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PERSONAGEM DA SEMANA: Letícia Layser – exemplo da vida para os palcos e passarelas
Postado em (Personagem da Semana) por admin em 03-10-2009

São comuns entre o meio das montadas, aquelas/aqueles que se vestem de mulher, os elogios de “linda!” e os gritos de “abalou, viado!”. Em 2008, depois de ficar em segundo lugar no Concurso Garota G, Letícia Layser ouviu muitas críticas. “Não tenho responsabilidade pelo que meus amigos fazem”, disse. Ainda na apuração dos votos, e indignado com um voto 7 (variava de 5 a 10), um folião invade o palco, troca insultos e, por fim, cospe na vencedora, Yasmin Hilton (relembre o caso aqui). Após o episódio, deu-se início a um quebra-quebra vergonhoso, com direito a pontapés e muitas palavras de baixo calão. Enfim, um fato lamentável. Mas passou.
A personagem desta semana talvez tenha sido injustiçada com a ação descrita acima. Talvez, porque o autor do protesto foi seu namorado, Marcelo, com quem vive há três anos. Ele também se monta, e atende pelo nome de Sharlesiè Dias. Sobre o episódio da discussão, Marcelo se mostra arrependido, já Letícia não: “Eu não estou arrepedida porque não tive nada a ver com isso”. O assunto está superado? “Totalmente”, dizem. A má impressão é quebrada logo de cara. Letícia Layser, que se monta há cinco anos, tem muita história curiosa a mostrar. E vamos contar.
Era tarde de quarta-feira. No local marcado, Letícia surgiu com um chapeuzinho fashion. Suas unhas nos chamaram atenção: estavam pintadas de vermelho. Gênero gótico? Talvez. O gelo da entrevista é quebrado em poucos minutos. Durante quase uma hora e meia, e com diversos temas expostos, Layser sempre caía no assunto do momento: Concurso Garota G. É o seu sonho? “Sim, estou me preparando para ganhar”. Vai investir alto? “Planejo investir R$ 4 mil neste concurso“. O que promete? “Surpresas. Posso adiantar que vai ser uma bomba”. A bomba, pelo que entendemos, é para fazer explodir os olhos e a emoção do público que participa do maior evento transformista do Ceará e um dos mais conceituados do Brasil.
Letícia Layser nasceu Wandemberg da Silva Rocha, e teve uma infância bastante sofrida. Seus pais se separaram quando ainda era criança e ele foi viver com a avó paterna. “Minha avó era tudo para mim”, resume. E entra na história triste: “Minha família nunca engoliu o fato de eu ter jeito e ser gay. Meu avô tinha pavor a isso”. Era no ombro da avó que Wandemberg encontrava carinho, afeto e amor. “Meu avô é militar e daí você tira as dificuldades pelas quais passei”. Berg, como é chamado intimamente, disse que por muito tempo teve de dormir na rua para não se encontrar com o avô. “Ele saía cedo para o trabalho. Eu ficava na rua, perto de casa, até a hora de ele sair. Quando ele saía, eu me levantava e ia para a casa de minha avó. Foi muito sofrimento”. Ele conta que não dividia o mesmo ambiente com o avô.
Berg começou a se relacionar com homens com 11 anos, com um rapaz um ano mais velho. “Fiquei com ele até os 18 anos”. Era um namoro? “Não exatamente, mas sempre ficávamos e tínhamos um relacionamento a dois”. O término foi dos mais desgastantes: “Quando ele descobriu que eu me montava, fez um papel me difamando e distribuiu em todo o bairro. Sofri muito”, diz ele. O garoto em questão, com quem Wandemberg se relacionou, morava próximo. Vocês ainda têm contato? “Não, nenhum. Eu sempre o vejo, mas nós não nos falamos. Ele fez a máfia comigo”.
Wandemberg criou Letícia Layser em 2004, cinco meses após a morte de sua avó querida. “Estava passando por um momento muito difícil em minha vida, pois amava a minha avó”. E lembra: “Num determinado dia um amigo me chamou para me montar. Eu nunca tinha pensado nisso até aquele momento”. E o resultado? “Ah, foi maravilhoso. Eu me senti muito bem, recebi o carinho que sempre quis e realmente me encontrei dentro de um vestido de mulher. Eu virei o centro das atenções!“.
Aos 23 anos, Berg disse que não pretende viver uma vida dupla. “O Wandemberg morreu. Hoje eu vivo a vida de Letícia”. Diante de artistas com nomes muitas vezes cômicos, Letícia Layser até que é comportado. O nome surgiu da personagem homônima, vivida por Juliana Didone na novela teen Malhação. A Letícia da TV Globo era a primeira protagonista pobre e fez um arrasador sucesso na trama. “O Layser veio de repente: estava folheando uma revista e vi este sobrenome. Achei bonito”. Wandemberg Rocha virou, então, Letícia Layser.
Atenciosa, generosa e persistente são características perfeitamente usadas para descrevê-la. A entrevista foi interrompida várias vezes para que ela pudesse atender a ligações. “Agora não posso falar porque estou dando uma entrevista para o ZONAMIX. Depois eu te ligo”, era a sua resposta. Letícia estava acompanhada de Marcelo, seu namorado e companheiro, seu fiel escudeiro. Pelo pouco tempo que passamos juntos, notamos uma grande afinidade entre ambos, seja em olhares ou nas respostas às nossas curiosidades. Marcelo é um dos responsáveis pelo crescimento profissional e pessoal de Berg ou Letícia.
“O Marcelo é tudo para mim. Não sei o que seria de mim sem ele”, diz Letícia. De fato, ele esteve presente nos principais momentos da vida de Wandemberg. “Hoje eu tenho um salão de cabeleireiro que funciona na minha própria casa”, diz. E completa: “Só tenho isso porque o Marcelo me incentivou a trabalhar e a ganhar meu dinheiro”. Foi num outro salão que ela e ele se conheceram. “Eu já conhecia o Marcelo porque ele namorou uma amiga minha. Quando ele apareceu no salão, eu o cumprimentei e começamos a conversar. Na saída, ele pediu meu telefone. O resultado é que estamos morando juntos desde o terceiro dia em que nos conhecemos. Nós nos amamos muito”.
O carinho que eles sentem é perfeitamente exposto. Após sumir por um tempo, Marcelo reaparece com churros para sua amada. Os dois comem e a conversa segue. Como um casal recém formado, eles mostram o afeto que hoje é tão raro encontrar: amor verdadeiro. Instigado a falar, Marcelo, que é bastante tímido, diz que sempre gostou de homens efeminados, com trejeitos femininos. Letícia sorri e pega na mão dele.
“No ano passado eu fui passar um tempo em São Paulo. Comecei a fazer programa, mas desisti logo”. Letícia foi com o intuito de “trabalhar” para conseguir dinheiro e fazer a cirurgia de implantação de prótese de silicone. “Desisti três dias depois por causa do Marcelo”. Instantaneamente, ele fala: “Imagina você saber que o seu namorado está na rua, exposto a todo tipo de violência e ainda transando com qualquer cara por dinheiro”. Letícia conta que passou por momentos inesquecivelmente tristes. “Passei por muita humilhação. Agora vejo o que elas [as demais transexuais] passam”. Eles vieram embora para Fortaleza, deixaram o sonho da prótese de silicone mas recomeçaram a viver o amor. “Meu sonho ainda é colocar silicone”, lembra Layser.
O assunto mais comentado foi, claro, a proximidade da edição 2009 do Concurso Garota G, marcado para o dia 24 de outubro. Letícia é apontada como a grande favorita. “Tem muita gente babado neste ano. Só para vocês terem ideia, Linda Rayssa e Fernanda Scaranze já anunciaram que vão descer (ou seja, participar) do Garota G neste ano”. Ainda completa: “O nível está alto”.
Layser não viu problemas em falar abertamente sobre o caso do ano passado. “Eu não estava pronta para ganhar”, diz com a devida humildade de miss. De fato, Letícia está bem mais madura e consciente. “Eu me sinto preparada para ganhar o concurso neste ano e representar muito bem o Ceará no Miss Gay Brasil, em Juiz de Fora”. A vencedora do Garota G garante vaga para o concurso Miss Gay Brasil, o maior do gênero no país.
Para não fazer feio, Letícia Layser planeja gastar 4 mil reais nas preparações para o evento. “É muito dinheiro”, diz. “O Marcelo sempre diz que este dinheiro eu podia usar para colocar o silicone, por exemplo. Mas me sinto bem mesmo é na passarela”. Letícia conta que não há espaço para derrota: “Se eu perder, vou passar a concorrer em outros estados. Vou atrás de gente que me valorize, já que aqui eu não tenho isso”. É um protesto em busca da faixa de miss.
Na semana anterior, Layser foi destaque na programação da boate Divine, o tradicional reduto de artistas e fãs de shows transformistas. “Apresentei a programação da Divine na sexta, no sábado e domingo”, lembra. “Saí de lá muito aplaudida. Deu tão certo que já fui convidada a fazer parte do cast de apresentadoras da boate”. Segundo Letícia, até agora houve só elogios: “Muitos elogios, muita gente me parabenizando. Estou adorando isso”.
Os olhos cheios de lágrimas de Letícia, quando instigada a falar sobre a infância, mostraram um desabafo com sabor de vitória. “Minha avó morreu nos meus braços. Minutos antes ela disse que queria viver para me ver vencendo todos os obstáculos da minha vida. Infelizmente Deus a levou logo, mas continuo seguindo minha trajetória e tudo o que conquisto eu dedico a ela”. Os olhos, marejados, trazem emoção até quando Letícia fica em silêncio. “Hoje, todo mundo da minha família fala comigo, me procura. Até as minhas tias que não me suportavam vão ao meu salão e tentam puxar conversa. Posso dizer que venci. Foi muito difícil, mas eu venci”.
Quanto ao futuro, Wandemberg não tem dúvidas: “Eu quero enterrar o Wandemberg”. Por quê? “Ele me traz muita tristeza. Hoje eu tenho muito mais características da Letícia do que do Berg”. E o que sobrou? “A vontade de vencer, com certeza. Eu sou guerreiro”. E o que aprendeu? “Com a Letícia eu vivo os melhores momentos da minha vida. Eu tenho todo carinho e a atenção de que preciso”. Sobre a batalha da vida, Layser lembra com orgulho: “Eu morei durante muito tempo na rua e convivi com todo tipo de gente. Tive acesso a tudo, inclusive a drogas. Mas nunca entrei nesta. Nunca experimentei drogas e nem me arrependo disso”. Brilhante exemplo!
Poucas vezes a nossa equipe se deparou com personagens tão misteriosos e cheios de histórias bonitas ainda ocultas. Vencer pode até não ser uma palavra que a descreva perfeitamente, mas seguramente é uma busca sempre presente em sua história. O saber ganhar e perder é relativo; uns nem tentam e poucos conseguem prosseguir e lutar por um sonho. Mais do que dar a volta por cima, Letícia Layser soube, em toda a sua vida, valorizar os momentos de atenção e buscar sempre explorar a vida como uma batalha com derrotas prováveis, mas vitórias sempre possíveis. Como se diz no meio, “Abalou, Letícia!”

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texto: João Paulo Magalhães (contato@zonamix.com.br)
colaborou: Thiago Marinho
imagens: arquivo pessoal

Na entrevista, Kacilla foi bem enfático ao dizer que só trabalha como DJ por respeito e carinho aos proprietários da Donna Santa. “O Oza [refere-se a Ozael Júnior, um dos proprietários] é um cara sensacional“. Com os olhos marejados, ele deixa claro e límpido o respeito que mantém pelo empresário. Há de se ressaltar: Kacilla e Ozael moram juntos. E nada de pensar bobagem: são meros amigos de peito, irmãos de coração.
O que o mantém longe da família e, especialmente, das filhas, é o trabalho. Kacilla é uma espécie de “faz-tudo” na Donna Santa. Ele toca músicas, mas também orquestra ideias. Um exemplo claro é em relação à última reforma da casa: “
“A Donna Santa é na minha vida como um grande filho que deve ser cuidado a todo instante. Fico muito chateado quando chega alguém que de alguma forma quer desfazer algo na casa“. Longe de querer figurar como funcionário-padrão, ele afirma que também tece críticas. “Sempre que tem algo errado, eu chego pra eles e falo: ´olha, isso não está certo´“. A opinião de Kacilla é sempre levada em consideração. “Temos um projeto que já posso adiantar: será realizado esporadicamente às sextas-feiras. Traremos sempre um top-DJ nacional para tocar na Donna Santa. Já fechamos com Gustavo Scorpion e Edson Pride“, duas feras celebradas no Brasil inteiro.
Era noite de quarta-feira em Fortaleza. Céu limpo, trânsito não muito intenso e agitação moderada na região do Papicu, onde se encontram os bares e restaurantes mais badalados da capital cearense. Foi num deles que fomos recebidos por 
Até então ela nunca havia cantado em público. “Estou adorando ser uma cantora de banheiro profissional“, brinca. Lívia não tem problema quanto a ritmos musicais, mas confessa preferir, obviamente, MPB. Ainda arriscou uma canjinha rápida pra nossa equipe: “Adoro Ana Carolina. Vou cantar, oh: ´eu quero uma lua pleenaaaa´…“. É, ela arrepia mesmo.
Sobre o passado, Lívia não faz reservas ao sofrimento. “Parei de estudar na 8ª série. Pretendo, com certeza, retornar aos estudos“. Cursar faculdade? “Não sei se chego a tanto, mas quero muito estudar música. Eu amo cantar“. E alguém duvida do talento dela?

Nascida em São Paulo e vivendo há seis anos em Fortaleza, Alessandra Guerra é um – se não for o principal – dos nomes mais citados pelo movimento lésbico cearense. A propósito, entende-se por movimento lésbico o trabalho de inclusão de homossexuais – no caso, femininas. “Nós achamos que até hoje o movimento homossexual é muito voltado aos gays“, diz.
A oportunidade de vir morar em Fortaleza veio de repente. “Estava precisando de grana, e resolvi vir para cá“. Alessandra conta que imaginava conseguir emprego rapidamente na capital cearense: “Lá em São Paulo, a gente tem uma visão muito curta do Nordeste. Eu pensei que ia chegar aqui e logo conseguiria emprego pelo simples fato de ser paulista. Pensei que os cearenses iam se deslumbrar“. Ela conta que não foi bem assim. “Não foi mesmo. Eu esperava ser contratada em alguma empresa têxtil, no cargo de criação de estamparia, mas tive de ir vender meu artesanato na praia, andando de barraca em barraca“. E completa: “Até hoje, quando preciso de dinheiro, saio vendendo meu artesanato na Praia do Futuro“.
Segundo o Grupo de Resistência Asa Branca, a Madrinha da Parada Gay de Fortaleza é escolhida através de uma reunião aberta ao público e frequentada por militantes e empresários. “No dia em que eles fizeram esta escolha, nenhuma lésbica participou da reunião. Só soubemos do resultado depois“. Segundo Alessandra Guerra, o nome de Vânia Dutra foi exposto por Andréa Rosati (
Além de ser um exemplo político pessoal, Luizianne Lins foi corresponsável pela inclusão de Alessandra Guerra na militância local. “Eu havia chegado há pouco tempo em Fortaleza quando, pela televisão, me deparei com aquele comercial de campanha do Moroni [Moroni Bing Torgan (DEM) era o candidato a prefeito de Fortaleza mais bem colocado, segundos as pesquisas na eleição de 2004, quando resolveu atacar ferozmente um projeto de governo de Luizianne Lins, tida como "azarão" da campanha. O projeto frisava o ensino de diversidade sexual nas escolas públicas. A peça, considerada de extremo mau gosto e de altíssimo teor homofóbico, fez com que Moroni fosse fortemente criticado por outros setores da sociedade e analistas indicam tais críticas à derrota eleitoral nas urnas]“. Ao assistir ao comercial, Alessandra conta que se revoltou: “Fiquei muito revoltada com aquelas palavras dele“ [a peça publicitária dizia: "Eu não quero ver o meu filho discutindo educação sexual nas escolas"] e logo pensei: “Poxa, se esse homem ganhar nós estamos perdidas“. No dia seguinte, ela foi até o comitê eleitoral de Luizianne e se engajou, de vez, na campanha da candidata petista.
Seu prazer no corpo feminino vem desde sempre. Apesar de já ter tido relação sexual com homens, Alessandra conta que o primeiro beijo em uma mulher aconteceu enquanto ela e um grupo de amigos gazeavam aulas. “Era comum meninas e meninos deste grupo se beijarem“.
“Depende do ângulo pelo qual você quer ser visto. A maconha é a droga mais utilizada no mundo e a descriminalização pode ser uma forma de proteger as favelas. Há gente de todas as esferas sociais envolvidas com drogas, inclusive gente do próprio governo“.

“Quando falei com minha mãe sobre o concurso, ela imaginou logo que eu ia virar travesti“. É desta forma que
A ideia de participar do concurso surgiu no ano passado, quando seu amigo Paulo Santiago, Mr. Gay Ceará 2008 (
E quanto a cantadas, recebe muitas? “Recebo“. Mais de homem ou de mulher? “De homem, claro“. Costuma ser aberto a cantadas? “Depende“. Você toma atitude? “Não. Este é meu grande defeito. Mas dou todos os sinais de que estou a fim, com sorrisos e olhares“. E quando o paquera não toma a atitude? “Fico sozinho. Volto para casa morto de raiva, mas não tenho coragem de chegar“.
O garoto também se mostra empolgado quando imagina a repercussão do concurso em sua carreira. “O pessoal da academia tá querendo fazer faixas“. Tímido, ele disse que não quer. “Tem gente até falando que vai votar muitas vezes em mim, pelo site do concurso“. Ah, isso ele já quer. “Espero o voto de todos vocês, hein?“.

De uma família de sete irmãos, Maria Paula de Oliveira Souza teve de aprender a se virar sozinha. Filha adotiva, aos 37 anos é órfã de pai e mãe (de criação) e hoje convive com sua mãe biológica, a quem ajuda no sustento diário. Paula Oliveira, a doce, é trabalhadora, gosta de tomar a frente de tudo, é extremamente romântica e está apaixonada.
Paula Oliveira diz que o único relacionamento hetero de sua vida foi aos 15 anos. Ela namorou por seis meses um homem mas, garante, “não rolou sexo“. O que mais a atrai numa mulher? “A mulher é mais doce, é carinhosa. Mulher é tudo de bom“, resume, sucintamente. E lembra: “Minha primeira paixão foi pela professora de português, bem mais velha“. Paula alimentou a paixão por uma mulher de mais de 40 anos, ainda à época de colégio. Rolou algum romance? “Não“, garante.
Paula Oliveira, a MP (de Marcos Paulo), é promoter há bastante tempo. Seu primeiro evento será relembrado na noite do próximo sábado, 22 de agosto, no Porto das Dunas. O local é histórico: foi lá, exatamente lá, onde começou toda a história de eventos itinerantes (localmente chamados de “festa-fora” [de boate]) em Fortaleza. E com o mesmo nome: Gay´to.
Tudo era difícil naquela época. Os panfletos eram feitos de xerox e distribuídos de mão em mão por amigos e conhecidos. O Porto das Dunas, litoral leste de Fortaleza (onde fica o famoso parque aquático, Beach Park) foi o local escolhido por ser longe. E longe, naquela época, era a distância ideal.
Estávamos, então, no período de maior efervescência (profissional e, principalmente, emocional) dos últimos tempos em Fortaleza. Ao projeto ultra[lounge] juntaram-se, sem qualquer equilíbrio, praticamente todos os promoters: Leco Lima, Carol Feitosa, Monah Monteiro, Eurico Moreno Jr. e até, a então novata,
“A Aline é mais que uma sócia, para mim. É uma amiga, uma pessoa com quem divido minhas aflições, minhas paixões, meu lado pessoal bem acima do profissional“, explica a promoter Paula Oliveira. “Já fui muito amiga da Carol Feitosa e também da 

Segundo o conceituadíssimo Livro dos Recordes (Guiness World Records), Georgia é dona da voz mais aguda do mundo. Mas o que isso diz a nós, amantes da música, embora leigos em sua parte técnica? Brown possui uma variação em 8 oitavas, é capaz de emitir um som altíssimo até fora de nosso campo de audição, e só podendo ser captado apenas por medidores de frequência. Sobre o feito, ela se orgulha: “Recebi o certificado na edição de 2006. Antes, este recorde pertencia a Mariah Carey“.
ZONAMIX: Você vem de uma família que sempre valorizou muito a música. Até que ponto esta convivência familiar influenciou na sua carreira?
ZONAMIX: Estar no Guiness Book é um feito raro e que deve ser valorizado. O que mudou em sua carreira após ser considerada a cantora com a maior extensão vocal do planeta?
Segundo a enciclopédia virtual Wikipédia, andrógino é aquele(a) ser que tem características físicas e, em aditivo, as comportamentais de ambos os sexos. Assim sendo, torna-se difícil definir a que gênero pertence uma pessoa andrógina apenas por sua aparência. Os andróginos que prezam por sua androginia normalmente utilizam-se de adereços femininos, no caso de homens; ou masculinos, no caso de mulheres, para ressaltar a dualidade.
No mesmo ano de nascimento de Hairan, em 2006, veio o primeiro prêmio, o concurso “Novos Talentos” da boate Divine. “Lembro claramente daquele dia 26 de agosto de 2006. Naquele momento, com o reconhecimento da plateia da boate, que é super exigente com relação a shows, tive a certeza de que estava no caminho certo. Hairan já era uma realidade especial na minha vida”.
Mas nem só de shows vive o homem. Pois bem, Régis é uma pessoa pacata e tranquila, seja nas palavras e nas ações. Frequentador desde a adolescência das boates LGBTTs da cidade, o artista hoje não vê com bons olhos o investimento dos empresários em shows de transformismo. “
Régis nunca duvidou de sua homossexualidade, mas
Além de ser andrógino, Hairan começou a aderir ao transformismo feminino. “O Hairan não é só um andrógino, ele é um personagem de muitas facetas. Fiz a pouco tempo shows vestido de mulher. Tenho a androginia no meu coração e neste final de semana vou colocar para fora o meu lado drag. 

“A primeira coisa que fiz foi me matricular num curso de DJs com o Sílvio de Paula“. Sílvio, chamado de “mestre” pelos principais disk-jockeys do Estado, Sílvio é o mais badalado profissional das pistas de dança e também o cartão de visitas para qualquer aspirante a DJ. “O principal ensinamento dele foi: para aprender, você tem de treinar“, diz Juliana, referindo-se à necessidade da prática que se sobrepõe – e, neste caso, em muito – à teoria. Em um mês, tendo aula duas vezes por semana e treinando diariamente, Juliana se aventurou no primeiro convite: seu primeiro set foi em 2006, ainda na Queen´s Disco. Nascia, então, a DJ Juh Veras.
Mas… por que a Juh Veras é a DJ queridinha da MEET? “Eu gosto de interagir com o público mesmo quando fora da cabine. Sou viciada em internet e passo o dia conversando com amigos e fãs“, explica. Ela era também participante assídua de canais de bate-papo pelo MSN, de onde vem a maioria de seus seguidores.
Muito além da impressão, Juliana e Mara formam uma parceria que vai além do namoro. Mara é sua maior incentivadora: “Quando ainda tínhamos a lan-house, a Juh ficava treinando no próprio computador enquanto eu administrava a empresa“. Além de incentivadora, gaba-se de ser fã número um: “Não é porque sou namorada, mas acho a Juh Veras uma das melhores DJs de nossa cidade“.
Juh quebra sua rotina quando tem mais de dois eventos por semana, muitas vezes seguidos: “Costumo tirar um dia inteiro para o descanso. No seguinte, já estou pronta para outra maratona“, brinca. Sobre o fato de em Fortaleza haver muito mais DJs homens que mulheres, Juh acredita que essa diferença se deve ao fato de eles se interessarem mais pelo comando da pista, mas “as mulheres são muito mais animadas do que os homens“, garante. Ela confessa também que nunca passou por qualquer sensação de desconforto por ser uma profissional feminina, e diz não ver tanta diferença de profissionalismo entre os gêneros: “A DJ mulher interage um pouco mais com o público“, diz, ao completar com o “Eu acho“.

A fórmula do vício é quase a mesma para com todos. “
“Tive de impor a minha homossexualidade em casa. Meu pai saiu de casa, minha mãe vivia angustiada e fazendo pressão para eu terminar os estudos. Os shows eram a minha válvula de escape. Inesperadamente, em 2004, os convites para a Divine pararam. Em 2005 me envolvi com festejos de São João, que foi uma experiência maravilhosa para mim“, conta. “No São João, convivi com uma turma totalmente diferente. Naqueles meses eu consegui colocar a minha cabeça no lugar. Foi uma terapia para mim“. Depois de terminado o período junino, e apesar de mostrar uma carinhosa recordação, Flávia Fontenelle voltou a se isolar.
Desde que abandonou as drogas, Flávia diz que avaliou e pensou muita coisa. “Não me arrependo de ter entrado nas drogas porque vi como isso prejudica a vida de uma pessoa. Mas me arrependo de algumas coisas que fiz por conta disso“, lamenta. “Não digo que você não use para não passar por hipócrita. Eu não critico ninguém que usa mas nós, os artistas, somos uma vitrine. O público muitas vezes nos tem como exemplo e nós temos obrigação de nos unir, de fazer um bom trabalho e de dar um bom exemplo“.
A artista acredita, porém, que a droga não muda a personalidade de uma pessoa. “O que ela faz é despertar ações que muitas vezes ficam ocultas quando uma pessoa está sóbria“. Quais, por exemplo? “Mentir, roubar. Já vi gente empenhar celular, perfume, câmera digital. Eu, graças a Deus, nunca empenhei nada, embora gastasse metade ou todo o cachê que ganhava nos shows“.
Flávia diz ter ideia da repercussão desta matéria: “Eu sei que as pessoas vão falar muito. As colocadas vão criticar, mas não estou nem aí. Nenhuma delas é certa ou errada. Aqui, eu relato o que vivi e há muitos que não se enquadram nisso“. Respeito à opinião e, fundamentalmente, às ações de qualquer cidadão, é a garantia de uma sociedade justa e coesa.

E é para energizar mais ainda o público que Luis Marcelo marcou uma super apresentação. “Lançarei meu terceiro CD. É um trabalho promocional. Todos os clientes da casa ganharão um CD na entrada e, após o show, eu darei autógrafos e tirarei fotos com o público“, diz o atencioso cantor. Mas por que escolher a Donna Santa? “O público gls tem uma ótima energia, e a estrutura da Donna Santa é muito boa: palco, iluminação, som de qualidade… aquela boate passa uma energia incrível!“.

Vaidosa como sempre, Aline estava suada (e muito cheirosa): “Meninos, desculpem-me os trajes, mas estou numa correria só“. Pudera. Todo o esforço será conferido na noite desta sexta-feira (06/03), a partir das 22h. Muito além de ser a reinauguração de um bar, este é o relançamento que premia uma carreira de cinco anos de ajustes e muito aprendizado.
Ao chegarmos, fomos convidados a conhecer toda a estrutura do bar. “Fizemos algumas mudanças físicas“, lembra Aline. A mais notória é a duplicação da área externa, o que possibilitará, no futuro “e após a época de chuvas passar“, a apresentação de cantores de MPB ao ar livre. Na parte interna, três novos ar-condicionados foram instalados, além de vários ventiladores. “As pessoas sempre reclamaram de calor aqui dentro. Agora, não terão mais do que reclamar“, garante Aline, que mostra ainda o material de iluminação. “Tudo de primeiríssima qualidade“.
O amadurecimento a que Aline se refere é uma junção de profissionalismo e questões sociais. “Nunca fiz nada contra ninguém, mas sempre apareceu gente pra querer estragar o meu trabalho“, reclama. 

Aline diz respeitar o trabalho das montadas. “Tenho um carinho enorme pela Yasmin Hilton e o Hiroschi, o namorado dela“. Pretende trabalhar com drags/transformistas? “Sim, por que não?“. Tem preferência por alguma(s)? “Adoro a Flávia, a Rayanna e aquela do cabelão desajeitado… qual o nome?” Táblata Fitterman. “Isso“.






Durante os 40 minutos de entrevista, fomos interrompidos seis vezes. “A nossa rotina está uma loucura“, lembra Ely, que não parava de atender a ligações do celular e da própria agência.
Mas Ely também lamenta alguns contratempos:
Este, contudo, não deve ser o único trabalho da Ativação no mercado mix. Para os próximos meses a produtora já planeja a realização de mais festas, e um projeto é guardado a segredos: 
Pouco tempo depois, Harry foi apresentado a Leco Lima, então promoter da única boate gls de Fortaleza à época. “Já era o final da KISS. Peguei justamente o começo da THOR, com a forte concorrência entre as boates“. O DJ refere-se ao período entre o final de 2003 e o início de 2004, quando o mercado mix local sofreu uma verdadeira reviravolta. Localizada a duas quadras da KISS, a THOR iniciou seus trabalhos com o objetivo claro de derrubar a concorrência. Para isso, trazia grandes atrações a cada sábado e dava entrada de graça, por cortesia. “Isso acabou quebrando a KISS“, lembra Harry.
substituiu) e também de vários DJs do Sudeste. Um deles, de Curitiba, na época me enviou dois mp3 com músicas que ele tocava lá“
Monteiro tem por mim”. Esta, contudo, não é a primeira vez que o DJ trabalha com Monah. 
ME3T é excelente. Temos toda a história do Gilvan Magno, o carisma incrível da Juh Veras e o profissionalismo do Diego Baez“. Este último divide com Harry a residência da boate aos sábados, “além dos DJs que recebemos de fora, quase toda semana”.
adorou“, lembra.
gratidão. “O Leco é o responsável por tudo isso que me aconteceu. Foi ele quem bancou a minha ida pra KISS e nosso contato hoje é o melhor possível“. Sobre
Em 2001 houve uma reunião com as principais travestis do Brasil, em Brasília. Quem representou o Ceará foi Janaína Dutra, então presidente do GRAB. “Janaína foi a primeira travesti formada em Direito, e com carteira da OAB, no estado do Ceará“, lembra Tina, que aproveita para tecer um parêntese: “Na época da reunião, ela foi muito ridícula. Janaína foi a Brasília sem avisar a ninguém. Nós, da ATRAC, ficamos com raiva“. O tom sério das letras é abrandado pelo seu jeito cômico.

Co-fundadora da ATRAC, Tina assumiu a presidência da Associação quando da morte de Janaína Dutra. Hoje, dá assessoria a 70 travestis associadas e a mais de 400 inscritas. “Não recebemos dinheiro de ninguém, só do Governo. Nós concorremos com outras ONGs para termos acesso a verbas. Se nosso projeto for ´bem´, ganhamos. Se for uó, perdemos“. O trabalho voluntário é desenvolvido a partir da própria residência de Tina, na rua Meton de Alencar, 181 (por trás do Colégio Cearense).
de Iracema, (rua) Major Facundo, nas proximidades da Santa Casa“. E completa: “Temos ainda nos outros bairros: José Bastos, Maraponga, Seis Bocas, José Walter, Barra do Ceará… ah, são tantos“, brinca.
Ainda de olhos marejados, ela brinca: “Eu já fui apaixonada por uma mulher. Ainda morava em Brejo Santo quando dizia para ela que vinha embora para Fortaleza para enricar e depois voltar pra casar com ela“. Foi um amor correspondido? “Não. Ela nunca me quis. Ainda nesta época dizia: ´Não volte, pois eu não quero você´“. Depois de muita conversa, ela revela: “

Seu trabalho com promoção de eventos é bem recente. Há menos de um ano, sua mãe lançara uma produtora e ele resolveu acompanhá-la. “Sempre gostei de me envolver com eventos“, revela. Thalis e sua mãe iniciaram o projeto Sexta Sem Lei, na própria Donna Santa. O projeto durou menos de três meses, mas deixou fortes marcas. Dentro de seu projeto, Thalis levou nomes de impacto, como
Além de responsável pela área externa da boate, Thalis Guerra nos confessa a emoção que sentiu em sua primeira grande festa na Donna Santa. “Dez minutos antes de show, cheguei para o produtor da banda e autorizei o início do show. Estávamos todos emocionados. Quando abri um pouco as cortinas para espiar o público, fiquei emocionado“, referindo-se ao até então melhor show de forró da Donna Santa: a inesquecível
rígida rejeição por parte dos gays. Mas o que levou uma boate dedicada ao público gay a incluir o forró como alvo de sua programação?
Durante toda a nossa entrevista, Guerra falou respeitosamente sobre a equipe. Deixou claro que trabalha com “carta branca” e que o maior apoio para o seu trabalho vem dos proprietários. Bem, e os promoters?
Durante a semana, Thalis se entrega à realização de eventos toda quinta-feira, na barraca Tropicana, fato que tem refletido em seu trabalho aos sábados. “Uma vez vi um cliente, que sempre frequenta minhas festas da quinta, na Donna Santa. Parei e pensei comigo: ´Poxa, será que esse cara curte?´. Quando olhei, ele estava ao lado de amigos e da namorada“. É com esta curiosidade que ele ilustra o
O trabalho de Thalis Guerra pode ser descrito também como um desafio. “Meu maior desafio na Donna Santa é adequar a estrutura da casa às grandes bandas de forró que tocarão lá neste ano“. Embora o projeto inicial da boate não tenha sido feito para receber grandes bandas, Thalis garante que os proprietários já têm uma reforma programada. “A Donna Santa só precisa mudar um pouco a sua estrutura lá de fora, principalmente o palco. Já fui com algumas bandas a eventos totalmente sem estrutura, sem palco, só com o areal. A boate tem uma ótima estrutura e o pouco que falta vai ser feito agora na reforma que programamos para o período do carnaval“.
Este sábado marca a quarta grande festa sob o comando de Thalis. A primeira, com Furacão do Forró, foi a sua predileta. Instigado a falar sobre de qual apresentação menos gostou, ele foi político: 
Há 7 anos atrás, a internet mix alencarina ainda engatinhava. Além de um ou outro blog informativo (estes também apenas em seu início), o principal ponto de encontro na rede era um ultrapassado sistema de comunicação chamado mIRC, um servidor virtual de chat que se acessava através de um programa e continha diversas salas de bate-papo. 
Mas nem só de Blog da Redação vive o ZonaMix. “O primeiro de nossos blogues foi o
Aliás, por falar em parcialidade, este é sempre um tema controverso quando se coloca na mesa a intimidade de qualquer meio de comunicação. O Zona não é diferente. Mas, sobre isso, não há muito drama a se fazer. JP conversou conosco muito seriamente sobre o assunto. Pra ele, um portal do tamanho do Zona tem um funcionamento parecido com uma boate: “nós temos nosso público, mas também temos funcionários a pagar. E pra isso precisamos saber nos vender”. No caso, “saber nos vender” significa que os anunciantes e patrocinadores têm sempre um espaço privilegiado no site. Porém, com muito orgulho disso, 


Após recebermos o release do evento, encantamo-nos com a história. Bancamos também uma dúvida: como apresentar a complexidade de uma relação amorosa, principalmente homoafetiva, em um monólogo? A resposta é lógica: somente o ator (e autor) pode responder.
bem além da segurança quando brinca com os homens na platéia. Na apresentação que vimos, um espectador foi instigado a escrever o seu ponto de vista sobre aquela relação que estava a ser contada. Um belo momento para exercitar, com maestria, a visão hetero de um amor gay.
“São Paulo é uma cidade que te dá milhões de oportunidades, mas também sabe te engolir“, diz referindo-se às possibilidades de trabalho em uma das maiores cidades do mundo. Ele completa: “lá, você tem de trabalhar muito. Eu saio de casa às 7h da manhã e volto às 10h da noite, todo dia. É uma rotina estafante“.
Lucas é também alucinado por cinema e TV. “Gosto de vários estilos, mas drama é o meu preferido no teatro e no cinema. Na TV, prefiro os seriados, principalmente os norte-americanos. Para mim, o melhor programa da TV brasileira se chama A Grande Família (TV Globo), porque ele retrata uma realidade incrível de nosso dia-a-dia“. Ele também pensa em atuar em TV. “Acho que a Record está crescendo, mas ainda falta muito para alcançar o padrão de qualidade da Rede Globo“. Ele confessa que já fez vários testes: “Em SP, a gente passa o dia fazendo dezenas de testes. Isso é uma coisa muito comum. Mas o que vale mesmo é o fato da amizade, de conhecer um diretor, essas coisas“. E ainda completa: “Na televisão muitas vezes só importa ter um rostinho bonito e um corpo legal. Tem muita gente atuando que não tem talento algum, mas está lá porque é bonito(a)“.
Sobre o mercado, é enfático: “O cearense normalmente encara o teatro como um hobby. Poucos enxergam que alguns artistas vivem da arte. Por isso decidi me mudar para São Paulo, onde o mercado está sim estagnado, mas as oportunidades são imensas para quem tem talento e quer trabalhar“.

Daniel de Paula começou a tocar inspirado em seu irmão, o também top-DJ Sílvio de Paula, chamado de “mestre” até pelos mais conceituados disk-jockeys de nosso Estado. “Desde pequeno eu escuto músicas de todos os gêneros. Influência de meu irmão, com certeza. Em meados de 1987, ao ouvir o remix de
Foi através da amizade de muitos anos com Leco Lima que Daniel foi parar na Donna Santa. “Ainda no começo de 2006, quando surgiu a primeira conversa com os proprietários para abrir uma boate em Fortaleza, Leco me chamou e topei na hora”. Além de amigos e do intenso contato pessoal, Daniel e Leco já eram parceiros. Entre 2005 e 2006 promoveram várias festas em parceria, muitas delas bem conceituadas, como a SCHOCK (que neste ano aconteceu no Aeroporto de Fortaleza – 
Além da formação de DJ, Daniel de Paula ressalta que ajudava a formar um profissional completo: “Eu os ensinava a ter sensibilidade e sempre os instruí a pesquisar”
O que um bom aspirante a DJ não pode fazer? “Ser midíocre”. Como? “Achar que já sabe de tudo só porque fez um curso”. E ainda completa: “Hoje eles ficam medíocres porque DJ virou uma das profissões mais desejadas do mundo. Eles já querem entrar brilhando, querem ser estrelas de cara. Para mim, estrela só no céu. Humildade sempre!”. Por que ser DJ desperta atenção em tanta gente? “O DJ é um artista, e fama incita poder, que é uma coisa que todo mundo quer. Todo mundo gosta de ser reconhecido, famoso, desejado, e esta profissão atrai pessoas de todo tipo”. Você poderia destacar algum bom representante da nova geração responsável? “Tem muita gente nova surgindo todos os dias e outros que já estão consolidados no mercado. O meu irmão é para mim acima de tudo. Destaco também o Itaquê Figueiredo e Renata D!B e Gilvan Magno, ambos meus ex-alunos”. E explica: “Todos eles são pessoas de muito carisma, além de muita técnica e não chamam multidões para as festas à toa. Além de graaaandes amigos, são estes que considero os tops na atualidade”. E sobre os novos Djs? “Dos novos, muita gente ainda pode se revelar mais…”.
Rola muita paquera quando você tá na cabine? “Bastante (risos). Levar cantada faz parte da rotina de qualquer DJ. Posso contar um exemplo?” Com certeza! “Já tive casos bem engraçados, viu… Havia uma garota e um rapaz dançando na pista, na minha frente. Ele parecia mais tímido e tentou chamar atenção. A menina ficou fazendo cena para eu dar bola pro amigo, mas ele não fazia meu tipo. Daí, fiz que ela estava me paquerando e mandei beijos pra ela. Cada vez que ela olhava, eu mandava mais beijos. Eles desistiram e foram pra outro lugar na boate”. Uma maneira inteligente para manter o sorriso de quem levou um fora? “Quem viu, achou bem engraçado a maneira com que me saí…”
Sobre a relação gay-DJ, ele disse que só 

Mas é na quarta maior cidade, desta vez do Brasil, que Condessa apresenta todo o seu carisma e um profissionalismo ímpar. Dona de um sorriso meigo, a carismática Condessa é assim chamada de forma carinhosa e respeitosa. A nobreza de seu título está também em sua personalidade. Muito além da nobreza, é no calor humano do povo que ela gerencia a programação artística da mais tradicional boate gay do Ceará, a Divine.
“Apesar de a Condessa existir há muito tempo, foi somente em 2005 o meu primeiro show. Justamente na Divine”. A oportunidade de trabalhar na boate surgiu após o convite dos proprietários. Sua escolha certamente foi tomada pela assiduidade de Condessa e pelo senso crítico de Fábio. Bastante respeitada e admirada no meio artístico local, ela se mostra extremamente satisfeita e engajada no conceito da casa. “Queremos trazer de volta 50% do nosso público”. Perderam? “Eles estão menos assíduos do que eram anteriormente. Hoje a concorrência é muito forte, meninos. Até 2005 a Divine era única. Hoje temos várias opções como bares, botecos, forrós e até mesmo boates”. E os 50% restantes? “Ah, estes se mostram fiéis”. Muito fiéis, destaco.

identificação com ela.
O carinho e o respeito de Condessa podem ser sintetizados também pela sinceridade. Você se acha sincera? “Totalmente”. Como faz para dar oportunidades a novas artistas? “Temos amigos que trabalham como olheiros. Eles indicam e marcamos um ensaio com o artista. Toda terça-feira, às 20h, fazemos ensaio aqui na Divine”.

Quando começou, o amor foi digno do mais romântico dos roteiros cinematográficos. Iniciado durante um passeio de barco, tendo como cenário a linda Canoa Quebrada, Paula Roberta e Monah Monteiro formaram um lindo casal enquanto durou o relacionamento. Começaram o trabalho de promoção de festas juntas, nos eventos do Gayto, no Porto das Dunas (2003) e se mantém juntas até hoje, gerenciando e promovendo a ME3T Music & Lounge, a mais moderninha boate de Fortaleza. À inevitável pergunta sobre como conseguiram manter a sociedade após o término do relacionamento, Paula Roberta foi enfática: “Difícil foi, não tenha dúvidas, mas mantive a sociedade pelo amor que tenho por Monah. Vi que ela precisava de mim”.
O fato de bater em cima do nome de Monah Monteiro numa matéria sobre Paula Roberta mostra o quanto as duas profissionais se completam. Até no momento de nossa entrevista, as duas estavam juntas, lado a lado, uma ouvindo a outra, mas com poucas interrupções. As duas, além de sócias, formam o mais racional grupo empresarial do mercado mix cearense. Paula Roberta é empreendedora, embora esta palavra sozinha ainda não a descreva por completo.
Paula Roberta foi escolhida a Personagem da Semana pela passagem da festa “Os 7 Pecados Capitais”, ocorrida no último sábado (29/11), numa boate nas proximidades do Beach Park. “A 7 pecados é a festa da qual mais nos orgulhamos”, informa. A idéia para a festa veio da própria Paula. Como assim? “Nasceu da idéia, de uma simples idéia. Veio do nada, falei para a Monah, ela adorou e a partir daí começamos a dar corpo à idéia”. A idéia à qual Paula se refere é à criatividade, que muitas vezes vem sem qualquer motivo e que chega de repente. Criativa ela também é, e muito.
É mais fácil ser empresária da noite hoje ou cinco anos atrás? “(pensando…) Cinco anos atrás. Não, quer dizer, hoje (risos). Hoje está mais fácil porque as pessoas têm o direito de escolher para onde ir. Hoje temos boates para todas as tribos, e cabe ao público escolher qual delas quer frequentar no dia”. Você consegue apontar qual o seu maior concorrente? “O maior concorrente de qualquer casa, seja ela gls ou não, são os seus próprios defeitos”. O que é mais difícil realizar: uma festa-fora por mês ou uma por semana num ambiente fixo? “Uma por semana num ambiente fixo, com certeza. A cada dia de funcionamento você tem de fazer uma coisa diferente, tem de mostrar um diferencial ao seu cliente. E isso consome muito”.
Não é exatamente promovendo festas que Paula Roberta planeja seu futuro. 
Ao ser encaminhado ao Hospital São José, referência no tratamento de doenças infecciosas em Fortaleza, Orlaneudo conta que entrou em desespero. Foi aí que ele sentiu o grave problema a que estava exposto.
A curiosidade nos permitiu uma pergunta indiscreta: como é a vida sexual de um portador do HIV? “As pessoas acham que a melhor coisa a fazer é a abstinência sexual. Não é. O portador do vírus HIV deve fazer sexo e tem de se proteger também, e o uso da camisinha é imprescindível até em relações homoafetivas duradouras”. Orlaneudo conta que já namorou e teve relação sexual com vários soronegativos, “o que caracteriza uma relação sorodiscordante”, como ele conclui. “Uma vez um rapaz me agradeceu e disse que se não fosse eu, ele com certeza estaria infectado”. Ele refere-se ao fato de colocar o uso da camisinha como algo fundamental no sexo, independentemente de com quem seja.
Em um artigo nos enviado por e-mail, relatando sua experiência, Orlaneudo Lima conclui: 
Foi numa noite calourenta de terça-feira que a equipe do ZONAMIX chegou a um flat na Av. Abolição, com vista para a Beira-Mar, cartão postal da capital cearense. Andréa já nos esperava na recepção. Lia jornal e quando nos aproximamos, não deixou seu velho costume de falar sobre política: “tô lendo aqui as coisas do PSDB. Esse povo…”. Filiada ao Partido dos Trabalhadores (PT) desde os dezesseis anos (“assim que tirei meu título de eleitor, me filiei ao PT”), Rosati atualmente trabalha no Governo do Estado do Ceará, onde faz a coordenação multi-secretaria de políticas públicas voltadas aos direitos de homossexuais. “Tenho contato direto com o secretariado do governador Cid Gomes. Falo com o Secretário de Segurança a qualquer hora que queira”.




Chegamos à boate por volta das 16:45h desta quarta (12/11). Armamos as cadeiras e uma mesa na área externa e começamos a explicar nossa matéria. Informamos que faríamos perguntas aos empresários e promoters. Em alguns casos, as perguntas eram as mesmas. Paulo Gurgel (ao lado, de camisa vermelha listrada), de ante-mão, disse que ficaria ouvindo e deixaria as explicações para Júnior Cohen. “Ele é quem cuida dessa parte social”. Ao longo das quase três horas de conversas (por muitos momentos esquecemos a entrevista e conversávamos como amigos e parceiros de longas datas). Um fato nos impressionou: retraído no começo, foi Paulo quem mais falou (ao lado de quem, adivinha?!). Deixou a timidez de lado, encarnou o empresário satisfeito com o trabalho (dele e dos empregados) e nos deu excelentes declarações.
Enquanto o tímido falava, o extrovertido brincava. “É engraçado que quando tô hoje com os meus amigos, eu fico dando pinta, dizendo as gírias de gays. Eles olham pra mim e dizem: ´macho, tu tá virando gay?´”, conta Cohen, dando risadas. “Quando novinho eu era daqueles que brincava os gays na rua. Claro que me arrependo, mas é porque sou brincalhão mesmo”. Humpf!

Mas tamanha confiança assim é recente. Dois anos atrás, o mercado mix de Fortaleza vivia o final (feliz) da “época abre-boate-fecha-a-outra-boate”. Hoje, temos quatro grandes boates em pleno funcionamento, e todas com seu público. Mas é a Donna Santa que se destaca entre elas: “Enquanto 500 pessoas podem entupir uma outra boate, porque elas são mais compactas, na Donna Santa este público mal lota um, dos dois ambientes”, explica Leco, que ainda completa: “antes me chamavam de Leco-fecha-boate”. E ele credita o sucesso dos dois anos da boate ao trabalho “de todos”.
Além de revolucionar a noite mix cearense trazendo um grande público a cada evento, a Donna Santa foi a primeira boate gay a abrir espaço ao tradicional ritmo de nosso estado, o forró. “Antes da boate abrir, eu ia muito a festas com meus amigos. A forrós, inclusive. E percebi que era grande a quantidade de gays que frequentavam aquele ambiente”, explica Leco. “A primeira vez que trouxemos forró para a Donna Santa foi um sucesso absoluto. Foi Karine Mittre e Forró Lenhada, mas já recebemos grandes bandas como Pollyana Mel, Forró Diferenciar e já temos agenda marcada para Forró Real na Donna Santa”. Forró Real? “Sim”. Uh!
Sobre reformas, os empresários são cautelosos. “Temos, sim, planos. E alguns a curto prazo”. Em primeira-mão, Junior Cohen nos contou que já para este final de novembro está programado o lançamento do terceiro ambiente da casa, na parte de cima do dance. “Será um espaço sensual, dedicado à paquera”. “Devemos aumentar o tamanho de nossa boate também. Não sei se pra cima ou pros lados. Ou os dois”, informa, com poucas palavras, Paulo Gurgel. “Nossas reformas serão feitas durante o carnaval, porque é o único período que a Donna Santa fecha por 15 dias”. Sobre interesse em outros estabelecimentos mix, Gurgel informa que tem muita vontade de inaugurar uma barraca de praia. “Já tivemos esse projeto ainda no primeiro ano da Donna Santa, mas acabou não dando certo. Nossa idéia ainda persiste, mas queremos fazer um trabalho diferenciado, com ótima estrutura”.
Sobre o momento atual do mercado, os empresários mostram-se altamente empolgados com as oportunidades de Fortaleza. “Não vamos abandonar esse público tão cedo. Pelo contrário, estamos só começando”. Paulo e Junior, quando perguntados sobre quem são os concorrentes da Donna Santa, não titubeiam: “Quem são nossos concorrentes? Nós mesmos”. Perguntamos sobre como eles lidam com os empregados. “Na festa de um ano da Donna Santa, quando todos os clientes saíram, mandei o Leco Lima pro bar e chamei todos os funcionários para a pista de dança. Ficaram todos dançando e nós servindo a eles. Alguns se emocionaram, pegaram o microfone, falaram que já haviam trabalhado em muitos locais, mas serem respeitados como humanos era a primeira vez”, orgulha-se Paulo. “Nós também temos muito carinho e respeito pelos nossos funcionários. Quando algum tá com problema financeiro, fazemos uma vaquinha por aqui e ajudamos a ele”, diz Júnior.
De fato, a equipe técnica e gerencial da Donna Santa é a mesma desde a inauguração. Os três DJs (Daniel de Paula, Doripan e Kacilla), os promoters (Leco Lima e Carol Feitosa) e o gerente (Carla, que foi embora para Teresina pouco tempos depois, e Isaque, o atual). “Tá vendo aquele nosso funcionário ali? Ele vem aqui porque gosta. Não havia necessidade de tá aqui hoje”, aponta Júnior. Reparamos que o funcionário se comunica livremente com eles, e até nos agradou trazendo uma bandeja com água.

Nosso objetivo foi alcançado na noite desta terça-feira (04.10), quando fui ao encontro da palestrante. Abramos um parêntese: Fernanda Meirelles é arte-educadora, formada em Letras (UECE), dá palestra sobre arte e cultura, além de ser talvez o maior nome feminino entre os fanzineiros de Fortaleza.
Britanicamente, estava no horário e no local marcados. Ao chegar ao estabelecimento, Fernanda, com uma blusa branca básica e uma saia com estampas floridas e tênis, estava terminando suas falas no projeto “Literatura de Lua”, no qual, duas vezes por semana, ela convida um profissional ou um leitor comum (e explica: “essa é uma das grandes diferenças do projeto”) para discutir temas ligados à literatura, ao som de boa música e para um público bem atento e seleto. Entrei na sala e fiquei quietinho, observando tudo…
De cara, entrei na questão sobre o beijaço organizado por Fernanda em 2002, em um estabelecimento de entretenimento na Praia de Iracema. No mês de maio daquele ano,
Mas a vida de Fernanda não se resume somente ao beijaço. Formada em Letras pela Universidade Estadual do Ceará – UECE, e com especialização em Arte-Educação pelo CEFET, hoje a profissional se desdobra em várias atividades, seja nas suas aulas que ministra no Centro Cultural Bom Jardim, equipamento ligado ao Governo do Estado, ou em seus projetos paralelos, como o “Literatura de Lua”, além da confecção de fanzines e postais. “Em dezembro estarei expondo novos postais que terão a temática do sono como ponto de partida. Eu (escrevendo) e Bob (desenhando) somos os autores, e formamos a dupla Supercordas”.
Fernanda disse ser fã de Paradas Gays, em contraponto a alguns intelectuais que acham que esse tipo de movimentação política transformou-se grandes carnavais fora de época e perdeu o cunho político. “Adoro ir a Parada Gay e participar desse tipo de evento. Acho que é um momento onde pessoas diferentes em vários aspectos, não só de sexualidades, podem conviver de perto, incluindo família, paqueras, namorados e amigos. Só em isso acontecer, o evento já vale a pena!”.
Quando o assunto é relacionamento familiar, Fernanda se derreteu toda, mostrando grande admiração por sua mãe. “Ela é uma mulher ninja, além de ser muito elegante e esclarecida. Quando ela soube, logo no começo, passamos por todas as fases, dificuldades e desencontros. Mas com o tempo, diálogo, convivência – inclusive conhecendo minhas namoradas – ela passou a encarar com naturalidade. A grande preocupação dela era o que de ruim poderia acontecer comigo devido ao preconceito alheio“. Falando em relacionamentos, Fernanda mandou um recado para as candidatas de plantão: “estou solteira!”, enfatiza.
Não, não foi erro de digitação. O título está escrito corretamente: Dorivan. “Espera, mas ele não é o DJ da Donna Santa?”. Sim, é. “Então é Doripan”. Não. É Dorivan. Quem explica é o próprio: “Meu nome é Dorivan. O Doripan veio do período em que trabalhei na rádio Jovem Pan, em Teresina. Lá, todos os funcionários tinham um nome ligado à rádio. Aí me colocaram como DoriPAN“. E você gostou? “Nada contra, mas foi pegando, pegando… hoje a maioria das pessoas me chama de Doripan”.
Mesmo sabendo da importância do disk-jockey num evento, Dorivan assume a responsabilidade pelo sucesso da Donna Santa. “No começo, tive muito problema com o (DJ) Daniel de Paula. A casa (Donna Santa) tem uma faixa de 15 hits que devem ser tocados. Antes, o Daniel entrava, tocava às vezes as 15 músicas e os outros que se virassem”, critica. E hoje? “Hoje já está bem melhor porque conversamos. Mas vez ou outra ele ainda faz isso”, continua. Sobre o seu contato com os demais funcionários da boate, Doripan é enfático. “O Leco (Lima, promoter) chega, diz ´querido!´e vai embora”. Isso é bom? Eu adoro, porque demonstra a confiança que ele tem no meu trabalho.
Doripan, muito antes da Donna Santa, já havia morado em Fortaleza. Isso em 2005, quando foi Dj residente do ultra[lounge] Fortaleza, a boate moderninha de Leandro Becker. “Passei pouco tempo e voltei a Teresina, onde fui residente da Metalurgica”. A Metalurgica foi a principal boate gls do Piauí por um bom tempo. Era dos mesmos donos da Donna Santa. “Tivemos de fechar a boate por causa da lei do toque de recolher”. Na capital piauiense, nenhum festa (particular ou não) pode exceder o horário de 2h da manhã sem autorização da Secretaria de Segurança Pública do Estado. “Isso acabou por fechar todas as boates da cidade”.
E o bebê já tem nome? “Não, calma. A Fabiana ainda está no segundo mês. Mas quero um nome estrangeiro. Acho bonito nome bem diferente, sabe?”. Sei. E seus pais, preparadíssimos pra ser avós? “Meu pai já faleceu, mas minha mãe pegou no meu pé. Queria que eu casasse, mas não vou casar”. O que tem contra casamento? “Acho casamento uma coisa muito séria. Posso até casar com ela, mas daqui a uns 5 anos, no mínimo”. Quanto tempo de namoro vocês têm? “Três”. Acha um bom tempo? “Acho que o filho demorou a vir. Só nos prevenimos uma vez durante todos esses três anos, acredita? Ela não faz essa coisa de tabelinha, não toma anticoncepcional, não tem DIU, essas coisas…”.
Num longo momento de descontração, Doripan nos confessou cenas (muitas, impublicáveis) em seu trabalho na noite. “Já vi cada coisa que até você duvida”. Conta uma, vai! 
Muitíssimo bem recebida pelos promoters e proprietários da casa, Samsarah foi conhecer a boate e ensaiar alguns passos para o show. O que fez nestas poucas horas em Fortaleza? “Revi amigos e fui ao salão de cabeleireiros onde trabalhava”, o do Ramon, próximo ao North Shopping (zona oeste). “Ramon foi aquela pessoa que me abriu as portas em Fortaleza e sou muito grata por isso”.
Muitas vezes fomos interrompidos. Durante a conversa – agradabilíssima -, Sayck recebeu ligações de empresários de Teresina, possivelmente para marcar show. “Diga a ele que só vou de avião. E se quiser”, brinca. A artista é super brincalhona e alto-astral. Em outro momento, falava sobre os momentos na cadeia e seu telefone toca. “Alô?”. Desliga. “Ah, pedindo pra eu ligar, mas nem sei quem é. Deixa pra lá…”. Então, vamos lá?! Vamos, Sayck, porque nós somos super curiosos!
Qual seu programa mais valioso? “Uma vez ganhei 1.500 euros (sim, mais de quatro mil reais!) em pouco mais de trinta minutos. O cara estava muito drogado. Ia me dando as cédulas e eu ia guardando”, conta. Sobre drogas, Sayck é enfática: “Há muita droga na Europa. Quase todos se drogam”. E por que a preferência pela Itália? “O italiano é tarado. Faz sexo até com cachorro na rua. Não quer saber com quem, está sempre em busca de prazer”. Já pegou muito homem bonito? “Nossa, perdi as contas. Mas a maioria é da faixa de 35, 60 anos”. Sessenta anos? “Sim. Senhores, 80% são casados”. E na cama? “A gente sai daqui pensando que vai ser mulher lá. Pelo contrário. A maioria dos homens que contratam programa quer ser penetrado”. Passado?
Sobre a barreira do idioma, Sayck conta que aprendeu a falar italiano vendo TV. “Já saí daqui sabendo algumas palavras básicas”. E como fazia para se comunicar por lá no começo? “Eu não falava”, ri. 
Namorando há um ano e meio, Sayck mora com seu namorado. Ele vem ao Brasil? “Tá vendo isso, sabe? Tá naquela de uma hora vem, outra hora não vem”. Ainda pretende morar no Brasil? “Claro, com certeza. Quero somente trabalhar na Itália, ganhar meu dinheiro, voltar para cá, montar meu salão e ser mais feliz ainda”. Sobre a experiência, Sayck disse que faria tudo novamente. “Faria tudo de novo, do mesmo jeito. Mas não indico a ninguém passar pelo que passei. 

O ZONAMIX anunciou, em primeira-mão, a contratação de Thalles pela ME3T (
Entre diversas perguntas, chegamos à tradicional indagação: a ME3T é a boate da classe A/B? “Gato, não fazemos distinção de público. Sim, há uma prevalência do público A/B, até por conta da proximidade com a residência deles [a boate tem localização na área nobre de Fortaleza]. Com essa história de lei seca, todo mundo quer se divertir pertinho de casa. Mas temos público de outras classes também. Com o crescimento da economia, a classe C tá tendo acesso a bens de consumo e por isso o número de foliões na cidade tem aumentado”, pontuou.
Thalles não se julga uma pessoa muito simpática. “Sou político. Falo com todos”. Perguntado se, depois de tanta experiência com a noite mix cearense, ele não tem pretensões de trabalhar como promoter, Thalles foi enfático: “Não”. Por quê? “Porque não teria a paciência que os promoters têm, de aguentar todos os abusos e ainda sorrir. Sou meio explosivo e digo o que quero, às vezes. Isso ia me atrapalhar muito sendo promoter. E outra, amo o que faço”.
Às vésperas de apresentar mais um especial na Divine, John Adaggio recebeu a equipe do ZONAMIX com muito entusiasmo. John Adaggio é o nome artístico de Ênio Cruz, 28 anos, natural de Fortaleza e 7 anos de “montagem masculina”, brinca.
Ênio orgulha-se de fazer parte do cast da Divine. O corpo artístico da boate mix mais tradicional de Fortaleza é composto por artistas como Tatiana Hilux, Adma Sheeva, Camille Lenker e Flávia Fontenelle. Entre tantas montagens, Ênio assegurou sua vaga quando impressionou Celso, o proprietário da Divine. “Uma vez fiz um dueto com Condessa Meirelle Blanche no sábado. Dublei uma música de Freddie Mercury. O sucesso foi tão grande que no domingo o Celso me ligou e pediu pra repetir o show”, orgulha-se.
Mas é falando sobre a Divine que ele mostra todo o seu carinho. Mas o que a Divine tem de diferente? “A Divine nos trata bem. É a boate em que nós, artistas, temos voz e vez. Somos bem tratados do empregado da limpeza ao dono da casa”. Ênio conta que sempre recebe apoio da boate para projetar e executar novos shows. “Recebemos tanto respeito da casa, que temos lanche e uma topic do lado de fora para nos deixar em casa após os ensaios”. Ainda segundo o artista, os ensaios são cansativos, mas “valem a pena”.
Neste final de semana (11 e 12 de outubro/2008), Ênio Cruz apresentará seu mais recente especial. E bota especial nisso! Nada menos que 25 artistas participarão dos shows (dois ao todo, um por dia), com 45 minutos de duração em média. “Será um show temático, como o nome já diz (Especial Dia Das Crianças). É uma oportunidade também de mostrar que nossos artistas sabem se adaptar a novos trabalhos. Teremos drags como Xuxa, transformistas como Chiquititas, performers como palhaços…”. De diferente, seu especial tem o tom de reviver o passado. Dez, vinte anos atrás.