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Sucesso na Internet, “Leona, Assassina Vingativa” será atração em Fortaleza

Postado em 04, ago de 2011 por admin em Texto do Leitor, Vídeos

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É bem provável que você já tenha assistido a algum vídeo de Leona, A Assassina Vingativa. Pelas contas do YouTube, somente um dos vídeos já foi visto mais de 1 milhão de vezes. E há vários deles espalhados pela rede mundial de computadores.

Leona, que assina como “A Assassina Vingativa”, nada mais é do que uma personagem que, de tão tosca, virou engraçada. E muito engraçada.

Super antenados com as novidades do mercado, os empresários locais dão mais um exemplo de que marketing e festas mais do que combinam. São essenciais.

Foi o mesmo YouTube, onde Leona praticamente “surgiu”, a plataforma de marketing escolhida para a divulgação da festa do próximo dia 20 de agosto. “Pela primeira vez em Fortaleza”, diz. Em cerca de 40 segundos, a própria “artista” fala sobre o evento e, claro, deixa o convite ao público.

>> Quem é Leona, A Assassina Vingativa?
Leona na verdade se chama Leandro Olin, tem 14 anos e é de Jurunas, um bairro de Belém. Em 2009 ela ganhou um perfil no jornal Diário do Pará, um dos maiores daquele estado, e foi chamada de “o maior fenômeno audiovisual paraense”. Sobre o assédio: “Eu estou achando um luxo. Sabe que a Leona é a Leona. Eu sou linda, absoluta, eu sou Leona”, diz Leandro. Quer dizer, Leona. A Assassina Vingativa.

@com informações e imagem do jornal Diário do Pará

ARTIGO DO LEITOR: A República da Farinha – o momento dos grandes partidos políticos brasileiros

Postado em 02, mai de 2011 por admin em Artigo, Texto do Leitor

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por Alexandre Haubrich, jornalista, editor do blog Jornalismo B (http://jornalismob.wordpress.comhttp://twitter.com/jornalismob /http://twitter.com/alexhaubrich)

A atuação dos partidos políticos brasileiros hoje pode ser explicada através da farinha. Já tivemos o Ciclo do Açúcar, o Ciclo do Ouro, o Ciclo do Café. Tivemos até a versão político-institucional mais chique, mais cheia de fricotes, o café-com-leite, assim com hífen e tudo. Pois hoje vivemos o Ciclo da Farinha. De sacos diferentes, mas ainda assim farinha.

Peguemos os mais encorpados partidos do país e vejamos se a farinha não é o elemento comum entre eles, se não é ela quem norteia os rumos da política nacional. A farinha, unida a doses variáveis de fermento, é a receita geral, ainda que um ou outro mestre-cuca da alta elite culinária prefira a farinha que passarinho não come.

O PSDB segue a receita da vovó estrangeira, que vem e volta ao Brasil de acordo com suas conveniências, mas não gosta muito daqui. De qualquer forma, ela está sempre em contato, enviando sua mais nova receita aos filhinhos tucanos, nova receita que é sempre a mesma. Está caduca ou apenas quer fixar bem seus ingredientes na nossa cabeça? Bondosa. Fato é que o contato é sempre através de cartas, para que venha junto seu cheiro de enxofre, tão agradável ao olfato das aves de bico longo que habitam essas paragens.

A receita do PSDB baseia-se, teoricamente, em fazer o bolo crescer para depois dividir. Mas, cozinheiros amadores que somos, sabemos que em qualquer casa que se preze quem está na cozinha acaba por decidir o quanto quer comer. Se muitos estão ajudando a fazer o bolo, muitos comem, irremediavelmente. Se poucos se fecham a sete chaves na cozinha, fazem um bolo enorme e comem tudo sozinhos.

Mas não veja no PSDB ou em sua avó estrangeira muita criatividade. Com problemas para manter o peso, os tucanos pouco mais fizeram do que deixar mais light a receita usada pelo seu primo DEM, receita essa criada pela querida vovó deste último, a Dona Arena. Essa rigorosa senhora passou a tal receita para o seu filho, o PFL, que repassou para o DEM. Os passos são mais ou menos semelhantes aos da receita do PSDB, mas, para fazer o bolo como prefere o DEM, bata bastante. O bolo da Dona Arena também tem um gosto um tanto adstringente: enrola a língua do vivente, dificulta a fala. E é preciso comê-lo com cuidado, sem estardalhaço e com um ritual determinado anteriormente pelo cozinheiro. Caso contrário o cidadão ficará chocado com o que pode acontecer.

O PT, por sua vez, nunca teve muitas condições financeiras para comer bolo. Comia terra, mas comiam todos. Desde 2001, essa realidade mudou. O PT ascendeu à classe média, e ganhou até o direito a fazer seu próprio bolo. Fez, faz, e tem distribuído os pedaços para mais gente. Mas não deixa mais ninguém entrar na cozinha, e a receita, que pegou emprestada do PSDB, ganhou apenas um pouco mais de açúcar.

E o PMDB? Bom, esse não sabe cozinhar, mas come o que vier. E pede para repetir.

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ARTIGO DO LEITOR: A Ditadura brasileira ainda viva – a cidadania torturada

Postado em 01, abr de 2011 por admin em Artigo, Destaque, Texto do Leitor

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por Alexandre Haubrich, jornalista, editor do blog Jornalismo B (http://jornalismob.wordpress.com / http://twitter.com/jornalismob / http://twitter.com/alexhaubrich)

Aos quatro anos de idade, Edson Teles entrou em um prédio na Rua Tutóia, no bairro do Paraíso, em São Paulo para encontrar os pais, que não via há alguns dias. Simpáticos nomes o da rua e o do bairro. Edson ouviu a voz da mãe chamando seu nome, mas, quando se virou, não reconheceu o rosto e o corpo que portavam aquela voz. Em seguida, encontrou o pai, em outra sala, sentado em uma cadeira aparentemente normal para uma criança. Mas havia cintas de couro nos braços da cadeira. Era 1972, e Edson visitava os pais no DOI-CODI, centro da repressão da Ditadura Militar brasileira. “Meu filho perguntou ‘por que o pai é verde?’ e minha filha perguntou por que eu estava azul”, contou anos atrás a mãe de Edson, Maria Amélia de Almeida Teles.

Na última semana, em um seminário em Porto Alegre, Edson desabafou: “me envergonho de ser brasileiro. Oferecemos o Brasil para ser paraíso dos torturadores. Se torturarem em nome do Estado, aqui são anistiados”. E Edson e sua irmã Janaína não são um caso raro. Muitas crianças viram seus pais serem torturados pelo Estado brasileiro que, entre 1964 e 1985, impôs a seus cidadãos o fim da cidadania e de qualquer possibilidade de dignidade. Socos e pontapés eram carinhos. A violência vinha através de choques elétricos por todo o corpo, afogamentos, fuzilamentos simulados. Homens e mulheres, muitas vezes nus, eram pendurados em paus-de-arara, humilhados de todas as formas, reduzidos a nada. E se Edson e Janaína não são um caso raro, e tampouco a tortura a que foram submetidos seus pais foi um caso raro, também não foi a tortura a única forma pela qual cidadãos brasileiros foram agredidos por seu próprio Estado.

Assassinatos e sequestros também eram comuns. Sim, hoje ainda são. Mas, naqueles anos, quem cometia esses crimes era o Estado, e os cometia como Estado, não apenas através de indivíduos que corrompiam as instituições. O Estado e seus agentes eram os criminosos, os assassinos, sequestradores, torturadores. Brasil nunca mais. Muitos cidadãos brasileiros foram obrigados a fugir do país. Deixaram para trás seu lugar e seus familiares, amigos, colegas. Deixaram para trás toda uma vida para começarem a construir outra longe daqui.

O silêncio, para os militares e civis que referendaram o Golpe de 1964, era a causa pela qual lutavam. Gritos? Permitidos apenas nas salas de tortura, e apenas gritos de dor. Parte significativa da imprensa apoiou a Ditadura de seu início até as portas de seu fim, quando percebeu que, ou abandonava o moribundo, ou morreria junto. A outra parte da imprensa, porém, a parte séria, viu muitos de seus representantes torturados, desaparecidos ou acuados. O fetiche do silêncio.

Derrubada a democracia que se aprofundava no governo João Goulart, os golpistas não queriam mais saber de política, apenas de poder. Um professor falando sobre política em aula poderia ser denunciado por um aluno como terrorista. A mesma coisa em conversas de bar ou de qualquer lugar. O risco de tortura, assassinato ou “desaparecimento” sempre iminente. Se antes a política já era afastada do povo, em 64 o Estado tirou do povo o direito de se aproximar da política.

Com a chamada “abertura democrática” da década de 1980, não acabou-se verdadeiramente com a Ditadura. Até hoje suas sobras contaminam a vida dos brasileiros. A herança da Idade das Trevas tupiniquim está no autoritarismo e na violência policial, na despolitização popular, na agressividade da direita, na ignorância, no conservadorismo moral preconceituoso, racista, machista e homofóbico. Esses resquícios sobrevivem também no imaginário demente de alguns políticos e alguns militares que anseiam pela reinstitucionalização de todos esses absurdos.

Continuam dominando importantes setores do país as pessoas que financiaram e apoiaram de diversas formas a Ditadura Militar. Grandes empresários, destacados políticos, graduados militares. Os donos da comunicação brasileira também entram nesse bolo. É por tudo isso que, enquanto nossos países vizinhos agem para limpar a sujeira deixada por suas respectivas ditaduras – sem varrer essa sujeira para baixo do tapete –, aqui o silêncio segue imposto.

É para punir os responsáveis pelo massacre da cidadania brasileira que é necessário revisar a Lei da Anistia, assinada em 1979, que, ao mesmo tempo em que beneficiou quem lutava por um Estado democrático, absolveu automaticamente as pessoas que, em nome do Estado brasileiro, cometeram todos os tipos de crime. A tortura e o assassinato em nome do Estado foram permitidos, o que configura uma arbitrariedade e um desrespeito aos brasileiros representados por esse Estado. Os cidadãos que lutaram contra a Ditadura Militar já foram fortemente punidos das mais diversas formas ainda durante aquele período. Os representantes dessa Ditadura, não. Além disso, a Lei da Anistia foi aprovada pelos opositores ao regime com uma arma na cabeça. Da mesma forma que obtinham confissões através da tortura, os governantes de então impuseram sua própria imunidade como condição para deixarem o povo brasileiro serre-empoderado minimamente.

A abertura imediata de todos os arquivos da Ditadura Militar e a ampla divulgaçãode seu conteúdo, assim como o trabalho de resgate histórico do que vivemos, é outra obrigação do Estado brasileiro. Os cidadãos têm o direito de conhecer sua própria história, a história de seu país. Se o Estado é uma instituição da sociedade, e esta é formada pelo conjunto dos indivíduos, o Estado somos nós, e nós temos o direito de conhecer a verdade e o dever de lutar por esse direito. Para que não corramos o risco de retornar àquela situação de terror precisamos saber detalhadamente o que nos levou a ela o que a manteve por tanto tempo. Só assim, com a punição dos gerentes da nossa Idade das Trevas e com o direito à verdade, poderemos realmente encarar de frente as heranças daquele tempo que ainda nos assombram.

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Donna Santa promove “Festa da Espuma” neste sábado (05/03). Que tal saber mais sobre o evento?

Postado em 03, mar de 2010 por admin em Social Night, Texto do Leitor, Vídeos

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Uma coisa é perceptível: a Donna Santa não se contenta em trazer grandes atrações. É preciso fazer grandes eventos. Investimentos não faltam, e parece que ideias também não. A mais recente é a realização da “Festa da Espuma“. Talvez este não tenha sido o motivo principal, mas a ideia geral é semelhante a de uma festa que ocorreu no Big Brother Brasil, patrocinada por uma marca de produtos de limpeza. É aquilo lá.

O evento é anunciado como “uma das maiores festas nacionais”. É assim que eles vendem no flyer. Tem mais: a mega estrutura vem diretamente de São Paulo. Sobra até espaço para uma mini explicação: “Enquanto os DJs agitam a pista, as máquinas liberam espuma no público”. E asseguram: “a espuma é neutra e não tóxica, incapaz de irritar a pele e os olhos”. E daí? Daí que parece ser imperdível!

Em uma rápida pesquisa no YouTube, encontramos mais de 700 vídeos relacionados a “festa da espuma”. Um sucesso, portanto. Abaixo, um vídeo dá uma noção bacana do que a Donna Santa prepara: uma máquina fica suspensa em pleno dance e, a cada momento, despeja uma quantidade de espuma na galera. O bom é que a espuma deixa o corpo úmido, mas não exatamente molhado por completo. Portanto, pode arrasar na produção.

Instantes atrás recebemos, via Mural Mix, uma mensagem super bacana de nosso zonauta Wellington. A mensagem instigou a nossa curiosidade (acredito que seja curiosidade compartilhada com vários outros zonautas) e decidimos, enfim, fazer as perguntas propostas por ele. Quem respondeu foi Leco Lima, promoter da Donna Santa. Vamos lá!

1) Como será a distribuição desta espuma?
Leco Lima: As máquinas ficam suspensas sobre o dance. A espuma cai no meio do público, que poderá dançar dentro da espuma.

2) Como fica a questão da higiene? A espuma vai molhar o público, não?
Leco Lima: Sobre a questão de ficar molhado, a espuma realmente deixa o corpo úmido, mas não exatamente molhado. Lembrando que a espuma não é tóxica, e é incapaz de irritar os olhos e a pele.

3) Será possível beber por lá? Haverá garrafas de cerveja no dance?
Leco Lima: por medida de segurança, e para evitar qualquer acidente, não vamos permitir garrafas no dance. Quem estiver tomando cerveja ou Ice receberá copos descartáveis. Ah, e no meio da espuma haverá gogoboys vestidos bem à caráter entre os clientes. Especifica isso, por favor.

Para participar deste que promete ser um dos maiores eventos deste ano, ainda dá tempo de concorrer a cortesias pelo ZONAMIX. Para isso, basta cadastrar nome + e-mail e responder a uma perguntinha básica. Ficou interessado? É só clicar aqui. (sorteio válido até a madrugada de sexta-feira). Para maiores informações sobre o evento, consulte a nossa Agenda Mix. Divirta-se!

ARTIGO DO LEITOR: Estilo Donna Santa

Postado em 30, jun de 2009 por admin em Artigo da Segunda, Texto do Leitor

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Por Luis Arthur Costa (luisarthurcs@yahoo.com.br)

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No mundo contemporâneo, é comum a sociedade dividir-se em múltiplos, incontáveis segmentos. A diferenciação entre os indivíduos é, ao mesmo tempo, sua busca de inserção em grupos que os acolham e contemplem as nuanças da personalidade de cada um.

Vestimentas, adornos, as músicas que escutamos, as leituras que fazemos, os programas de televisão a que assistimos, os lugares que frequentamos, dentre outras atitudes, tudo contribui para que enveredemos por uma teia de ideias, reações, relações, enfim, as quais moldam e exprimem as nossas individualidades.

Participar de uma determinada comunidade já causa no outro que nos conhece e/ou observa uma série de impressões. Por exemplo, um sujeito homossexual, cuja orientação é sabida por parentes e amigos, para uns pode parecer seguro de seu desejo, corajoso, politicamente progressista; outros, em contrapartida, eventualmente deduziriam tratar-se de alguém excessivamente desinibido, com características efeminadas, intolerante quanto à não aceitação total de sua condição sexual pela sociedade.

Entre a comunidade mix fortalezense, é bastante perceptível a quantidade de (pré-) julgamentos dirigidos a cada um de seus membros. Uma breve menção ao nome de uma boate insta a algumas noções acerca de seu público.

Há quem defenda a existência de estabelecimento primordialmente frequentado por uma determinada “classe A” – seria de abastada? – ou “classes A e B” – abastados e bajuladores? – ou, ainda, “AB” – médios ascendentes ou ricos decadentes? Consequentemente, segundo esse raciocínio, haveria os locais cujo acesso priorizaria uma clientela tipo “C” – de coitados? –, talvez “CD” – coitaDinhos? –, além da mais famigerada, “E” – provavelmente, de excluídos mesmo.

Particularmente, entendo essa linha de pensamento como frívola, vazia de conteúdo e sem grandeza de objetivo, servindo somente a interesses de meia dúzia de mixófobos – grosseiramente, pessoas avessas a algum tipo de mistura, intersecção social – que beneficiam, com isso, a própria ilusão de irradiarem algum tipo de superioridade material e/ou moral.

Na capital alencarina, destacam-se quatro importantes casas noturnas voltadas para a comunidade LGBT. Comumente, atribuem-se, a cada uma, segmentos específicos de clientes. Porém, todas, sem exceção, insistem, um fim-de-semana após o outro, em desfazer seus estigmas. E na X Parada pela Diversidade Sexual do Ceará não foi diferente. Pelo contrário, evidenciou-se mais ainda que a única finalidade dos preconceitos é serem quebrados. Durante o evento, o caso mais surpreendente foi o da Donna Santa.

Muitas vezes tachada como um espaço popularesco e repudiada por isso – como se “povo” fosse uma porção desagradável da sociedade –, a Donna Santa provou-se na vanguarda dessas críticas. O imenso trio elétrico que seus organizadores levaram à Av. Beira-Mar de Fortaleza incontestavelmente simbolizava o tamanho do valor da Diversidade para nossos sonhos de democracia, liberdade, igualdade e harmonia. Sobre o trio que marchava em nome do respeito, e em seu derredor transbordavam consciência cidadã, ativismo e luta por justiça social, sem que se perdesse a alegria, a empolgação e a paixão pelos ideais em questão.

Carol Feitosa, uma das promoters, ungida por um sentimento maternal – aquele do “em coração de mãe sempre cabe mais um” –, mal conseguia negar os almejados 15 minutos de fama a um ou outro transeunte que pedisse, implorasse até, para subir no trio. E o pai dessa Donna Santa, seu mentor responsável, atento e queridíssimo, Leco Lima, pouco ou nada conseguia conter seu sorriso de satisfação com a filha que, pelo visto, atingira uma espécie de maioridade intelectual.

O trio da Donna Santa explodia em cores, músicas e pulos em sua superfície e provenientes de seus seguidores na pista, aguerridos discípulos de um casal de mestres que paulatinamente surpreende o Ceará com os resultados de seu árduo e incansável trabalho. Faltou um milímetro sequer de espaço a qualquer mixofobia. Etnias, classes, desejos e diferenças se uniram ali em nome de causas que os difamadores do movimento LGBT julgam esquecidas ou suprimidas por celebrações fúteis de uma sexualidade oca.

Nada mais agradável, enriquecedor e revigorante para quem luta por direitos iguais em nosso estado do que o sublime privilégio de assistir de perto a uma talentosa dupla de promoters suar, ter os pés pisados tanto quanto qualquer um que caminhava na Parada, deixar os cabelos se desgrenharem ao longo de muita dança e muita brisa, demonstrando que a igualdade deve partir do espírito e ficar no exemplo. A simples lembrança desses momentos certamente é o início de uma profunda e fundamental transformação nos valores da nossa sociedade. Esse é o jeito, o “estilo Donna Santa” de agir e contribuir por um mundo melhor.

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Mix Viagem: ZONAMIX desvenda os mistérios de João Pessoa-PB

Postado em 14, abr de 2009 por admin em MIX Viagem, T+U+D+O, Texto do Leitor

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João Pessoa: Um segredo que o ZonaMix tratou de descobrir para você
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por Luís Arthur (luisarthurcs@yahoo.com.br)
de João Pessoa, especialmente para o ZONAMIX

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Ainda era quarta-feira (08/04/2009) quando o diretor-administrativo do ZonaMix, Marcello Soares, e eu, seu amigo de longa data e espécie de colaborador nas horas vagas, além de assíduo leitor do portal, já preparávamos o kit viagem para o feriado: confirmação de passagens e hospedagem, bagagens e, é claro, encontros na cidade de destino. No caso, João Pessoa.

Realizados os dois primeiros e arrumadas as malas, só restava mesmo passar um tempo no sempre útil e eficiente bate-papo. Marcello optou por não acessá-lo, pois estava praticamente “compromissado” e preferiu preservar a fidelidade, por mais que essa virtude seja rara hoje em dia. Aventurei-me sozinho.

jampa1Dentre várias conversas, algumas um pouco prolongadas e aspirantes a amizade, ao passo que outras breves e objetivas, alternando-se entre salas de bate-papo e trocas de mensagens no MSN, eis que surge a pergunta:

Você vai para a Secret Party?

“Como assim?”, indaguei-me e ao rapaz com quem dialogava. Secret Party? Que seria isso? Quando? Onde? E, a mais importante interrogação de todas: Por quê?

É uma rave”, respondeu-me o jovem, “que vai ocorrer na Praia do Jacaré, sábado à noite“. Confesso que minha empolgação inicial foi mínima, tendo em vista o pouco apreço que sinto por raves. Questão de gosto.

“É rave mesmo?”, demonstrei curiosidade.

É sim, mas as músicas são boas“. Com todo respeito aos admiradores de música techno pura, se assim me permitem classificá-la, quando ele escreveu “músicas boas” foi que enfim parecíamos falar a mesma língua.

Deixa eu te mandar o perfil da festa no Orkut“, continuou. “E o site também“. Aos interessados, seguem os links, respectivamente, do perfil  (aqui!) e do site da festa (aqui!). Apenas a título de confirmação, apesar da obviedade da resposta, ainda perguntei:

jampa2“E dá para nos conhecermos lá sem problema?”.

Sim, é tranquilo ficarmos lá“, concluiu.

Meu interesse foi instantâneo, então. Na festa e no interlocutor. Não foi difícil deduzir a qualidade do evento e do público após conferir as páginas citadas acima. Uma festa que ocorria periodicamente, em um local relativamente afastado da cidade só poderia ser bem frequentada. E logo em João Pessoa, onde a discrição e o sigilo dos encontros e das relações internos à comunidade mix permanecem valores fundamentais e são preservados com afinco.

Saltemos em torno de dois dias. Sábado à noite. Entrada do Hotel Ouro Branco Praia ou, simplesmente, Ouro Branco, tradicional estabelecimento pessoense.  Marcello e eu esperávamos nossa carona, que havia se atrasado. Devido à demora, nosso humor não estava dos melhores. Passava da meia-noite e meia. Nenhum movimento nas ruas. Como que repentinamente, passa um carro dirigido por um rapaz atraente. Brinquei:

“Deve estar indo para a Secret Party, Marcello”.

É. Se for mesmo, melhor para você que está solteiro“, disse-me sorridente.

jampa3Tão subitamente quanto o anterior, surge outro veículo. Características semelhantes. Depois, mais um. E outro, e mais outro… Todos seguindo uma direção parecida. Alguns apenas com o motorista, outros com passageiros também. Saindo sorrateiramente de diversas casas, apartamentos, hoteis, ruas, como membros de uma sociedade secreta indo a uma reunião às escondidas. Sociedade para a qual Marcello e eu estávamos prestes a entrar.

A carona chegou.

No caminho, observamos o intenso deslocamento de pessoas para o mesmo ambiente. Muitos carros pareciam escoltar-se mutuamente até o Solar das Águas, na Praia do Jacaré, em que ocorreria a celebração. Aproximando-nos de lá, vimos estacionarem e estacionados não somente os autos que nos acompanharam. Havia mais, muitos mais. Dezenas. O quadro de todos eles juntos era impressionante. Quantos? Uma noite não seria suficiente para contá-los. Mais impossível ainda seria numerar a quantidade de gente bonita que encontramos já na entrada. Não se tratava meramente de uma festa lotada, e sim de uma festa lotada só das mais belas feições traçadas de João Pessoa. Cada olhar, sorriso, rosto, era convidativo e sedutor. Cada um, de uma forma exclusiva, jogada fora posteriormente à utilização.

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Marcello competentemente conseguira o acesso à Secret Party no dia anterior, tendo telefonado ao próprio promoter e um dos DJs da noite, Elson Jr. Tarefa relativamente fácil, mérito do ZonaMix, que atualmente é conhecido e respeitado em qualquer capital nordestina, no mínimo, e da simpática prestimosidade de Elson Jr. em permitir que cobríssemos a concretização do seu projeto.

jampa4Lá dentro, dois grandes ambientes: o primeiro ao som de muito axé e pagode, onde os pés controlavam o resto do corpo, e o segundo revezando DJs – e músicas – que garantiram a maior parte da diversão da noite. Eram tantos frequentadores que me assustei com uma eventual demora nos atendimentos nos caixas e no bar. Receio em vão. Os ágeis funcionários tornaram o atendimento uma das principais vantagens da festa. E se, após algumas bebidas, viesse a conhecida “hora do aperto”? Poderia ir sem medo ao toalete, quem estava na fila esperava unicamente o seu momento de utilizar suas facilidades. Pegação? Não vi. Drogas? Nem pensar. “Um público seleto e consciente”, refleti. Nosso querido diretor-geral do ZonaMix, João Paulo, certamente teria adorado.

Marcello foi até a cabine dos DJs e conversou com Elson Jr. pessoalmente. Bastante sorridente, muito provavelmente comemorando o sucesso absoluto da Secret Party, presenciado desde o início dela, ele gentilmente agradeceu a presença do ZonaMix, reiterou conhecer o portal e fez questão de posar para nossas viajantes lentes. Cerca de uma hora e meia depois, qual jampa5não foi a minha surpresa ao, no bar, rever o mesmo Elson Jr., promoter, DJ, profissional de mídia e idealizador de um dos mais esperados, bem sucedidos e inesquecíveis eventos à comunidade mix de João Pessoa, atendendo os clientes juntamente aos demais trabalhadores da festa e perguntando a cada um se estava sendo bem tratado. Uma encantadora lição de humildade e consideração pelo público.

Dessa forma, a Secret Party enveredou noite adentro. Ah, choveu durante todo o tempo. Porém, o fenômeno pareceu tão insignificante perante aquela experiência fascinante que nem nós, nem ninguém, de fato nos sentimos atrapalhados por ela.

Evitamos tirar fotos de freqüentadores específicos, tampouco fizemos vídeos, desvirtuando um pouco a praxe das coberturas. Assim agimos porque, caso contrário, teríamos derrubado o pilar central desse segredo, que o faz tão bem guardado e tão precioso: a vontade de descobri-lo.

Quem for a João Pessoa, informe-se acerca da proximidade de uma nova Secret Party. Pode acontecer uma a qualquer momento. E como Marcello e eu aproveitamos enquanto representávamos o site? Esse mistério nem mesmo o ZonaMix poderá desvendar.

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(fotos: Luís Arthur)

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