazeavam aulas. “Era comum meninas e meninos deste grupo se beijarem“. Foi neste período que ela começou a fumar maconha.Pode colocar isso“, diz. Então vamos.

Os pais descobriram o envolvimento de Alessandra com as drogas (“com drogas não, com maconha” – !!!) e ela foi proibida de ver os amigos. Mas nem isso a fez abandonar as drogas (“drogas não, maconha“). Como é de se esperar, Alessandra encara o lado militante até quando a conversa é politicamente incorreta. “Sou a favor da descriminalização da maconha. Acho um absurdo uma pessoa não poder plantar uma erva no quintal de casa, por exemplo“. Você continua usando frequentemente? “Sim“. Só maconha? “(silêncio) Não necessariamente“.

Todas as meninas do LAMCE são a favor da liberalização da maconha (“não das drogas”)“. É assim que uma das mais conceituadas militantes do movimento lésbico cearense descreve seu grupo. “A violência iria diminuir muito“, estima. Você já sofreu algum problema por usar drogas? “Não, nenhum“. Já foi importunada pela polícia? “Já. Uma vez fui pega com maconha em uma praça“. E quanto à saúde? “Até agora não há nenhum caso de alguém que morreu por fumar maconha“. Você quer ser vista pela sociedade como uma defensora dos direitos civis ou das drogas? ps_alessandra_8Depende do ângulo pelo qual você quer ser visto. A maconha é a droga mais utilizada no mundo e a descriminalização pode ser uma forma de proteger as favelas. Há gente de todas as esferas sociais envolvidas com drogas, inclusive gente do próprio governo.

Alessandra levanta outra polêmica – desta vez, não tão politicamente incorreta. “Não sou a favor da monogamia“. Como? “Não acredito em fidelidade. Já tive um relacionamento a três. Todo mundo que me conhece sabe que sou poligâmica. O lado rebelde de Alessandra Guerra encontra, neste fundamento, talvez o seu lado mais polêmico. “Não sou a favor do casamento nem da família“. Segundo ela, a monogamia foi algo culturalmente imposto pela sociedade, que chama de “machista”.

Para defender os direitos de um determinado grupo de pessoas, é preciso que militantes se identifiquem com os anseios e o objetivo a ser traçado. É o que eles chamam de “luta”. Alessandra Guerra usa e abusa, saudavelmente, da democracia para expor pensamentos polêmicos. Ela faz a sociedade pensar, mas também refletir, sobre o quanto a liberação das drogas (“das drogas não, da maconha”) e o rompimento com a família podem ser prejudiciais (ou não). É um ponto de vista que deve ser respeitado. Tão respeitado quanto o seu trabalho à frente do LAMCE, educando e conscientizando os mais carentes a respeito das diferenças. Alê é mulher, é lésbica e é diferente. Militante, polêmica e guerreira. É Alessandra Guerra.

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colaborou: Thiago Marinho
fotos: arquivo pessoal

PERSONAGEM DA SEMANA: Fabiano Gurgel, 29 anos e Mr. Gay Ceará 2009

Postado em (Personagem da Semana) por admin em 28-08-2009

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O que vem à sua mente quando você pensa em concurso de beleza gay? Até pouco tempo atrás, eu arriscaria na resposta: homem maquiado e vestido como mulher, desfilando numa passarela, com a mão dobrada na cintura e sorrindo forçadamente. Longe da unanimidade, a resposta hoje pode ser outra: concurso de beleza gay também revela o lado masculino da homossexualidade.

fabiano7Quando falei com minha mãe sobre o concurso, ela imaginou logo que eu ia virar travesti“. É desta forma que Fabiano Gurgel, 29 anos, cearense de Fortaleza, resume a reação em sua casa. No mês de julho último, Fabiano foi eleito o Mister Gay Ceará 2009. Sim, claro, ele é gay. E assumido (pessoal e socialmente).

Formado em educação física, ele atualmente cursa faculdade de Direito e representa uma empresa paulista de fitness em algumas academias de Fortaleza. Trabalha como personal-trainner, gosta de frequentar as baladas da MEET Music & Lounge e está solteiro a quatro anos. A pergunta clichê: por que tanto tempo? “É que sou bem exigente“. Tá, ele pode.

Fabiano não se julga um bajulador de marcas famosas. Somente há pouco tempo vim saber o que é Armani“. E completa: “Gosto de me vestir bem, mas não ligo para essas futilidades. Para os interessados na informação do último parágrafo, aqui vai uma dica: “quero um cara cabeça, em torno dos 35 anos. Não precisa ser malhado, basta ser inteligente“. Pode ter barriguinha? “Claro“.

Namorar não é, necessariamente, a sua prioridade atualmente. Fabiano Gurgel passará por uma bateria de testes, entrevistas e exposições entre os próximos dias 5 e 7 de setembro, em São Paulo. É neste momento que será escolhido, via transmissão ao vivo pela RedeTV!, o Mister Gay Brasil 2009. Antes disso, a partir de 1º de setembro será veiculada pelo site oficial do evento, o www.mrgaybrasil.com.br, uma votação para eleger o Mr. Gay Popularidade.

fabiano2A ideia de participar do concurso surgiu no ano passado, quando seu amigo Paulo Santiago, Mr. Gay Ceará 2008 (veja Personagem da Semana com Paulo Santiago) chegou a convidá-lo para participar da eliminatória local. “Não me sentia preparado naquela época“, conta. “Vários amigos também me indicavam para o concurso, como o Thalles Walker (RP da MEET). Mas nunca levei a sério“. Fabiano resolveu investir neste ano. “Foi tudo muito rápido. Tive poucos dias para preparar um book fotográfico, enviar para a produção do evento e passar por uma entrevista. No fim, deu tudo certo“. Ele conta que recebeu o apoio do grupo Music House para a inscrição no concurso.

Podíamos até esperar o contrário, mas Fabiano não é nada convencido. Você se acha bonito? “Não“. Mas você é um gato! “(risos). Obrigado“. Por que acha que foi escolhido como representante do Ceará? “Acredito que pela minha postura. Sou muito sério e isso imprime respeito. A solteirice ajudou? “Para o concurso, isso não influencia em nada. Mas acho que, pra mim, estar solteiro ajudou sim. Não dei satisfação a ninguém“.

Ele confessa que seu lado reservado ao extremo pode ser fruto da timidez. “Sempre tive muita vergonha”. Carinho em público? “Andar de mãos dadas pelas ruas ou em ambientes fechados, como acontece com alguns lugares em São Paulo, nem pensar!“. Fabiano informa que, em pouco tempo, a faixa de Mr. Gay Ceará só o ajudou a “melhorar como pessoa”. Ele conta que está mais sociável.

fabiano5E quanto a cantadas, recebe muitas? “Recebo“. Mais de homem ou de mulher? “De homem, claro“. Costuma ser aberto a cantadas? “Depende“. Você toma atitude? “Não. Este é meu grande defeito. Mas dou todos os sinais de que estou a fim, com sorrisos e olhares“. E quando o paquera não toma a atitude? “Fico sozinho. Volto para casa morto de raiva, mas não tenho coragem de chegar“.

Fabiano Gurgel já namorou mulheres. “Foi justamente por isso que meu pai se impressionou quando soube“. E quanto à família…? “Tudo bem. Todo mundo me respeita, seja na família, no trabalho, na faculdade“. A postura séria ajuda? “Totalmente“.

Ele conta que nunca chegou a se assumir para a família. “Não vi necessidade nisso. Namorei por sete anos com um cara e passava todos os finais de semana com ele. Quando terminamos, ele sumiu. Isso já ficou na cara, né?“. Certamente. Fabiano diz ainda que não sente mais nada pelo ex, e que hoje eles são “grandes amigos“. E só.

Quanto às expectativas para o evento, Gurgel não esconde a ansiedade: “Sou chocólatra assumido e adoro doce. É impressionante, mas nestes últimos dias eu tenho comido bastante chocolate. Estou muito ansioso. Quanto ao resultado, ele não se mostra tão preocupado: “Vou para lá fazer o meu trabalho. Se o título vier, vai ser muito bem vindo“.

fabiano4O garoto também se mostra empolgado quando imagina a repercussão do concurso em sua carreira. “O pessoal da academia tá querendo fazer faixas“. Tímido, ele disse que não quer. “Tem gente até falando que vai votar muitas vezes em mim, pelo site do concurso“. Ah, isso ele já quer. “Espero o voto de todos vocês, hein?“.

Sua postura mais correta como representante de um segmento é, talvez, digna da maior celebração:Sou totalmente contra drogas. Gosto de beber, mas nunca fumei, nunca usei drogas e costumo me afastar de pessoas que fazem isso. Fabiano Gurgel conta que já passou por momentos difíceis por ser, “como eles [os usuários de drogas] falam: careta“. Ele já chegou a ficar isolado do grupo de amigos por conta disso. “As pessoas às vezes se unem pelos gostos, comportamento. Quem não participa disso acaba sendo excluído, deixado de lado“. Mas isso, nem de longe, é motivo de preocupação: “tenho muito orgulho de nunca ter experimentado drogas“.

Fabiano viaja para São Paulo nesta sexta-feira, 28 de agosto. “Vou passar uma semana resolvendo umas coisas do meu trabalho para, então, poder me dedicar totalmente ao Mr. Gay Brasil“. Já conhece os participantes? “Claro. Já tive contato com alguns“. Rolou paquera? “(risos). Rolou, mas não quero isso. Meu foco está no concurso e ponto final“. Sobre a possibilidade de posar pelado, ele se esquiva: “O contrato que assinei me proíbe de fazer qualquer conteúdo erótico, que seja até nu artístico“. E se houvesse convite, você aceitaria? “O cachê é muito baixo“, diz, referindo-se ao que a G Magazine oferece: R$ 20 mil.

O concurso é de beleza, mas o comportamento também é algo a ser bastante valorizado no evento. Nos próximos dias, ele passará por uma bateria de entrevistas, participações especiais, testes de roupas e a ansiedade, certamente, será sua companheira inseparável. O Fabiano Gurgel que conhecemos dificilmente será lembrado como um corpinho ou rostinho móveis. O nosso Mr. Gay, ao se mostrar inteligente, trabalhador, avesso a futilidades e, principalmente, absolutamente contra as drogas, é mais do que um representante da beleza gay do Ceará. Fabiano Gurgel representa um sentimento que nunca deve acabar: seja autêntico, invista nos seus ideais. Este é, sim, o nosso Mister Gay Ceará. Com todo o prazer.

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texto: João Paulo Magalhães (contato@zonamix.com.br)
colaborou: Thiago Marinho
fotos: arquivo pessoal

PERSONAGEM DA SEMANA: Paula Oliveira (ou Marcos Paulo) – festa Gay´to tirou Fortaleza do gueto

Postado em (Personagem da Semana) por admin em 20-08-2009

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por João Paulo Magalhães (contato@zonamix.com.br)

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Final de tarde em Fortaleza. A entrevista foi marcada num shopping na zona oeste, bastante frequentado pela galera mix. Pontualmente lá estava ela. Oi, Paula, tudo bem? Como podemos te chamar? “Eu prefiro Marcos Paulo“, respondeu. Tudo bem, vamos à entrevista, Marcos Paulo!

Paula Oliveira (quer dizer, Marcos Paulo) é um perfeito exemplo de rigidez externa e de doce interior. Doce até não pisarem em seu “calo”, em sentido figurado ou não. “Sou briguenta mesmo. Já arranjei briga até num forró em Caucaia (região metropolitana de Fortaleza)“. Explica melhor. “O cara chegou dando em cima da minha mulher. Olhei, disse que eu sou sapatão mesmo, que ela não estava sozinha e perguntei se ele estava com algum problema“. É, Marcos Paulo é extremamente rígida.

MP_2De uma família de sete irmãos, Maria Paula de Oliveira Souza teve de aprender a se virar sozinha. Filha adotiva, aos 37 anos é órfã de pai e mãe (de criação) e hoje convive com sua mãe biológica, a quem ajuda no sustento diário. Paula Oliveira, a doce, é trabalhadora, gosta de tomar a frente de tudo, é extremamente romântica e está apaixonada.

Tenho uma atração especial por mulheres maduras e, até então, heterossexuais“. Como assim? “Adoro ser o primeiro caso das mulheres. Tenho sorte pra isso“. Seu atual relacionamento, de oito meses, é um exemplo disso. “Quando conheci minha mulher, ela era casada. Depois de um tempo, começamos a namorar e ela terminou o casamento“. Marcos Paulo, a conquistadora, diz que o ex-marido de sua esposa demorou a entender. “Ele propôs até que fizéssemos sexo a três, mas comigo isso não rola“.

Entrando mais ainda na intimidade de Marcos Paulo, descobrimos que sua atração por mulheres começou por volta dos 14, 15 anos. “Meu primeiro beijo foi com uma amiga, vizinha de rua. Sentamos num bar, começamos a beber e depois rolou de tudo. Ela era casada e seu marido nos pegou na cama deles, neste mesmo dia“. E o que aconteceu? “Ele perguntou se podia participar. Eu disse que não e me retirei do local“. Após o episódio, garante ela, a amiga foi embora para Curitiba, continua casada e meses atrás elas se reencontraram – nada rolou. Quanto à proposta dele, ela se sai: “Sou virgem de homem“, brinca.

MP_3Paula Oliveira diz que o único relacionamento hetero de sua vida foi aos 15 anos. Ela namorou por seis meses um homem mas, garante, “não rolou sexo“. O que mais a atrai numa mulher? “A mulher é mais doce, é carinhosa. Mulher é tudo de bom“, resume, sucintamente. E lembra: “Minha primeira paixão foi pela professora de português, bem mais velha“. Paula alimentou a paixão por uma mulher de mais de 40 anos, ainda à época de colégio. Rolou algum romance? “Não“, garante.

Seu lado sisudo se resume ao físico. Quando fala de sua família, Paula deixa transparecer um semblante emotivo.Depois que minha mãe – de criação – morreu, vivi uma fase de muita dificuldade. Foi aí que resolvi ir para a Noruega, tentar a vida por lá“. No gélido país escandinavo, sua maior dificuldade foi enfrentar o frio – como era de se esperar. “Na primeira vez que fui quase desisti por causa das temperaturas, sempre muito baixas“.

Sua sinceridade causa emoção. “Tive de ir para a Noruega por pura necessidade. Passei muitas dificuldades por lá, e ainda hoje tenho problema em me comunicar por aquele difícil idioma”. Marcos Paulo passou três anos naquele país europeu. Trabalhou numa fábrica e na casa de uma família, onde desempenhava a função de babá. “Na fábrica, só conseguia me comunicar com o chefe, que era brasileiro. Quando saía às ruas, não falava com ninguém porque não entendia nada“.

Marcos Paulo está no Brasil há aproximadamente um ano. Se tem vontade de voltar, desconversa. “Já tive oportunidades, mas não fui por causa do meu namoro“. O lado doce, gentil e sentimental dela fala mais alto. “Não quero levá-la comigo se, de repente, posso não dar tanta atenção por causa do trabalho“. Ela, então, preferiu ficar em Fortaleza. Algum arrependimento? “Nenhum“.

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De público, ela é conhecida por Paula Oliveira (MP). É assim que assina nos panfletos, nos banners no ZONAMIX e em todo o material de divulgação de suas festas. Em seu círculo de amizade, ela é muitas vezes chamada de ele. De “o” Marcos Paulo. Afinal, de onde saiu este nome? “De uma brincadeira, dez anos atrás. Eu já tinha este jeito masculinizado de hoje e um amigo, certa vez, me disse que eu devia ser chamada de Marcos Paulo (vem de Maria Paula). A brincadeira pegou e hoje sou chamada assim“.

Rindo, ela conta que alguns homens se assustam. “Uma vez, falando com o marido de uma cantora, me apresentei como Marcos Paulo. Ele ficou parado, me olhando, calado“. E ela leva na esportiva: “Achei tudo isso engraçado“.

MP_4Paula Oliveira, a MP (de Marcos Paulo), é promoter há bastante tempo. Seu primeiro evento será relembrado na noite do próximo sábado, 22 de  agosto, no Porto das Dunas. O local é histórico: foi lá, exatamente lá, onde começou toda a  história de eventos itinerantes (localmente chamados de “festa-fora” [de boate]) em Fortaleza. E com o mesmo nome: Gay´to.

Sua vida de balada começou ainda no século passado, na década de 90. “Eu era frequentadora assídua da boate Broadway. Havia semanas que ia quinta, sexta e sábado. Lá, vivi momentos maravilhosos“, lembra. Foi por gostar de eventos que ela resolveu, no início desta década, promover a sua festa de aniversário. Surgiu, naquele momento, um nome que depois virou marca (de muito, muito sucesso): Monah Monteiro.

Convidei a Monah para realizar, comigo, a festa de meu aniversário. Lembro que cobramos R$ 5,00 de cada convidado. O dinheiro era somente para comprar bebida. Fez tanto sucesso que depois começamos a promover eventos a cada dois, três meses“. Na época, Fortaleza dispunha de apenas duas boates: Divine e KISS Disco Club, que já fechou as portas há bastante tempo.

MP_5Tudo era difícil naquela época. Os panfletos eram feitos de xerox e distribuídos de mão em mão por amigos e conhecidos. O Porto das Dunas, litoral leste de Fortaleza (onde fica o famoso parque aquático, Beach Park) foi o local escolhido por ser longe. E longe, naquela época, era a distância ideal. Ninguém (ou quase ninguém) gostava de ser visto. Era tudo “proibido”. Era um gueto. Daí o nome: Gay´to. De gueto.

Hoje, nem de longe as comparações podem ser seguidas à risca. A única coisa que não mudou, naturalmente, foi o charme que aquela região dá a qualquer evento – seja gay ou hetero. Festa em praia, e especialmente na do Porto das Dunas, é sempre um momento incomum de diversão, paquera e azaração. O gueto, hoje, é apenas uma inspiração para o nome do evento. Felizmente.

Em 2003, Marcos Paulo seguiu para a Noruega mas seu trabalho teve continuidade. Nascia, então, a parceria entre Monah Monteiro e Carol Feitosa, que durou alguns meses. “Quando voltei da Noruega, um ano depois, Monah e Carol já haviam tomado rumos diferentes“. Era a época do ultra[lounge], filial cearense da famosa boate paulistana, aqui dirigida por Leandro Becker (modelo e capa da G Magazine) e André Bianchini (atualmente na FlexxClub, em São Paulo).

MP_6Estávamos, então, no período de maior efervescência (profissional e, principalmente, emocional) dos últimos tempos em Fortaleza. Ao projeto ultra[lounge] juntaram-se, sem qualquer equilíbrio, praticamente todos os promoters: Leco Lima, Carol Feitosa, Monah Monteiro, Eurico Moreno Jr. e até, a então novata, Aline Carvalho. Era natural pensar que não havia espaço para mais ninguém. Não houve. Os ânimos se exaltaram e os profissionais entraram num vergonhoso jogo de ego ferido. Felizmente o caso ficou na história, mas o período foi essencial para delinear os passos que até hoje são seguidos.

O que era esperado aconteceu: a separação. Era inevitável e ocorreu. Quatro promoters afastaram-se do ultra[lounge]: Monah Monteiro, Eurico Moreno Jr., Aline Carvalho e Marcos Paulo os acompanhou. Fizemos, então um sorteio“. Sorteio? Para quê? “Para definir duas duplas que passariam a trabalhar juntas“. E o resultado foi: Monah Monteiro e Eurico. Aline Carvalho e Marcos Paulo. A primeira durou poucos eventos. A segunda, dura até hoje.

MP_AlineA Aline é mais que uma sócia, para mim. É uma amiga, uma pessoa com quem divido minhas aflições, minhas paixões, meu lado pessoal bem acima do profissional“, explica a promoter Paula Oliveira. “Já fui muito amiga da Carol Feitosa e também da Paula Roberta – sócia-proprietária da MEET“. Ao que completa: “Temos uma relação bem diferente, mas continuo amando as duas“.

O sentimento de carinho, gratidão e profissionalismo, ao que parece, é recíproco. Paula Oliveira promove eventos na MEET e na Donna Santa, sem qualquer problema. Frequenta ambos os lugares para os quais também trabalha e, constantemente, recebe convites. “Quando pensei nesta festa de sábado, a Paula Roberta ofereceu a MEET. Preferi fazer numa mansão no Porto das Dunas mesmo, para relembrar todo o começo das festas itinerantes”. Mesmo a concorrer com as duas boates, Marcos Paulo garante ter o apoio dos profissionais que lá trabalham.

O mercado mix de Fortaleza hoje é bem diferente daquele no início da atual década. A mudança só foi possível porque contou com o talento, o profissionalismo e o empreendedorismo de promoters que trabalham em equipe, que lutam em grupo. Sem a ideia do Gay´to, provavelmente não teríamos a oportunidade de iniciar relações (de amor ou de amizade) em eventos itinerantes, sejam em mansões, barracas de praia, casas de shows ou afins. Podemos arriscar que, sem a visão de futuro desta grande mulher, tudo seria diferente. O mercado mix de Fortaleza deve muito a Paula Oliveira. Quer dizer, a Marcos Paulo.

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Colaborou: Thiago Marinho
Imagens: arquivo pessoal

EXCLUSIVO: Georgia Brown, a maior extensão vocal do planeta (Guiness World Records)

Postado em (ClickVIP, Cultura, Personagem da Semana, Social Light, Social Night, T+U+D+O, Vídeos, momentaneaMENTE) por admin em 30-07-2009

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por Thiago Marinho e João Paulo Magalhães
imagens: divulgação

Ela veio de uma família de músicos, é casada, tem um filho de 9 anos (“gerado durante uma turnê“), lançou três discos e já vendeu quase meio milhão de cópias. Ainda assim, é possível que você nunca tenha ouvido falar em Georgia Brown, nome artístico de Rossana Monti, esta italiana de 29 anos, radicada no Brasil.

Georgia passa bem longe de ser uma mera desconhecida. Seus 20 anos de carreira foram espelhados em seu pai, um músico italiano, que morreu quando ela tinha apenas 15 anos. Seu maior feito é ter um recorde registrado. Mais do que isso: um recorde que antes pertencia a Mariah Carey, a artista mundialmente conhecida.

Georgia 2Segundo o conceituadíssimo Livro dos Recordes (Guiness World Records), Georgia é dona da voz mais aguda do mundo. Mas o que isso diz a nós, amantes da música, embora leigos em sua parte técnica? Brown possui uma variação em 8 oitavas, é capaz de emitir um som altíssimo até fora de nosso campo de audição, e só podendo ser captado apenas por medidores de frequência. Sobre o feito, ela se orgulha: “Recebi o certificado na edição de 2006. Antes, este recorde pertencia a Mariah Carey“.

Ao ZONAMIX, Georgia Brown contou que o registro do recorde partiu de um sonho de seu marido. Ele sonhou que estava “andando e passando por uma livraria, abria o Guinness e via meu nome lá! Quando ele acordou, me contou isso e fomos atrás de ver como fazia para registrar o recorde“. Depois de quase um ano, a surpresa: “Congratulations! You are a Guinness World Record-breaker!“. Com o feito, a cantora fez apresentações em vários lugares do mundo, morou dois anos em São Francisco, nos Estados Unidos, e recentemente comprou um apartamento no Rio de Janeiro.

Georgia tem percorrido o Brasil apresentando a turnê “To Da Floor Tour 2009″ em casas de shows mix. É tendência? “Sim, esta turnê é totalmente direcionada ao público GLS“, diz. Já passou por São Paulo, Recife e agora chega a Fortaleza, nesta sexta-feira (31 de agosto), onde se apresenta, com exclusividade, na Boate Donna Santa.

Na conversa que tivemos com ela, por telefone e e-mail, pudemos conhecê-la melhor. Georgia Brown esbanjou simpatia nas respostas, destacou um pouco da sua expectativa para o show em Fortaleza e, claro, falou (muito bem!) sobre o público mix: “O público GLS é mais fiel, eu acho“.

Veja a entrevista feita pelo ZONAMIX:

ZONAMIX: Quais são as suas expectativas para o show em Fortaleza?
Georgia Brown: Chego na sexta (31/07) e já vou direto fazer uma participação na TV Diário. Estou muito ansiosa, louca pra tirar várias fotos e também por ter muitos fãs aí de longa data que me seguem e não nos conhecemos pessoalmente. Estou indo com meu DJ [Mike, seu esposo], e canto [sucessos das] Divas: Whitney Houston, Mariah Carey, Britney Spears (mas uma versão com voz! Sempre brinco nessa parte), Aretha Franklin, Deborah Cox, Toni Braxton, Martha Wash e, claro, meu remix de Loneliness feito pelo incrível DJ Allan Natal!

ZONAMIX: Você vem de uma apresentação em outras casas de shows que também trabalham diretamente para o público LGBT. O foco neste público é uma tendência na sua carreira?
Georgia Brown: A “To Da Floor Tour 2009″ é totalmente direcionada ao público GLS, com certeza. Estou focada nisso por inteiro! E desse projeto estamos fazendo até um disco no segmento house-tribal.

ZONAMIX: Existe alguma diferença entre gays e heteros enquanto consumidores de seus produtos?
Georgia Brown: Em relação a shows e venda de produtos, não. Os heteros que são meus fãs também até acabam indo para a boate gls onde vou cantar para poder me ver, sabe? Adoro esse público [GLS] pela exigência e pelo respeito que eles têm por mim como artista. Eles sabem apreciar e aplaudir quem tem algo de bom para mostrar e rola uma entrega muito grande tanto da parte deles quanto da minha. A melhor parte, sem contar a troca de energia do palco e o público, é o depois, no meu camarim, onde recebo todos, até o último fã para tirar fotos, dar um abraço, receber deles cada carinho e dar muita risada! O público GLS é mais fiel, eu acho! Adorooo!

Georgia 3ZONAMIX: Você vem de uma família que sempre valorizou muito a música. Até que ponto esta convivência familiar influenciou na sua carreira?
Georgia Brown
: Meu pai, Antonio Monti, era italiano e cantava. Ele faleceu quando eu tinha 15 anos, mas fui totalmente influenciada e treinada por ele. Comecei ainda criança e depois continuei desenvolvendo minha voz sozinha. Ele era tudo na minha vida! Só consegui me recuperar depois que conheci meu marido e tive meu filhinho.

ZONAMIX: Como você descobriu que tem uma extensão vocal tão alta?
Georgia Brown:
Desde criança. Os músicos voltavam a atenção para os meus agudos e eles gostavam muito de explorar isso desde a gravação da minha primeira fita de rolo (demo), aos 8 anos.

ZONAMIX: Que preparação você faz antes das apresentações?
Georgia Brown:
(risos) A preparação é o seguinte: uma caixa de bombons Ferrero Roche e Coca-Cola bem gelada. Acredite se quiser! Não sou fresca e vivo normalmente. Não tenho essa obsessão de não pegar chuva, vento, não tomar nada gelado. Faço tudo como outra pessoa qualquer, menos fumar e beber. Isso nunca fiz nem me atrai.

ZONAMIX: Você morou algum tempo nos Estados Unidos. Foi estudar?
Georgia Brown: Fui para os Estados Unidos com 18 anos e canto desde os sete. Como sempre cantei em inglês, somente achava importante falar a língua perfeitamente e, como nunca tive paciência para estudar nada, achei melhor na prática do dia-a-dia!

Georgia 4ZONAMIX: Estar no Guiness Book é um feito raro e que deve ser valorizado. O que mudou em sua carreira após ser considerada a cantora com a maior extensão vocal do planeta?
Georgia Brown
: É, amore! Mudou pela repercussão por eu ser a cantora que quebrou os recordes da Mariah Carey. Fiquei conhecida no mundo inteiro e acabei fazendo participações em TV até na Ásia. Minha entrada no Guinness foi uma revelação de Deus através de sonho. Meu marido sonhou estar andando e passando por uma livraria, abria o Guinness e via meu nome lá. Quando ele acordou, me contou isso e fomos atrás de ver como fazia para registrar o recorde. Depois de dois meses de feito o login no site do Guinness e mandado um email para fazer o teste, recebi o regulamento com exigências e muita burocracia. Pois bem, colhi todo o material, fiz o teste, mandei para a sede do livro em Londres e começamos a acompanhar através do site o processo, bem como sua análise. Passou um tempo e até tínhamos esquecido disso, quando depois de quase um ano resolvemos entrar no site e meu marido viu “Congratulations! You are a Guinness World Record-breaker!“. Eu estava dormindo, era bem cedo, ele pulou em cima de mim. Acordei com o coração na boca porque não estava entendendo nada. Daí recebi o certificado e a publicação veio na edição de 2006. O recorde anteriormente era de Mariah Carey. Eu nem sabia. Isso deu um bafo!

PERSONAGEM DA SEMANA: Hairan Manzon, o andrógino do Ceará

Postado em (Personagem da Semana) por admin em 10-04-2009

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por Thiago Marinho

Fortaleza é uma cidade que ainda “engatinha” com relação a algumas áreas artísticas. Uma delas é o transformismo, que nada mais é que incorporar um personagem para fazer shows: em sua maioria, homens que se transformam em mulheres estonteantes. Nos dias de hoje a profissão aos poucos começa  a ganhar novas vertentes, e uma dela é a androginia.

hairan3Segundo a enciclopédia virtual Wikipédia, andrógino é aquele(a) ser que tem características físicas e, em aditivo, as comportamentais de ambos os sexos. Assim sendo, torna-se difícil definir a que gênero pertence uma pessoa andrógina apenas por sua aparência. Os andróginos que prezam por sua androginia normalmente utilizam-se de adereços femininos, no caso de homens; ou masculinos, no caso de mulheres, para ressaltar a dualidade.

Um dos precursores da androginia no estado do Ceará é Hairan Manzon, nosso personagem da semana. Com 21 anos de idade, e quase três de vida artística, Régis é completamente diferente fora dos palcos. Régis Ribeiro é tímido, fala pouco, mas quando resolve responder dá o seu recado sem papas na língua.

Segundo o artista, o transformismo em sua vida começou como uma brincadeira de Halloween (Dias das Bruxas). “Sempre ia às boates e via os shows, mas nunca me encheu os olhos o fato de se vestir de mulher. Ao ver o show de Launda Mcatney disse para mim mesmo: ´é isso que quero fazer´. No ano seguinte, nascia Hairan Manzon”.

hairan1No mesmo ano de nascimento de Hairan, em 2006, veio o primeiro prêmio, o concurso “Novos Talentos” da boate Divine. “Lembro claramente daquele dia 26 de agosto de 2006. Naquele momento, com o reconhecimento da plateia da boate, que é super exigente com relação a shows, tive a certeza de que estava no caminho certo. Hairan já era uma realidade especial na minha vida”.

Depois do reconhecimento e de vários shows, Hairan começou a se preocupar com a produção de seus shows. Sempre trazendo novidades, exóticas por sinal, e junto de sua “mãe” nos palcos, Lauanda Mcartey, ele começou a fazer alguns shows macabros nos quais dava a impressão de estar comendo, com muito gosto por sinal, carne humana. “Na verdade aquela carne é fígado cru [de boi], para dar impressão de que é carne humana. No começo engolir fígado cru era muito complicado, mas hoje tiro de letra”.

Essa vertente do transformismo, juntamente com alguns temas mais macabros é o diferencial do trabalho de Hairan. Indagado sobre a dificuldade de fazer certos trabalhos no palco, Hairan mostrou ser um grande profissional e consegue de forma correta diferenciar profissional e pessoal. “Nunca senti nojo de fazer certas coisas no palco, como comer fígado, vísceras e até tripas. Sei que quem esta lá em cima é o Hairan e não o Régis. Eu sou completamente diferente dele”.

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Falando em seus shows, Hairan disse que ainda se surpreende com suas apresentações. “Sempre quando termino um show, olho para trás e penso: como pude fazer tudo aquilo? Mas sei o que é isso amor à arte. Muitas pessoas acham meio nojento ou macabro, mas adoro tudo que é exótico e sempre gostei desde criança de dar susto e causar grande impacto nas pessoas”.

hairan2Mas nem só de shows vive o homem. Pois bem, Régis é uma pessoa pacata e tranquila, seja nas palavras e nas ações. Frequentador desde a adolescência das boates LGBTTs da cidade, o artista hoje não vê com bons olhos o investimento dos empresários em shows de transformismo. “Antes os shows eram o grande brilho da noite, mas atualmente só existem duas casas na cidade que investem nesta arte. A cultura GLS nata está sendo trocada pela preocupação com o lucro”, enfatiza Hairan.

Não só a questão artística foi tocada em nossa conversa, Régis se mostrou um pouco decepcionado com a noite cearense. “Antes tudo era muito diferente. Conseguíamos viver com intensidade a noite e seus personagens, mas hoje é completamente diferente. Tudo esta muito banalizado e repetitivo. Sempre vou às festas duas vezes por mês, e sinto que sempre falta algo que se perdeu com o tempo”.

Régis com 16 anos (menor de idade para frequentar boates, então) já namorava um advogado, o que “facilitava” sua entrada nas festas. “Um ambiente que tenho saudade é a Kiss. Ainda não existiu na cidade um local como aquele, e acho que nunca existirá. Mesmo com a minha pouca idade, consegui viver com plenitude essa época tão especial”.

hairan4Régis nunca duvidou de sua homossexualidade, mas nos revelou que sua sexualidade pode ter relação com o fato de ter sido molestado sexualmente por um adulto enquanto criança. “Quando eu era criança, uma pessoa fez insinuações sexuais comigo. Sei que isso não foi o fator fundamental para ter a certeza sobre a minha orientação sexual, mas teve uma ajuda, e foi um algo a mais na minha decisão”.

Régis, que até pouco tempo namorava uma transex, disse ser uma pessoa que não tem a visão somente em fatores estéticos na hora da paquera. Para ele a beleza interior é fundamental. “Quando estava namorando uma transex nos beijávamos, os dois travestidos, nas boates, e as pessoas ficavam nos olhando. Acho isso besteira. O que me apaixona são pessoas de caráter, independente de fatores externos, físicos”.

Deixando um pouco a vida pessoal de lado, Régis, ou melhor, Hairan Manzon, fará dois shows especiais neste final de semana em homenagem às grandes drags de Fortaleza. “Neste final de semana, nós faremos uma homenagem às grandes drags da cidade como Sayck Samsarah e Fernanda Scarazi. Convidei novos artistas para interpretar sucessos antigos que marcaram uma época das drags no Ceará. Será uma grande volta das drag-queens”.

hairan7Além de ser andrógino, Hairan começou a aderir ao transformismo feminino. “O Hairan não é só um andrógino, ele é um personagem de muitas facetas. Fiz a pouco tempo shows vestido de mulher. Tenho a androginia no meu coração e neste final de semana vou colocar para fora o meu lado drag. Gosto de ser mulifacetado e não me fechar somente em uma vertente. Sou um artista sem rótulos. Hairan me dá mil oportunidade artísticas e quero desenvolver bem todas elas”.

Ao final de nossa conversa, Hairan agradeceu a todos os profissionaois que o ajudaram de forma direta e indireta, mas em especial a boate Divine. “A Divine é o grande celeiro do transformismo no Ceará. Se não fosse ela, não sei como seria a minha vida e a de muitos transformistas da cidade. Todos nós, artistas, nos sentimos em casa lá. Gosto da boate como profissional e como cliente”.

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PERSONAGEM DA SEMANA: DJ Juh Veras, a queridinha da MEET

Postado em (Personagem da Semana) por admin em 03-04-2009

Além de buscar informações a apresentá-las ao público em primeira-mão, o ZONAMIX procura entender porque alguns projetos dão certo e atendem bem às expectativas dos foliões. Em uma de nossas pesquisas com clientes da MEET, constatamos: há alguém, além do algo, como atração da mais moderninha boate de Fortaleza: Juh Veras.

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Juh, fora da balada, é Juliana, uma senhora (“casada”) há oito anos. Juliana, antes de ser Juh, era promotora de vendas e trabalhava em supermercados oferecendo degustação de chocolate aos clientes. Na época, já era frequentadora de festas gls mas “passava despercebida“, como lembra. Foi também proprietária de uma lan-house e lá conheceu Monah Monteiro e Paula Roberta, empresárias, que na época administravam a boate Queen´s Disco Club (2005/2006). Além de tornar-se foliã assídua da Queen´s, Juliana começou a moldar o gosto que traz desde criança: a paixão pela música.

juhveras31A primeira coisa que fiz foi me matricular num curso de DJs com o Sílvio de Paula“. Sílvio, chamado de “mestre” pelos principais disk-jockeys do Estado, Sílvio é o mais badalado profissional das pistas de dança e também o cartão de visitas para qualquer aspirante a DJ. O principal ensinamento dele foi: para aprender, você tem de treinar“, diz Juliana, referindo-se à necessidade da prática que se sobrepõe – e, neste caso, em muito – à teoria. Em um mês, tendo aula duas vezes por semana e treinando diariamente, Juliana se aventurou no primeiro convite: seu primeiro set foi em 2006, ainda na Queen´s Disco. Nascia, então, a DJ Juh Veras.

Quase três anos depois de sua estreia, Juh orgulha-se da amizade com “as meninas” (como se dirige a Monah e Paula) e se diz mais madura profissionalmente. Tenho um contrato de exclusividade com a MEET. Só posso tocar lá“, garante. E deixa escapar: “Já tenho convite para ser residente de uma nova boate, refere-se ao esperado novo empreendimento de suas “meninas”. Alguma previsão, Juh? “Em breve. Aguardem“, e ponto.

juhveras4Mas… por que a Juh Veras é a DJ queridinha da MEET? “Eu gosto de interagir com o público mesmo quando fora da cabine. Sou viciada em internet e passo o dia conversando com amigos e fãs“, explica. Ela era também participante assídua de canais de bate-papo pelo MSN, de onde vem a maioria de seus seguidores.

Juh Veras é apontada como uma das principais atrações às sextas na boate do Meirelles, região nobre da capital. Neste dia, divide a cabine com o não menos brilhante, DJ Gilvan Magno, e se diz diferente dele porque toca sua vertente preferida da dance music: o house, com muito tribal. Os foliões participam do set pedindo músicas e, claro, mostrando agitação na pista.

Você costuma ser assediada enquanto trabalha? “Sexualmente, não“. Não? “Nunca levei cantada“. Juh explica que seu lado interativo resume-se ao contato social e brinca: “Muita gente chega no MSN e diz que não falou comigo porque minha namorada estava perto“. E sua namorada, rindo, conta: “As pessoas acham que eu tenho a cara ruim“. Riem as duas.

juhveras11Muito além da impressão, Juliana e Mara formam uma parceria que vai além do namoro. Mara é sua maior incentivadora: “Quando ainda tínhamos a lan-house, a Juh ficava treinando no próprio computador enquanto eu administrava a empresa“. Além de incentivadora, gaba-se de ser fã número um: “Não é porque sou namorada, mas acho a Juh Veras uma das melhores DJs de nossa cidade“.

Embora tenha contrato de exclusividade, Juliana, já tocou em quase todas as principais boates mix de Fortaleza: “Já toquei na Donna Santa, no Music House e nas principais festas-fora“. Seu primeiro trabalho como DJ residente foi na primeira edição do VIPBar, em 2007, onde trabalhou com Aline Carvalho. “Fiquei durante todo o período de funcionamento [3 meses] e o bar ficava sempre lotado, orgulha-se.

Fora das pistas, Juh é uma baladeira nata. Seu local preferido é a MEET MUSIC & LOUNGE (seria outro?), mas explica: “Vou pra lá não só porque sou contratada da casa, mas porque gosto do público, me sinto bem ao lado dos amigos“. “Costumo ir aos pagodões da Aline também, e aos domingos para a Donna Santa, quando funciona“, completa.

juh-veras1Juh quebra sua rotina quando tem mais de dois eventos por semana, muitas vezes seguidos: “Costumo tirar um dia inteiro para o descanso. No seguinte, já estou pronta para outra maratona“, brinca. Sobre o fato de em Fortaleza haver muito mais DJs homens que mulheres, Juh acredita que essa diferença se deve ao fato de eles se interessarem mais pelo comando da pista, mas “as mulheres são muito mais animadas do que os homens“, garante. Ela confessa também que nunca passou por qualquer sensação de desconforto por ser uma profissional feminina, e diz não ver tanta diferença de profissionalismo entre os gêneros:A DJ mulher interage um pouco mais com o público, diz, ao completar com o “Eu acho“.

Garante que a TPM nunca foi um empecilho em sua carreira. “É lógico que fico mais abusada quanto estou de TPM, mas quando chego na festa parece que tudo muda: meu mau humor acaba e eu só quero me divertir com o público“. E explica: “Procuro me concentrar totalmente porque a alegria da noite depende de mim“. E como faz para se concentrar? “Nada. Às sextas, dia em que trabalho, passo o dia dormindo. E só“.

Para o futuro, Juliana se vê cursando faculdade de “marketing, porque adoro isso” e não se enxerga, pelo menos por enquanto, produzindo músicas. “Por enquanto não“, diz. E quanto a ministrar cursos? “Ah, muita gente me pede. Não sei, pode ser“, e sorri.

Outra mudança notória em Juh Veras é a estética: ela já perdeu 6 quilos “e 100 gramas“. “Fiz regime porque a Paula Roberta me pediu. Certa vez, um cliente chegou para ela e disse: ´Aquela DJ gordinha é muito boa´. Quando terminei o set, ela me chamou e me pediu para emagrecer, conta. A estética ajuda no profissionalismo? “Sim, muito“. E garante: “estou me sentindo melhor agora. As pessoas chegam e dizem que eu até estou mais jovem“. E a namorada, o que acha? “A Juh é boa gordinha ou magra, de qualquer jeito“.

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A ex-”gordinha” – e agora magrinha – DJ Juh Veras é um fenômeno de popularidade. Certamente, o grande exemplo de que é possível conciliar trabalho sério com seriedade na convivência social. É versátil, simpática, tímida (garante que sim, “um pouco“) e viu na perda de peso mais um estímulo para fazer a pista de dança bombar. Vai continuar com o regime? “Sim, quero perder mais 8 quilos“.

Depois de emagrecer o nome (de Juliana para Juh), ela tratou de adaptar o físico às exigências estéticas de setores da sociedade. É o que chamamos de adaptação profissional. Alguém aí ainda duvida da versatilidade da ruiva?

PERSONAGEM DA SEMANA: Flávia Fontenelle: “Estou livre de drogas há 6 meses”

Postado em (Personagem da Semana) por admin em 27-03-2009

O grande poeta e escritor português, Fernando Pessoa, ainda no século passado, escreveu: “O valor das coisas não está no tempo em que elas duram, mas na intensidade com que acontecem“. O tempo (vida) de cada um pode ser breve ou nem tanto assim, mas o que vai contar – segundo o pensamento de Pessoa – é a experiência que cada um adquiriu no decorrer deste tempo.

O pensamento acima ilustra muito bem o que se passa na cabeça de alguém que ora tenta corrigir algum erro, ora tenta dar o porquê de algumas atitudes (muitas vezes, impensadas). É também uma forma poética de ver a vida, de intensificar as ações. Seria – na visão de alguns – a permissão para errar, vinda através de uma poesia. Mas não é.

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A Personagem em questão é Flávia Fontenelle. Há sete anos, Flávia era só um exemplo de beleza. Em 2005, numa festa de halloween, teve seu primeiro contato com as drogas. Em 2007, intensificou seu uso. Desde setembro de 2008, garante, mudou a vida (“para muito melhor”) e abandonou as drogas. Ontem, Flávia Fontenelle era um exemplo a ser evitado. Hoje, Flávia Fontenelle é um exemplo a ser seguido.

Desmontado (ou seja, sem peruca, maquiagem e roupas femininas), Flávia é Marcos André, 26 anos, natural de Fortaleza e um dos artistas mais queridos e celebrados entre o meio mix fortalezense. Além de Miss Gay Ceará, foi eleito Garota G, participou do Miss Gay Brasil e hoje faz shows de transformismo (e caricatismo) nas principais boates da capital cearense.

flavia1A fórmula do vício é quase a mesma para com todos. “Foi no Halloween da KISS (boate já fechada), em 2005. Entrei no banheiro e vi umas amigas preparando droga. Fui lá e perguntei: ´O que é isso?´. Elas, então, me convidaram e tive ali a primeira experiência“, explica. Na verdade, foi seu primeiro contato com cocaína. “Maconha eu fumo desde 1998. O problema com a erva é que eu fico lesada. Resolvi partir para a cocaína, uma droga que me deixava mais eufórica“.

Do final de 2005 a abril de 2007, Flávia disse ter tido poucos e esporádicos contatos com a cocaína.Comecei a usar com maior intensidade depois que a Lena Oxa saiu da Divine. A partir de então, Flávia passou a ser mais requisitada para shows e na principal boate para as artistas, a Divine, passou a fazer shows pelo menos uma vez por mês. “Em pouco tempo, saí da geladeira diretamente para o palco da Divine“, lembra, falando do período em que esteve ausente na programação artística da boate.

Além de sofrer estímulo dos amigos, Fontenelle conta que na época passava por uma fase emocionalmente conturbada. “Vivi uma desilusão amorosa muito grande em 2004 e só ano passado fui me livrar dela. Não bastasse isso, naquele mesmo período vivi a separação dos meus pais, a necessidade de sustentar a casa e a cobrança excessiva de minha mãe para que eu terminasse os estudos“, desabafa. Eu estava emocionalmente muito abalado e me vi sozinho. Ao usar cocaína, passamos por todo um ritual. As pessoas, em grupo, conversam e desabafam. Em casa eu não tinha essa liberdade, não tinha com quem desabafar. Acabei caindo nas drogas. E completa: “Apesar de não me arrepender do que fiz, se pudesse voltar atrás eu não repetiria esse erro“.

O semblante emocionado ao falar dos problemas familiares não é comum a Flávia Fontenelle. As aulas de teatro e seu talento nato compõem seu comportamento inquieto, seu jeito expressivo de se comunicar, seu jeito muitas vezes extravagante de agir. E por trás de tanta expressão, há uma personagem de coração grande, de amizade sincera, de personalidade marcante.

flavia9Tive de impor a minha homossexualidade em casa. Meu pai saiu de casa, minha mãe vivia angustiada e fazendo pressão para eu terminar os estudos. Os shows eram a minha válvula de escape. Inesperadamente, em 2004, os convites para a Divine pararam. Em 2005 me envolvi com festejos de São João, que foi uma experiência maravilhosa para mim, conta. “No São João, convivi com uma turma totalmente diferente. Naqueles meses eu consegui colocar a minha cabeça no lugar. Foi uma terapia para mim“. Depois de terminado o período junino, e apesar de mostrar uma carinhosa recordação, Flávia Fontenelle voltou a se isolar.

Em abril de 2007, após a saída da Lena Oxa, a sua vida mudou novamente. “De uma hora para outra, passei a ser chamada para shows e apresentações na Divine. Eu tive, então de voltar para o mundo gay“. Foi esta mudança abrupta e inesperada uma das principais causas de seu envolvimento mais intenso com as drogas. “Tinha de ficar sempre ligada, pois fazia vários shows por semana. E encontrei nas drogas a ilusão da força, da coragem. Pura enganação.

Sobre o que perdeu por ter se envolvido com drogas, Flávia é enfática: “Perdi credibilidade, trabalho, dinheiro principalmente e não sei até que ponto a minha saúde se debilitou”. Fontenelle perdeu muito. Muito além de dinheiro, trabalho, saúde e credibilidade, ela perdeu tempo. Ganhou experiência, é verdade, “mas perdi muito mais do que ganhei”.

O que as pessoas podem pensar dessa matéria? “Na verdade, pouco me importa o que elas pensam. Quero aqui dar um exemplo de vida para que as pessoas evitem esse contato, evitem passar pelo que passei“. E histórias não faltam.

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A primeira vez que caí na real foi em maio do ano passado. No dia da estreia do espetáculo ´As Bem Doidas´, na Divine, eu cheguei atrasada. Estava cheirando cocaína. Já tinha subido no palco várias vezes depois de beber e fumar, mas aquela foi a primeira vez que fiz um show drogada, lembra. Após a apresentação, suas companheiras de grupo (Satyne Haddukan e Rayanna Rayovac) foram conversar com Flávia. “A Rayovac chegou e disse: ´Mona, não vou pedir para você parar. Só quero que você só faça isso depois do show. Antes da apresentação, não´. Notei, então, que meu desempenho tava caindo“.

Eu sempre achei que dominava a situação. Não usava drogas durante a semana, em compensação era sexta, sábado e domingo usando direto“. Mesmo aparentemente não tão fora de controle, Flávia resolveu fazer um teste: “De cara (sóbria), eu entrava no palco nervosa, mas sabendo de tudo; quando entrava chapada (drogada), ia de qualquer jeito. Eu perdia a noção de tudo e não me preocupava com o que fazia“, lembra.

Dos poucos arrependimentos que diz sentir, Flávia destaca o mais doloroso. “Na festa do Troféu Boca Ceará, em 2007, eu entrei ´morta´. Fiz um dos melhores shows de minha vida, fui ovacionada e quando desci do palco, no camarim, gritei: ´Está aqui o meu troféu!´“. Fontenelle não se referia ao Troféu Boca, mas ao “troféu” cocaína. “Cheirei ali mesmo, na frente de Labelle Beauty e Michelle Summer, dois ídolos meus“. Flávia contou que elas fingiram não ver nada, “mas depois fiquei com muita vergonha. Muita vergonha mesmo“.

flavia4Desde que abandonou as drogas, Flávia diz que avaliou e pensou muita coisa. “Não me arrependo de ter entrado nas drogas porque vi como isso prejudica a vida de uma pessoa. Mas me arrependo de algumas coisas que fiz por conta disso“, lamenta. “Não digo que você não use para não passar por hipócrita. Eu não critico ninguém que usa mas nós, os artistas, somos uma vitrine. O público muitas vezes nos tem como exemplo e nós temos obrigação de nos unir, de fazer um bom trabalho e de dar um bom exemplo“.

Segundo Flávia, uma parte dos artistas dá outro exemplo.Eu sempre usei drogas em grupo, nunca estava sozinha“. Ela conta da abordagem: “Chegava na boate e elas já iam dizendo: ´E aí, tudo bem? Vamos ali no banheiro. Oh, mulher, bota uma pra mim´. Lamento dizer, mas quando se fala em colocação (ato de ficar drogado), todo mundo se corrompe, polemiza. “Embora tenha usado muito, eu nunca saí de mim, sempre soube o que estava fazendo. E outra: nunca ninguém pagou. Todas as vezes que eu usei comprei com o meu dinheiro. Pode colocar isso na entrevista. Ninguém dividia comigo, mas eu sempre repartia com todo mundo que me pedia“.

Flávia nos contou sobre o after-hour. Sempre após as festas, seu grupo se reunia na casa de alguém. “Juntávamos dinheiro para comprar drogas e usávamos todos juntos. No meio da colocação, sempre vai existir aquele que vai tentar te enrolar, pegar dinheiro e droga escondido“. A isto, eles chamam de mocosar (ou seja, enganar, fazer uso escondido da droga de alguém). “Uma vez lembro que fiquei ´babado´ depois de cheirar 12 papelotes de cocaína. O vício é tão cruel que você quer sempre mais, quer sempre se superar“.

flavia21A artista acredita, porém, que a droga não muda a personalidade de uma pessoa. “O que ela faz é despertar ações que muitas vezes ficam ocultas quando uma pessoa está sóbria“. Quais, por exemplo? “Mentir, roubar. Já vi gente empenhar celular, perfume, câmera digital. Eu, graças a Deus, nunca empenhei nada, embora gastasse metade ou todo o cachê que ganhava nos shows“.

A pergunta é direta: está mais fácil conseguir drogas em festas mix hoje? “Sim, muito fácil, garante. “O tráfico e o consumo acontecem em todas as boates, apesar de que em algumas eu nunca vi“. E atenção para a declaração: “É nas festas-fora que o consumo aumenta, tem um chama muito grande“. Como assim? “Nas festas-fora [eventos itinerantes que acontecem em Fortaleza] todo mundo consome bem mais e o acesso é bem maior. As pessoas se veem tentadas, pois é um ambiente diferente. É o momento de procurar novos ares. Flávia comenta também que o consumo hoje é menos discreto. “Há pessoas que vendem sem a menor discrição mesmo. Já chegam dizendo: ´Oi, tudo bem? Tu curte? Eu tenho!´“.

Sair do vício, para Flávia, não foi tão difícil porque ela contou com amigos. “Só saí dessa porque contei com a ajuda de duas pessoas especiais: Batista Junior e Rayana Rayovac. Eles nunca me pediram para parar, mas no momento que precisei, eles me deram a mão“, lembra. Amigo e empresário de Fontenelle, Batista Junior fazia Fontenelle trocar drogas por cerveja. Ele me dizia: ´Toda vez que você sentir vontade, me diga que eu lhe dou uma cerveja´. Quando sentia, chegava pra ele e dizia: ´Ei, me dá uma cerveja´, ri. “Houve momentos em que até celular de cachaça ele me deu“. E diz não se arrepender.

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Não posso dizer que não vi drogas nestes seis meses. Estaria mentindo. Já tive muitos papelotes na minha mão”. Mas garante não tê-los usado: “Não sei se fiz certo ou não. Certa vez estava com três papelotes na minha mão“. E o que fez? “Coloquei dentro da bolsa de uma amiga“. E aí? “Daí ela gritou: ´Mamãaaae!´“, toda sorridente. Seria cômico se não fosse trágico.

A terapia para manter-se longe das drogas era perguntar-se para que fazer aquilo. “Toda vez que você for fazer isso, pergunte: ´Para quê?´“. No seu caso, Flávia deixou de usar porque sentiu na pele que perdeu credibilidade com promoters e com o próprio público. “Notei que os convites para shows na época acabaram. Depois que vocês publicaram aquele caso da trava que subiu no palco de uma boate e saiu quebrando tudo, uma promoter chegou até mim e perguntou o que devia fazer. Eu disse que acabar ninguém vai, mas eles podem restringir, dificultar o uso. O resultado disso, Flávia garante: “Já vi várias pessoas serem expulsas das boates por usarem drogas no banheiro. Graças a Deus nunca passei por esta humilhação“.

Em mais um depoimento forte, Flávia Fontenelle foi incisiva: “Com as drogas, pude ver até que ponto as pessoas são extremistas, pude sentir na pele a mediocridade humana“. Como exemplo, ela cita uma passagem do carnaval deste ano, já livre das drogas: “Cheguei numa cidade do interior para passar o carnaval. Lá na praça havia uma turminha que estava com um espelho. Quando me aproximei de um, ele se virou e disse: ´O que é isso?´. Disse que fui lá para cumprimentá-lo, não para usar a droga dele“. E lembra: “Quando tinha, eu era a melhor pessoa do mundo“.

flavia5Flávia diz ter ideia da repercussão desta matéria: “Eu sei que as pessoas vão falar muito. As colocadas vão criticar, mas não estou nem aí. Nenhuma delas é certa ou errada. Aqui, eu relato o que vivi e há muitos que não se enquadram nisso. Respeito à opinião e, fundamentalmente, às ações de qualquer cidadão, é a garantia de uma sociedade justa e coesa.

Que conselho você daria a uma pessoa que quer largar o vício? “Eu diria: ´mona, tá faltando o quê? Primeiro, mude três coisas importantes: Hábitos, Lugares e Pessoas. E qual o conselho a quem quer experimentar? “Não experimente. Não entre neste mundo porque você só vai perder. Mas faça o que você quiser, pois a vida é sua“. Flávia ainda comenta: “Cabe aos formadores de opinião, como vocês no ZONAMIX, informar sobre o quanto isso é desgastante. Que o negócio está forte, está sim. As pessoas não estão se controlando“. E completa: “No dia em que uma cair dura no banheiro (por overdose), elas vão cair na real“.

Seis meses após abandonar as drogas, Marcos André cursa o primeiro semestre de jornalismo, diz estar voltando a fazer muito mais shows e seu principal objetivo com esta matéria, além de dar um exemplo de vida (e de superação), é ganhar novamente a credibilidade que perdeu se envolvendo com drogas. Flávia (ou Marcos André) gosta de citar frases e pensamentos. Um deles, veio de um bilhetinho que a gerência da Divine entrega ao final de cada show: “Novos desafios virão e contamos com você para enfrentá-los“.

Os desafios fazem parte da vida e são partes de nossa história. Muitos caem no vício por estímulo de (más) amizades, por problemas pessoais, familiares ou profissionais. Ou até os quatro juntos. Poucos, contudo, conseguem extrair força de onde nunca acharam, e contam com a ajuda de quem nunca imaginaram. Muitos afundam no vício e partem para outras drogas mais fortes na tentativa (boba) de resolver um problema. O resultado? Acabam se complicando ainda mais.

A frase de Fernando Pessoa tem um complemento: “Por isso, existem momentos inesquecíveis, coisas inexplicáveis e pessoas incomparáveis“. Há, sim, os momentos inesquecíveis que servem de aprendizado, as coisas inexplicáveis que devem ser corrigidas e pessoas incomparáveis que, além de talentosas, são fortes de personalidade e de força de vontade. São personagens impactantes, são artistas natos. São exemplos. Exemplos sim. Vindo de um momento ruim, claro, mas são exemplos porque superaram, conseguiram colocar na prática o que os teóricos adoram exibir como troféu.

Flávia Fontenelle é mais que uma Personagem da Semana. Podemos, por este exemplo, citá-la como Personagem da Lembrança. A lembrança de que é possível recomeçar quando o melhor é sequer começar. E, como ela mesma cita, é como diz a frase final do musical Evita (versão brasileira): “Ao julgar-me sem paixão só lhe peço compreensão“. Força, Flávia!

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PERSONAGEM DA SEMANA: Luis Marcelo lança CD de axé

Postado em (Personagem da Semana) por admin em 13-03-2009

Bonito, sorridente, tímido (“só fora do palco mesmo“) e carismático. Luis Marcelo tem apenas 24 anos (sete deles de carreira), milhares de fãs, centenas de shows já realizados, três CDs gravados e faz neste sábado (14/03) seu terceiro show na Donna Santa, a maior boate mix do Nordeste.

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Conheci o Leleco (referindo-se a Leco Lima) há um ano, através de uma amiga nossa em comum. Ele foi a um show meu e lá mesmo marcou uma apresentação na Donna Santa“. É desta forma, carinhosa e respeitosa, que Luis Marcelo se dirige ao promoter da Donna Santa. “Leco e Carol são incríveis, super atenciosos“, resume.

Marcelo confessa que a princípio teve receio em tocar numa boate gls. “Nunca tive problema com isso, porque tenho minha sexualidade muito bem definida. Mas bateu, sim, um friozinho na barriga“. E o resultado? “Ah, é incrível. Eu adoro tocar na Donna Santa. Às vezes, eu mesmo que ligo para o Leco e peço para fazer show lá. A galera tem uma energia incrível“.

luis2E é para energizar mais ainda o público que Luis Marcelo marcou uma super apresentação. “Lançarei meu terceiro CD. É um trabalho promocional. Todos os clientes da casa ganharão um CD na entrada e, após o show, eu darei autógrafos e tirarei fotos com o público“, diz o atencioso cantor. Mas por que escolher a Donna Santa? “O público gls tem uma ótima energia, e a estrutura da Donna Santa é muito boa: palco, iluminação, som de qualidade… aquela boate passa uma energia incrível!“.

Luis é cearense, morou 14 anos no Rio de Janeiro (de 1 aos 15 anos de idade) e vem de uma família de músicos. Começou a tocar profissionalmente quando retornou a Fortaleza. Sempre gostei de tocar violão com os amigos. Num dia, uma pessoa me viu tocando e fez o convite para uma apresentação num restaurante. Tremi nas bases mas fui. Além do receio, comum a princípio, Luis conta mais sobre suas dificuldades no início da carreira: “Nem repertório eu tinha, pra você ter ideia. Só sabia tocar 30 músicas e pronto. Se alguém me pedisse pra sair daquele roteiro, eu não sabia“, ri.

Marcelo é cantor multi-ritmos: toca forró, sertanejo, axé, mpb, mas gosta mesmo é da música romântica. “Sou muito romântico e gosto de levar romantismo para as pessoas“, pontua. Leva muita cantada na noite? “Sim, levo“, conta sorrindo. Lidar com cantadas não é sempre fácil, e se torna ainda mais difícil quando ela é descarada. Como exemplo, Luis citou: “Certa vez um cara exibia um cheque enquanto eu cantava. luis1Ele ficava gritando: ´Quanto é? Eu pago!´. Outro dizia: ´Nossa, que pé grande´“. Diz. Para se livrar do descaramento, Luis conta: “eu ri para ele e continuei a cantar“.

O cantor também consegue enxergar diferença de públicos. “Cada festa tem um público diferente, mas os gays são mais diferentes ainda. São mais verdadeiros, consomem e falam de um bom trabalho. Isso é importante porque nos dá visibilidade“, pontua.

Sobre generalidades do mercado, Luis Marcelo afirma não ter do que reclamar: “Sei que o mercado é fechado, mas não tenho do que reclamar. Sou do Ceará, represento meu estado e já toquei em diversos lugares como São Paulo, Rio, Belo Horizonte e até em Rondônia“..

Como apresentação inesquecível, Luis lembra de um show em que tocou junto de Bruno & Marroni. “Foi no Marina Park Hotel, em 2007. Cantei cinco músicas ao lado de Bruno e Marroni“. Pela dupla sertaneja, Luis tem muita admiração: “Sou super fã deles. Uma vez já até fiquei hospedado na casa do Marroni, em São Paulo“. Luis Marcelo também já tocou com outros grandes nomes da música brasileira, como Fábio Júnior, KLB e Leonardo, de quem é fã-confesso. “Daquelas 30 músicas de meu primeiro repertório, a maioria era do Leonardo“.

Longe do palco Marcelo é um garoto tímido, reservado. “Sou muito caseiro e curto fazer programas com meus amigos” Em 2005, ele ensaiou uma carreira de ator. Participei do programa Breguíssima, uma sátira da luis3novela Belíssima (Rede Globo) exibida pela TV Diário. No programa eu fazia Pardal, satirizando o Pascoal de Reinaldo Gianechini. Pretende continuar na carreira? “Não, não… meu negócio é o palco, é cantar. Atuar foi só uma experiência“. A sina de galã o persegue.

Outro momento inesquecível de Luis foi em 2004, no Theatro José de Alencar, para 980 pessoas. “Foi a gravação de meu primeiro DVD. Aquele foi um momento inesquecível, com certeza“.

Na noite eu aprendi muita coisa“. O quê? “Aprendi que o cantor deve ter humildade e que no repertório não pode faltar alegria“. E é com muita alegria que Luis Marcelo promete contagiar o público da Donna Santa, ao lançar um CD de axé. “São músicas alegres. O público vai adorar, com certeza“, garante.

Artista multimídia, Luis Marcelo já teve mais de 40 mil visualizações no YouTube de seu vídeo promocional, com sua música de trabalho “Ter Você Para Mim“. O vídeo conta com comentários até de fãs diretamente do México, em que afirmam “matar as saudades de Fortaleza”. Seu site na internet publica sua agenda, além de fotos e vídeos, e também recebe recadinhos no mural.

Como Luis Marcelo bem explicitou, os gays realmente gostam de qualidade. Exigem, é verdade, mas sabem reconhecer todo o carisma e o talento de alguém que, muito além da beleza física, leva uma palavra de amor aos ouvidos até dos que não têm nada de romântico.

Luis Marcelo é mais que simplesmente profissional exemplar. É o exemplo de uma geração versátil (de muitas coisas ao mesmo tempo) e que já aprendeu a conviver com as diferenças, que às vezes nem são tão diferentes assim. A festa de sábado (14/03) é para o lançamento de um CD, mas também pode ser para premiar determinação, alegria e uma intensa vontade de ser feliz. Seja de que forma for.

PERSONAGEM DA SEMANA: Aline Carvalho reabre o VIPBAR

Postado em (Personagem da Semana) por admin em 06-03-2009

Em meio a uma tumultuada semana de reinauguração, Aline Carvalho abriu as portas do seu VIPBAR (que agora passa a se chamar VIPNight) para a equipe do ZONAMIX. O local é o mais estratégico possível: Rua dos Tabajaras, 402, Praia de Iracema, em frente ao Estoril. Mais turístico, impossível!

aline9Vaidosa como sempre, Aline estava suada (e muito cheirosa): “Meninos, desculpem-me os trajes, mas estou numa correria só“. Pudera. Todo o esforço será conferido na noite desta sexta-feira (06/03), a partir das 22h. Muito além de ser a reinauguração de um bar, este é o relançamento que premia uma carreira de cinco anos de ajustes e muito aprendizado.

A promoter (ou promóter, com segundo “o” aberto, como ela fala) Aline Carvalho nasceu em fevereiro de 2004, na antiga boate KISS. “Foi a última grande festa da KISS antes de fechar“, comenta Aline. Naquela época, ainda sob o comando de Leco Lima, a KISS fechara as portas devido à concorrência desleal de outra boate, a Thor, que inaugurara poucos meses antes. “A primeira que fiz foi a Festa da Tequila“, lembra. “Colocamos quase 300 pessoas lá dentro“.

De lá para cá, Aline tem se firmado como a “rainha do domingo”, título em alusão ao seu Pagodão VIP, que acontece sempre aos domingos. Uma de suas últimas edições reuniu centenas de pessoas nas redondezas do Dragão do Mar e contou com a apresentação de Déborah Lima e Rafaella Manville, pela primeira vez cantando juntas em um mesmo evento.

O bom observador já reparou: Pagodão VIP, VIPBAR, VIPNight… o por quê do gosto pelo VIP? Aline explica deixando claro que seu trabalho prima pela qualidade.Todas as minhas festas têm estrutura de qualidade. Um bom som, uma iluminação impecável, tudo para agradar ao meu público, que é bem exigente“, ressalta. “Tá vendo aquelas quatro saídas ali? São dois laser-shows verdes e dois vermelhos. Até hoje nunca vi em Fortaleza, numa festa gay, o uso do laser vermelho. As minhas festas aqui no VIPNight terão”, diz, orgulhosa.

aline3Ao chegarmos, fomos convidados a conhecer toda a estrutura do bar. “Fizemos algumas mudanças físicas“, lembra Aline. A mais notória é a duplicação da área externa, o que possibilitará, no futuro “e após a época de chuvas passar“, a apresentação de cantores de MPB ao ar livre. Na parte interna, três novos ar-condicionados foram instalados, além de vários ventiladores. “As pessoas sempre reclamaram de calor aqui dentro. Agora, não terão mais do que reclamar“, garante Aline, que mostra ainda o material de iluminação. “Tudo de primeiríssima qualidade“.

O VIPBAR teve uma primeira fase de três meses (de outubro a dezembro de 2007), no mesmo local. Foi a primeira vez que Aline assumiu, sozinha, a produção e a administração de uma casa voltada ao público gls. Pouco mais de um ano depois, Aline atendeu aos pedidos de seus clientes: “eu sempre recebia pedidos pra reinaugurar o bar. As pessoas sempre me perguntavam e eu respondia que em breve“. Durante o tempo em que esteve fechado, Aline dizia que por lá passava várias vezes por mês: “Sempre passava aqui. Parava o carro, ficava admirando a localização, namorando o espaço“. Resolvidas todas as questões de burocráticas, ela garante: Hoje abrimos o bar com alvará de funcionamento e todas as possíveis e imaginárias autorizações. Estamos devidamente dentro da lei.

Durante quase três horas, conversamos sobre diversos assuntos. Linda, loira e vaidosa, Aline Carvalho se expressa bem e em demasia. É uma mulher de caráter, de opinião centrada e também uma jovem trabalhadora. Aos 32 anos (com carinha de 25), por trás de sua carcaça feminina esconde um baú de curiosidades e aprendizado. Qual a diferença da Aline de agora para a de 5 anos atrás? “Muita diferença, João. Eu aprendi muita coisa… tô muito mais madura“.

aline5O amadurecimento a que Aline se refere é uma junção de profissionalismo e questões sociais. “Nunca fiz nada contra ninguém, mas sempre apareceu gente pra querer estragar o meu trabalho“, reclama. Fiz uma festa na Praia do Futuro uma vez. Foi só aparecer um pessoalzinho que também promove festas para, em menos de 15 minutos, chegar a fiscalização. Nunca houve uma fiscalização em festa na praia, só na minha festa. Neste dia eu chorei muito. Mas garante que não guarda mágoas: “Até hoje está tudo bem. Falo com todos os promoters e me dou super bem com eles. Pelo menos até segunda-feira, né?“, ironiza.

Aline a partir desta data entra na briga pelo público às sextas-feiras. Até poucos meses atrás, a sexta era o dia esquecido. “Ninguém queria fazer festa na sexta. Só no sábado“, lembra. Para enfrentar a fortíssima concorrência da atualidade (todas as boates gls de Fortaleza funcionam na sexta), a promoter diz se apegar a Nossa Senhora das Graças, de quem é devota.

Aline Carvalho nasceu no Rio de Janeiro, mas vive no Ceará há quase 20 anos. Ainda guarda um pouco do chiado carioquês, “mas quando chego no Rio dizem que só falo cearês agora“. É uma mulher polivalente: “Eu me considero bissexual. Gosto de pessoas. E completa: “Hoje vivo com minha namorada. Estou numa fase mais lésbica. Mas se um homem me atrair, e eu estiver solteira, eu fico sim, sem problema“.

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O sonho de minha vida é adotar uma criança“, lembra. “Mas estou de luto. A pouco tempo morreu meu filho“. Aline refere-se ao cãozinho Herus, por quem tinha muito amor. “Herus era mais que um cachorro pra mim. Era meu filho. Era tudo pra mim“, emociona-se. “Depois que ele morreu, só voltei pra casa ontem. Tava num flat, passando uns dias lá, porque não aguentava de saudades do Herus. Ontem passei a noite toda chorando, com saudades dele“. Ela lembra ainda que a correria para a reinauguração do VIPBAR tem-lhe feito bem. “Tenho ocupado a minha mente e deixado de pensar tanto no Herus“. Ao notá-la visivelmente emocionada, mudamos de assunto.

aline1Durante toda a conversa, Aline fez questão de frisar o carinho e o respeito que tem por Paula Oliveira, a Marcos Paulo, sua fiel escudeira. “Minha parceria com a Marcos Paulo veio da época do [ultralounge] Fortaleza. Fizemos um sorteio de promoters. Monah ficou com Eurico e eu fiquei com a Marcos Paulo. No bar, Marcos Paulo terá a cada mês um domingo para promover eventos. “O VIPNight é meu, mas a Marcos Paulo vai me ajudar e eu vou ajudá-la também“. Sobre seus eventos itinerantes, como a Festa do Colar (que em sua última edição, em 2007, trouxe o ator Daniel Erthal) e o Pagodão VIP, Aline garante continuar normalmente.

Muito além de entrar na disputa em um dia já tão disputado, Aline diz contar com um grande diferencial: “eu tenho realmente um bar, uma estrutura de bar. Temos mesinhas e serviremos petiscos. O diferencial daqui é isso. Todas as outras casas são boates“. Ela também comentou sobre a prevalência do público feminino: Tem promoter que diz que eu sou a promoter das meninas, com a clara intenção de me prejudicar“. Como prejudicar? “Eles acham que promoter só dá certo se trabalhar para os homens“. E você? “Invisto ainda mais nas mulheres que frequentam minhas festas. São as mulheres mais lindas e VIPs de Fortaleza“. E os homens? Claro que faremos uma programação especial para os gays. Penso até em fazer um dia especial para os homens, uma festa na qual só eles entrem“.

aline10Aline diz respeitar o trabalho das montadas. “Tenho um carinho enorme pela Yasmin Hilton e o Hiroschi, o namorado dela“. Pretende trabalhar com drags/transformistas? “Sim, por que não?“. Tem preferência por alguma(s)? “Adoro a Flávia, a Rayanna e aquela do cabelão desajeitado… qual o nome?” Táblata Fitterman. “Isso“.

Fiquei muito triste com o que aconteceu no ano passado“. Aline refere-se à polêmica discussão travada aqui no ZONAMIX. Satyne Haddukan disse ter sido convidada a descer do trio de Aline Carvalho na Parada Gay de Fortaleza 2008. “Tenho a consciência limpa. Pedi, sim, a algumas pessoas de minha família para descer, porque o trio estava com excesso de peso. Mas sequer me dirigi a ela“, finaliza. E garante: Se ela [Satyne Haddukan] vier ao VIPNight, será muito bem recebida“.

Dona de um sorriso cativante, Aline é a filha do meio e tem mais dois irmãos. “Moro com minha irmã, que é advogada, e meu irmão Léo Carvalho“. Léo é figura conhecida nas festas mix de Fortaleza. “Sempre fui muito apegada aos meus irmãos“, garante a promoter. “Eles são tudo para mim“.

Aline Carvalho tem se dedicado dia e noite para a reinauguração do VIPBAR. “Todo dia venho aqui resolver umas coisas“. E se diz com bastante expectativa para o evento: “As expectativas são as melhores possíveis. Quem vier, vai conferir um trabalho de qualidade, uma das melhores iluminações de Fortaleza e o som sempre contagiante dos DJs residentes: MarceloFort e Iana“.

A noite desta sexta-feira (06/03) vai coroar a determinação, o carisma e aprendizado. Aline Carvalho tem se destacado pelo trabalho que apresenta, pela qualidade que expõe em suas festas e também pelo carisma que tem entre as mulheres. “Minha namorada tem um pouco de ciúmes, mas atendo todo mundo bem, com sorriso no rosto“.

Mas o que mais esperar de uma carioca, loira, linda e ainda promóter, a não ser trabalho de qualidade? Aline Carvalho é mesmo VIP! A VIP da night.

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PERSONAGEM DA SEMANA: Cid e MarceloFort comemoram 10 anos de namoro

Postado em (Personagem da Semana) por admin em 28-02-2009

Quem um dia nunca se perguntou: será que vou achar minha cara metade? Há também quem se limite a pensar: namoro entre gays dá certo? Outros já pensam: existe algum gay que queira mesmo namoro sério? E a fatídica pergunta: o que você faz para conseguir um namoro estável?

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O Personagem da Semana do ZONAMIX traz, nesta edição, um exemplo (tudo bem, é raro) de dois homens que enchem de orgulho os olhos de amigos e o coração dos românticos de plantão. Cidcley Paz (32) e Marcelo Ferreira (34) namoram há mais de 10 anos. Fomos atrás dos segredos de um relacionamento duradouro (será que há?) e em busca de um objetivo: o que é preciso para namorar por tanto tempo?

Segundo Cid, “você precisa ser diferente do namorado“. Em outras palavras, Marcelo é “tranquilão” e Cid é “estourado”; Ferreira é da paz e o Paz é da guerra. “Não aguento nada calado. Quando vejo alguma coisa acontecendo, gente querendo puxar o tapete do Marcelo, vou logo atrás“. E ele, o que faz? “Nada… o Marcelo acha tudo besteira e não esquenta com nada“.

Com o exemplo acima, era natural esperarmos instabilidade. Mas na prática é o contrário: o lado introspectivo de Marcelo segura a ânsia explosiva de Cid, e o lado incisivo deste protege o pessoal e o profissional daquele. Para quem ainda não se situou, Cid e Marcelo respondem pelo sobrenome Fort. O zonauta de tecladinho pelo menos uma vez já ouviu falar em DJ MarceloFort. “O queridinho das drags”, dizem uns; “O DJ com o set list mais versátil que conheço”, dizem outros.

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Cidcley Paz

A época poscede o mais pecaminoso dos eventos e fidelidade durante quase uma semana é um artigo mais raro ainda. E é justamente após o grito do Carnaval que o ZONAMIX traz um lindo exemplo de união estável gay.

Nossa entrevista se deu semana passada, às vésperas da folia de momo. Com seu jeito um tanto que tímido, Cid esconde uma personalidade forte (Fort mesmo), mas traz consigo um incrível jeito menino de ser. Doce, amigo e brincalhão são características que podem descrevê-lo, mesmo que observado de longe. Mas é o ser “brincalhão” a característica que mais se destaca.

A história do relacionamento entre Cid e Marcelo começou na tarde ensolarada do dia 26 de outubro de 1998. “Estava indo ao médico com minha mãe quando fiquei observando aquele cara que entrava no ônibus“, diz Cid. E o mais curioso: Nosso namoro começou com uma pinada. Todos rimos. Aos não-cearenses: chamamos de “pinada” o ato de encoxar, de esfregar levemente o quê, você sabe onde.

Foi fácil assim? “Nada disso… depois desse dia ele sumiu“. Era uma segunda-feira e na época Marcelo passava a semana viajando por municípios do interior do Ceará. “Fui todos os dias da semana, no mesmo horário, ao terminal. Refiz todo o trajeto, mas não o encontrei“. Mas Cid continuou a busca: “Na segunda-feira seguinte, refiz o trajeto e dei sorte. Encontrei o Marcelo no terminal da Parangaba“. Trocaram telefone e descobriram que moravam no mesmo bairro: Messejana (zona sul da capital).

Foi somente dois meses depois, em 26 de dezembro, que Marcelo pediu a mão de Cid de namoro. “A mão e tudo junto, né?“. Tudo junto só foi com a mão? “Sim… queria fazer a linha difícil. Só fomos para a cama depois do pedido de namoro“. Foi difícil? “Pra mim, noossa! Muito difícil! Antes de namorarmos ele judiava de mim ficando sem camisa, se esfregando. Mas eu resisti. Ainda bem que foi pouco tempo“.

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Cidcley foi a primeira experiência homossexual de Marcelo. “Na época ele teve uma decepção amorosa com uma mulher. Muitas vezes não sabia o que queria, do que gostava: se de mulher ou de homem“. E você? “Eu sempre gostei de homem“. Nunca ficou com mulher? “Néeem“. E completa: “Marcelo foi meu terceiro namorado. Antes dele tive dois relacionamentos duradouros“.

Mesmo com certa limitação, Cid concordou em falar sobre os seus relacionamentos antigos. “Meu primeiro namoro foi um desastre. O cara até me batia. Passei mais de 4 anos com ele“. Foi a partir do segundo namoro (de 2 anos e 7 meses) que sua família começou a desconfiar. “Eu levava meu namorado pra casa e minha mãe começou a desconfiar“. E a reação dela? “Minha família sempre me amou. Eles nunca foram contra mim“.

Mas foi Marcelo quem conquistou o coração de Cid. E o mais curioso: por uma dor. “Ai, me apaixonei pelo Marcelo na nossa primeira noite. Doeu tanto, mas eu me apaixonei, diz em tom de voz peculiar (e cômico). Logo no começo do namoro o Marcelo me ligou, me chamando pra acompanhá-lo num encontro. Quando chegamos a um shopping de Fortaleza, estava lá uma bichinha que parecia dar em cima dele. A certa altura, ela se vira e diz: ´Marcelo, tira ele daqui´. Nesta hora fiquei nervoso e fiz o maior barraco. Juntou até seguranças, ri.

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Marcelo Ferreira

Apesar do exemplo acima, Cid não se acha ciumento. “Nem Marcelo é ciumento“. O período extenso de namoro traz momentos de discussões curtas, mas de longa reciprocidade de sentimentos. “Tem amigos nossos que perguntam: ´Vocês nunca brigam?´. É claro que brigamos, mas levamos as coisas naturalmente. Já saímos inúmeras vezes brigados de casa e fomos pra balada, mas nunca exteriorizamos nossa discussão. E pontua: “Eu sinto falta de carinho quando estamos nas festas. O Marcelo é muito fechado para mostrar o lado emocional. O que me conforta é que ele sempre me diz: ´não preciso falar para todo mundo o que sinto por você´“.

E é sobre o sentir que Cidcley declara: Eu não amo o Marcelo. Nunca cheguei pra ele e falei isso. Eu gosto muito dele. Qual a diferença do amar e do gostar? “Amar é uma coisa passageira. Você ama por um período e depois para. O gostar já é mais longo e pode ser para a vida inteira“. E ele o ama? “Marcelo nunca me disse que me ama, acredita?“. Você sente falta de ouvir isso? “Não“.

Cid e Marcelo levam juntos a vida há oito anos. “Fui morar com ele quando tínhamos dois anos de namoro e saí há seis meses por desavenças com a família dele“. Neste período, Cid conta que sempre contou com o carinho dos pais de Marcelo. “Mesmo todos sabendo, nós sempre nos comportamos. Em casa ficávamos separados e só tínhamos momentos íntimos no quarto, com a porta trancada e o som ligado em volume alto“. Há três meses Cid se divide entre a casa de seu pai e de Thalis Guerra, a quem citou por várias vezes e por quem demonstrou imenso carinho.

Há três anos Cid passou por um verdadeiro teste de resistência. “Primeiro, tive de lidar com o falecimento de minha mãe. Um mês depois morreu meu irmão mais velho. Foi um período muito difícil em minha vida“. Mesmo pouco presente na infância, seu pai foi fundamental nesta fase. “Tenho muito amor pelo meu pai e por meu irmão mais novo“. Marcelo, por sua vez, é filho único da união de seu pai com sua mãe e tem outra irmã por parte de pai.

Sobre o inglório assunto de traição, Cid é ligeiro:Se o Marcelo já me traiu, eu nunca soube. Ele pode ter feito muito escondido“. E você, já traiu: “Já. E ele soube. Cid conta que o período de carnaval (também pudera) é o de maior dificuldade no relacionamento. Todo ano nós brigamos no carnaval. Todo ano!“. Foi numa dessas brigas que houve a traição: “Estávamos em Aracati, onde passamos todos os carnavais de nosso namoro, quando eu e Marcelo brigamos feio. Terminamos o namoro e ele voltou para Fortaleza. Saí feito louco na rodoviária, entrando de ônibus em ônibus atrás dele. Voltei para casa decepcionado e encontrei um menino, com quem fiquei. Cid garante que foi apenas um fica. “Quando cheguei em Fortaleza, foi a primeira coisa que disse ao Marcelo. É claro que ele ficou com raiva, mas superamos isso. Não houve sexo“.

Por que o namoro de vocês superou isso? “Quando vimos hoje alguns relacionamentos que começam e terminam muito rápido, nos perguntamos o que essas pessoas querem. Hoje, a turma não quer mais nada. Há excesso de saunas, cinemões, boates e tudo é um convite à traição. Nosso namoro persiste porque somos leais, sabemos o que queremos“. O que é fundamental para a construção de um relacionamento duradouro? “Respeito e que o cara seja diferente de você. Tenho certeza de que se o Marcelo fosse explosivo como eu, já teríamos terminado há muito tempo“. É o verdadeiro exemplo da expressão: os opostos se atraem? “Exatamente“.

Marcelo, como você, leitor, percebeu no decorrer do texto, não participou da entrevista, pois se encontrava trabalhando. “Se ele estivesse aqui do lado a coisa não seria diferente. Ele não fala nada mesmo, só eu que falo“, brinca Cid. Vocês pretendem algum dia se casar (caso seja possível, óbvio)? “Ah, queremos sim. Queremos, inclusive, adotar uma criança. Só esperamos nossa situação financeira melhorar para que possamos fazer a adoção.

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O lado desconhecido de um casal tão conhecido torna-se ainda mais curioso quando tomamos a liberdade de mostrar ao público um caso de amor que deu certo. Nós, gays, diariamente nos deparamos com pessoas que ora nada querem, ora se desesperam e procuram curar carência emocional com um ato repentino de se entregar (muitas vezes, da forma mais brega possível).

Cid e Marcelo Fort formam um exemplo lindo de se ver, bonito de se conhecer e magnífico para ser admirado. E nos faz pensar que é possível, sim, haver reciprocidade e respeito num relacionamento entre gays. O destino pode até ter sido irônico com o jeito brincalhão de Cid, mas sua extravagância nos faz pensar: que pinada, hein?!

PERSONAGEM DA SEMANA – Elysângela Carvalho, da Ativação: “Investimos R$ 150 mil na festa Glitter”

Postado em (Personagem da Semana) por admin em 13-02-2009

A intensa rotina dos últimos dias ameaçou mudar o bom humor da garota-mulher, Elysângela Carvalho, 30 anos (“trintinha bem redondinho, viu?“, brinca). Mas só ameaçou mesmo. Ely (“pode me chamar assim“) é casada, tem três filhos (de 11, 12 e 13 anos) e há quase dois anos é proprietária da Ativação Produtora de Propaganda.

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É possível que até um mês atrás você nunca tenha ouvido falar em Ativação, mas é improvável que tal desconhecimento tenha persistido. A Ativação é a produtora do evento que trará a Fortaleza amanhã (14/02) um verdadeiro comboio de grandes e conceituados artistas nacionais. Trata-se da Festa Glitter, o primeiro pré-carnaval mix da capital cearense, e o maior orçamento de nossa história: 150 mil reais estão sendo investidos na Glitter. Tamanha cifra te espanta?

Não queremos necessariamente ganhar dinheiro nesta festa“, diz Elysângela. “Há muito tempo vínhamos pesquisando o mercado e uma reclamação era unânime: todas as festas eram a mesma coisa“. A mesmice a que se refere Ely eram as atrações, locais e o investimento geral em festas para o público gls local. “Por isso que na Glitter trazemos atrações para todos os gostos: de drags a cantores de axé, por exemplo“, lembra.

ely2Durante os 40 minutos de entrevista, fomos interrompidos seis vezes. “A nossa rotina está uma loucura“, lembra Ely, que não parava de atender a ligações do celular e da própria agência.

Elysângela estava acompanhada de Satyne Haddukan e Batista Jr., dois conhecidos do público mix fortalezense e que têm investido dedicação e trabalho neste evento. “A Satyne é um anjo para mim. Se ela quiser me largar, eu vou atrás dela“, brinca. Haddukan, além de madrinha do evento (ao lado de Flávia Fontenelle e Rayana Rayovac, as “Bem Doidas”) é a diretora artística da Glitter. “Como vamos apresentar todas essas atrações durante a noite? Pergunte a Satyne, porque nem eu sei“.

A festa Glitter não está orçada em 150 mil reais à toa. Com ares de mega-produção, o evento será realizado em plena praça 31 de Março, na Praia do Futuro, cartão-postal de Fortaleza. Teremos toda a estrutura que um evento de mega-porte exige: camarotes, segurança, tenda eletrônica, trio elétrico e muita gente bonita, lembra a empresária, que ainda destaca: “Esperamos um público de 5 mil pessoas”.

Por si só, os valores investidos e a estimativa de público são recordes no mercado mix cearense. Até hoje, quem detém o recorde de público para evento gls cearense é a festa SCHOCK, ocorrida em 2005, no Theatro José de Alencar. Cerca de 2.400 pessoas estiveram presentes. Mais que dobrar este número, portanto, está bem além de só aceitar um desafio.

Nós passamos por muita pressão. Todo dia aparece uma coisa nova“, reclama. Elysângela também reclama da desunião dos empresários locais. A proposta inicial da Glitter era juntar todas as boates num mesmo evento: teríamos camarotes da Divine, da Donna Santa, da Meet e até da Music House. Logo na primeira negociação notamos uma resistência forte. A Glitter, então, fechou apoio somente com a Meet, de Monah Monteiro. “A parceria é ótima e esperamos continuar com elas por muito tempo“, elogia.

ely3Mas Ely também lamenta alguns contratempos: a principal diferença é que os gays são muito desunidos. Ela refere-se ao mercado de forró, no qual trabalha desde o início de sua produtora. “No forró, as pessoas são bem mais unidas. Se um teve um problema, todos se reúnem e tentam resolver. Com os gays, não“. E lamenta: “Achei até quem me pedisse dinheiro pra sair como apoio desse evento. Essa pessoa agiu de má-fé“.

Além de produtora de eventos, a Ativação trabalha fazendo panfletagens, blitz e invasão publicitária. Na Parada Gay de 2008 ela foi a responsável pela distribuição de panfletos do ZONAMIX no evento. “Lá, fiquei impressionada com a receptividade do público“. Ela lembra das brincadeiras durante o evento: “Chegava gente pra mim e dizia: ´Arrasou! Abalou´. Eu adorei“. “As pessoas achavam que eu era travesti“, brinca. “Mas acho que na encarnação passada eu fui gay, acredita?” Por quê? “Eu sou vaidosa e adoro os gays. Não tenho problemas em aceitar. Os gays no geral são pessoas confiáveis, mas tem cada uma, viu…“, ironiza.

Sendo mais clara, ela explica: “Eu me decepcionei um pouco com o mercado. Pensei que as coisas seriam mais fáceis, pensei em trabalhar com todos os empresários, mas encontrei muita resistência. Tem muita gente que quer se dar bem passando por cima de outras“. Mas no geral você confia nos gays? “Não. Quer dizer, confio… mas em alguns“.

As expectativas para a Festa Glitter são as melhores possíveis. “Estou dormindo pouco e trabalhando muito“. No evento deste sábado, além das 5 mil pessoas, são esperadas grandes atrações nacionais  – Christian Pior (Pânico na TV!) e Silvetty Montilla são os destaques. O mercado local participa com a apresentação dos Djs da MEET, além dos inconfundíveis shows de Rafaella Manville e Déborah Lima, as duas queridinhas do axé cearense. De São Paulo, virão três drag-queens: Leona, Robytt Moon e Stripperella. Outro destaque fica para a apresentação do DJ Chellous Lima, além da premiação de R$ 1.000,00 em dinheiro para a melhor fantasia carnavalesca.

ely4Este, contudo, não deve ser o único trabalho da Ativação no mercado mix. Para os próximos meses a produtora já planeja a realização de mais festas, e um projeto é guardado a segredos: em breve teremos o primeiro programa genuinamente gay na TV cearense, garante Elysângela Carvalho.

Muito além de abrir as portas para mega-eventos, Fortaleza deve se tornar neste ano alvo de investimentos ainda mais intensos para o público mix. Elysângela e sua equipe garantem que a Ativação vem trazendo uma proposta bem diferente das atuais, e o foco está na utilização de grandes recursos para fazer grandes investimentos.

Aos 30 anos, Elysângela Carvalho abusa das características que fazem desta escorpiana uma mulher valente e vaidosa por natureza, guerreira e furiosa quando instigada, e profissional e competente no trabalho. As características são regidas pelo signo de Escorpião e tão caras ao comportamento de homossexuais. E ela ainda tem dúvidas de seu antepassado… mera ironia do destino!

PERSONAGEM DA SEMANA: DJ Harry, residente da ME3T Music & Lounge

Postado em (Personagem da Semana) por admin em 06-02-2009

Bem além da timidez vista até de longe, David Harry, 29, tem 14 anos de carreira – 5 deles, tocando para gays. Por alguns momentos antes da entrevista, imaginamos: teremos muita dificuldade em arrancar informações, pois ele é muito tímido. Acabamos por nos surpreender: Harry falou muito, agradeceu demais o apoio dos promoters, falou sobre a vinda de DJs da área e demonstrou segurança.

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DJ Harry é seu nome artístico. “Mas Harry é também meu nome de registro: David Harry“, explica. Começou a comandar as pistas de dança aos 16 anos, tocando em aniversários. Tempos depois passou a trabalhar em bares e em pequenas boates na região da Praia de Iracema. “Foi numa dessas boates que conheci Eduardo, proprietário do Armazém (47, boate) e da antiga Kiss“.

harry-5Pouco tempo depois, Harry foi apresentado a Leco Lima, então promoter da única boate gls de Fortaleza à época. “Já era o final da KISS. Peguei justamente o começo da THOR, com a forte concorrência entre as boates“. O DJ refere-se ao período entre o final de 2003 e o início de 2004, quando o mercado mix local sofreu uma verdadeira reviravolta. Localizada a duas quadras da KISS, a THOR iniciou seus trabalhos com o objetivo claro de derrubar a concorrência. Para isso, trazia grandes atrações a cada sábado e dava entrada de graça, por cortesia. “Isso acabou quebrando a KISS“, lembra Harry.

Foi lá, na KISS, onde o DJ começou a tocar para o público gls. Não fazia a menor noção dos gostos de gays. É óbvio que há uma diferença muito grande para os heteros, mas naquela época consegui ajuda do JP Gonzalles (ex-residente da KISS, a quem Harry harry-7substituiu) e também de vários DJs do Sudeste. Um deles, de Curitiba, na época me enviou dois mp3 com músicas que ele tocava lá, lembra.

Com a falência da KISS, Harry passou pouco tempo ausente. “Acompanhei o Leco quando ele assumiu a RenaiSSance“, referindo-se à sucessão da antiga diretoria da THOR, quando Leco Lima assumiu como promoter.

Com uma passagem de cinco anos, Harry é uma figura ainda presente e bastante conceituada entre os empresários de Fortaleza. Em outubro do ano passado assumiu a residência aos sábados na ME3T, onde está até hoje. “Sou muito grato por todo o carinho que Monah harry-3Monteiro tem por mim”. Esta, contudo, não é a primeira vez que o DJ trabalha com Monah. Em 2005, quando a KISS foi reaberta (desta vez, por Monah), também fiquei residente da boate, lembra.

Harry se utiliza da humildade para explicar o porquê de sua permanência num mercado tão cheio de novidades. Atribui a sua maior característica, a versatilidade de estilos: “Eu gosto sempre de inovar. Mantenho bastante contato com DJs de fora, e isso me ajuda muito. Ele destaca Breno Barreto (SP) e Ranny (EUA) como seus produtores preferidos. “Sempre troco informações com eles“. E completa: “Tenho muito contato também com a Dimmy Kier (drag-queen). Ela sempre elogia os sets que publico na internet“.

Apesar de trabalhar bastante com música, Harry tem não pretensão de tornar-se produtor – pelo menos agora. “Gosto mais de tocar mesmo”, lembra. “Mas não descarto isso para o futuro“.

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Além de demonstrar segurança e amplo domínio de seu trabalho, DJ Harry é um dos poucos exemplares de profissionais que mantém um ótimo ambiente mesmo cercado de concorrentes. “Hoje a equipe da harry-9ME3T é excelente. Temos toda a história do Gilvan Magno, o carisma incrível da Juh Veras e o profissionalismo do Diego Baez“. Este último divide com Harry a residência da boate aos sábados, “além dos DJs que recebemos de fora, quase toda semana”.

Indagado sobre o porquê de empresários locais terem preferência pelos profissionais de outros estados, ele sai com: “Acho que eles trazem porque o público gosta de qualidade. Os DJs locais não são bons? “São ótimo, mas é mais fácil trazer DJs para cá do que os empresários do Sudeste nos levar para lá“. A resposta, pouco conclusiva, refere-se ao fato da incrível abertura que profissionais do Sudeste do país, especialmente de São Paulo, têm na capital cearense. “Os DJs daqui costumam tocar muito no interior e em cidades próximas, como Mossoró, Natal e João Pessoa“, lembra.

Harry foi o responsável pelo lançamento do DJ Renato Paiva. Na época da KISS com a Monah (2005/2006), o Renato tinha só 16 anos. Com os pais deles, fomos ao Juizado de Menores e conseguimos uma liberação para que ele tocasse na boate. A liberação era só pra ele tocar, não para ficar presente. Tamanho esforço foi compensado com a residência de Paiva na boate. “Botei o Renato para tocar durante vinte minutos. A Monah viu e harry-8adorou“, lembra.

Renato Paiva, além de cria de Harry, é seu amigo. “Sempre enxerguei nele um incrível potencial para o trabalho. Todo o sucesso dele, para mim, já era esperado“. Renato hoje, já maior de idade, é residente da Fabbrica 5, uma boate destinada ao público teen (adolescente) de Fortaleza. “Mas sempre o levo para as festas onde toco“.

Rafa Barros me proporcionou uma das cenas mais incríveis de minha vida“, refere-se ao seu set no trio do promoter na Parada pela Diversidade Sexual de Fortaleza, em 2008 (veja blog oficial do ZONAMIX). “Era incrível olhar lá de cima e ver a galera dançando e se divertindo muito“.

Sobre outro promoter, Leco Lima, Harry demonstra verdadeira harry-2gratidão. “O Leco é o responsável por tudo isso que me aconteceu. Foi ele quem bancou a minha ida pra KISS e nosso contato hoje é o melhor possível“. Sobre Monah Monteiro, ele demonstra admiração: “É a grande profissional da noite em Fortaleza“, e aproveita para elogiar a equipe toda.

Seu jeito reservado, tímido até, é a carcaça que esconde um homem sério e um profissional de bom coração. A qualidade técnica do DJ Harry é indiscutível, fato que o proporciona respeito do público e, principalmente, de empresários.

Discutível mesmo, somente a sua situação afetiva: “Não estou namorando, nem solteiro. Estou enrolado“. E reclama: “Quem namora nos dias de hoje?“. Tudo bem, mas não enrola muito tá, Harry?!

PERSONAGEM DA SEMANA: Tina Azevedo: “Quando criança, meu pai me trocou por uma ovelha”

Postado em (Personagem da Semana) por admin em 30-01-2009

Uma de nossas mais incríveis entrevistas aconteceu na última terça-feira, no Centro de Fortaleza. Tina Azevedo, presidente da ATRAC (Associação das Travestis do Ceará), nos recebeu em sua residência para uma entrevista regada a muita emoção, sem deixar de lado seu jeito cômico, algo que lhe é peculiar.

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Ontem (29/01), foi celebrado o Dia Nacional da Visibilidade Travesti. A data, instituída em 2001, foi lembrada pela ATRAC com uma série de eventos sociais no Theatro José de Alencar, cartão-postal da capital cearense.

tina_blog2Em 2001 houve uma reunião com as principais travestis do Brasil, em Brasília. Quem representou o Ceará foi Janaína Dutra, então presidente do GRAB. “Janaína foi a primeira travesti formada em Direito, e com carteira da OAB, no estado do Ceará“, lembra Tina, que aproveita para tecer um parêntese: “Na época da reunião, ela foi muito ridícula. Janaína foi a Brasília sem avisar a ninguém. Nós, da ATRAC, ficamos com raiva“. O tom sério das letras é abrandado pelo seu jeito cômico.

Tina Azevedo tem um jeito bastante peculiar. Seu físico, de pequeno porte, esconde uma grandiosa experiência. Em sua essência, Tina Azevedo é uma travesti sofrida. “Cheguei a passar fome na infância“, lembra. Mas é sobre infância o assunto que a faz mudar o humor.

Tina Azevedo nasceu Francisco Reginaldo Rodrigues, natural de Brejo Santo, localizada ao sul do Ceará (510km de distância da capital). Desde os 17 anos de idade mora em Fortaleza, para onde veio em busca em novas realizações. “Nunca pensei em virar travesti“, confessa Tina, que ainda arrisca uma brincadeira: “Quando passava na Praça do Ferreira, tina_blog3naquela época um grande ponto de prostituição na cidade, morria de medo das travestis. Eu passava para o outro lado da rua quando avista alguma, acredita?“. E conclui: “Parece que foi um castigo“. Todos gargalhamos.

Depois de trabalhar em mercadinhos, lojas de confecção e até numa lanchonete, o até então Reginaldo conheceu um amigo que, de cara, o chamou para um programa. “Na época, ganhei algo em torno de R$ 100,00 num só dia. Só sei que em uma semana eu ganhava até mais do que meu salário mensal na lanchonete“, conta. “Não trago nenhum arrependimento da vida“.

Sobre como entrou para a militância, Tina Azevedo confessa: “Vocês lembram de quando o Moroni (Bing Torgan) foi Secretário de Segurança Pública? As gays (sic) têm ódio à ele não à toa. Ele mandou recolher todos os viados e as travestis das ruas. A polícia nos tratava com um fuzil na cabeça, como se fôssemos marginais“, lembra. “Um dia fui a uma delegacia fazer um Boletim de Ocorrência denunciando meu ex-namorado, porque ele havia me surrado no dia anterior. O delegado me mandou rasgar o B.O. e na frente de todo mundo me expulsou de lá. Ficou gritando: ´Não quero saber dessas baitolagens de viado aqui. Pode ir embora´“.

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Mas foi logo após ser humilhada por vários policiais na rua que Tina Azevedo resolveu se manifestar. “Fui colocada à força num camburão da política, com uma metralhadora na minha cabeça. No outro dia fui aos jornais e dei um depoimento que foi bastante discutido pela sociedade“. Tina conta ainda que teve de se esconder. “Fui jurada de morte. Esperta, disse que meu nome era Priscila. Os policiais iam à boate e quando eu ouvia alguém perguntar por Priscila, corria para o banheiro e botava a peruca. Por muito tempo passei por este sufoco“, emociona-se.

tina_blog5Co-fundadora da ATRAC, Tina assumiu a presidência da Associação quando da morte de Janaína Dutra. Hoje, dá assessoria a 70 travestis associadas e a mais de 400 inscritas. “Não recebemos dinheiro de ninguém, só do Governo. Nós concorremos com outras ONGs para termos acesso a verbas. Se nosso projeto for ´bem´, ganhamos. Se for uó, perdemos“. O trabalho voluntário é desenvolvido a partir da própria residência de Tina, na rua Meton de Alencar, 181 (por trás do Colégio Cearense).

O trabalho social da ATRAC visa fazer campanhas de conscientização sobre DSTs. Segundo Tina, os casos mais comuns são de HIV, seguidos de hanseníase e tuberculose. “Nós também encaminhamos à delegacia, em caso de agressão“, lembra. Perguntada sobre o mercado, ela diz preferir os dias atuais, sem deixar uma crítica à concorrência: “antigamente dava melhor, sabe?“. Sobre os pontos de prostituição mapeados pela ATRAC, Tina Azevedo destaca: “Temos a Beira-Mar, a Praia tinha_blog6de Iracema, (rua) Major Facundo, nas proximidades da Santa Casa“. E completa: “Temos ainda nos outros bairros: José Bastos, Maraponga, Seis Bocas, José Walter, Barra do Ceará… ah, são tantos“, brinca.

Embora o tempo tenha deixado marcas, Tina diz não se arrepender “de nada”. “Talvez se eu tivesse tido outra educação dos meus pais, seria outra pessoa“, destaca. “Acho que toda (sic) gay tem uma história de problema familiar para contar, vocês concordam?“. E qual a sua, Tina?

Fui criada pela minha avó, a quem chamava de mãe. Tive uma infância muito sofrida. Aos dois anos de idade, meu pai me vendeu em troca de uma ovelha e um pouco de dinheiro. Ele ia embora para a Bahia. Fui entregue num hotel, onde lá estava o casal que me comprara. Minha avó conta que sentiu falta de mim à tarde. Perguntou ao meu pai, e ele me disse que eu estava na casa da irmã dele. À noite, já desesperada, minha avó entrou no hotel e me arrancou de lá. Íamos partir no dia seguinte, pela manhã“.

tina_blog7Ainda de olhos marejados, ela brinca: “Eu já fui apaixonada por uma mulher. Ainda morava em Brejo Santo quando dizia para ela que vinha embora para Fortaleza para enricar e depois voltar pra casar com ela“. Foi um amor correspondido? “Não. Ela nunca me quis. Ainda nesta época dizia: ´Não volte, pois eu não quero você´“. Depois de muita conversa, ela revela: “Eu tenho um filho!“.

Já em Fortaleza, Tina Azevedo teve um rápido relacionamento com uma mulher. “Namoramos pouco tempo. Meses depois eu soube que tinha um filho“. Vocês têm contato? “Não, eu o conheci com dois anos de idade. De lá até hoje, nunca mais o vi“. E gostaria de o encontrar? “Sinceramente, não. Olha, acho que tudo na vida da gente é hereditário. O que meu pai fez comigo, eu fiz com meu filho“, explica. Há algum arrependimento? “Não“. E se você descobrisse que ele é travesti: “(pensando…) Ai, eu não gostaria“. Por quê? “Porque a gente sofre muito, sabe? Só Deus sabe o que eu passei…“.

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A sua base familiar está no contato que mantém com os irmãos. “Amo os meus irmãos. Todos eles são anjos para mim“. Francisco Reginaldo é o mais velho de uma família de três homens e duas mulheres. Seu irmão mais novo tem 27 anos, e mora em Caucaia (região metropolitana de Fortaleza). “Eles são tudo na minha vida. Quando preciso de qualquer coisa, basta ligar. Sou muito apegada a todos eles“, orgulha-se.

Mesmo observada de longe, Tina Azevedo é uma figura carismática. Seu jeito brincalhão, suas tiradas sérias e carregadas de humor são a válvula de escape de um homem-mulher em seu verdadeiro sentido. Tina carrega a força e a ombridade masculina lado a lado com a delicadeza da alma feminina. Seu forte é a sinceridade, da qual nunca se desgruda, mesmo sob forte pressão policial. É de longe um grande exemplo de superação. E de humor também. No meio da entrevista, sua cachorra sai correndo aos gritos de Tina: “Sai daqui, Flora. Sua maluca, assassina!“.

PERSONAGEM DA SEMANA: Thalis Guerra e o forró na Donna Santa

Postado em (Personagem da Semana) por admin em 23-01-2009

Num dia após a realização de uma bem sucedida festa direcionada ao público hetero e com bandas de forró, Thalis Guerra, ao ligar o computador, é surpreendido com uma mensagem no MSN: “Entre em contato comigo porque você já faz parte da equipe Donna Santa“. Foi assim, de uma forma até um tanto inesperada, que Thalis recebeu o convite de Ozael Junior, proprietário da maior boate mix do Nordeste.

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De longe, Thalis é um menino-garoto de 21 anos, natural de Sobral e que trancou a faculdade de Nutrição recentemente. De perto, é o garoto-homem responsável pelo projeto que tem mudado a cara da Donna Santa desde dezembro último.

thalis1Seu trabalho com promoção de eventos é bem recente. Há menos de um ano, sua mãe lançara uma produtora e ele resolveu acompanhá-la. “Sempre gostei de me envolver com eventos“, revela. Thalis e sua mãe iniciaram o projeto Sexta Sem Lei, na própria Donna Santa. O projeto durou menos de três meses, mas deixou fortes marcas. Dentro de seu projeto, Thalis levou nomes de impacto, como Lacraia e Moral Mix.

O sobrenome Guerra define a comunicação como uma trajetória familiar. Thalis é filho de Beto Guerra, apresentador do programa Noite & Cia, da TV Diário, com quem também trabalha na produção. Além de se autointitular “terceiro promoter da Donna Santa“, Thalis é empresário de 15 bandas de forró, dentre elas Forró Remexe, Forró na Veia, Furacão do Forró e Balancear, que toca amanhã (24/01), na Donna Santa.

Sou contratado da Donna Santa. Não ganho percentagem (na bilheteria), como os promoters, mas um valor fixo. Inicialmente assinamos um contrato de três meses. A partir daí é que vamos renegociar o valor“. Ganhando um valor fixo, é natural pensar em um desestímulo. Correto? “Errado. Eu quero fazer o melhor possível“.

thalis4Além de responsável pela área externa da boate, Thalis Guerra nos confessa a emoção que sentiu em sua primeira grande festa na Donna Santa. “Dez minutos antes de show, cheguei para o produtor da banda e autorizei o início do show. Estávamos todos emocionados. Quando abri um pouco as cortinas para espiar o público, fiquei emocionado“, referindo-se ao até então melhor show de forró da Donna Santa: a inesquecível apresentação da Banda Furacão do Forró, no último dia 20 de dezembro.

Muito além de bater todos os recordes de dois anos da casa – de público e de bilheteria -, a apresentação da Furacão do Forró lançou um ciclo que pode ser crucial para a continuidade da boate. O mercado mix cearense, especialmente o público da Donna Santa, foi apresentado ao forró. Genuinamente cearense, o ritmo era alvo de uma thalis3rígida rejeição por parte dos gays. Mas o que levou uma boate dedicada ao público gay a incluir o forró como alvo de sua programação?

A fundamental resposta vem da necessidade de se reinventar, como bem resume Thalis: Nós queremos uma programação diferenciada. A concorrência está aí e Fortaleza é cheia de casas que fecharam as portas porque se perderam no meio do caminho. Quando abre uma novidade, todo mundo corre atrás. A máxima também vale para um mesmo local: o objetivo da Donna Santa pode ser o de mudar internamente, reciclar o seu trabalho e, sabiamente, atingir um público novo.

Indagado sobre se forró na Donna Santa é uma estratégia de atingir o público hetero, Thalis foi enfático: “Claro. Nós queremos um público diferenciado“. A estratégia se fixa no forró, exclusivamente? “Não, não. O forró é o nosso maior produto local, mas queremos estigmatizar a Donna Santa como a casa das grandes atrações“. Que ritmo vocês devem evitar? “Algumas pessoas dizem que swingueira não renderia, mas eu discordo. É algo a ser experimentado“, assim resume o que virá na DS em 2009: atrações de peso, com ritmos bem diferenciados.

thalis10Durante toda a nossa entrevista, Guerra falou respeitosamente sobre a equipe. Deixou claro que trabalha com “carta branca” e que o maior apoio para o seu trabalho vem dos proprietários. Bem, e os promoters?

Instigado a falar sobre sua convivência com os promoters, Thalis ora era pensativo, ora era direto, mas poucas vezes não foi convincente.A receptividade foi boa”, sorri. “(pensativo…) Aparentemente fui bem recepcionado. De repente eles podem pensar que quero tomar o lugar deles, mas prefiro acreditar que está tudo bem“. E completa: “Afinal, o resultado vai ser bom pra eles também. Quanto maior a lotação, maior é o ganho dos promoters“. Dentre os promoters, com quem você mais se identifica? “Se fosse por identificação afetiva, seria com Carol Feitosa. Mas Leco Lima seria por identificação profissional, diz de forma política e polida.

Além de ser incluído na equipe da Donna Santa, Thalis Guerra também transpôs uma rígida barreira do mercado. “Os promoters, todos eles, formam um grupo muito fechado”. Ironicamente, é esta também a vantagem que ele ressalta: “com certeza o melhor nisso tudo é o trabalho em grupo“.

thalis11Durante a semana, Thalis se entrega à realização de eventos toda quinta-feira, na barraca Tropicana, fato que tem refletido em seu trabalho aos sábados. Uma vez vi um cliente, que sempre frequenta minhas festas da quinta, na Donna Santa. Parei e pensei comigo: ´Poxa, será que esse cara curte?´. Quando olhei, ele estava ao lado de amigos e da namorada“. É com esta curiosidade que ele ilustra o notório crescimento da frequência de heterossexuais na Donna Santa. Você já percebeu isso?

Por trabalhar com o público gls, você já foi alvo de preconceito? “Não”. Alguma banda já se negou a tocar para este público. “Vixe, já”. Não precisa citar o nome… “Uma vez estava numa reunião e fiz a proposta para o produtor. Ao ouvi-la, ele se levantou e disse: ´A gente tocar naquela boate para viados? De jeito nenhum!´. Ao mesmo tempo, Thalis desconversa: “Mas a maioria vai na boa, sem problema. Hoje eles mangam da gente, mas amanhã seremos parceiros“.

Sobre as bandas de forró, Thalis rasga elogios: “Eles adoram coisa nova e divertida. Indo tocar em boate gls, houve gente das bandas que ficou impressionada. Todos eles adoraram a animação do público“. Em que o público gls se difere do hetero? “A diferença é grande, viu? O hetero vai para uma festa não para dançar. Os playboys passam a noite sentados numa mesa, com uma garrafa de whisky lá em cima e pronto. O gay, não. O gay vai para dançar, gritar, se divertir…. É esta, contudo, a animação que contagia empresários e as atrações que trabalham para os gays de Fortaleza.

thalis6O trabalho de Thalis Guerra pode ser descrito também como um desafio. Meu maior desafio na Donna Santa é adequar a estrutura da casa às grandes bandas de forró que tocarão lá neste ano. Embora o projeto inicial da boate não tenha sido feito para receber grandes bandas, Thalis garante que os proprietários já têm uma reforma programada. “A Donna Santa só precisa mudar um pouco a sua estrutura lá de fora, principalmente o palco. Já fui com algumas bandas a eventos totalmente sem estrutura, sem palco, só com o areal. A boate tem uma ótima estrutura e o pouco que falta vai ser feito agora na reforma que programamos para o período do carnaval“.

thalis8Este sábado marca a quarta grande festa sob o comando de Thalis. A primeira, com Furacão do Forró, foi a sua predileta. Instigado a falar sobre de qual apresentação menos gostou, ele foi político: Esperava mais da Máfia do Forró. Mas continua: “Nosso som não estava nada bom. No meio do show o vocalista chegou e disse que havia muito tempo não tocava com um som tão ruim. A Máfia do Forró é uma banda muito boa, tanto que recentemente assinou um contrato com a Sony BMG”, mesma gravadora de artistas como Daniela Mercury e Ana Carolina.

E qual banda você jamais levaria para a Donna Santa? “Acho que os gays não gostariam da banda Cheiro de Menina”. Por quê? “É um forró-pé-de-serra muito hetero“.

Para as considerações finais, Thalis fez questão de tornar público o seu agradecimento a toda a equipe Donna Santa: “Agradeço à gerência da casa, aos promoters e ao público. E principalmente aos proprietários da Donna Santa. Fico até sem palavras, surpreso com a atitude deles de confiar no meu trabalho. Sou muito grato“. Como diria um forrozeiro arretado, “Arrocha, Thalis!“.

PERSONAGEM DA SEMANA: ZonaMix 7 anos!

Postado em (A Redação, Personagem da Semana, T+U+D+O, ZONAMIX na Imprensa) por admin em 16-01-2009

(matéria escrita por Thalles Walker em participação com Paula Roberta e Monah Monteiro)
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Informativo, inteligente, diverso, militante, atualizado, antenado, hypado, inquieto, bem estruturado, formado por uma equipe de primeira linha… são diversos os elogios que o site ZonaMix acumula nas rodas de conversa de quem utiliza o espaço virtual da internet para se manter por dentro do que acontece no dia-a-dia da cidade e do mundo. Esta semana, a marca ZonaMix (que já chegou a ser ZonaGLS) comemora seus 7 anos de formação e, em edição especial, o quadro “Personagem da Semana” traz desta vez uma divertida conversa com quem faz deste portal o marco de sucesso que ele é. A proposta é exatamente o contrário do comum: os escritores do Blog da Redação, João Paulo Magalhães e Tiago Marinho (infelizmente Marcello Soares não pôde estar presente à conversa), ficaram do outro lado da mesa e abriram o jogo e o coração sobre o projeto ao qual se dedicam com tanto carinho.

jp_marcelloHá 7 anos atrás, a internet mix alencarina ainda engatinhava. Além de um ou outro blog informativo (estes também apenas em seu início), o principal ponto de encontro na rede era um ultrapassado sistema de comunicação chamado mIRC, um servidor virtual de chat que se acessava através de um programa e continha diversas salas de bate-papo. “Foi o mIRC o começo de tudo para nós (na época, ainda estudantes) que nos unimos em um canal, o #ZonaGLS, em busca de mais privacidade para nossas conversas” – confessa João Paulo – e eles nem tinham noção que daí a mais alguns anos estariam gerindo o maior meio de comunicação de massa para a comunidade GLS do Ceará.

A medida que o tempo ia passando e o mIRc ia perdendo usuários (tanto por conta do nascimento do MSN quanto pela fragilidade do sistema), o canal de bate papo decidiu ampliar seus horizontes e deixar de ser um simples lugar de encontros na rede. O grupo tomou para si a tarefa de ocupar uma lacuna necessária para a comunidade gay local: formar um portal de comunicação para este segmento.

Inquieto, inovador, leitor de diversas fontes diariamente e, acima de tudo, um visionário, João Paulo Magalhães – diretor geral do ZonaMix hoje – foi um incansável lutador para esta mudança. Preocupado com a qualidade desde o início, o site começou com seu foco voltado para coberturas fotográficas de eventos mix da cidade. Na época, nasceram também mais outros dois portais, porém o ZonaMix foi o único que conseguiu se manter em constante desenvolvimento e chegar até os dias de hoje. Como isso aconteceu? JP explica: “sempre tivemos o cuidado de tentar ver mais adiante. Fizemos, ao longo de nossa história, mudanças que achamos que cabiam, tanto para facilitar a vida do usuário, quanto para tornar o site mais interessante. Por exemplo, a mudança do nome de ZonaGLS para ZonaMix – era “pouco discreto” para alguém acessar um site com GLS no meio a partir de uma lanhouse ou do computador de um amigo. Outra mudança foi a orientação do site, que das coberturas fotográficas passou a se preocupar mais com o conteúdo escrito”. “A equipe mudou bastante também”, do time inicial, apenas JP e seu amigo-irmão, Marcello Soares, um braço direito digno de toda sua confiança, continuam trabalhando no projeto.

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Aliás, a equipe atual do ZonaMix é algo que a direção se orgulha bastante. Unida e profissional, os escritores, fotógrafos e funcionários do site formam um conjunto digno de nota. “E aqui não há espaço para profissionais estúpidos e limitados”, retruca João Paulo. Por estúpido e limitado, entenda aquelas pessoas que só trabalham por ego e não por crescimento pessoal; aqueles que não conseguem pensar no futuro, que estão parados no tempo e pensam que ainda estão vivendo aos moldes de alguns anos atrás. Os leitores estão em constante mudança, afirma Thiago Marinho, e quem está no Zona precisa acompanhar as mudanças.

Com a mudança de foco das fotos para o conteúdo escrito, nasceu a ideia de nutrir blogues dentro do portal. Idéia essa que hoje é o carro-chefe da redação. E, como não poderia deixar de ser, o motor desse carro chefe é o próprio Blog da Redação, o mais acessado entre todos os outros. Semanalmente o blog apresenta sempre um artigo de opinião na segunda-feira; o famosíssimo Duas Linhas, que é um conjunto de pequenas notas sobre o dia a dia gay de Fortaleza e o badaladíssimo Personagem da Semana, que sempre apresenta uma conversa com gente de destaque na cena mix local – isso, claro, além das postagens soltas que aparecem todos os dias. O Blog da Redação faz tanto sucesso porque é a mola central para todos os outros blogues, ele apresenta sempre um elo muito estreito entre todo o conteúdo editorial do site.

jp_thiago_marcelloMas nem só de Blog da Redação vive o ZonaMix. “O primeiro de nossos blogues foi o Blog do Tiago, um sucesso.” – palavras de João Paulo – “E nosso filho caçula é também outro sucesso, o Be Hype. Ambos escritos por amigos, Tiago Fasano e Thalles Walker respectivamente, que preenchem com maestria nossos critérios para a contratação de novos blogueiros”. E se você quiser saber que critérios são esses, o diretor geral explica: “primeiramente é necessário saber escrever bem. E entenda por isso saber: concatenar ideias, pontuar, ter fluência na expressão escrita. Tem gente que é um excelente comunicador com um microfone na mão, mas deixa muito a desejar no teclado”. Além disso, é necessária também uma grande carga de responsabilidade e dedicação porque, como os dois deixaram bem claro, “comunicação é costume e leitor não gosta de blogue desatualizado”. Pra terminar os critérios, os dois também afirmam que há uma carga de intuição extra também necessária na hora de chamar alguém.

Perguntados se eles acham que alguma coisa está em falta no site hoje, os meninos foram bastante humildes: “Sim, nosso site está longe de estar totalmente completo – aliás acho que nenhum está totalmente assim – e sempre há uma lacuna a se preencher. Por exemplo: falta algo sobre saúde, talvez um blogue informativo voltado para a área do direito GLBT e provavelmente também um com entrevistas diversas”. São idéias… Fica a dica pros interessados!

Sobre o contato dos dois com o conteúdo do portal, eles são categóricos: JP lê muito sobre tudo nos jornais, blogues de opinião, etc da rede, mas é Thiago que lê sempre tudo o que é posto no ZonaMix. Caseiro e membro de uma turma grande de amigos, o jornalista responsável do ZonaMix e também blogueiro do CULTUcando, que leva informações sobre cultura pro site, Thiago Marinho adora se manter sempre antenado com tudo o que é escrito no portal e passa boletins diários para o ocupado João Paulo Magalhães sobre o que está sendo posto nos diversos espaços do portal. O engraçado é que, além do trabalho no Zona, Tiago no dia-a-dia lida com um público totalmente diferente do GLS: pessoas com mais idade. Trabalho que ele, inclusive, revela uma verdadeira fascinação. Fino, o rapaz.

Mas nem tudo são rosas. João Paulo admite que ao longo de suas história, o site já teve seus maus momentos. Como exemplo, ele cita a total parcialidade tomada pelo Zona diante de uma confusão acontecida entre uma drag e uma casa noturna da cidade há cinco anos. “Mas hoje, tudo resolvido, tomamos consciência de que apenas um dos lados foi ouvido na época e pedimos as devidas desculpas. Faz parte da vida, afinal é errando que se aprende a acertar.” Conclui modestamente o diretor geral.

zonamix_confrAliás, por falar em parcialidade, este é sempre um tema controverso quando se coloca na mesa a intimidade de qualquer meio de comunicação. O Zona não é diferente. Mas, sobre isso, não há muito drama a se fazer. JP conversou conosco muito seriamente sobre o assunto. Pra ele, um portal do tamanho do Zona tem um funcionamento parecido com uma boate: “nós temos nosso público, mas também temos funcionários a pagar. E pra isso precisamos saber nos vender”. No caso, “saber nos vender” significa que os anunciantes e patrocinadores têm sempre um espaço privilegiado no site. Porém, com muito orgulho disso, JP e Thiago gostam de concordar que nunca precisaram puxar saco de ninguém pra fazer do Zona o sucesso que ele é hoje. Parabéns pra eles, né?

Outros pontos bastante discutidos sobre o site é ênfase na polêmica em diversos assuntos, a falta de conteúdo erótico e o controverso mural. Tomamos coragem e perguntamos “JP, o que você acha das críticas que falam que o Zona é sensacionalista?”. Segundo ele, tudo é escrito com tanta responsabilidade que a polêmica que eles postam nunca é tida como sensacionalista. Inclusive ele desafia a quem apontar, dentro do site, assuntos que sejam tratados de uma maneira vulgar ou pejorativa, pessoas desrespeitadas, etc.

E quanto à falta de conteúdo erótico, ele também tem uma opinião direta: “nunca precisamos desse tipo de conteúdo para movimentar o site”. Segundo o rapaz, o site poderia ter milhares de acessos semanais a mais se fizesse uma aposta nesse setor, mas eles preferem manter a linha editorial ativa e fazer com que o Zona seja um site que possa ser lido, tranquilamente, na sala de casa, do lado dos pais, sem assustar ninguém e sem precisar de privacidade pra isso.

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Já quanto ao Mural, a área mais interativa do site onde as pessoas podem entrar e escrever livremente, JP fala que ali é o espaço que ele gosta de manter pois é onde recebe o feedback dos leiores. É uma área bastante popular, e como popular também é aberta a vários tipos de comportamentos e interpretações. Thiago completa: “é como a vida – existem pessoas boas e pessoas más que se expressam do jeito que querem”.

Pra finalizar a conversa, deixamos eles falarem um pouco sobre os planos pra 2009. E, pro ano que começou agora, os dois nos prometeram apenas “mais do mesmo”. Ou seja, muito mais informações, coberturas e qualidade do mesmo velho e bom ZonaMix de sempre. Existem sim alguns casos e propostas sendo estudadas, mas tudo ainda no terreno da probabilidade, nada certo. E até lá, a gente espera ansiosamente por essas novidades.

Como não poderia deixar de ser, propusemos a JP um joguinho de pingue-pongue, onde ele nos respondeu uma palavra sobre cada um dos temas que falamos. Vamos a ele?

LECO LIMA – inspiração pessoal
CAROL FEITOSA – superação
MONAH MONTEIRO – carisma
ALINE CARVALHO – aprendizado
PAULA OLIVEIRA (MP) – surpresa
BE HYPE – experiente (no que se propõe)
BLOG DO TIAGO – interessante e gracioso
CULTUCANDO – experiência (nova experiência, definida por JP com a expressão “merda” usada no teatro como adágio de sorte)
SATTYNE HADDUKAN – popular
MARCOS MOREIRA – beleza
UM DJ – Itaquê Figueiredo (apesar de serem citados Daniel de Paula e Renata Dib também)
ARTISTA – Condesse Mireille Blanche
PROFISSIONAL – Adma Sheeva
PROFISSIONAL DA NOITE – Leco Lima
O ANO DE 2009 – Mais do mesmo!

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Nota da Redação:
É com uma incrível sensação de orgulho e gratidão que o ZONAMIX agradece todo o carinho sempre recebido de Paula Roberta e Monah Monteiro, sem esquecer de todo o respeito de e para Thalles Walker, com quem passamos a trabalhar mais diretamente há poucos meses. Os sete anos de nosso trabalho são pautados pela ética, respeito e, acima de tudo, por muito empenho de todos (todos mesmo!) aqueles que direta ou indiretamente colaboram para que o ZONAMIX seja, a cada dia, um site diferente. Muito obrigado a todos!

PERSONAGEM DA SEMANA: Lucas Sancho, ator

Postado em (Personagem da Semana) por admin em 09-01-2009

Acabou? Logo essa tão sólida história de amor… Acabou assim, de repente? Nada na vida é para sempre. Mas parece que o sofrimento dura mais que o amor. Será?

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A passagem acima fala do amor – mas também do sofrimento – vivido por Henrique, que se viu diante de uma decepção amorosa ao ser traído por seu namorado, Eduardo. Henrique e Eduardo são nomes fictícios e ilustram a peça Dias de Setembro, estrelada pelo ator cearense Lucas Sancho, que esteve em cartaz nesta semana (quarta, quinta, sexta e sábado), no Theatro José de Alencar. Os dias se passam em setembro, mas a peça é contemporânea, acima de qualquer temporada, e muito além de personagens.

Henrique sofreu como muitos Pedros, Joãos, Marcelos, Thiagos. Eduardo, o namorado traidor (o ator lembra: “quem não trai hoje em dia, não é verdade? Hoje as coisas são tão fáceis…“) pode ser substituído por qualquer nome. A história é de Henrique e Eduardo, contada a partir do talento de lucas2Lucas Sancho, 23 anos, natural de Fortaleza, há um ano vivendo em São Paulo e que extrapolou todos os preconceitos (inclusive em casa) para estrear a peça com tema homoafetivo na capital cearense.

Mas por que começar por Fortaleza? “Entre as capitais nordestinas, e até se comparada ao eixo Rio-São Paulo, Fortaleza está muito bem em se tratando de espaço no teatro. É óbvio que estamos bem distantes de todo o investimento do Sudeste, mas a diferença para aí: em termos de talento, somos tão bons quanto os que trabalham em São Paulo“.

Estava fechando a mala para viajar logo em seguida quando, numa súbita lembrança, verifico os e-mails do ZONAMIX. Havia lá uma mensagem recém chegada,  assinada por Lucas Sancho, e que dizia: “Gostaria de saber se o Portal Zona Mix poderia entrar em parceria com o espetáculo ´Dias de Setembro´, do Grupo Cabauêba de Teatro, divulgando em seu site os dias de apresentação do espetáculo“. Mais do que divulgarmos os dias de apresentação, o ZONAMIX resolveu apoiá-lo culturalmente.

lucas4Após recebermos o release do evento, encantamo-nos com a história. Bancamos também uma dúvida: como apresentar a complexidade de uma relação amorosa, principalmente homoafetiva, em um monólogo? A resposta é lógica: somente o ator (e autor) pode responder.

Lucas nos recebeu na praça de alimentação de um shopping center, na segunda-feira (05/01), dois dias antes de sua estreia. O olhar sereno esconde um garoto homem, um jovem de 23 que já tem 10 anos de carreira, passagem pelos melhores cursos de teatro do país, temporadas de sucesso no Ceará e diante de mais uma dificuldade: dirigir e atuar ao mesmo tempo em que prepara a cenografia, a iluminação e tudo o mais. O monólogo Dias de Setembro fala de um amor gay, lembra dos bons e dos maus momentos de qualquer relação – seja ele homossexual ou não – e ainda abre espaço para interagir com a platéia, formada também por heterossexuais.

O objetivo óbvio é atingir o público gay, mas claro que os heteros vão assistir. O ponto alto da peça é a interação que promovo com o público. Eu faço com que a platéia participe da história, sugerindo e até dando um ângulo diferente sobre a relação de Henrique e Eduardo“, pontua. Lucas vai lucas7bem além  da segurança quando brinca com os homens na platéia. Na apresentação que vimos, um espectador foi instigado a escrever o seu ponto de vista sobre aquela relação que estava a ser contada. Um belo momento para exercitar, com maestria, a visão hetero de um amor gay.

Dias de Setembro fica em cartaz até o sábado (10/01), em Fortaleza. A peça, de aproximadamente 50 minutos de duração, segue agora para São Paulo, onde terá apresentações nos meses de fevereiro e março. Em abril, Lucas Sancho leva o seu monólogo a Brasília. “Minha residência artística hoje está em São Paulo“. Apesar de ter feito a sua estreia na capital cearense, é na terra da garoa, onde ele já reside a um ano, que estão concentrados os esforços do ator.

Lucas começou a se envolver em teatro ainda na época colegial. Integrou o grupo de teatro do Colégio Christus, um dos mais conceituados de Fortaleza. Em 2001, fundou o grupo Cabauêba, que hoje conta com oito integrantes (todos na capital paulista). O foco do grupo é mexer com os conflitos entre sociedade e homem. Dentro do grupo, Lucas e sua equipe formularam o Projeto Trilogia Urbana, que discute três aspectos da sociedade contemporânea urbana: o tempo, a solidão e o amor, este retratado em Dias de Setembro.

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Além de ator, Lucas Sancho é dramaturgo e diretor teatral. Mas não esconde sua preferência: “eu prefiro dirigir. Não que não goste de atuar, mas gosto de ter essa visão externa de quando se está acompanhando uma atuação“. Ele até se compara aos atores de fora: “Em São Paulo, os profissionais costumam se especializar em determinadas coisas, como só atuar, dirigir, fazer cenografia, iluminação, roteiro. Aqui no Ceará os artistas são mais completos, porque a gente faz de tudo um pouco“. O diferencial, ainda segundo Lucas, é que os cearenses passam a conhecer um pouco de tudo.

lucas6São Paulo é uma cidade que te dá milhões de oportunidades, mas também sabe te engolir“, diz referindo-se às possibilidades de trabalho em uma das maiores cidades do mundo. Ele completa: “lá, você tem de trabalhar muito. Eu saio de casa às 7h da manhã e volto às 10h da noite, todo dia. É uma rotina estafante“.

Além do amor pelo teatro, Lucas é formado em Publicidade & Propaganda pela Universidade de Fortaleza (UNIFOR). Na área, atua como designer gráfico. “Estou montando um escritório em São Paulo. Vou trabalhar justamente nesta área, que visa levar qualidade gráfica às peças de teatro“. Lucas se julga bastante perfeccionista em relação à imagem. “Gosto de cuidar de toda a produção de mídia de meu espetáculo. Invisto, inclusive, no público-alvo da peça“. Não à toa Lucas nos deu o prazer de apoiar seu monólogo, voltado diretamente ao público homossexual.

Para a produção do Dias de Setembro, Lucas investiu um ano e meio de pesquisa. “Conversei com vários amigos gays, que terminaram namoro e que mantêm relacionamentos há anos. Foi uma experiência muito proveitosa“, garante. Quando contei aos meus pais sobre a peça, houve uma certa resistência porque eles achavam que eu poderia me expor demais, levantar uma bandeira. A peça é de ficção, e faço questão de deixar o meu lado particular de fora, até mesmo numa entrevista.

lucas10Lucas é também alucinado por cinema e TV. “Gosto de vários estilos, mas drama é o meu preferido no teatro e no cinema. Na TV, prefiro os seriados, principalmente os norte-americanos. Para mim, o melhor programa da TV brasileira se chama A Grande Família (TV Globo), porque ele retrata uma realidade incrível de nosso dia-a-dia“. Ele também pensa em atuar em TV. “Acho que a Record está crescendo, mas ainda falta muito para alcançar o padrão de qualidade da Rede Globo“. Ele confessa que já fez vários testes: “Em SP, a gente passa o dia fazendo dezenas de testes. Isso é uma coisa muito comum. Mas o que vale mesmo é o fato da amizade, de conhecer um diretor, essas coisas“. E ainda completa: “Na televisão muitas vezes só importa ter um rostinho bonito e um corpo legal. Tem muita gente atuando que não tem talento algum, mas está lá porque é bonito(a)“.

Sem se estender tanto no assunto, Lucas achou uma brecha para criticar o humor cearense: “Os humoristas do Ceará são os melhores do Brasil, mas aqui em Fortaleza eles criam um problema ao tomar espaço no teatro. Acho que o humor combina muito bem com bares e restaurantes, mas eles acabam tomando pauta nos teatros, o que acaba por inviabilizar outras apresentações“. Sobre o Dias de Setembro, Lucas garante que não recebeu patrocínio direto, mas teve grandes apoiadores. Numa peça como esta, a gente investe cerca de 4 a 10 mil reais. Já vi pautas em São Paulo de 300 mil reais.

lucas3Sobre o mercado, é enfático: “O cearense normalmente encara o teatro como um hobby. Poucos enxergam que alguns artistas vivem da arte. Por isso decidi me mudar para São Paulo, onde o mercado está sim estagnado, mas as oportunidades são imensas para quem tem talento e quer trabalhar“.

O uso da arte é uma ótima oportunidade de levar a cultura de diversos segmentos da sociedade à discussão de uma maioria às vezes não tão acostumada a diferenças. Em Dias de Setembro, Lucas Sancho faz uma apuração direta e linda sobre o amor gay, as dificuldades enfrentadas no cotidiano e, claro, a traição. O amor sempre desperta atenção, principalmente quando retrata a realidade de uma minoria (dizem) que luta pelo simples direito de ser tratada como igual, não como diferente.

Uma peça bem dirigida e uma história bem interpretada são de suma importância para o abrandamento da homofobia. Mais do que isso, Dias de Setembro traz à tona o verdadeiro espírito da homoafetividade: os gays também traem, mas também amam. É como diz a sua passagem: “Você ainda me ama, Eduardo? Eu te amo. Muito. E só. Henrique“.

Substitua um dos nomes dos personagens por qualquer outro. O seu, por exemplo. O diferente nem sempre é tão diferente assim, e o semelhante nunca é semelhante à sua maneira. Lucas Sancho arrebentou. Dias de Setembro nos surpreendeu. Muito. E só.

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PERSONAGEM DA SEMANA: Daniel de Paula, o rei das pistas!

Postado em (Personagem da Semana) por admin em 19-12-2008

São quase 20 anos de carreira, dezenas de amigos, centenas de fãs, milhares de admiradores e milhões de fios de cabelos ausentes. Daniel de Paula é o que se pode descrever como um “monstro”. Não do físico (bem longe disso), mas monstro do profissionalismo. Um rei. O rei da pista. De qualquer pista de dança, seja ela para gays, heteros, encubados ou rasgados.

“Até hoje considero minha vida uma festa”. Ahn? “Sempre amei festas e ainda adoro. Se pudesse, vivia em baladas”. Dois depoimentos assim dispensam qualquer fama de baladeiro, mas encarnam uma incrível percepção: é por vivenciar o público de uma festa que Daniel de Paula tem o seu feeling de DJ, pois é a partir disso que o disk-jockey se diverte e possibilita diversão a todos. Um notório caso de vivenciar o mercado, conhecer seu público-alvo e plantar o sucesso com o seu profissionalismo. Uma difícil relação, possível apenas aos mais competentes e flexíveis profissionais.

Daniel de Paula começou a tocar inspirado em seu irmão, o também top-DJ Sílvio de Paula, chamado de “mestre” até pelos mais conceituados disk-jockeys de nosso Estado. “Desde pequeno eu escuto músicas de todos os gêneros. Influência de meu irmão, com certeza. Em meados de 1987, ao ouvir o remix de West End Girls, do Pet Shop Boys, Sílvio tinha dois LPs iguais e pegou um deles para me ensinar a mixar, usando a mesma música indo e voltando”. A partir daí, Daniel de Paula viciou-se de um jeito que ser disk-jockey, além de hobby, é uma profissão. Dá para viver sendo DJ? “Para mim sempre deu, graças a Deus, e até hoje dá. Mas não para todos”.

Mais do que economicamente diferente dos demais, Daniel de Paula goza de fama e influência ímpares no mercado geral cearense. Já foi residente de diversas boates, como Pier 251, Eden Club, Degraus e seu trabalho mais sólido foi no Mucuripe Clube, a mais conceituada boate de Fortaleza, onde passou nove anos de muito êxito. Atualmente, Daniel é DJ-residente da maior boate mix do Nordeste, a Donna Santa. “É a primeira vez que sou residente em uma boate gls”.

Foi através da amizade de muitos anos com Leco Lima que Daniel foi parar na Donna Santa. “Ainda no começo de 2006, quando surgiu a primeira conversa com os proprietários para abrir uma boate em Fortaleza, Leco me chamou e topei na hora”. Além de amigos e do intenso contato pessoal, Daniel e Leco já eram parceiros. Entre 2005 e 2006 promoveram várias festas em parceria, muitas delas bem conceituadas, como a SCHOCK (que neste ano aconteceu no Aeroporto de Fortaleza – relembre aqui!), a CIRCUS e o Halloween do Fogo, que Daniel divide a promoção com Itaquê Figueiredo. Com certa experiência na promoção de eventos, pretende abandonar a cabine e passar a comandar uma festa completa? “Tenho vários projetos, mas nenhum para isso”. E completa: “Ainda”. Hum!

Daniel começou a arrumar seus clientes quando ainda era menor de idade, para “arranjar uma graninha”. Na época, a cobrança do Juizado de Menores era ainda maior que hoje, e ele conta como fazia para driblar a fiscalização: “Era muito engraçado… meu irmão era residente de uma boate e quando ele chegava os seguranças iam avisar da chegada dele. Daí eu me escondia atrás do Sílvio e entrava quando os seguranças iam embora”, conta sorrindo.

Você se considera um bom DJ, Dani? “Sim. Em qualquer ramo, se você se considerar um bom profissional, sempre vai obter bons resultados”. Deixando a modéstia suavemente de lado, Daniel completa: “Sei como eu envolvo uma pista e sei como fazer uma festa acontecer”. Você troca sempre informações com Sílvio de Paula? “Claro, e vice-versa”.

A união fraternal de Daniel e Sílvio de Paula chega também ao profissional. Eles já ministraram diversas aulas de curso de DJ, e formaram nomes conhecidos e respeitados hoje, como Marciano Djow, Juninho, Renata D!B e Sandra Bull. Ainda mantém contato com eles? “Claro, e o melhor possível”.

Além da formação de DJ, Daniel de Paula ressalta que ajudava a formar um profissional completo: “Eu os ensinava a ter sensibilidade e sempre os instruí a pesquisar”. Afinal, um bom disk-jockey tem de estar sempre antenadíssimo com o que toca nas principais pistas de dança no mundo. Daniel procurava formar caráter também: “Também os ensinava a ser gente boa, a ter humildade, a não usar drogas. Muitas coisas vão além da técnica e por isso eles me respeitam bastante”. Além de parceiros de trabalho, eles são amigos e não apenas ex-alunos.

E ainda ensaia uma crítica: “tem muita gente dando aula por aí que só chega, ensina algumas coisas de técnica, dá um diploma qualquer e diz que os aprendizes já estão bons. Não gosto disso. Gosto de fazer o aluno aprender muito além de só mixar, porque só isso o faz crescer”. A boa notícia é que seus planos para 2009 incluem a abertura de uma nova turma, provavelmente para depois do carnaval.

O que um bom aspirante a DJ não pode fazer? “Ser midíocre”. Como? “Achar que já sabe de tudo só porque fez um curso”. E ainda completa: “Hoje eles ficam medíocres porque DJ virou uma das profissões mais desejadas do mundo. Eles já querem entrar brilhando, querem ser estrelas de cara. Para mim, estrela só no céu. Humildade sempre!”. Por que ser DJ desperta atenção em tanta gente? “O DJ é um artista, e fama incita poder, que é uma coisa que todo mundo quer. Todo mundo gosta de ser reconhecido, famoso, desejado, e esta profissão atrai pessoas de todo tipo”. Você poderia destacar algum bom representante da nova geração responsável? “Tem muita gente nova surgindo todos os dias e outros que já estão consolidados no mercado. O meu irmão é para mim acima de tudo. Destaco também o Itaquê Figueiredo e Renata D!B e Gilvan Magno, ambos meus ex-alunos”. E explica: “Todos eles são pessoas de muito carisma, além de muita técnica e não chamam multidões para as festas à toa. Além de graaaandes amigos, são estes que considero os tops na atualidade”. E sobre os novos Djs? “Dos novos, muita gente ainda pode se revelar mais…”.

Depois de 20 anos de carreira, ainda falta ao DJ Daniel de Paula aprender alguma coisa? “Sempre falta algo e nunca fico 100% satisfeito. Busco melhoras e precisamos sempre nos reciclar. Sendo assim, sempre vai faltar algo para qualquer um, independente do tempo de carreira”. Ao Daniel, o que não falta é humildade. Mas insisto: o que o DJ Daniel de Paula tem de diferente? “Eu me envolvo bem com o meu público, gosto de ficar perto das pessoas. Gosto de tocar o que é bom, não invento se sei o que as pessoas querem. Há DJs que tentaram a vida inteira fazer algo parecido, e há outros que conseguiram isso facilmente. O fator de ser famoso nunca me subiu à cabeça, até porque fama é bom, mas não é tudo”.

O que mais te agrada na fama? “Ouvir e ver meu público dizer que arrebentei na pista. Acho que o reconhecimento de um bom trabalho é gostoso para qualquer um”. E do que menos gosta? “A privação de deixar de fazer certas coisas porque no dia seguinte o público pode falar”.

Rola muita paquera quando você tá na cabine? “Bastante (risos). Levar cantada faz parte da rotina de qualquer DJ. Posso contar um exemplo?” Com certeza! “Já tive casos bem engraçados, viu… Havia uma garota e um rapaz dançando na pista, na minha frente. Ele parecia mais tímido e tentou chamar atenção. A menina ficou fazendo cena para eu dar bola pro amigo, mas ele não fazia meu tipo. Daí, fiz que ela estava me paquerando e mandei beijos pra ela. Cada vez que ela olhava, eu mandava mais beijos. Eles desistiram e foram pra outro lugar na boate”. Uma maneira inteligente para manter o sorriso de quem levou um fora? “Quem viu, achou bem engraçado a maneira com que me saí…”

Gay assumido, Daniel de Paula diz que nunca teve muitos problemas com isso, e que “sempre soube me sair. Acho que o mundo tá virando cor-de-rosa”, brinca. Teve alguma dificuldade em assumir a orientação sexual? “Orientação não, seu doido, condição”. Condição não, tesão sexual. “É, fica melhor”. Que seja…

Sempre brincalhão, Dani é um sujeito carismático e nada tímido. A perceber pela tirada acima, nosso contato é também bem pessoal além do profissional. Fez uma exigência: “Só faço a entrevista com você depois da novela, tá?” Muito franco! “Então pronto… porque perder a Flora, nuuuuuuunca”. Viciado na novela? “O toque do meu celular é a música de abertura. Todo dia eu sonho com o próximo capítulo”. Mas seu personagem favorito é o Halley (Cauã Reymond). Bobinho, né?

Sobre a relação gay-DJ, ele disse que só passou uma vez por uma situação delicada. “Adivinha por causa de quem?! De uma outra bicha que hoje é queimada”. De uma outra bicha? “Na realidade essa pessoa nem circula no meio, por isso que ela se acha menos gay”. Não entrando no detalhe no nome, “ela disse a uma cliente para não me contratar porque toco numa boate gay, e só vou tocar música de viado. Na realidade, acabei fazendo a festa e a cliente hoje me adora e não suporta o imbecil”. E o que aconteceu? “Ela virou minha cliente”. Uh!

Neste 19 de dezembro, Daniel de Paula completa 36 anos de vida. Tá solteiro, casado, enrolado ou continua puta? “Bem, por enquanto estou no calçadão, fazendo companhia a Bebel”. Conte-me uma novidade! “Mas estou sem pressa de arranjar um namorado. Na hora que tiver vai aparecer a pessoa certa. Enquanto isso, a gente se diverte com as erradas (brincadeirinha). Diga a sua novidade”. Eu sou virgem. “E eu sou a Madre Teresa de Calcutá”. Muito franco!

E a carequinha aí, é charme? É dos carecas que eles gostam mais? “Tem gente que gosta, outros não… afinal, tem gosto pra tudo, mas eu gosto do meu estilo”. Onde tem mais cabelo: na de cima ou na de baixo? “Gaiato. Já tá passando pra putaria, viado?!”. Você tem alguma limitação ao falar da careca? “Nenhuma”. E então, por que não responde? “Pula pra próxima!”.

Apesar de todo o seu estilo brincalhão – muitas vezes até demais -, Daniel de Paula mantém a firmeza profissional que sustenta há vinte anos. Seu prestígio não pode ser medido apenas em festas, sejam elas em boates ou particulares, ou pela opinião de outros DJs e empresários. O que falta à sua cabeça, os cabelos, sobra em sua imagem profissional: o respeito. Badalado, admirado, querido e conceituado, Daniel de Paula é mais que um disk-jockey. É um rei. O rei das pistas!

PERSONAGEM DA SEMANA: Condessa Mireille Blanche, a diretora artística da Boate Divine

Postado em (Personagem da Semana) por admin em 12-12-2008

Como parte de um especial para celebrar os nove anos de funcionamento da Boate Divine, a equipe do ZONAMIX optou por (tentar) materializar em letras, as ações e o comportamento de Marcus Fábio. Fábio também atende, há quase vinte anos, por outro nome: Condessa Mireille Blanche. “Fui ‘batizada’ por um amigo. Estávamos na Praça do Ferreira (Centro), quando ele olhou pra mim e disse que eu tinha cara de condessa francesa. Mireille Blanche, condessa de Toulouse“, referindo-se à quarta maior cidade francesa, localizada ao sul daquele país.

Mas é na quarta maior cidade, desta vez do Brasil, que Condessa apresenta todo o seu carisma e um profissionalismo ímpar. Dona de um sorriso meigo, a carismática Condessa é assim chamada de forma carinhosa e respeitosa. A nobreza de seu título está também em sua personalidade. Muito além da nobreza, é no calor humano do povo que ela gerencia a programação artística da mais tradicional boate gay do Ceará, a Divine.

Desvendar os segredos que cercam os nove anos de sucesso da Divine é uma árdua tarefa. Até 28 de janeiro, já no próximo ano, o ZONAMIX fará uma série de matérias, com entrevistas e depoimentos especiais para ilustrar e entender um pouco do que leva tanta gente a tornar-se fiel a um estabelecimento. Isso se torna ainda mais incrível quando a própria Condessa afirma que “o público gosta de novidade”. E o que faz um cliente a tornar-se fiel à Divine? “Acredito que ao nosso trabalho, ao respeito que temos pelos artistas”. Sábia.

Embora seja amiga e muito próxima pessoalmente dos proprietários da boate, foi somente há dois meses que Condessa assumiu a direção artística da Divine. Após cobrir as férias de Beto, o gerente, ela tornou-se fixa e é responsável por marcar, ensaiar e programar os shows. “Já estamos com agenda fechada para o começo do ano”, comemora. Além da direção de shows, Condessa apresenta, toda sexta-feira, e desde setembro, as eliminatórias do Concurso Transformista do Ano 2008. A data da final já se aproxima: 27 de dezembro, um sábado.

“Apesar de a Condessa existir há muito tempo, foi somente em 2005 o meu primeiro show. Justamente na Divine”. A oportunidade de trabalhar na boate surgiu após o convite dos proprietários. Sua escolha certamente foi tomada pela assiduidade de Condessa e pelo senso crítico de Fábio. Bastante respeitada e admirada no meio artístico local, ela se mostra extremamente satisfeita e engajada no conceito da casa. “Queremos trazer de volta 50% do nosso público”. Perderam? “Eles estão menos assíduos do que eram anteriormente. Hoje a concorrência é muito forte, meninos. Até 2005 a Divine era única. Hoje temos várias opções como bares, botecos, forrós e até mesmo boates”. E os 50% restantes? “Ah, estes se mostram fiéis”. Muito fiéis, destaco.

Nossa equipe foi ao encontro de Fábio. Às 18h em ponto chegamos ao local da entrevista, na própria boate Divine. “Atrasei, Adma (Shiva)?”. Seguimos ao camarim da boate, que dividimos com Adma Shiva, uma das mais conceituadas transformistas do Ceará e 4º lugar no Miss Gay Brasil 2005. Adma foi se “montar” (na linguagem delas, “se montar” é se vestir de mulher, colocar peruca, maquiagem…) para um show beneficente na noite desta quarta, na Dragon Health Club. “A Adma vai representar a Divine”, explica Condessa.

A informalidade de nossa conversa foi possível pela educação de Fábio. “Eu posso até não gostar de você, estar chateado ou com algum problema pessoal, mas tenho obrigação de tratá-lo bem”. Em pouco mais de uma hora e meia de conversa, trocamos gentilezas, sorrisos, informações e curiosidades. Apesar de seu jeito educado e extrovertido, Condessa passa segurança a cada palavra proferida. As idéias centradas mostram a experiência dela com o mercado. Há muitas diferenças entre os artistas? “Há”. Muitas? “No geral, sim”. E como você faz para contornar isso? “Com profissionalismo. O artista pode até ser de péssimo caráter, mas se for talentoso ele tem vez aqui”.

Condessa Mireille Blanche elege Táblata Fitterman como a artista revelação em 2008. “A Divine a chama de Diva do Humor”. Táblata ascendeu um degrau na escala de confiança da Divine, e é responsável pela apresentação da boate pelo menos uma vez por mês. Entrando em detalhes, que preferiu deixá-los ocultos, conseguimos extrair uma curiosidade: Táblata Fitterman, além de talentosa, conquistou o respeito dos proprietários por apresentar um bom retorno de público. Ela dá retorno na bilheteria? “Dá sim”. Embora se ocupando com o financeiro, Fábio é claro: “A Fitterman conquistou a confiança da Divine por ser altamente talentosa e muito profissional. Não à toa é considerada Diva”.

“Diva”, para a Divine, são as artistas que mais se destacam. Como define Condessa, “são as artistas mais completas: com performance e dublagem impecáveis”. É considerado, entre o meio, também um título nobre: elas ganham um cachê mais elevado, têm total suporte técnico para a produção de especiais e, o mais importante, têm o respeito da Divine, celeiro da classe artística gay cearense. Raras são, contudo, as Divas: Adma Shiva, Camilly Leyker, Carla Collares, Verônica de Castro, Maelly Naranjo, Katanna Coxx, Sayck Samssarah, Tatiana Hilux, Flávia Fontenelle, Nayanne Kash, Nefertity Hortz, Bruna Cantarelli, Ohaina Hannover e Tablata Fitterman. Há também os “divos”, versão masculina, que são Felipe Dmoon e John Adágio (relembre aqui o Personagem da Semana com John Adágio).

Ainda sobre Táblata, é notório o seu carinho quando se refere a ela. Durante a nossa entrevista, Condessa comunicou-se por telefone com a artista. Embora deixe claro não dar preferência a nenhuma, é clara a identificação com ela. “A Táblata Fitterman tem causado muito ciúme”. Como? “Ah, sempre que alguém se destaca, uma outra fica incomodada, não é?”. Não querendo criar polêmica, Condessa não cita nomes e prefere finalizar o assunto. Como faz para lidar com discussões assim? “Ah, normalmente nós chegamos junto e resolvemos logo. Posso garantir que aqui na Divine não há preferência por A ou B. Há sim preferência por gente talentosa e todas que têm talento têm vez”.

O respeito da Divine aos artistas vai além do tratamento com educação. “Aqui nós pagamos um preço justo pelo trabalho dos artistas, que geralmente têm custos elevados, seja com roupa ou acessórios”. Quanto, em média, vocês pagam de cachê? “Nós não falamos sobre isso”. Há diferenças de cachê entre artistas? “(pensando…) isso não sei te dizer porque não sou eu que faço esse pagamento”. Incrível como a elegância de Condessa está até nas respostas, por mais intrigantes e inesperadas que sejam.

É também a elegância – desta vez, a física – que marca o tom da montagem de Condessa. “Eu me acho linda quando estou montada”. Tem algum problema com o seu corpo? “Não, nenhum”. É em ser gordinha, mas bem longe do sentido pejorativo da palavra, que Condessa enxerga seu diferencial, o que acaba por chamar atenção dos demais. “Meus gastos mais elevados são com os acessórios. Nossa, eu adoro ficar bonita, usar boas jóias. O público gosta disso e o artista tem a obrigação de estar bem vestido”.

O carinho e o respeito de Condessa podem ser sintetizados também pela sinceridade. Você se acha sincera? “Totalmente”. Como faz para dar oportunidades a novas artistas? “Temos amigos que trabalham como olheiros. Eles indicam e marcamos um ensaio com o artista. Toda terça-feira, às 20h, fazemos ensaio aqui na Divine”.

O trabalho de Condessa Mireille Blanche, além de dar suporte profissional aos melhores artistas da cena mix cearense, é levar glamour e emoção ao palco. “Já me emocionei muito com shows. Até hoje me emociono”. A emoção de que Condessa fala se refere à disposição do público da Divine em conferir um bom trabalho, seja ele de quem for. Exagerada ao falar da concorrência de metade do público, ela só não esqueceu que educação e profissionalismo não envelhecem com o tempo. Pelo contrário, eles amadurecem. E é de sua própria maturidade que vem grande parte do respeito de empresários, artistas e público. E nos faz pensar: o gigantismo de Condessa Mireille Blanche está na personalidade. Principalmente.

PERSONAGEM DA SEMANA: Paula Roberta, a empresária estratégica

Postado em (Personagem da Semana) por admin em 04-12-2008

Poucas são as pessoas que podem ser descritas, pessoal e profissionalmente falando, em apenas uma palavra. O nome dela é Paula Roberta Bessa, ou simplesmente Paula Roberta. Um nome forte, que personifica a fortaleza de caráter e glorifica a rigidez com que leva (sempre adiante) seu trabalho. Forte é uma palavra que a caracteriza, mas ainda é incompleta para descrevê-la.

Mulher de fibra ou fibra em forma de mulher? A dúvida mexe com o emocional e o intelecto até de quem convive diariamente com ela. Paula Roberta é a principal base de sustentação dos cinco anos de sucesso da marca Monah Monteiro. Falo de marca porque há muito “Monah Monteiro” se transformou num sinônimo de sucesso e prestígio. Foi também Monah, a pessoa, a quem Paula namorou por quase dois anos. Por que acabou? “Porque nada na vida é para sempre, nem o amor”.

Quando começou, o amor foi digno do mais romântico dos roteiros cinematográficos. Iniciado durante um passeio de barco, tendo como cenário a linda Canoa Quebrada, Paula Roberta e Monah Monteiro formaram um lindo casal enquanto durou o relacionamento. Começaram o trabalho de promoção de festas juntas, nos eventos do Gayto, no Porto das Dunas (2003) e se mantém juntas até hoje, gerenciando e promovendo a ME3T Music & Lounge, a mais moderninha boate de Fortaleza. À inevitável pergunta sobre como conseguiram manter a sociedade após o término do relacionamento, Paula Roberta foi enfática: “Difícil foi, não tenha dúvidas, mas mantive a sociedade pelo amor que tenho por Monah. Vi que ela precisava de mim”.

Insistimos: por que continuar com Monah Monteiro? “Porque a Monah une quatro coisas que acho muito importante num profissional: competência, garra, carisma e honestidade. Não que os demais promoters não tenham, mas é isso que me impressiona na Monah”. Foi por aproveitar o carisma da ex que ela se consolidou como gerenciadora. Paula Roberta é descrita por muitos como o cérebro, e Monah o coração. “Não é bem assim. Eu e Monah somos sócias e discutimos tudo dos eventos. É claro que ela tem mais carisma, mas tudo nosso é dividido. Eu também opino nas festas e nós constantemente divergimos sobre idéias para eventos”. A divergência neste caso, garante, é altamente positiva. “Já houve casos que implementamos uma idéia da Monah numa festa que deu certo, mas eu não acreditava. E houve casos também em que eu assumi a responsabilidade, mesmo sendo contra o gosto dela, e acertamos juntas”.

O fato de bater em cima do nome de Monah Monteiro numa matéria sobre Paula Roberta mostra o quanto as duas profissionais se completam. Até no momento de nossa entrevista, as duas estavam juntas, lado a lado, uma ouvindo a outra, mas com poucas interrupções. As duas, além de sócias, formam o mais racional grupo empresarial do mercado mix cearense. Paula Roberta é empreendedora, embora esta palavra sozinha ainda não a descreva por completo.

Enquanto conversávamos na tarde de ontem (quarta), uma boate gls anunciava o término de seus trabalhos no espaço onde funcionou por mais de um ano. Monah Monteiro e Paula Roberta assumirão, muito em breve, um novo trabalho na rua Dragão do Mar, 218, bem ao lado da Donna Santa. Algo a declarar? “Não. Primeiro não posso falar porque não fechamos nada ainda; segundo porque não quero dar mídia; terceiro, porque o caso corre na Justiça, e não quero falar nada que possa me comprometer”, diz ela. É provavelmente para fechar contrato que Paula Roberta embarca neste final de semana para São Paulo, numa viagem a negócios. “Cancelei a comemoração do meu aniversário – que ocorreria no sábado (06/12), na ME3T – por causa desta viagem”.

Formada em Direito, além de sócia da ME3T, Paula Roberta também dá consultoria jurídica a empresas. “Recentemente passei num concurso para trabalhar numa grande multinacional, mas tive de recusar porque eles exigiam trabalho no sábado”. Sexta e sábado são os dias de funcionamento da boate, mas a ME3T exige diariamente das duas sócias. “Fazemos reunião semanalmente para definir os projetos e as festas posteriores da boate”. Paula faz isso ao lado de Monah Monteiro, a promoter, e Thalles Walker, o relações-públicas, a quem não cansa de elogiar.

Paula Roberta foi escolhida a Personagem da Semana pela passagem da festa “Os 7 Pecados Capitais”, ocorrida no último sábado (29/11), numa boate nas proximidades do Beach Park. “A 7 pecados é a festa da qual mais nos orgulhamos”, informa. A idéia para a festa veio da própria Paula. Como assim? “Nasceu da idéia, de uma simples idéia. Veio do nada, falei para a Monah, ela adorou e a partir daí começamos a dar corpo à idéia”. A idéia à qual Paula se refere é à criatividade, que muitas vezes vem sem qualquer motivo e que chega de repente. Criativa ela também é, e muito.

Mulher de poucas palavras e de grandes ações. Você se acha tímida? “Não”. Está nervosa? “Não”. Preocupada? “Não, não”. Paula Roberta tem uma incrível capacidade de comunicação direta, sem rodeios. Sua formação é da área jurídica, mas mostra-se profunda conhecedora na área do marketing: mesmo quando instigada a fazer uma auto-crítica, Paula brilhantemente encontra parâmetros que desarmam o curioso entrevistador. Qual a festa da qual você menos gostou? “Festa do Aguenta, a que foi cancelada”. Falando como público, o que você mudaria na ME3T? “Nós constantemente fazemos essa auto-crítica. Não se trata em saber o que mudar, mas manter o que é bom e o que tem de ser levado adiante”.

Qual a sua convivência com os demais profissionais da noite? “Admiro muito o trabalho dos faxineiros e dos seguranças, que deixam tudo limpinho e garantem a segurança de nosso público. Eles ficam na boate enquanto nós estamos em casa”. E sobre os promoters? “Alguns nós admiramos, outros nós admiramos e respeitamos, já de outros nós não achamos absolutamente nada”. Direta. Paula Roberta é bem direta e sucinta.

Você se acha uma pessoa fria, no sentido positivo da palavra? “Não”. E racional? “Sim”. Arrepende-se de algo? “Não”. Por quê? “Você assistiu ao filme Efeito Borboleta? Eu também acredito que tudo na vida acontece porque tem de acontecer”. Se pudesse voltar atrás, mudaria algo? “Nada, faria tudo novamente”. Paula Roberta foi responsável pelo primeiro trabalho de artistas que hoje despontam no mercado mix cearense. Foi ela a primeira a contratar Rafaella Manville para uma festa gls, em 2006, e dar as primeiras oportunidades para DJs recém-profissionalizados à época, como Diego Baez, Juh Veras e Renata D!B, hoje consolidados no mercado e conhecidos pela excelente qualidade no trabalho que cada um desempenha. “Não me arrependo de dar oportunidade a ninguém porque se eles estão até hoje no mercado é porque merecem e têm qualidade. Quem não faz um bom trabalho sai do mercado”, obviamente.

É mais fácil ser empresária da noite hoje ou cinco anos atrás? “(pensando…) Cinco anos atrás. Não, quer dizer, hoje (risos). Hoje está mais fácil porque as pessoas têm o direito de escolher para onde ir. Hoje temos boates para todas as tribos, e cabe ao público escolher qual delas quer frequentar no dia”. Você consegue apontar qual o seu maior concorrente? “O maior concorrente de qualquer casa, seja ela gls ou não, são os seus próprios defeitos”. O que é mais difícil realizar: uma festa-fora por mês ou uma por semana num ambiente fixo? “Uma por semana num ambiente fixo, com certeza. A cada dia de funcionamento você tem de fazer uma coisa diferente, tem de mostrar um diferencial ao seu cliente. E isso consome muito”.

Paula é também aberta a críticas, garante. “O cliente que nós mais respeitamos é aquele que critica. Aquele que chega, dá uma sugestão. Muitas vezes chego para um novo cliente da ME3T, abro um sorriso e pergunto se é a primeira vez que ele está ali”. Você consegue se divertir numa festa sua? “Com certeza, totalmente”. Como? “Porque eu amo o que faço. É claro que me preocupo com o andamento da festa, mas há uma determinada hora que nada mais mexe comigo. A partir de uma certa hora, eu relaxo e consigo aproveitar perfeitamente a noite com minha namorada, meus amigos e os nossos clientes”. A atual namorada tem ciúmes de Monah Monteiro? “Não”. Fizemos a mesma pergunta a Monah, que respondeu com um sorriso.

Por que não incluir o nome Paula Roberta como promoter? “Porque tenho de cuidar das coisas que a Monah produz, e não sinto necessidade de me expor assim. A Monah tem um carisma incrível. Até quando ela briga, ninguém consegue ficar com raiva. Ela tem um jeito meigo, um carisma que nunca vi igual”. Sobre a cansativa rotina, Paula não reclama. “O sucesso de uma festa é baseado em 50% de intuição e 50% de força de vontade para dar ao público 100% de diversão”. Ainda sobre a 7 pecados, Paula afirma que é a sua festa preferida. “Quando fechamos tudo no domingo, já estávamos planejando o que vamos fazer no próximo ano. A 7 Pecados é pensada durante meses, e está aí o sucesso da festa”. A mais recente edição do evento contou com um absurdo público de “mais de 2.200 pessoas”, segundo Paula Roberta. “É a maior festa mix do Nordeste. Vem gente de todos os estados”, orgulhosa-se. E completa: “A edição deste ano foi especial porque concorremos com outras grandes festas de peso. Uma super criativa e outra com bebida barata, além das cortesias”.

A questão de cortesias mexe com o semblante de Paula Roberta. Voltamos ao final de 2004, quando Fortaleza vivia uma crise na noite. Não bastasse a política do “abre-boate-fecha-boate”, as festas estavam entrando num vicioso e perigoso ciclo: só havia público grande (na época, era sucesso quando uma festa contava com 300 pessoas) às custas de muitas cortesias. “Vimos o básico: não há como fazer qualquer investimento dando cortesia numa festa. Afinal, nós não pagamos o cachê do DJ com cortesia, nós não trazemos a atração de São Paulo trocando por cortesia, nem pagamos a mídia através de cortesia. A bilheteria é a base de qualquer evento, e é necessário cobrar entrada”.

Em outubro, uma calorosa discussão movimentou o Mural do ZONAMIX. O tema: cortesia. A reclamação: “leitores” (alguns sugerem profissionais da noite se passando por leitores) reclamavam do número de cortesias que o concorrente distribuía (ou continua a distribuir). Sobre o assunto, é enfática: “Alguns que reclamam, no passado já deram muito; outros reclamam e continuam a dar cortesia até hoje. Talvez você não saiba de quem eu tô falando [referindo-se a Thiago Marinho], mas o João Paulo sabe”. Seria Paula Roberta polêmica ou sincera? Ou os dois?

Não é exatamente promovendo festas que Paula Roberta planeja seu futuro. “Penso sim em um dia acabar a minha parceria com a Monah”. Vai promover festas também? “Pode ser, ou não. Quero seguir minha carreira jurídica”. E completa: “Farei isso quando sentir que a Monah tem como levar este trabalho sozinha. No momento, ela ainda precisa de mim”. Por quê? “Sinto que falta à Monah disciplina. Ela precisa organizar melhor seus hábitos. Não tem horário para nada”, fato que verifiquei ao ficar até 3:30h da madrugada papeando com a promoter ontem. Ao solicitar as fotos que Paula havia prometido me enviar, Monah solta: “A Paula já deve estar no décimo sono”. Apesar de acordar cedo e manter hábitos diurnos, Paula brinca: “Durante o dia meu humor é diferente. À noite sou mais aberta a conversas, a realizar grandes negociações”.

Talvez nenhuma palavra acima resuma Paula Roberta tão bem quanto estratégica. Prestes a assumir o comando de uma segunda boate, desta vez na região da Praia de Iracema, ela abusa da estratégia de mercado e usa da inteligência como sua arma mais valiosa. Ciente das barreiras de relacionamento profissional a ser enfrentadas, a empresária embasbacou até o mais frio dos críticos, fazendo uma genial negociação que pode mudar, para sempre, os rumos do mercado mix cearense.

Sucinta, direta, forte, mulher de fibra, sincera, algumas vezes polêmica, mas sempre a geniais e inteligentes passos, Paula Roberta corre não para ser a monopolizadora, mas a mais estratégica de todos os profissionais na atualidade. Você, assim como nós, ainda vai se surpreender com alguma estratégia dela. Basta esperar.

PERSONAGEM DA SEMANA: Orlaneudo Lima convive com AIDS há 20 anos

Postado em (Personagem da Semana) por admin em 27-11-2008

Um personagem, dois exemplos. Um exemplo a ser evitado; outro a ser seguido. Milhões de infectados no mundo, milhões de mortos até hoje e – infelizmente – milhões também serão as mortes causadas pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV), causador da AIDS, no futuro. A doença que começou como “peste gay”, logo se tornou ironicamente democrática: acomete homo e heterossexuais, sejam eles crianças, jovens ou idosos. Do travesti ao executivo de uma grande multinacional da área de saúde, ninguém está a salvo do HIV. A boa notícia: há métodos que podem evitar o contágio, que pode ser feito através de transfusão sanguínea, troca de seringas, da mãe para o filho e, principalmente, através do contato sexual sem preservativo.

Soropositivo há 20 anos, Orlaneudo Lima recebeu a equipe do ZONAMIX para uma franca e emocionante entrevista. Seguramente a mais difícil até hoje. Seguramente, a mais incrível de nossos sete anos de trabalho com web-mídia. De longe, a mais curiosa. Também de longe, a mais temida, a de maior repercussão interna. Enquanto ouvíamos as sinceras palavras de Orlaneudo, nossa equipe chegou a se emocionar. Não deixamos transparecer, mas a neutralidade emocional pela qual deve ser guiada uma entrevista foi deixada de lado. Ali, estávamos em frente a dois exemplos: o de ser evitado (“usem camisinha, meninos!”) e o exemplo a ser admirado. A fortaleza física e psicológica de Orlaneudo o fez enfrentar a AIDS com militância, estudo e garra.

Em 1986, recém-saído do município de Milhã (cerca de 400km distante de Fortaleza), Orlaneudo chegou à capital cearense para estudar. Até então nunca havia tido um contato sexual, embora já existisse desejo, com um homem. Concluindo o 2º grau (hoje, Ensino Médio), conheceu um dentista colombiano num ponto de ônibus, com quem passou rápidos dois meses. “Descobri que ele tinha outro caso. Saí da casa dele no mesmo dia”.

Tempos depois, através de amigos, Orlaneudo soube que o dentista colombiano estava na fase terminal da AIDS, já internado num hospital. Até então ele não havia sentido qualquer sintoma do vírus em seu organismo.

Depois de concluir os estudos, Orlaneudo Lima passou a trabalhar em uma antiga loja de departamento. O emprego foi arranjado por sua irmã, que já morava em Fortaleza. Foi na própria loja que começou a sentir os primeiros problemas de saúde, em 1989. “Procurei a médica da empresa, que me diagnosticou rubéola. Ela me mandou ficar em casa e me prescreveu alguns remédios”. Passados alguns meses, os sintomas não desapareciam.

“Eu pouco tinha ouvido falar em Aids. Mesmo assim me abri com ela e contei sobre minha vida sexual. Foi aí que ela solicitou alguns exames e no meio destes estava o exame de HIV”, conta. Na época, além da AIDS ser uma doença recém-descoberta, o preconceito era notório quando foi intitulada de “peste gay”, pois acometia homossexuais em sua maioria. O teste para a detecção do vírus demorava 20 dias. Passado o período, Orlaneudo recebeu uma ligação da médica: “Precisamos refazer aquele exame”. E assim ele o fez.

Ao receber o resultado, brinca: “Só aí vi que era o exame de HIV e nele constava soro-reagente. Fiquei muito feliz, pois a minha falta de informação era tão grande que eu pensava que estava tudo normal por ser reagente”. Passada a ingenuidade, Orlaneudo viu-se diante de um dilema. “Minha família toda foi avisada de imediato. A médica me deu 6 meses de vida. Emociona-me a lembrança deste dia. Minha mãe olhou para mim e disse que seriam seis meses intensos”.

Ao ser encaminhado ao Hospital São José, referência no tratamento de doenças infecciosas em Fortaleza, Orlaneudo conta que entrou em desespero. Foi aí que ele sentiu o grave problema a que estava exposto. “Saí chorando, sem rumo, em direção à empresa em que eu trabalhava. Ao chegar lá, só ouvia os comentários. De repente, minha chefe chegou para mim e disse que eu deveria ir para casa. Eu fiquei mais nervoso ainda. Ela falou que meu caso era sério e que eu não poderia ficar na empresa, no meio das pessoas. Informou ainda que o dono da empresa havia dito que eu poderia ficar em casa e mandar alguém da família pegar meu salário no final do mês”.

A época da descoberta do vírus coincidiu com o término de um relacionamento de seis meses com um garoto. “Depois de saber o resultado do exame, procurei por ele”. A conversa foi intensa e Orlaneudo foi até ameaçado. “Tempos depois, ele veio me pedir desculpas. Fez o exame e o resultado foi negativo. Fiquei muito feliz por ele”, conta emocionado. A situação do ex-namorado era preocupante até então. Nas relações que eles tiveram, o garoto foi passivo. A região anal é intensamente vascularizada (cheia de vasos sanguíneos), e a probabilidade de infecção por qualquer DST (Doença Sexualmente Transmissível) é até 11 vezes maior que por via vaginal. “Graças a Deus, até hoje nunca passei o vírus para ninguém, nem me reinfectei”, comemora Orlaneudo.

Bastante abrangentes, os estudos sobre DSTs são lecionados em escolas públicas e particulares na atualidade. Síndrome da ImunoDeficiência Adiquirida, a AIDS é uma doença que vem a ser causada pelo agravamento do quadro clínico do portador do vírus HIV. Até mesmo os pacientes soropositos devem manter relações sexuais com preservativo. Extremamente mutante, o HIV age diretamente nas células de defesa do organismo, as mesmas que seriam responsáveis pela sua cura. Com o organismo desprotegido, instala-se um perigoso quadro: qualquer doença, até mesmo uma simples gripe, pode levar um paciente ao óbito.

Levou quase dois anos para que ele assumisse socialmente a AIDS. Era início da década de 1990 quando um amigo convidou Orlaneudo a conhecer o GRAB (Grupo de Resistência Asa Branca), instituição social que luta pela defesa dos direitos dos homossexuais. “Naquela época o GRAB trabalhava mais com as questões da homofobia. Com a passagem do tempo, a AIDS foi se tornando uma epidemia e vimos a necessidade de nos engajarmos também nesta luta”. O primeiro presidente do GRAB soropositivo assumido foi Alan Gomes, que criou o primeiro grupo de acometidos pelo vírus, do qual Orlaneudo fez parte. Depois de outros presidentes, quem chegou ao comando do GRAB foi o próprio Orlaneudo Lima, que presidiu a instituição até meados de 2007.

Um dos mais respeitados e conceituados militantes da causa gay no país, Orlaneudo Lima é referência nacional ao lado de Luís Mott, presidente do GGB (Grupo Gay da Bahia) e de Toni Reis, da ABGLT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais). Foi responsável pela realização de todas as nove edições da Parada pela Diversidade Sexual no Ceará, a nossa Parada Gay, que neste ano reuniu 800 mil pessoas na Av. Beira-Mar. Atualmente, Orlaneudo faz parte do secretariado da Prefeita Luizianne Lins, chefiando a Coordenadoria pela Diversidade Sexual, que trata das causas dos homossexuais.

Sua fala é doce e carinhosa. Orlaneudo gosta de entrar a fundo no assunto, experiência que adquiriu em 20 anos de militância, com inúmeras participações em debates e programas de TV. Fala sem qualquer constrangimento sobre AIDS e seu contágio. O Brasil é referência mundial em tratamento de soropositivos, e ele muito tem elogiado as ações dos governos. Conta ainda que sua última internação aconteceu em 1997, quando pensou que fosse morrer. Seu atual quadro de saúde é um tanto satisfatório. “A cada três meses nós fazemos exames para contagem de linfócitos. Minha atual carga viral está baixa, e hoje tenho uma probabilidade pequena de infecção”.

A curiosidade nos permitiu uma pergunta indiscreta: como é a vida sexual de um portador do HIV? “As pessoas acham que a melhor coisa a fazer é a abstinência sexual. Não é. O portador do vírus HIV deve fazer sexo e tem de se proteger também, e o uso da camisinha é imprescindível até em relações homoafetivas duradouras”. Orlaneudo conta que já namorou e teve relação sexual com vários soronegativos, “o que caracteriza uma relação sorodiscordante”, como ele conclui. “Uma vez um rapaz me agradeceu e disse que se não fosse eu, ele com certeza estaria infectado”. Ele refere-se ao fato de colocar o uso da camisinha como algo fundamental no sexo, independentemente de com quem seja.

Orlaneudo, contudo, afirma que poucos foram os momentos abertos de preconceito por que passou. Sua condição de militante e presidente do GRAB pode tê-lo blindado de situações constrangedoras. “Mas já passei por momentos delicados. Namorava um rapaz e os amigos ficavam colocando coisas na cabeça dele, dizendo que eu tenho HIV. Certa vez cheguei para um deles e perguntei se ele já havia feito o exame”. Ele conta que o amigo de seu ex-namorado esquivou-se, negou que tivesse feito isso. “Em todo esse tempo, já vi muita gente que me apontava morrer com AIDS. E aqui estou eu, graças a Deus”.

Ele também se mostra contente com as últimas informações publicadas na imprensa sobre os estudos para o tratamento da AIDS. No flanelógrafo do GRAB, uma página impressa destoa das outras: “Paciente é curado de AIDS depois de passar por transplante de medula” era o título. Orlaneudo mostra-se animado com os recentes estudos, mas não acredita numa possível cura imediata da doença. “Não sei se vou pegar a cura da AIDS, mas acredito nela sim”.

Aos 41 anos de idade, (“costumo brincar que quase a maior parte da minha vida já passei portando o vírus HIV”), Orlaneudo foi percebendo que a luta contra a AIDS não é só dos pacientes soropositivos, mas de todos os cidadãos do mundo. “Ao longo dos anos, muitas transformações ocorreram na minha vida, mesmo vivendo com HIV. Com a consciência de que não sou melhor nem pior do que ninguém, consegui voltar a estudar, concluir a universidade e hoje estou cursando Especialização em Gestão Hospitalar”. Seu grande objetivo é trabalhar num grande hospital, ajudando na área de doenças infecto-contagiosas.

Em um artigo nos enviado por e-mail, relatando sua experiência, Orlaneudo Lima conclui: “Na luta contra a AIDS, acho que é fundamental a conscientização das pessoas com relação à transmissão do HIV. Isto não só por responsabilidade daqueles que têm o HIV, mas também por todos, porque hoje há milhares de pessoas infectadas com HIV no Brasil que ainda não sabem do diagnóstico”. Orlaneudo fala em 1 paciente em tratamento para cada 4 infectados sem saber, um número assustador.

Segundo dados do Governo Federal, mais de 46 milhões de pessoas estão infectadas pelo HIV. Dois terços delas, somente no continente africano, onde há países com até um quarto da população infectada. “Sei que vou viver muitos anos ainda e toda essa sobrevida é por ter mergulhado na história da Aids, ter uma família maravilhosa que compreende toda esta questão, ter amigos que estiveram e estão sempre comigo e por ter tido grandes amores que passaram e que estão na minha vida. Viva a vida!”.

O ZONAMIX homenageia os milhares de conhecidos e amigos que já foram infectados. Levamos a nossa solidariedade pela chegada do Dia Mundial de Combate à AIDS, lembrado na próxima segunda-feira, 1º/12. Com este Personagem da Semana, trazemos uma história de sucesso no tratamento em meio às inúmeras notícias negativas. Orlaneudo Lima deve ser seguido como um exemplar caso de superação, mas grande parte de seu sofrimento teria sido evitado com o uso de preservativo.

Hoje temos bem mais acesso à educação e informações sobre a doença, coisa que Orlaneudo não teve vinte anos atrás. Hoje temos acesso a um coquetel de medicamentos fortes, com severos efeitos colaterais. Hoje temos acesso a inúmeras formas de evitar o contágio. Usando camisinha e bom senso, todos nós evitaremos de ser, amanhã, mais um número nesta arrepiante estatística. A vida vale muito. E é como lembra Orlaneudo Lima: “Viva a vida!”. Use camisinha!

PERSONAGEM DA SEMANA: Andréa Rosati

Postado em (Personagem da Semana) por admin em 20-11-2008

Poucas pessoas dentro do meio mix têm a experiência e a competência política de Andréa Rosati, 25 anos, natural de Palmácia (a 70km de Fortaleza), caçula de uma família de 11 irmãos (8 mulheres, 2 homens e 1 trans). Transexual assumida, Andréa nasceu André, mas por pura ironia da natureza: “Sempre fui uma criança meiga, com traços femininos. Sempre fui pintosa”, brinca.

Andréa diz que sempre gostou de política e seu primeiro contato com a militância foi na 6ª série, quando reuniu seus amigos para a formação do primeiro grêmio de sua escola. “Nosso grupo era conhecido como a chapa dos viados”, conta rindo. Embora vivendo em uma cidade de interior e com fortes trejeitos femininos, Andréa afirma que nunca sofreu muito com preconceito. “Minha mãe era a segunda mulher do município. Era muito apegada ao padre, e isso fazia com que as pessoas de lá me respeitassem muito”, afirma.

Foi numa noite calourenta de terça-feira que a equipe do ZONAMIX chegou a um flat na Av. Abolição, com vista para a Beira-Mar, cartão postal da capital cearense. Andréa já nos esperava na recepção. Lia jornal e quando nos aproximamos, não deixou seu velho costume de falar sobre política: “tô lendo aqui as coisas do PSDB. Esse povo…”. Filiada ao Partido dos Trabalhadores (PT) desde os dezesseis anos (“assim que tirei meu título de eleitor, me filiei ao PT”), Rosati atualmente trabalha no Governo do Estado do Ceará, onde faz a coordenação multi-secretaria de políticas públicas voltadas aos direitos de homossexuais. “Tenho contato direto com o secretariado do governador Cid Gomes. Falo com o Secretário de Segurança a qualquer hora que queira”.

Andréa Rosati é uma franco-articuladora dentro do poder cearense. Nos preparativos para a Parada Gay deste ano, em junho, organizou um café-da-manhã entre militantes e alguns secretários do Governo. Foi também convidada a sentar-se à mesa, ao lado de vereadores e até da Prefeita, quando do lançamento da Frente Parlamentar pela Livre Expressão Sexual (releia aqui), da Câmara Municipal de Fortaleza, em 2007. Na ocasião, coube a Rosati a representação do Governo do Estado, fato que a deixa orgulhosa. Sua mais recente articulação política resulta da homenagem que a ATRAC (Associação das Travestis do Ceará) receberá amanhã (sexta, 21/11/2008), a partir das 15h, no Plenário 13 de Maio, na Assembléia Legislativa. Em comemoração aos sete anos da associação, estarão lá representantes e militantes das principais correntes políticas e sociais em defesa da diversidade sexual.

A homenagem da ATRAC foi o principal gancho para nossa matéria. Queríamos pegar uma travesti (embora Andréa descreva-se como transexual) e alguém que fosse ligado diretamente a militância. Ninguém (seja ele(a) travesti, transexual, gay, lésbica ou afim) é mais indicado que Andréa Rosati. Seja pelo seu trabalho dentro do poder, seja sua luta incessante fora do poder, na voz das ruas, nos microfones das palestras, nos discursos em cima de um trio elétrico.

Por trás de uma “mulher” forte e autêntica, há uma doce carcaça quando o assunto é pessoal. Rosati mostra-se visivelmente constrangida quando indagada sobre assuntos íntimos, como paquera e, fundamentalmente, sexo. Embora responda a todas as perguntas como todo político que tenha o dom da oratória, optamos por não publicar determinados assuntos.

“Adoro festas. Costumo sair muito para forrós e barzinhos”. Rola paquera? “Ooooh, se rola!”. Os homens te confundem como mulher? “Eu me acho mulher. Alguns confundem sim, mas faço questão de avisar logo. Não engano a ninguém”. Andréa avisa também que, muito em breve, deve tornar-se mais feminina (pelo menos parcialmente) pelo método cirúrgico. “Estou na fila do SUS para a mudança de sexo”. Rosati tem passado por uma série de terapias com psicólogos e diz estar mais do que na hora de assumir seu lado psicológico também no físico. “Mas as pessoas têm de entender que não é uma mudança de sexo assim. Não é porque vou tirar uma parte de mim que me transformarei em mulher”. Volta ao seu lado político quando fala em números: “Há 20 pessoas aqui no Ceará inscritas neste programa. Só estamos esperando uma resposta do Ministério da Saúde para sabermos onde será nossa operação. No Nordeste, nenhum hospital está adequado a esse tipo de procedimento”.

Andréa é também conhecida do público mix. Embora em menor frequencia, ela também costuma ir a festas gls. Os concursos de beleza são seus favoritos. Andréa Rosati foi escolhida Miss Gay Simpatia, no Garota G, em 2006. Era com a faixa que passou longo tempo desfilando na Divine e na Donna Santa, boates preferidas das trans. Mas explica o porquê da preferência por forró: “Nas festas gls eu não sou tão paquerada”. Sai a política Rosati, entra a pessoa Andréa.

Sempre sorridente e atenciosa com as pessoas, Andréa Rosati é enfática quando diz que sente “mais dificuldade em cuidar das coisas do coração” que falar sobre política. “Luto para que os gays tenham os mesmos direitos que os heterossexuais”. Essa luta é diária. “Uma vez estava num supermercado e vi uns funcionários zombando de uma gayzinha pintosa. Fui lá e perguntei porque eles faziam aquilo. Debati e debato sempre”. Embora com mente e (agora) corpo de mulher, qual a característica masculina que nunca saiu dela? “Eu sou uma pessoa muito centrada com minhas idéias. Se acho uma coisa, vou até o fim. E também me considero radical, porque sou muito rígida com minhas ideologias”. Andréa não se julga briguenta, mas diz que gosta de lutar pelos direitos humanos. “Sou radical na luta pela liberdade”, define-se.

Ela também nunca escondeu sua vontade de tornar-se “a vereadora mais votada de Fortaleza”. Embora tenha tido uma ótima chance de tentar sua primeira eleição majoritária neste ano, Andréa julgou que não era o momento ideal. Conversei com o partido, e vimos que ainda estava cedo. “Minha candidatura foi lançada pela Luizianne Lins, prefeita. No dia da convenção do partido, eu estava lá como candidata. Só não me registrei no TSE”. Conversamos também sobre candidatos homossexuais que usaram o programa de TV de uma forma, digamos, circense. “Sou totalmente contra o gay que vai na TV para fazer política de forma caricata. Política é coisa séria e deve ser tratada com seriedade”. A candidata homossexual assumida e com plataforma gls como principal tema da companha com mais votos (2.609) foi Mitchelle Meire (relembre aqui a votação dos principais candidatos gays). Andréa afirmou ter apoiado outro candidato do PT, “que saiu eleito, com ótima votação”. Pode dizer quem foi? “Guilherme”, o terceiro mais votado.

Com um aguerrida militância na voz e um profundo trabalho a favor dos direitos da diversidade, era natural esperar um apoio a Mitchelle Meire, não? “Não… no PT há grupos diferentes dentro do mesmo partido. E como falei, me considero radical, sigo sempre os meus princípios”. Andréa é do mesmo grupo de Guilherme, sobre quem fala com profundo respeito e admiração.

Em pouco mais de uma hora de conversa agradável, Andréa Rosati demonstrou estar afinada no discurso da defesa dos direitos homossexuais. Lembrou ser a única a fazer a ponte entre gays e o poder público na atualidade, com articulações envolvendo Prefeitura e Governo do Estado. Mostra-se bastante respeitosa quando fala ao ZONAMIX, mídia que aproveita para elogiar sempre que tem oportunidade. De Andréa, além do carinho sempre presente, recebemos convites e informações diretas da política, dando conta principalmente de avanços para a causa gay.

A ATRAC é a homenageada da semana na Casa dos deputados, mas a Personagem da Semana é Andréa Rosati, a forte representante de gays, lésbicas, transexuais, transgêneros, bissexuais, heterossexuais e até dos assexuados. Como ela mesma se define, a radical defensora da liberdade.

PERSONAGEM DA SEMANA: Boate Donna Santa, 2 anos

Postado em (Personagem da Semana) por admin em 13-11-2008

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por João Paulo Magalhães

Por trás do Personagem desta semana, há quatro competentes, experientes e visados profissionais. Dois heterossexuais e dois homossexuais. Um empresário extrovertido, brincalhão; outro mais pensativo, que passa seriedade no olhar e na voz. Ambos de muito sucesso, amigos há décadas e sócios em outros negócios. Do outro lado, um promoter tagarela (mal me deixava fazer perguntas) e uma promoter recatada, chique. Aos nomes: Júnior Cohen e Paulo Gurgel, os sócios; Leco Lima e Carol Feitosa, os promoters. A personagem dos últimos dois anos: Boate Donna Santa.

Mas de onde surgiu este estranho nome? “Queríamos um nome diferente de todos os que já existiram e principalmente que não viesse acompanhado de apelidos, como ThorMento [como era chamada a antiga boate Thor], nem ultralonge [ultralounge]. Tiramos Dona Santa de uma tradicional grife de Recife. E acrescentamos um “n” ao nome”, explica Leco Lima, o promoter falante.

Chegamos à boate por volta das 16:45h desta quarta (12/11). Armamos as cadeiras e uma mesa na área externa e começamos a explicar nossa matéria. Informamos que faríamos perguntas aos empresários e promoters. Em alguns casos, as perguntas eram as mesmas. Paulo Gurgel (ao lado, de camisa vermelha listrada), de ante-mão, disse que ficaria ouvindo e deixaria as explicações para Júnior Cohen. “Ele é quem cuida dessa parte social”. Ao longo das quase três horas de conversas (por muitos momentos esquecemos a entrevista e conversávamos como amigos e parceiros de longas datas). Um fato nos impressionou: retraído no começo, foi Paulo quem mais falou (ao lado de quem, adivinha?!). Deixou a timidez de lado, encarnou o empresário satisfeito com o trabalho (dele e dos empregados) e nos deu excelentes declarações.

Paulo e Júnior se conheceram há bastante tempo. Cearense e maranhense, respectivamente, os amigos e sócios são parceiros em diversos outros ramos: contamos quatro empresas. E têm outros projetos visando o público mix, além da Donna Santa. “Se chegasse alguém me chamando pra entrar num projeto hetero, confesso que não entraria”. Por que? “O hetero é de modismo, enquanto que o gay é mais fiel. Nunca vi um público para se divertir tanto quanto o gay”. Paulo também diz que, embora heterossexual, sentiu um pouquinho do preconceito quando informou à família sobre a Donna Santa: “Minha família fez uma reunião para me ´abrir os olhos´. Hoje, eles adoram isso aqui. Minha mãe veio algumas semanas atrás. Saiu elogiando muito. Meu irmão veio na inauguração da boate, em 2006. Saiu muito satisfeito”.

Enquanto o tímido falava, o extrovertido brincava. “É engraçado que quando tô hoje com os meus amigos, eu fico dando pinta, dizendo as gírias de gays. Eles olham pra mim e dizem: ´macho, tu tá virando gay?´”, conta Cohen, dando risadas. “Quando novinho eu era daqueles que brincava os gays na rua. Claro que me arrependo, mas é porque sou brincalhão mesmo”. Humpf!

Foi de Junior a idéia de abrir uma boate gay em Fortaleza. Proprietário da antiga boate Metalurgica (em Teresina) durante três anos, Junior Cohen se viu obrigado a fechar a casa por pura imposição pública. “Naquela época começou a vigorar o Projeto Boa Noite Teresina, em que boates e bares na cidade eram obrigados a funcionar somente até as 2h da manhã. Isso quebrou a boate. O gay gosta de chegar tarde e sair tarde também. Depois de três meses penando, resolvi fechar de vez”. Alguns dias depois, Junior recebeu a ligação de um amigo de Fortaleza, que informara ter achado um “ambiente maravilhoso” para uma boate gay, em pleno Dragão do Mar, o centro boêmio da capital cearense. Empresário de visão, conta que não hesitou. Veio no primeiro vôo, se reuniu com o amigo-sócio e fecharam negócio. “Pouco tempo depois esse meu amigo me informou que ia sair da sociedade porque tava ficando sem dinheiro. Ele estava investindo em um sexy-shop no centro. Fiquei apreensivo, mas daí me lembrei do Paulo. Ele de início ficou de pensar, mas quando viu as possibilidades do mercado, topou na hora”.

A Boate Donna Santa foi oficialmente inaugurada numa sexta-feira, 27 de outubro, em 2006. Mas seu projeto vem bem antes disso: “Passamos quase seis meses em reformas. Tivemos de mudar muita coisa nesse ambiente antes da inauguração. Trouxe muita coisa da minha boate em Teresina, mas a maioria da estrutura da Donna Santa nós compramos aqui”, diz Cohen. É ele também o mais enfático quando fala da parceria com Leco Lima e Carol Feitosa: “Doido, não é por nada, mas nós temos a melhor equipe de Fortaleza”.

Perguntamos também a Paulo sobre a que ele credita o sucesso da Donna Santa. E ele não titubeou: “claro que ao nosso trabalho, mas principalmente à afinidade que temos com Leco e Carol”. Afinidade esta que às vezes passa pelo carinho entre os quatro. Durante nossa conversa, não pensamos estar entre empregados e patrões. Estávamos entre empresários e promoters, duas funções que se complementam. No caso de Paulo e Junior e de Leco e Carol, são quatro profissionais que se completam. “Pra você ter idéia, o próprio Paulo faz sugestão de festa, de atrações”, informa Carol. Aos promoters perguntamos sobre como eles lidam com as cobranças dos proprietários e como contornam as discussões: “Nós não discutimos, acredita?”.

Sobre cobrança profissional, Leco Lima é mais enfático: “Passei os três primeiros meses da Donna Santa sem dormir”. Ele explica tamanha ansiedade e apreensão pelo fato da boate ter uma ampla estrutura, talvez uma das maiores que o mercado mix cearense já contou. “Temos estrutura para comportar 1.500 pessoas”. Quem conhece a boate, sabe que esse número tem aumentado mês a mês, e que a capacidade já está no limite.

Mas tamanha confiança assim é recente. Dois anos atrás, o mercado mix de Fortaleza vivia o final (feliz) da “época abre-boate-fecha-a-outra-boate”. Hoje, temos quatro grandes boates em pleno funcionamento, e todas com seu público. Mas é a Donna Santa que se destaca entre elas: “Enquanto 500 pessoas podem entupir uma outra boate, porque elas são mais compactas, na Donna Santa este público mal lota um, dos dois ambientes”, explica Leco, que ainda completa: “antes me chamavam de Leco-fecha-boate”. E ele credita o sucesso dos dois anos da boate ao trabalho “de todos”.

Uma curiosidade nos veio à mente: como os dois promoters fazem para dividir os trabalhos? “Na verdade, nós dividimos tudo, em todo dia de funcionamento da casa. Normalmente eu cuido mais das atrações (bandas de forró, por exemplo) e o Leco cuida da decoração, essas coisas”, informa Carol Feitosa.

Além de revolucionar a noite mix cearense trazendo um grande público a cada evento, a Donna Santa foi a primeira boate gay a abrir espaço ao tradicional ritmo de nosso estado, o forró. “Antes da boate abrir, eu ia muito a festas com meus amigos. A forrós, inclusive. E percebi que era grande a quantidade de gays que frequentavam aquele ambiente”, explica Leco. “A primeira vez que trouxemos forró para a Donna Santa foi um sucesso absoluto. Foi Karine Mittre e Forró Lenhada, mas já recebemos grandes bandas como Pollyana Mel, Forró Diferenciar e já temos agenda marcada para Forró Real na Donna Santa”. Forró Real? “Sim”. Uh!

O conceito de mix se aplica bastante ao trabalho da Donna Santa. “Tava lendo o Blog do Tiago e vi lá um comentário: ´na Donna Santa vi do empresário conceituado ao vendedor da Lobrás´”, brinca Leco. Todos na mesa riram. E Paulo completa: “Não fazemos distinção de público. Aqui, todos são bem vindos. Todos passam pelo mesmo caixa, entram pela mesma recepção aproveitam os mesmos ambientes”. Perguntei se há algum interesse em fazer um camarote vip na boate: “Nenhum. Não queremos isso. É óbvio que faremos muitas reformas em breve, e novos ambientes serão inaugurados, mas nada específico. Todo o público poderá aproveitar todos os nossos espaços, sem distinção qualquer“.

Sobre reformas, os empresários são cautelosos. “Temos, sim, planos. E alguns a curto prazo”. Em primeira-mão, Junior Cohen nos contou que já para este final de novembro está programado o lançamento do terceiro ambiente da casa, na parte de cima do dance. “Será um espaço sensual, dedicado à paquera”. “Devemos aumentar o tamanho de nossa boate também. Não sei se pra cima ou pros lados. Ou os dois”, informa, com poucas palavras, Paulo Gurgel. “Nossas reformas serão feitas durante o carnaval, porque é o único período que a Donna Santa fecha por 15 dias”. Sobre interesse em outros estabelecimentos mix, Gurgel informa que tem muita vontade de inaugurar uma barraca de praia. “Já tivemos esse projeto ainda no primeiro ano da Donna Santa, mas acabou não dando certo. Nossa idéia ainda persiste, mas queremos fazer um trabalho diferenciado, com ótima estrutura”.

Leco confessou ao ZONAMIX que há planos (um tanto que imediatos) de abrir a Donna Santa em outros dias. Atualmente a boate só funciona no sábado, e o interesse dos profissionais é explorar a estrutura da casa durante outros dias. Como sexta e domingo? “Quem sabe em outros dias também”. Perguntados sobre qual a promoção de maior sucesso da boate, Leco e Carol são incisivos: “Cardápio clonado (na compra de qualquer bebida do bar, o cliente ganha outra de graça), claro”. Nossos concorrentes já tentaram copiar, mas desistiram porque não conseguiram”. E como vocês conseguem? “É segredo”.

Sobre o momento atual do mercado, os empresários mostram-se altamente empolgados com as oportunidades de Fortaleza. “Não vamos abandonar esse público tão cedo. Pelo contrário, estamos só começando”. Paulo e Junior, quando perguntados sobre quem são os concorrentes da Donna Santa, não titubeiam: “Quem são nossos concorrentes? Nós mesmos”. Perguntamos sobre como eles lidam com os empregados. “Na festa de um ano da Donna Santa, quando todos os clientes saíram, mandei o Leco Lima pro bar e chamei todos os funcionários para a pista de dança. Ficaram todos dançando e nós servindo a eles. Alguns se emocionaram, pegaram o microfone, falaram que já haviam trabalhado em muitos locais, mas serem respeitados como humanos era a primeira vez”, orgulha-se Paulo. “Nós também temos muito carinho e respeito pelos nossos funcionários. Quando algum tá com problema financeiro, fazemos uma vaquinha por aqui e ajudamos a ele”, diz Júnior.

De fato, a equipe técnica e gerencial da Donna Santa é a mesma desde a inauguração. Os três DJs (Daniel de Paula, Doripan e Kacilla), os promoters (Leco Lima e Carol Feitosa) e o gerente (Carla, que foi embora para Teresina pouco tempos depois, e Isaque, o atual). “Tá vendo aquele nosso funcionário ali? Ele vem aqui porque gosta. Não havia necessidade de tá aqui hoje”, aponta Júnior. Reparamos que o funcionário se comunica livremente com eles, e até nos agradou trazendo uma bandeja com água.

O sucesso da Donna Santa não pode ser medido apenas em números. Várias foram as festas, são dois anos de muito trabalho e garra e há um desempenho altamente eficiente entre empresários e empregados. O verdadeiro sucesso da Donna Santa deve ser medido não só na felicidade da equipe, mas no sorriso do cliente, na paquera certa, naquele momento especial, que marcou. A Donna Santa é sucesso porque é democrática, é mix porque respeita o cliente e tem cliente porque proporciona uma noite agradável e de qualidade. Bem ao estilo dos gays, a Donna Santa surpreende.

PERSONAGEM DA SEMANA: Fernanda Meireles

Postado em (Personagem da Semana) por admin em 05-11-2008

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por Thiago Marinho

Fernanda Meireles era uma de nossa primeiras opções na lista de entrevistados para o Blog da Redação. A oportunidade sugiu quando, nesta semana, noticiamos o beijaço gay ocorrido na UECE. Ao jornal O Povo, ela escreveu um artigo, “que não entrou todo; só duas linhas [foram exibidas]“, e pode ser conferido, na íntegra, aqui. Sobre a matéria do jornal, Fernanda diz que concordou com (quase) tudo. “Só não gostei de o repórter ter se referido a mim como ´impedida de beijar uma mulher na casa de show´. Ficou deselegante. Era minha namorada e não qualquer mulher, assim como ´casa de show´ dá uma idéia meio vulgar do lugar”. Tudo bem!

Nosso objetivo foi alcançado na noite desta terça-feira (04.10), quando fui ao encontro da palestrante. Abramos um parêntese: Fernanda Meirelles é arte-educadora, formada em Letras (UECE), dá palestra sobre arte e cultura, além de ser talvez o maior nome feminino entre os fanzineiros de Fortaleza.

No dia anterior, ao ligar para Fernanda, senti em sua voz uma leveza e uma simpatia que me fez ter mais vontade de conhecer a profissional, e também um pouco de sua vida pessoal. Garanto a vocês: foi muito prazeiroso! Marcamos às 20 horas no Café e Livraria Lua Nova, localizado na avenida 13 de maio, do lado do Shopping Benfica. Um local muito agradável, onde funciona no térreo uma livraria e no 1° piso um aconchegante Café. A decoração é cult. Aliás, o ambiente passa um ar cult… Adoro!

Britanicamente, estava no horário e no local marcados. Ao chegar ao estabelecimento, Fernanda, com uma blusa branca básica e uma saia com estampas floridas e tênis, estava terminando suas falas no projeto “Literatura de Lua”, no qual, duas vezes por semana, ela convida um profissional ou um leitor comum (e explica: “essa é uma das grandes diferenças do projeto”) para discutir temas ligados à literatura, ao som de boa música e para um público bem atento e seleto. Entrei na sala e fiquei quietinho, observando tudo…

Meia hora depois, e após atender a todos os participantes, pudemos nos apresentar. Demostrando graciosidade e simpatia, Fernanda falou que conhecia nosso trabalho, e que tinha lido o último “Personagem da Semana”. Logo no começo da nossa conversa, indaguei sobre sua idade, e a mesma disparou, “Tenho 30 anos”. Mas nem parece…

Fernanda tem trejeitos de uma menina, mas quando abre a boca vira um mulherão, para garota nenhuma botar defeito. Comecei perguntando sobre homossexualidade. E nossa entrevistada não fez feio: “descobri a minha orientação sexual (lésbica) através de paixões platônicas no colégio, e em cartas trocadas durante alguns meses com uma menina gaúcha que também era fã de cinema”.

De cara, entrei na questão sobre o beijaço organizado por Fernanda em 2002, em um estabelecimento de entretenimento na Praia de Iracema. No mês de maio daquele ano, Fernanda Meireles foi com a namorada a um determinado estabelecimento (“diga que foi na Órbita mesmo. Até o Luiz Mott – presidente do Grupo Gay da Bahia – registrou esse fato e fica mais fácil pro povo se situar”) para ver o show da banda The Singles. Em um surto romântico, Fernanda deu um beijo em sua namorada. Neste momento, um segurança do local pediu que as duas parassem com ato, porque senão elas iriam ser obrigadas a se retirar. Após o show da The Singles, Fernanda pegou o microfone e explicou o ocorrido ao público presente. No outro final de semana, Fernanda organizou entre amigos e ativistas da comunidade LGBTT um movimento chamado de “beijaço”, em que pessoas do mesmo sexo se beijam para mostrar a sociedade que esse tipo de demostração afetiva é normal, independente da sua orientação sexual (“importante dizer que heterossexuais também participaram com igual entusiasmo”).

No dia do beijaço, pessoas fizeram uma concentração em frente ao Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura. Quando os proprietários se deram conta do que iria acontecer, trataram de fechar as portas, o que acabou por causar uma grande balbúrdia. “Às 23 horas, hora marcarda do beijaço, houve uma grande manifestação. Algumas pessoas conseguiram entrar e outras não, mas mesmo assim a movimentação aconteceu. Dentro e fora do estabelecimento o que se via eram pessoas com demostrações de carinho. A experiência valeu a pena. Em qualquer tipo de revolução, é preciso que haja o confronto”.

Mas a vida de Fernanda não se resume somente ao beijaço. Formada em Letras pela Universidade Estadual do Ceará – UECE, e com especialização em Arte-Educação pelo CEFET, hoje a profissional se desdobra em várias atividades, seja nas suas aulas que ministra no Centro Cultural Bom Jardim, equipamento ligado ao Governo do Estado, ou em seus projetos paralelos, como o “Literatura de Lua”, além da confecção de fanzines e postais. “Em dezembro estarei expondo novos postais que terão a temática do sono como ponto de partida. Eu (escrevendo) e Bob (desenhando) somos os autores, e formamos a dupla Supercordas”.

Em meio a várias indagações feitas durante a nossa conversa, Fernanda demostrou grande consciência do seu papel perante a sociedade, mas não se sente uma ativista. “Faço as minhas atividades normais, mas não me sinto uma ativista. Para mim, ativista é aquela pessoa que dedica boa parte do tempo na luta a favor dos direitos da comunidade gay, mas o foco do meu trabalho não é este. Trato a minha sexulidade de forma natural, no cotidiano e em público, e essa é minha forma preferida de militar”

Fernanda disse ser fã de Paradas Gays, em contraponto a alguns intelectuais que acham que esse tipo de movimentação política transformou-se grandes carnavais fora de época e perdeu o cunho político. “Adoro ir a Parada Gay e participar desse tipo de evento. Acho que é um momento onde pessoas diferentes em vários aspectos, não só de sexualidades, podem conviver de perto, incluindo família, paqueras, namorados e amigos. Só em isso acontecer, o evento já vale a pena!”.

Lésbica assumida, Fernanda, além de todas as funções, também é baixista. Em 1996, ela e duas amigas formaram o grupo “Devotchkas”, mas em virtude da escrita ser um pouco esquisita, mudaram o nome para “Alcalina”. O grupo, que teve várias formações, chegou ao fim em 2003, com o lançamento do CD e último show no CCBNB.

O CD foi feito, fruto da vendas de várias camisas da banda. “Precisávamos de dinheiro para a gravação do CD, e o que fizemos? Criamos em torno de 10 estampas, e marcamos alguns shows. Nessas apresentações vendíamos as camisas. Com o dinheiro completo, compramos um computador e gravamos o CD. Para fazer a produção final, vendemos o computador e fizemos 1.000 cópias. Ainda hoje tenho alguns CDs na minha casa…”. Prática e inteligente!

Quando o assunto é relacionamento familiar, Fernanda se derreteu toda, mostrando grande admiração por sua mãe. “Ela é uma mulher ninja, além de ser muito elegante e esclarecida. Quando ela soube, logo no começo, passamos por todas as fases, dificuldades e desencontros. Mas com o tempo, diálogo, convivência – inclusive conhecendo minhas namoradas – ela passou a encarar com naturalidade. A grande preocupação dela era o que de ruim poderia acontecer comigo devido ao preconceito alheio“. Falando em relacionamentos, Fernanda mandou um recado para as candidatas de plantão: “estou solteira!”, enfatiza.

Ao longo de nossa conversa, o que pude notar é que Fernanda, além de ser uma grande profissional, tem a palavra “naturalidade” como um dos pontos principais de sua vida, o que faz dela um grande exemplo de pessoa que conseguiu passar por cima de barreiras, inclusive as impostas pela sociedade. Mostra também que a hipocrisia social é um mal, e que demonstrações de afeto entre pessoas do mesmo sexo podem sim ser colocadas de forma bonita e natural, sem chocar nem agredir o próximo.

Fernanda Meireles é um dos grande ícones do Ceará em se tratando da livre aceitação da orientação sexual pela sociedade. Digna de uma grande personagem. Não só da semana, mas da sociedade. E que sirva de exemplo…

PERSONAGEM DA SEMANA: Dorivan (DJ)

Postado em (Personagem da Semana) por admin em 30-10-2008

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Não, não foi erro de digitação. O título está escrito corretamente: Dorivan. “Espera, mas ele não é o DJ da Donna Santa?”. Sim, é. “Então é Doripan”. Não. É Dorivan. Quem explica é o próprio: “Meu nome é Dorivan. O Doripan veio do período em que trabalhei na rádio Jovem Pan, em Teresina. Lá, todos os funcionários tinham um nome ligado à rádio. Aí me colocaram como DoriPAN“. E você gostou? “Nada contra, mas foi pegando, pegando… hoje a maioria das pessoas me chama de Doripan”.

O jovem Dorivan, 27 anos, já tem 11 deles como disk-jockey. Piauiense, de Teresina, mora em Fortaleza desde a inauguração da Donna Santa (27 de outubro de 2006). “Cheguei no dia da inauguração da boate. Foi uma loucura”, diz. Embora aparentemente calado, Dorivan é um tagarela quando perto de conhecidos. Brincalhão, ele faz o estilo hetero-gente-boa-que-adora-close-de-viado. “Ai, bicha, batchi!“, brinca. Hetero convicto (garante que NUNCA ficou com homem, “nem tenho problema com isso”), Doripan pode comemorar mais um “p” em seu nome: vai ser papai.

O filhinho veio num bom momento? “Estou numa ótima fase, profissionalmente falando, da minha vida. Tenho a residência da Donna Santa aos sábados, e durante a semana sou o sonoplasta da rádio Liderança”, uma das de maior audiência na capital cearense. Dorivan recebeu a equipe do ZONAMIX na noite da última terça-feira, nos estúdios da rádio. Lá, posou ao lado de Paloma Silveira, uma das locutoras mais badaladas (e simpaticíssima) da Rede Liderança. “Aqui na rádio eu trabalho fazendo a montagem dos comerciais e da programação geral da rede”. Dorivan tem uma rotina estafante. “Entro às 8h da manhã e saio às 18h”. Algo a reclamar? “Nada. Eu amo o que faço!”.

Embora residente em Fortaleza há dois anos, sua namorada ainda mora em Teresina. E como faziam pra se ver? “Ela sempre vem pra cá. Sempre que posso, pego o primeiro vôo pra Teresina, pra ver minha família e minha namorada, claro”. E completa: “É mais fácil. Só trabalho na Donna Santa uma vez por semana, e não posso faltar a essa obrigação”. Profissional ao extremo, Dorivan considera-se um bom DJ.

Qual a importância de um DJ no sucesso de uma boate? “Olha, pode parecer exagero, mas o DJ é 100% responsável pelo sucesso de uma festa. Em São Luiz (MA) temos uma boate que já tem 35 anos de funcionamento. É a mais antiga boate gls em funcionamento do país. Estrutura, quase não há. Nem banheiro a boate tem. Mas o DJ de lá é super conceituado e a casa é sucesso por causa do som”.

Mesmo sabendo da importância do disk-jockey num evento, Dorivan assume a responsabilidade pelo sucesso da Donna Santa. “No começo, tive muito problema com o (DJ) Daniel de Paula. A casa (Donna Santa) tem uma faixa de 15 hits que devem ser tocados. Antes, o Daniel entrava, tocava às vezes as 15 músicas e os outros que se virassem”, critica. E hoje? “Hoje já está bem melhor porque conversamos. Mas vez ou outra ele ainda faz isso”, continua. Sobre o seu contato com os demais funcionários da boate, Doripan é enfático. “O Leco (Lima, promoter) chega, diz ´querido!´e vai embora”. Isso é bom? Eu adoro, porque demonstra a confiança que ele tem no meu trabalho.

Você prefere cliente que dê sugestões? “Não, de jeito algum”. Prefere os que chegam, dizem “querido!” e vão embora? “Sim. Detesto trabalhar sobre pressão. Sou muito esquentado quanto a isso”. Já aconteceu algo desagradável assim? “Já. Uma vez, fui convidado a tocar numa boate em Teresina. Era a boate top das tops, só gente da alta. Mas o dono de lá era terrível. Chegou pra mim e disse que os Djs que tocavam lá eram apenas operadores de áudio. Ele (o dono) era quem dizia o que devia ser tocado”. E aí? “Aí que tirei o fone, joguei na mesa de som e fui embora”. Nossa. “No outro dia, ele me ligou esculhambando, dizendo que eu tinha estragado a festa dele”. Sentiu algum remorso? “Sei que fui anti-profissional, mas não há nada pior do que ter alguém do seu lado dizendo o que você tem de fazer. Concorda?”. É…

Doripan, muito antes da Donna Santa, já havia morado em Fortaleza. Isso em 2005, quando foi Dj residente do ultra[lounge] Fortaleza, a boate moderninha de Leandro Becker. “Passei pouco tempo e voltei a Teresina, onde fui residente da Metalurgica”. A Metalurgica foi a principal boate gls do Piauí por um bom tempo. Era dos mesmos donos da Donna Santa. “Tivemos de fechar a boate por causa da lei do toque de recolher”. Na capital piauiense, nenhum festa (particular ou não) pode exceder o horário de 2h da manhã sem autorização da Secretaria de Segurança Pública do Estado. “Isso acabou por fechar todas as boates da cidade”.

E já se adaptou a Fortaleza? “Totalmente, garante”. O filhinho vai nascer aqui? “Não sei ainda. A Fabiana, minha namorada, quer que eu vá embora. Mas não quero. Aqui já tenho estabilidade nos empregos e tenho mais condição de criar meu filho”. E a emoção de ser pai? “Nossa, cara, passei uma semana bobo, não sabia nem o que falar. Sempre me programei de ser pai entre os 27 e os 30 anos. Entrei logo no começo da faixa”, ri. E garante já querer aumentar a prole: “Já quero outro filho. Talvez antes dos 30″. Nossa. “Quero dois filhos com idades bem próximas, sabe?”.

Heterossexual convicto e trabalhando com o público gls há 11 anos, Dorivan revela seu lado machista quando perguntamos: Gostaria que seu filho fosse gay? “Não”. E se fosse? “Ai… (pausa). Aí não sei”. É mais enfático quando diz: “Uma coisa que não vou deixar meu filho fazer é ir a boate gls. Não mesmo”. Ué, por que Doripan? “As influências são muito negativas. Não acredito que ninguém nasça gay. As pessoas adquirem esse hábito. Se ficam uma vez e acham bom, se tornam gays”. É por temer isso que nunca ficou com homens? “Não. Nunca fiquei com homem porque nunca tive vontade”. Tá, é a opinião dele…

E o bebê já tem nome? “Não, calma. A Fabiana ainda está no segundo mês. Mas quero um nome estrangeiro. Acho bonito nome bem diferente, sabe?”. Sei. E seus pais, preparadíssimos pra ser avós? “Meu pai já faleceu, mas minha mãe pegou no meu pé. Queria que eu casasse, mas não vou casar”. O que tem contra casamento? “Acho casamento uma coisa muito séria. Posso até casar com ela, mas daqui a uns 5 anos, no mínimo”. Quanto tempo de namoro vocês têm? “Três”. Acha um bom tempo? “Acho que o filho demorou a vir. Só nos prevenimos uma vez durante todos esses três anos, acredita? Ela não faz essa coisa de tabelinha, não toma anticoncepcional, não tem DIU, essas coisas…”.

Por tocar em ambiente gls, Dorivan diz que já passou por constrangimentos. “Na primeira vez que assumi a residência, a boate era gls. Falei pra minha mãe e ela me pediu pra ter cuidado”. Como assim? “Não sei, ela não falou. E é porque minha mãe é farrista. Ela sempre ia às baladas gls no Rio de Janeiro. Ia sempre à Le Boy, que há 11 anos já bombava”. Dorivan já morou na capital fluminense há algum tempo, “logo depois que meus pais se separaram”. Dorivan mostrou-se triste por não presenciar o casamento de sua mãe, na semana passada. “Não pude ir, mas liguei”.

Sobre o assunto família, Dorivan é bem conservador. “A coisa mais importante na vida de um ser humano é a família. É a base de tudo”, completa. Sobre sua família, ele confessa que tem sérios problemas para lidar com sua irmã. “Minha mãe pagou pela boca dela. Minha irmã é lésbica”. E o problema? “Acontece que, com a morte do meu pai, ela quis tornar-se o ´homem´ da casa, papel que competia a mim”. Mais tarde, Dorivan nos contou que já se envolveu emocionalmente com uma lésbica. “Peguei abuso de ´sapato´. Estava ficando com uma menina, quando vejo ela se beijando com outra mulher na minha frente. Fiquei com ódio nesse dia”. Ué, e você esperava o quê? “Sei lá. Sempre há essa esperança de que ela se torne heterossexual”.

Durante boa parte de nossa conversa, contamos com a presença de JP Gonzalles, que por muito tempo foi residente da KISS DISCO CLUB. Caladinho, JP ria das brincadeiras de Dorivan e participou também de nossa matéria, que ultrapassou duas horas de duração.

Num longo momento de descontração, Doripan nos confessou cenas (muitas, impublicáveis) em seu trabalho na noite. “Já vi cada coisa que até você duvida”. Conta uma, vai! “Certa vez, num domingão na Donna Santa, cheguei de shortinho curto e camiseta. Daí veio um fotógrafo de site (ele garante que NÃO foi do ZONAMIX) e me elogia. Momentos depois, vem o mesmo fotógrafo e diz: ´ai, Doripan, eu não aguentei te ver assim e fui lá no banheiro´. Fiquei surpreso e só acreditei porque ele passou a mão no meu nariz”. Tava com cheiro de quê? “De água sanitária”. Risos. Muitos risos.

Mas qual o problema, Doripan? Atração sexual é algo natural de acontecer. Daí JP Gonzalles nos interrompe: “E se alguma mulher chegasse e dissesse que se masturbou pensando em vocês?”. Sim. “O que vocês fariam?”. Bem, estávamos num momento agradável da entrevista, não…?

Numa outra história (impublicável, mas mesmo assim eu publico!), Doripan já presenciou uma cena de sexo oral – feito por uma mulher – num DJ com quem estava dividindo a cabine. “Estava perto do cara quando sinto uma coisa batendo nas minhas penas. Quando olho pra baixo, não acreditei! Era uma mulher. E tava mandando ver ali mesmo”. Mais risos. Nossa como os heteros são baixos! “Baixos? Já vi cada cena de gays na Donna Santa, viu?”. Conta, vai. “Uma vez, já tinha terminado de tocar e tava arrumando minhas coisas. Quando olho pro dance, um viado se encosta na cabine, abaixa as calças e o outro vem por trás…”. Tá. Entendemos! Fetichista, hein?!

Bastante brincalhão, Dorivan mostra o seu lado empresário. “Se eu tivesse uma boate, colocaria dark-room”. E explica: “Aliás, a idéia de dark-room chegou ao Brasil pelo André Almada (proprietário da The Week), ainda na década de 80. De lá para cá, foi um sucesso”, informa. E quem comandaria o som na sua boate? “Tenho vários amigos Djs. São contatos Brasil afora. Para você ter idéia, eu sempre venerei o trabalho do Peter Rauhofer. Hoje, tenho ele no MSN e nos falamos quase que diariamente”. Dorivan também garante ter um ótimo contato com Offer Nissin. “Sempre que eles vêm ao Brasil, faço o possível para estrar presente na apresentação deles.

O Doripan que conhecemos é o Dorivan família, hetero e brincalhão. É o DJ competente, que já levou muitas cantadas de homem nas festas. “Sabe o que faço para me ´proteger´ quando noto que algum homem está me olhando com segundas intenções? Começo a dar pinta, a desmunhecar. Quando eles vêem meu lado viado, saem de cena”. E garante que funciona. “Gay gosta de homem durinho. Quando alguém começa a se requebrar, logo eles saem”. Espertinho. “Pois é…”. Adorei a história do babadinho na cabine, oh. Adorei mesmo! (risos).

PERSONAGEM DA SEMANA: Sayck Samsarah

Postado em (Personagem da Semana) por admin em 23-10-2008

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por João Paulo Magalhães

Quem conhece Sayck Samsarah (grafado assim mesmo) sabe de sua alegria. Mas seu semblante de felicidade estava notório hoje, demasiadamente empolgante. Está feliz, Sayck? “Muito!”.

Fui o primeiro a abraçar a recém-chegada artista depois de uma temporada de três anos na Europa. Sente-se uma européia? “Não, sou brasileira. E nem gosto desse título de européia”. Mas… o que é ser européia, Sayck? “É esbanjar, é mostrar posses. Muita gente vai batalhar na Europa e volta ao Brasil. Quando aqui chega, quer dar uma de rica, quer mostrar uma coisa que em muitas vezes não é”. Ah, tá!

Sayck desembarcou no Aeroporto Internacional Pinto Martins (Fortaleza) nesta terça-feira (21), por volta das 23h. Vinha de Salvador, para onde foi depois de passar por São Paulo, onde visitou seus familiares. Veio especialmente para, além de rever amigos e fãs, fazer um show super especial neste sábado (25/10), na Donna Santa, a maior boate mix do Nordeste.

Muitíssimo bem recebida pelos promoters e proprietários da casa, Samsarah foi conhecer a boate e ensaiar alguns passos para o show. O que fez nestas poucas horas em Fortaleza? “Revi amigos e fui ao salão de cabeleireiros onde trabalhava”, o do Ramon, próximo ao North Shopping (zona oeste). “Ramon foi aquela pessoa que me abriu as portas em Fortaleza e sou muito grata por isso”.

Paulistana de nascença, Sayck Samsarah, 33, é cearense de coração e italiana (“continuo sendo brasileira”) por acaso. Como surgiu a vontade de ir para a Europa? “Veio meio que por acaso. Na verdade, partiu de uma curiosidade. Eu sempre tive vontade de saber o que elas (as “européias”) faziam de tão glamuroso lá“. E o que fazem? “Trabalham muito”. Em quê?

A pergunta, direta e objetiva: Sayck, você já fez programa? “Sim, vários. Fiz programa durante mais de um ano. Sofri muito ali. Mas hoje trabalho apenas cortando cabelo das bichas em Bréscia (lê-se “Bréchia”), região norte da Itália”, próximo à fronteira com a Suíça. Sobre a vida de travesti, Samsarah nos deu empolgantes e curiosos depoimentos.

“Todas, ou quase todas lá, são ilegais”, ou seja, não possuem documentos legais de imigração. Você já foi presa, Sayck? “Já, três vezes”. E a experiência na cadeia? “Os policiais de lá são super educados. Colocam luvas para pegar em você, para se ter uma idéia”. São violentos? “Comigo, nunca foram. Eles fazem o trabalho deles”. Todas elas, as travestis, passam por este constrangimento? “Sim, todas”.

Muitas vezes fomos interrompidos. Durante a conversa – agradabilíssima -, Sayck recebeu ligações de empresários de Teresina, possivelmente para marcar show. “Diga a ele que só vou de avião. E se quiser”, brinca. A artista é super brincalhona e alto-astral. Em outro momento, falava sobre os momentos na cadeia e seu telefone toca. “Alô?”. Desliga. “Ah, pedindo pra eu ligar, mas nem sei quem é. Deixa pra lá…”. Então, vamos lá?! Vamos, Sayck, porque nós somos super curiosos!

“Já passei três dias na cadeia. Nunca visitei as prisões daqui, mas as de lá são super limpas e até que somos bem tratadas”. E por que fazer programa? “Primeiro, para pagar as contas”. Hoje, Sayck sobrevive cortando os cabelos “de casa em casa”, a 15 euros (cerca de 40 reais). “Algumas bichas lá cobram 10 euros. Mas eu cobro 15 euros”. Sayck, inclusive, foi minha cabeleireira durante quase um ano, antes de ir para a Europa. E corta muito bem. Palavra de ex-cliente (só do corte, táaaaa?).

Na região de Brécia há uma forte concentração de brasileiros, especialmente travestis cearenses. Existe algum código de ética entre vocês? Há rivalidade? “Rivalidade há sim, claro. Mas há pontos positivos e negativos. O positivo é que quando alguma adoece, todas procuram ajudar. Mas quando alguém precisa de dinheiro, aí entra o lado negativo”. Bem, já esperávamos…

Passeou muito pela Europa? “Nem tanto. Só conheci Roma e algumas cidades daquela região. A vida lá (na Itália) é dura”. Sobre o começo, Sayck deixa o semblante com ares de emoção. “Chorava muito nos três primeiros meses. O que me manteve lá foi a ajuda de amigas que considero irmãs, como Amanda Marques”. Sayck era obrigada a fazer programas, conta. “Tinha de pagar 250 euros por semana de moradia, e mais 300 euros para a cafetina”. Quanto custava um programa? “Olha, tem gente lá que faz programa de 10, 20 euros. A média fica em torno de 30 euros no carro e 80 euros na cama”. E sorri.

Qual seu programa mais valioso? “Uma vez ganhei 1.500 euros (sim, mais de quatro mil reais!) em pouco mais de trinta minutos. O cara estava muito drogado. Ia me dando as cédulas e eu ia guardando”, conta. Sobre drogas, Sayck é enfática: “Há muita droga na Europa. Quase todos se drogam”. E por que a preferência pela Itália? “O italiano é tarado. Faz sexo até com cachorro na rua. Não quer saber com quem, está sempre em busca de prazer”. Já pegou muito homem bonito? “Nossa, perdi as contas. Mas a maioria é da faixa de 35, 60 anos”. Sessenta anos? “Sim. Senhores, 80% são casados”. E na cama? “A gente sai daqui pensando que vai ser mulher lá. Pelo contrário. A maioria dos homens que contratam programa quer ser penetrado”. Passado?

“Há muito homem imundo. Há pessoas que me pagam para fazer as maiores bizarrices do mundo. O italiano gosta da putaria. Muitos me pediam para urinar em cima deles. Eles gostam até de fezes, para você ter idéia“. Tá! E os gatinhos? “Nossa, os homens mais lindos do mundo”.

Sobre a barreira do idioma, Sayck conta que aprendeu a falar italiano vendo TV. “Já saí daqui sabendo algumas palavras básicas”. E como fazia para se comunicar por lá no começo? “Eu não falava”, ri. “Uma vez, logo nos primeiros programas, um homem lindo parou o carro e perguntou ‘Quanta’?. ‘Cinquanta’, respondi. Aí ele disse ‘Va’. Dei meia volta e fui embora. Foi aí quando ele gritou, me chamou de volta. Depois fui entender que ele estava mandando eu entrar no carro”, conta dando gargalhadas.

“Uma vez recebi cantada de um senhor, com a mulher do lado”. Isso onde? “Na rua mesmo”. E cantada de mulher, já levou? “Já sim”. Conta! “Uma vez eu estava parada, quando chega uma italiana me chamando de gostosa. Virei para ela e disse ‘te manca’. E fui embora”. Todos gargalhamos.

Sayck conta que no Brasil não chegou a fazer programas. “Aqui fiz um teste, o chamado ‘laboratório’, mas bem básico”. Lá foi onde deu a cara a tapas, e outras coisas a mais… Já virou travesti? “Não”. Botou peito? “Só tomei hormônio”. E cirurgia para cortar o pinto? “Minha religião não permite”. E qual sua religião? “Candomblé”.

A artista Sayck Samsarah afirma que está há três anos sem fazer show. Sente-se enferrujada? “Nada”. E o que o público pode esperar no sábado? “O que sempre fiz, a mesma palhaçada no palco”, brinca. Sayck diz que na Itália nunca fez show, “só fiquei dando pinta nas boates com as amigas, mas nada demais”. A sorridente Samsarah disse que não via a hora de chegar a Fortaleza. “Tenho muito a agradecer ao Leco (promoter da Donna Santa), que me trouxe ao Ceará”. Vai passar muito tempo aqui? “Não, volto para São Paulo dia 3 de novembro”. E para a Itália, volta? “Com certeza, só não sei quando. Estava querendo passar o meu aniversário lá (24 de novembro), mas não vai dar certo”.

Namorando há um ano e meio, Sayck mora com seu namorado. Ele vem ao Brasil? “Tá vendo isso, sabe? Tá naquela de uma hora vem, outra hora não vem”. Ainda pretende morar no Brasil? “Claro, com certeza. Quero somente trabalhar na Itália, ganhar meu dinheiro, voltar para cá, montar meu salão e ser mais feliz ainda”. Sobre a experiência, Sayck disse que faria tudo novamente. “Faria tudo de novo, do mesmo jeito. Mas não indico a ninguém passar pelo que passei. Se alguém aí tá pensando em ir para a Itália, ouça minha palavra de amiga: não vá. Não vale a pena!”.

Sobre ser drag-queen, Sayck faz duras críticas a “algumas”. Diz que gosta de fazer show limpa, “sem muita frescura”. E abre: “respeito a opinião de cada uma, mas drag-queen pra mim é algo muito além do close. Gosto da preparação, da performance. Não é só chegar num palco e dançar feito louca”. Você se acha uma top-drag? “Não. Não me acho nada, sabia?”. Modéstia… “Eu me acho uma palhaça. Gosto muito de brincar”. Percebe-se…

Samsarah finaliza a conversa com uma ótima notícia. “Hoje larguei o vício das drogas”. Que coisa boa, Sayck! “Resolvi parar depois de um período em que ficava drogada direto. Havia dias em que nem me reconhecia. Parei, pensei, repensei e vi que não queria aquilo para mim. Hoje sou uma pessoa totalmente diferente. Aqui, antes, minha vida era dar close na noite, trabalhar no salão e sair com amigos. Hoje tenho muito mais responsabilidade. Minha droga hoje é só o cigarro. Parei de me drogar há mais de dois anos. Hoje vivo muito melhor”, conta.

Sayck Samsarah é, sim, uma artista completa. Dentro e fora dos palcos.

PERSONAGEM DA SEMANA: Thalles Walker

Postado em (Personagem da Semana) por admin em 16-10-2008

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Thalles Walker, o galã da noite mix cearense, conversou com o ZONAMIX durante passageiras e agradáveis três horas. No dia anterior, Thiago Marinho (jornalista-responsável) me pergunta: “JP, você já o conhece há mais tempo… o que devemos abordar com Thalles Walker?”. Relaxe, Thiago, porque assunto não vai faltar. Ele fala muito. E como fala!

Na verdade, nós falamos tanto que nosso texto ficou complicado para ser editado. Tudo bem, sei que você não gosta de ler muito, mas para conhecer Thalles Walker vale a pena!

Formado em Publicidade & Propaganda (área da comunicação social) pela Universidade Federal do Ceará, Thalles, 27, é atualmente uma espécie de faz-tudo na boate mais moderninha, modernosa, bacanérrima e muitíssimo bem frequentada: ME3T Music & Lounge. É faz-tudo no bom sentido. Thalles assina como Relações Públicas, uma espécie de ombusdman da boate. “Cuido de toda a área de comunicação da boate. Da confecção da arte (flyer), aos textos que enviamos por e-mail, tudo é feito por mim”, informa.

O ZONAMIX anunciou, em primeira-mão, a contratação de Thalles pela ME3T (relembre aqui!), em junho passado. Walker é o mais notável comunicador institucional de Fortaleza. Começou trabalhando na Thor (2003), passou pela RenaiSSance (2004), ultra[lounge] Fortaleza (2005) e DiscoClub (2005). “Jurei pra mim mesmo que nunca mais ia voltar pra noite cearense”. Por que, Thalles? “Porque saí num momento muito crítico do mercado, em que houve de tudo, até briga entre promoters”. E por que voltou? “Antes, conversei com meus amigos e eles garantiram o que vi: os profissionais mudaram. O mercado mudou. E para melhor!”

O publicitário fala do triste período por que Fortaleza passou. Período de anti-profissionalismo, em que havia muito, mas muito jogo de egos e pouco, pouquíssimo trabalho sério. “Hoje tudo mudou. Até ser chamado pra ME3T, meu contato com Monah Monteiro nunca passou de uma conversa de 20 minutos. Hoje, somos grandes amigos“. Com seu depoimento, Thalles ilustra bem a atual fase de profissionalismo na noite mix cearense. Mas a mudança foi do mercado ou da promoter? “De ambos”, pontua.

De fato, há hoje uma harmonia entre profissionais da noite e os trabalhos que cada um desempenha. “Fortaleza convive hoje com várias boates, cada uma com seu público”. Concorrência ainda há, intriguinhas (embora poucas) também. “Os profissionais só vão parar com essas intriguinhas quando cada um perceber que há espaço para todos”. Segundo Thalles, este momento não vai tardar.

Entre diversas perguntas, chegamos à tradicional indagação: a ME3T é a boate da classe A/B? “Gato, não fazemos distinção de público. Sim, há uma prevalência do público A/B, até por conta da proximidade com a residência deles [a boate tem localização na área nobre de Fortaleza]. Com essa história de lei seca, todo mundo quer se divertir pertinho de casa. Mas temos público de outras classes também. Com o crescimento da economia, a classe C tá tendo acesso a bens de consumo e por isso o número de foliões na cidade tem aumentado”, pontuou.

Pela sua cabeça deve passar: Sim, mas o que Thalles Walker tem a ver com Personagem da Semana? Neste sábado (18/10), Thalles (além de publicitário, RP, designer, cineasta [!!!]…) ganhará mais uma denominação: disc-jockey. “Não, não serei residente da boate não… é só uma brincadeira”. Thalles Walker, o DJ, tocou na primeira festa do ZONAMIX, a feiZONAda (mistura de feijoada com ZONA), no Porto das Dunas, em julho de 2002. “Sempre gostei de música. Tenho uma mania estranha que é de guardar CDs em minha casa. Tenho CDs super antigos, feitos por amigos uma década atrás”. E por que tocar na ME3T? “Gato, foi uma coisa que surgiu de repente. Numa conversa com Paula Roberta (sócia de Monah Monteiro), falei que tinha CDs com músicas antigas. Ela foi uma grande incentivadora para que eu tocasse uma vez na boate. No primeiro set, em setembro, todo mundo gostou. E volto a tocar agora”. Pretende profissionalizar-se? “Não, de jeito algum. É só uma brincadeira mesmo. Já tenho muita coisa para cuidar…”.

Thalles Walker é também cineasta. “Trabalho num projeto do Governo, que leva ensino de cinema a comunidades pobres no interior do Ceará. Uma vez por mês viajo para Tauá e ministro diversos cursos”. Seu grande gosto profissional é pela arte. “Adoro arte, design”. Seu principal objetivo na ME3T foi tirar o estigma de “boate de sapa”. “Havia muita mulher na boate, e isso acabava por afastar o público masculino. Hoje, temos tanto mulher quanto homem”. O que mudou essa imagem? “O trabalho de marketing que fazemos. Cuidamos muito da comunicação visual da ME3T. Os panfletos, todos, são feitos por mim. Gosto de cores bem equilibradas, e acho essencial que uma grande boate tenha uma impecável comunicação visual”.

Transformar a ME3T num ambiente masculino não foi só um trabalho atribuído a Thalles Walker. “Uma vez por semana, Monah, Paula e eu nos reunimos e falamos sobre as festas que virão. Comentamos da escolha do nome, até a escala de atrações”. O RP entrou em detalhes sobre a questão de atrações. Perguntamos se o público da ME3T não gosta de drag-queens. “Trabalhamos com profissionais. O que acontece com algumas delas é que o ego é deeeeeeeeeste tamanho (fazendo gestos exagerados com os braços). Uma vez, uma determinada pessoa foi contratada para apresentar um show na ME3T e passou vinte minutos falando ao microfone. Isso é extremamente desagradável para o nosso público, que gosta de dançar”. Insistimos: o público da ME3T não gosta de drags? “Há espaço para todos. Sábado passado (11/10), Flávia Fontenelle e Rayanna Rayovac fizeram um trabalho que foi muito elogiado pelos clientes. Elas ficaram na entrada e circulando pela boate, com fantasias temáticas do dia das crianças. O público adorou”. Elas falaram ao microfone? “Não. Só subiram ao palco numa hora, fizeram show e saíram”. Ah, bom… “Mas, complementando a resposta, o promoter faz o que o público quer. Muitas vezes o promoter tem sim o poder de mudar costume de atrações – hoje baseado em Djs, striappers – de uma festa”. Conseguiria indicar uma boa artista (drag, transformista) que tenha o perfil da ME3T? “Deixa eu ver… hum… (mais um tempo)…“. Tá, tudo bem!

Durante o tempo livre, Thalles Walker é blogueiro. Talvez o primeiro blogueiro genuinamente mix de nosso estado. “Comecei o Mundo Hype em 2001. No primeiro momento, só escrevia coisas minhas. Era uma espécie de diário virtual”. E como veio a idéia de escrever para gays? “Foi engraçado. Comecei a escrever para gays depois de uma chateação”. Chateação? “Sim… fui à Parada Gay de 2001 e, ao chegar, uma coisa mexeu comigo. Era Leco Lima discursando. Lá ele estava fazendo o lançamento da candidatura dele a vereador (fato que não se consumou) e eu achei ridículo. Quando cheguei em casa, taquei o pau. Disse que era um absurdo alguém fazer aquilo, usar a Parada Gay como palanque político”. E aí? “Aí que este texto tomou grandes proporções e chegou até ele. Leco me ligou, conversamos bastante e hoje somos grandes amigos”.

Thalles não se julga uma pessoa muito simpática. “Sou político. Falo com todos”. Perguntado se, depois de tanta experiência com a noite mix cearense, ele não tem pretensões de trabalhar como promoter, Thalles foi enfático: “Não”. Por quê? “Porque não teria a paciência que os promoters têm, de aguentar todos os abusos e ainda sorrir. Sou meio explosivo e digo o que quero, às vezes. Isso ia me atrapalhar muito sendo promoter. E outra, amo o que faço”.

Frequentador assíduo da noite (seja ela cearense, paulistana, européia ou sulamericana), Thalles é o que muitos se definem como “rato-de-boate”. Walker já trabalhou em São Paulo, na assessoria do show de Deborah Cox (2006). “Conheci várias boates de lá, mas prefiro as baladas de Fortaleza. As noites aqui são mais leves, mais agradáveis”, fala o profissional e crítico de entretenimento. Thalles participou de cursos de arte moderna na Europa, em 2007. “Conheci toda a Europa e grande parte da América do Sul. Aproveitei meu tempo longe da noite mix cearense para estudar, conhecer novos lugares e trabalhar bastante”.

Sua intensa presença em baladas já o fez realizar façanhas curiosas. “O fato mais triste foi quando vomitei um segurança na Broadway (2000). Foi numa das primeiras vezes que fui a boate gay. Bebi tanto que perdi a noção de espaço. Saí me batendo pelas paredes, rumo à saída. Quando cheguei na catraca, só vi o segurança e… vomitei ele todo!”, envergonha-se. Depois deste, muitos porres vieram? “Gato, alguns… (risos). Mas balada é um local para você se divertir e tomar cuidado com os excessos”.

Como parte de sua área profissional, Thalles se diz um verdadeiro “viciado em tudo que é de leitura”. Vê diariamente blogs variados, mas tem preferência para “os blogs gays”, ou seja, os blogs que têm linguagem e descrevem situações vivenciadas por gays.

E o ZONAMIX, você lê? “Leio o Blog da Redação e o Blog do Tiago, que é meu amigo”. Sobre o papel da internet para o crescimento do mercado mix cearense, Thalles é enfático. “Tem importância enorme sim. Recentemente meu namorado chegou contando uma coisa de que não me recordo. Cheguei pra ele e perguntei como ele sabia daquilo. Ele se virou pra mim e disse: ´eu vi no ZONAMIX´” (risos).

É isso aí! E aqui vai mais uma matéria pra ele. Vale deixar comentário, hein?!

PERSONAGEM DA SEMANA: John Adaggio (Ênio Cruz)

Postado em (Personagem da Semana) por admin em 09-10-2008

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Às vésperas de apresentar mais um especial na Divine, John Adaggio recebeu a equipe do ZONAMIX com muito entusiasmo. John Adaggio é o nome artístico de Ênio Cruz, 28 anos, natural de Fortaleza e 7 anos de “montagem masculina”, brinca.

Por “montagem masculina” entende-se o fato de Ênio fazer show performático. Montado de homem. Entendeu? “Quando comecei a fazer shows, percebi que fazia falta uma voz masculina nos palcos”, referindo-se ao fato da exorbitante maioria dos artistas fazer show dublando voz feminina. “Participei do (concurso) ´Novos Talentos´, da Divine, em 2001. Convenci a Lena (Oxa, até então apresentadora da Divine) e consegui fazer um primeiro número de voz masculina. Passei pela primeira eliminatória, mas na final perdi”.

Ênio orgulha-se de fazer parte do cast da Divine. O corpo artístico da boate mix mais tradicional de Fortaleza é composto por artistas como Tatiana Hilux, Adma Sheeva, Camille Lenker e Flávia Fontenelle. Entre tantas montagens, Ênio assegurou sua vaga quando impressionou Celso, o proprietário da Divine. “Uma vez fiz um dueto com Condessa Meirelle Blanche no sábado. Dublei uma música de Freddie Mercury. O sucesso foi tão grande que no domingo o Celso me ligou e pediu pra repetir o show”, orgulha-se.

Ainda sobre o show, Ênio conta que foi ovacionado ao final de sua segunda apresentação. “Quando cheguei na boate, a Lena Oxa não me falou nada. Me deixou por último e avisou no palco, antes de me chamar, que foram os clientes que pediram uma reapresentação do show. Ela contou que recebeu ligações durante todo o dia”, conta. Sobre Lena, ele é enfático: “é a minha mãe. Foi a pessoa que me lançou. Tenho um carinho muito especial por ela”.

Mas é falando sobre a Divine que ele mostra todo o seu carinho. Mas o que a Divine tem de diferente? “A Divine nos trata bem. É a boate em que nós, artistas, temos voz e vez. Somos bem tratados do empregado da limpeza ao dono da casa”. Ênio conta que sempre recebe apoio da boate para projetar e executar novos shows. “Recebemos tanto respeito da casa, que temos lanche e uma topic do lado de fora para nos deixar em casa após os ensaios”. Ainda segundo o artista, os ensaios são cansativos, mas “valem a pena”.

Neste final de semana (11 e 12 de outubro/2008), Ênio Cruz apresentará seu mais recente especial. E bota especial nisso! Nada menos que 25 artistas participarão dos shows (dois ao todo, um por dia), com 45 minutos de duração em média. “Será um show temático, como o nome já diz (Especial Dia Das Crianças). É uma oportunidade também de mostrar que nossos artistas sabem se adaptar a novos trabalhos. Teremos drags como Xuxa, transformistas como Chiquititas, performers como palhaços…”. De diferente, seu especial tem o tom de reviver o passado. Dez, vinte anos atrás.

John Adaggio é um personagem tímido. Fala pausadamente, mas demonstra sinceridade em suas palavras. O Ênio Cruz é assumido para a família, que “finge que não sabe”. Mas garante se dar bem com todos em sua casa. Ênio e John não assumem personalidades distintas, mas mostram uma grande característica dos vencedores: é persistente, talentoso e tem um incrível gosto em atuar.

Há um dito popular que diz: “O palco não nasceu para todos”. Mas Ênio (ou o John Adaggio, como queira), nasceu, sim, para o palco. E atua muito bem!