Fortaleza-CE, 18 de Maio de 2012

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Coluna Tom Mayan

11/03/2010

A tradição histórica e cristã - da exclusão às minorias

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por Tom Mayan

 

Tenho visto ao longo da minha profissão de fé, muitas pessoas tendo medo de Deus. Imaginam alguém no céu, sentado no trono, bem distante deles, olhando-os com fúria e esperando o momento certo para exterminar a raça humana, assim como fez com Sodoma e Gomorra.

 

Em contraste, muitos imaginam Jesus sendo um ser acolhedor, que não faz acepção de pessoas. Contudo, certamente Deus e Jesus são as mesmas pessoas (João 14:6-11). A diferença é que o último veio a terra para trazer um novo evangelho aos seus filhos, fazendo-os ver o “Deus de amor” do Velho Testamento que não conseguiam, por conta própria, enxergar. Jesus morreu em lugar de todo ser humano. Desta forma, não houve mais necessidade de sacrifícios e rituais de purificação, porque foram lavados e comprados com seu próprio sangue.

 

divulgação
"Ser Gay e Cristão é possível!" retrata a homossexualidade e o Cristianismo
"Ser Gay e Cristão é possível!" retrata a homossexualidade e o Cristianismo
Jesus deixou o maior dos mandamentos – o exemplo do amor -, mesmo diante de uma sociedade culturalmente patriarcal, regida por doutrinas rigorosas e sem compaixão. Na época de Jesus, os que se achavam cumpridores da lei, baseavam suas condutas na Escrituras Sagradas. Deste modo julgavam, humilhavam e excluíam algumas pessoas da sociedade.

 

Vendo Jesus a atitude do povo, assim como os ensinamentos adquiridos por meio dos escribas, fariseus e sacerdotes dos templos, tratou de agir de forma contrária aos costumes da época, acolhendo as minorias, ou seja, os considerados impuros. Mas quem eram tais pessoas? Como viviam? E por que o filho de Deus ficou ao lado deles, quando as ordens dadas pelos escritos de Moisés eram claras quanto à separação?

 

Contextualizarei a situação através do exemplo da “lepra”. Em Levítico, capítulo treze tem-se que, o primeiro sinal da lepra era tratado como uma sentença de morte: “Também o leproso, em quem está a praga, andará com as vestes rasgadas, a cabeça descoberta e os cabelos soltos, mas cobrirá o bigode, e gritará: Imundo! Imundo! Será imundo todos os dias em que a praga estiver nele. É imundo, e habitará só; a sua habitação será fora do arraial”.

 

Tocar em um leproso significava tornar-se impuro (Levítico, 21). Imagine a idéia de nunca mais ser tocado por alguém! A lepra era considerada um castigo de Deus e, portanto, o doente precisava ser purificado. Os leprosos, além disso, eram considerados “imundos”. Que bom que tudo isso mudou, e, a lepra, hoje conhecida como Hanseníase, não é vista mais da mesma forma.

 

Mas qual era o fundamento usado pelo povo para agir dessa maneira? Em que se baseavam? A resposta está nos escritos de Moisés. Baseava-se em Levítico, que servia como um código de santidade, escrito para reger o povo hebreu, e dessa maneira cometia as maiores atrocidades, assim como ainda hoje é feito. Aí se vê a tradição sendo passada durante os séculos.

 

Um personagem que ilustra claramente o sofrimento que muitos enfrentaram, é o leproso relatado no Novo Testamento. A Bíblia descreve um leproso que se aproximou de Jesus “rogando-lhe, e pondo-se de joelhos” (Marcos 1:40-45). O leproso disse a Jesus: “Se quiseres, bem podes limpar-me”. O leproso não tinha dúvidas que Jesus podia limpá-lo. Ele apenas duvidava se Jesus queria fazê-lo, pois se sentia indigno. Estava tomado de vergonha, pois era tratado como tal.  Mas Jesus lhe amou de verdade, mesmo sendo considerado pela sociedade um intocável.

 

Vejam, então, como Deus rompe os estigmas e o preconceito, que assim como hoje, existia na época. Os religiosos usavam e abusavam em nome de Deus para julgar e condenar os aflitos. Os tempos mudaram, mas o espírito condenatório se manteve. Hoje, muitos “cristãos” têm tratado os homossexuais como os leprosos do passado, que carregavam o estigma moral de algo que nada mais era uma “anomalia”, do ponto de vista médico.

 

Outro exemplo bíblico se encontra no evangelho de João. Neste livro é relatado a historia de um homem que nasceu cego (João, 9). Os discípulos de Jesus encaravam aquilo como uma anomalia de ordem moral, ou seja, a cegueira deve ter sido causada pelos pecados do homem ou de seus pais. Contudo, a resposta de Jesus deixa claro que as “anomalias” são coisas “particulares”, ou seja, ele afirmou que “naquele caso” havia um propósito em particular para a vida do homem, mesmo o fundamento da condenação pela sociedade tendo suas raízes nos escritos mosaicos (Levítico 21:18, 20).

 

Outro exemplo extraordinário está contido também em Marcos. A Bíblia conta que havia uma mulher que por doze anos padecia de um fluxo de sangue (Marcos 5:25-34). Ela era tratada como imunda e dela ninguém tinha compaixão, vivia como intocável e na solidão. Mas, quando essa mulher ouviu falar de um homem galileu, dos milagres que ele fizera em nome de Deus, ela se apertou em meio a multidão e conseguiu tocar o manto com suas mãos. E, dessa forma, no mesmo instante estancou a fonte de sangue, e ela sentiu-se curada. Assim, sua fé a salvou. Entretanto, vemos o quanto ela, dentre muitas outras de sua época, sofrera o moralismo cristão, pelo mal que possuía. E, da mesma forma, o fundamento para a taxarem e a afastarem da sociedade se encontra nas doutrinas do Velho Testamento (Levítico, 15).

 

E, dessa maneira muitos, enquanto homossexual, olham pra dentro de si e percebem, que entre eles e aquele leproso, o cego e a mulher, não há distinção alguma. Eles apenas representam os excluídos e marginalizados, assim como muitos se apresentam atualmente. Homossexuais sofrem preconceitos e separação de Deus por aqueles que estendem a mão apenas para apontar e condenar, por um sistema elitista e opressor que usa a Bíblia como instrumento de segregação entre os santos e não-santos, assim como a usaram entre os judeus e não-judeus da época.

 

Mas, apesar disto, mesmo se sentindo sozinhos em meio a multidão, eles deveriam crer – assim como no caso do cego -, que sua vinda à este mundo tem um propósito divino em particular e, sobretudo, devem ter a certeza do amor de Deus para consigo - seja ele do Velho ou Novo Testamento -, mesmo, porque, este mundo é caído; e nele crescem “cardos e abrolhos” (Gênesis 3:18), o que simboliza as mutações e as anomalias que invadiriam a vida no “Jardim” que um dia a Terra foi.

 

 

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Tom Mayan é Graduado e Especialista na área de Ciências da Saúde. Possui conhecimentos em Psicologia, é Gay e Cristão, Colunista do site “Maringay” e autor do livro que retrata a homossexualidade e o Cristianismo chamado “Ser Gay e Cristão é possível!” – Site do livro: www.sergayecristaoepossivel.com 

Contato: sergayecristaoepossivel@hotmail.com

 

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