Por Thiago Marinho
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E a confusão está instalada neste país! Desde a última segunda-feira (1° de setembro), fãs da cantora Madonna de todo o Brasil estão na luta para a compra de ingressos para seus shows. As apresentações acontecem nos dias 14, 18 e 20 de dezembro, somente no Rio de Janeiro e em São Paulo.
O procedimento de compra para os ingressos começaram há duas semanas, quando a empresa responsável pediu aos fãs para fazerem um pré-cadastro na Internet, para facilitar a compra. Cerca de 200 mil pessoas fizeram, o que não adiantou muita coisa. Ou para melhor dizer, não adiantou de nada.
À 0h de segunda (1° de setembro), começou a batalha para a compra dos ingressos, e o caos instalou-se em todos os pontos de venda. Seja pela Internet, call center ou em bilheterias, tudo está hiper complicado para se ter o tão sonhado passaporte na mão. Olha que o ingresso nem é tão barato assim: varia entre R$ 180 a R$ 600, valor bem “salgado” para o nosso país. E esse calvário se repetiu no mesmo horário do dia 3 de setembro. Eu mesmo ainda estou estafado de ficar à frente de um computador durante doze horas!
Na maioria dos países por onde a popstar estará passando com sua nova turnê, não há filas reais. A venda é exclusivamente via Internet, nada mais justo e apropriado em tempos digitais. No Brasil, país com maior tempo médio de navegação na web (24 horas e 54 minutos por pessoa) e que não vê ao vivo a cantora desde 1993, a história sempre é diferente.
No Brasil também nunca os melhores serviços de vendas on-line são utilizados em eventos de alta demanda, como o do U2 (lembram-se?). É sempre uma empresa de pequeno ou médio porte, geralmente alinhada aos interesses comerciais dos produtores (aliás, é um rentável negócio). O consumidor que se cadastrou com antecedência no site do serviço Ticketsforfun e passou os últimos três dias na frente do computador, repetindo passos, clicando, dando refresh para tentar comprar um dos ingressos mais caros da turnê da cantora vai encerrar o calvário frustrado. Vai gritar e ouvir desculpas esfarrapadas, como sempre. Algumas delas, técnicas, e incompreensíveis. Pobre consumidor, destratado mais uma vez.
Todos os meios de comunicação noticiaram a confusão para a compra de ingressos para os show, e o pior de tudo é que a empresa responsável pela confusão não se pronunciou em nenhuma das matérias, mostrando assim pouca preocupação em esclarecimentos reais. Ou melhor, uma única preocupação: com os lucros financeiros. Mas eles não visionam que possam ficar “queimados” para os próximos eventos que possam fazer no país. Já dizia a minha mãe: “o mais importante na vida não é ter muito dinheiro, e sim ter o nome limpo na praça”.
Hoje a venda dos ingressos continua um caos. Os telefones dos call centers estão congestionados, o site de compra está fora do ar e as bilheterias estão abarrotadas de pessoas, que se arriscam em filas sem segurança. Quem está fazendo a festa com tudo isso são os cambistas, que estão negociando entradas por até 3 mil reais. É lucro na certa!
Hoje uma nova luz no fim no túnel foi anunciada: a Time 4 Fun confirmou que negocia a realização de um terceiro show da cantora Madonna em São Paulo, que seria no dia 21 do mesmo mês. A produção de Madonna avalia pedido da empresa responsável pela vinda da cantora ao Brasil para a efetivação de um terceiro show. A decisão final deve ser tomada na noite de hoje.
Com 15 anos como fã de Madonna, me sinto frustado, lesado e sem forças para seguir em frente neste calvário para a compra de ingressos. O Brasil é cheio de erros, defeitos e descrenças, de forma geral, pela impunidade que impera, em todos os segmentos e a cada instante. A população se sente acuada, sem ação, pois justiça também é algo que passa longe. No caso da venda de ingressos não poderia ser diferente. Aqui fica o meu protesto como um fã, que tentou de todas as formas vê seu sonho realizado, mas o viu se distanciando por uma empresa que não respeita seu consumidor. Agora é só esperar por mais um capítulo desse pesadelo que não tem fim.