Começa hoje (13/05) a 62ª edição do Festival de Cinema de Cannes. Neste ano quem presidirá a mesa de julgadores será a atriz francesa Isabelle Huppert, e o evento se estenderá até o dia 24 deste mês. Durante 12 dias, todos os olhares dos cinéfilos estarão atento aos lançamentos do cinema europeu. Criado em 1946, o Festival de Cinema de Cannes é o maior do mundo na área cinematográfica e seu maior prêmio, a Palma de Ouro, só fica atrás do Oscar e do Globo de Ouro em prestígio.

O programa de 2009 será aberto nesta quarta-feira com a projeção de “Up – Altas aventuras!“, o primeiro desenho animado em 3D dos estúdios Disney/Pixar. Neste ano, Cannes decidiu estender seu tapete vermelho para mestres em sua área de atuação. Muitos deles já disputaram entre si pela Palma de Ouro em mostras anteriores. Entre as novas películas, fica a espera do novo de Pedro Almodóvar “Los abrazos rotos” e Isabel Coixet com o seu “Mapa de los sonidos de Tokio“. Desde 1961 nenhum cineasta espanhol ganha a Palma.
Também na mostra oficial, mas fora de competição, figura “Agora“, de Alejandro Amenábar. O único filme brasileiro é o do diretor Heitor Dhália “À Deriva“, terceiro longa-metragem de Heitor, que também rodou “Nina” e “O Cheiro do Ralo”. A produção tem como protagonistas o astro francês Vincent Cassel (de “Senhores do Crime” e “Irreversível“), que fala português durante todo filme; Debora Bloch e a estreante Laura Neiva, além de participações de Camilla Belle (de “10.000 A.C.“) e Cauã Reymond.
“À Deriva” conta a história de Filipa (Laura Neiva), uma adolescente de 14 anos em férias de verão com a família numa praia. A jovem enfrenta um momento de passagem para a idade adulta em meio às descobertas do amor com a turma de amigos e à separação iminente dos pais, o escritor Mathias (Cassel) e a professora Clarice (Debora Bloch). No ano passado, o Brasil esteve representado na mesma seção do Festival de Cannes com o filme “A Festa da Menina Morta“, de Matheus Nachtergaele.
Cannes chega a essa edição com um peculiar gosto por grandes e reconhecidos autores. A competição do maior evento cinematográfico do planeta, que revelou ao mundo novidades como o romeno Cristian Mungiu (“4 meses, 3 semanas e 2 dias“) e o israelense Ari Folman (“Valsa com Bashir“), só para citar exemplos recentes, está carregada de pesos-pesados do cinema de prestígio, velhos habitués da maratona.
A produção asiática domina o páreo deste ano, com filmes de Tsai Ming-liang “Face“, Johnnie To “Vengeance“, Park Cha-wook “Thirst“, Lou Ye “Spring fever” e Brillante Mendoza “Kinatay“. A contribuição americana, presença forte nas últimas décadas, está reduzida à participação de Quentin Tarantino e Ang Lee (“Taking Woodstock“), que é de origem taiwanesa. Alguns provocadores estão de volta, como o francês Gaspar Noe (Irreversível), que retorna com “Enter the void“, o dinamarquês Lar Von Trier “Os idiotas“. Os filmes desta safra, com certeza, serão os maiores lançamentos de 2009/2010.
O Oscar é o prêmio mais conhecido do grande público, mas Cannes tem todo um charme, que faz com que seja o melhor festival de todos, seja pela escolha de grandes películas ou pelo júri impecável e a capacidade de lançar novos talentos. Um grande evento mundial da cultura cinematográfica que deveria ter mais espaço da mídia mundial.
Veja o blog do diretor brasileiro Heitor Dhália sobre Cannes 2009: http://diariodecannes.blog.terra.com.br/
Concorrendo à Palma de Ouro:
Los Abrazos Rotos – Pedro Almodóvar
Fish Tank – Andréa Arnold
Un Prophete – Jacques Audiard
Vincere – Marco Bellocchio
Bight Star – Jane Campion
Map of the Sounds of Tokio – Isabel Coixete
A l’Origine – Xavier Gianolli
Das Weisse Band – Michael Hanek
Talking Woodstock – Ang Lee
Looking for Eric – Ken Loach
Spring Fever – Lou Ye
Kinaty – Brillande Mendoza
Soudain la Vide – Gaspar Noe
Les Herbs Folles – Alain Resnais
The Time That Remains – Elia Suleiman
Bastardos Inglórios – Quentin Tarantino
Vengeance – Johnnie To
Visages – Tsai Ming-Liang
Antichrist – Lars von Trier
Fora de Competição:
The Imaginarium of Doctor Parnassus – Terry Gilliam
Agora – Alejandro Amenabar
L’Armee Du Crime – Robert Guediguain
Mostra Um Certo Olhar:
Mother – Bong Joon-Ho
Irene – Alain Cavalier
Precious – Lee Daniels
Demain Des L’Aube – Denis Dercourt
À Deriva – Heitor Dhalia (Brasil)
Kasi Az Gorbehaye Irani Khabar Nadereh – Bahman Ghobadi
Los Viajes del Viento – Ciro Guerra
Le Père de Mes Enfants – Mia Hansen-Love
Skazka Pro Temnotu – Nikolay Khomeriki
Kuki Ningyo – Hirokazu Kore-Eda
Kynodontas – Yorgos Lanthimos
Tzar – Pavel Louguine
Indepencia – Raya Martin
Politist, Adjectiv – Corneliu Porumboiu
Nang Mai – Pen-Ek Ratanaruang
Morrer Como um Homem – João Pedro Rodrigues
Eyes Wide Open – de Haim Tabakman
Samson And Delilah – Warwick Thornton
The Silent Army – Jean Van de Velde
Exibições Especiais:
My Neighbor, My Killer – Anne Aghion
Manila – Adolfo Alix Jr. e Raia Martin
Min Ye – Soulymane Cisse
L’Epine Dans le Coeur – Michel Gondry
Petition – Zhao Liang
Kalat Hayam – Keren Yeday
Midnight Screenings:
A Town Called Panic – Stéphane Aubier e Vincent Patar
Drag Me To Hell – Sam Raimi
Ne Te Retourne Pas – Marina de Van