“Nunca, na história desta cidade, os gays tiveram tanta vez e voz“. Parafraseando a mais coloquial das expressões de Lula, a reeleição de Luizianne Lins representou um momento fundamental na manutenção e, principalmente, no andamento das políticas públicas voltadas à Diversidade Sexual em Fortaleza.
É natural esperar um discurso ufanista, o popular oba-oba, para celebrar a vitória de uma simpatizante que desde sempre representou e lutou pelos direitos dos homossexuais em nossa cidade. Luizianne simplifica a essência do gay: um ser guerreiro, que luta pelos objetivos e que não descansa enquanto não cumpre o seu papel.
Luizianne muito tem feito pelos gays de Fortaleza. Mesmo quando teve voltada para si um batalhão inteiro de preconceito e homofobia quatro anos atrás, a candidata do PT não titubeou, assumiu a responsabilidade e hoje colhe o que plantou: sinceridade nas urnas, e paixão nas ruas.
Em meio aos 593.778 votos de confiança (50,16% do total) , Luizianne leva consigo o peso de governar a quarta capital em população no país, num Estado ainda um tanto machista e homofóbico (embora a passos lentos, vamos ano a ano melhorando este problema). Mas… o que a vitória de Luizianne representa para nós, gays?

É sempre bacana podermos contar com alguém que, embora não seja do “meio”, simpatize com as políticas da diversidade sexual (porque “causa gay” me soa brega e rotulante). Logo em seu primeiro ano no governo, a “Lôra” implantou a Coordenadoria da Diversidade Sexual, chefiada até então por Mitchelle Meira (candidata a vereadora, teve 2.609 votos) e atualmente está representada por Orlaneudo Lima, ex-presidente do GRAB e um dos maiores nomes da militância gay no Brasil.
Mas talvez o maior feito político de Luizianne tenha sido o de trazer o debate sobre homossexualidade às casas de nossas famílias. Luizianne destacou-se porque, sem medo algum, levantou a bandeira do arco-íris e mostrou-se ser à favor da Diversidade. Ganhou votos e admiradores porque foi pioneira. Patrícia Saboya e Renato Roseno também defenderam a Diversidade como bandeira política, mas foi Luizianne a candidata dos gays.
E promoveu até um “relaxe, gay também é gente” em um candidato. Um tanto que constrangido (não sei se ele ou os gays), Moroni Torgan fez uma patética ceninha “eu aceito vocês, tá?!” ao posar ao lado de homossexuais. A foto foi parar na FOLHA DE SÃO PAULO e teve muitos comentários aqui no Blog da Redação (relembre aqui!).
A Prefeita de Fortaleza fez um primeiro governo repleto de respeito aos gays. Especialmente ao ZONAMIX, uma ainda tímida mídia, mas que se espelha na fortaleza interna de Luizianne e segue seu caminho rumo à democratização da informação feita por e para gays. Para nós, um motivo de honra. Para nossos milhares de internautas, mais um veículo para colaborar na sua opinião social.
Enumerar erros num momento de festejos é mais complicado que falar dos avanços. É óbvio que progredimos – e muito -, e mais óbvio ainda é que muito ainda falta fazer. Nos próximos quatro anos devemos progredir ainda mais em programação cultural, com o apoio ao ForRainbow. Na luta contra a homofobia, a Prefeitura tem de investir cada vez mais na capacitação de professores da rede municipal. Educação pessoal se aprende em casa; mas é na escola que nossas crianças têm o primeiro contato social de suas vidas. Inclusive, é lá onde vão aprender que homossexualidade não é contagioso, mas contagiante; não é motivo para chacota, mas de muito orgulho. O apoio à realização da Parada Gay de Fortaleza deve ser mais intenso: que tal fazer como São Paulo, onde a Parada é um evento importantíssimo no calendário de eventos da cidade? Que tal fazemos uma campanha publicitária e entrar no turismo gay-friendly? Que tal? Ahn?!
Não precisamos de obras rotulantes. Mas queremos segurança e liberdade (estas, dever do Estado, mas princípios que devem ser defendidos por qualquer autoridade) para trocar carinho em público, ou simplesmente juntar amigos e paqueras em praças públicas, como acontecia na Pracinha da Gentilândia e hoje na Praça Portugal, aos sábados.
Precisamos também, caros governantes, de um trabalho social mais efetivo para mostrar aos jovens a importância do uso de preservativo em relação sexual. Seria de bom tom também uma campanha que mostrasse aos nossos irmãos fortalezenses o quão perigoso e sem volta é o caminho das drogas. É lastimável perceber o quanto a nossa juventudade está se perdendo no consumo e no tráfico desse ciclo de vício e violência.
Enfim, a reeleição de Luizianne nos representa muito. Literalmente. Além da segurança de ter uma governante que se preocupa com as causas sociais (especialmente as da diversidade sexual), a “Lôra” é uma figura carismática, guerreira, e que deve usar da humildade e da competência para trabalhar. Assim como os gays, Luizianne é alvo de fortes críticas. Mas as críticas a ela dirigidas também ajudam a nos tornar cidadãos fortalezenses. E com muito orgulho.
Nos próximo quatro anos, Fortaleza tem de ser mais que bela. Fortaleza tem de ser Belíssima!