Eu tinha dado o tempo de algumas semanas para LuPPaCULT, pois a minha vida está meio louca: trabalho, faculdade, família, namoro… mas volto com força total para a apresentar a você uma das grandes cantoras da atualidade, a paulistana Ana Cañas.

Sua carreira musical teve início em 2002, quando participou em São Paulo de alguns festivais de música. Após algumas investidas na noite paulista, inclusive sendo cantora exclusiva do Piano/Bar do Hotel Fasano, Ana lançou em 2007 o seu excelente disco de estreia “Amor e Caos“, que prima por ser autoral, audacioso e distante do que se convencionou denominar MPB.
Amadurecida por mais de cinco anos em jam sessions na noite de São Paulo, a cantora imprime nas canções do álbum uma atmosfera jazzística, usando e abusando de um andamento musical imprevisível e inovador. Sua poderosa voz de contralto fez dela uma das grandes descobertas recentes da música brasileira, antes mesmo de gravar o primeiro disco, já sendo apreciada por gente como Chico Buarque, Toquinho e Seu Jorge.
O disco, além de inéditas maravilhosas, conta com uma regravação de Caetano Veloso, “Coração vagabundo”, que ficou ao mesmo tempo singela e arrebatadora na voz de Ana; e outra de Jorge Mautner, “Super mulher”, que tem a participação de Naná Vasconcelos, outro entusiasta do trabalho da cantora, que acabou se escalando como convidado especial do álbum.
Além de cantora, Ana é formada em artes cênicas, o que dá a ela uma desenvoltura maravilhosa no palco. Ana bem que poderia ter sido professora de teatro, mas depois de sonhar com uma carreira perto dos palcos, ela só se aproximou da música ao descobrir Ella Fitzgerald, uma de suas divas.
Com 28 anos, a cantora disse em recente entrevista que foi uma adolescente completamente radiofônica. “Não tive músicos na família, não conhecia Tom Jobim até os meus 22 anos. Sempre dei mais atenção para o teatro. De repente, no meio do caminho tinha uma pedra, e eu me encontrei“. E que pedra, pois foi isso que ganhamos: esse primor de talento.
Já em julho deste ano, Ana lança seu 2° filho, “Hein?“, sob a produção de Liminha e com 11 faixas de autoria própria, além de uma releitura para “Chuck Berry Fields Forever”, do Gilberto Gil do CD “Doces Bárbaros” (1974). A irreverência da cantora e a força de sua intepretação dialogam com eloquência nos 56 minutos do disco.
Mesmo com a pressão do segundo CD, sempre mais esperado, Ana enfrentou e desafiou seu próprio repertório, com novas composições e novos rumos para sua música. Para construir seu novo trabalho, Ana mergulhou na obra dos Mutantes e pincelou dali algumas influências que aparecem em “Hein?”.

faixa de abertura, “Na Multidão” (que tem participação de Arnaldo Antunes), é a que melhor deixa transparecer toda a inspiração em Rita Lee. A primeira música de trabalho do novo disco, “Esconderijo”, traz a frase: “procuro a solidão como o ar procura o chão”, que soa como paradoxo num registro em que predominam vontades como diversão, dançar, planejar fuga e ficar mais louca. Mesmo em tempos de internet, em que o encarte que acompanham os CDs parece uma peça antiquada, os discos de Ana Cañas vêm bem acompanhados por arte elaborada com fotos e design.
Ana deve ser explorada por vários motivos, seja pelo seu timbre vocal maravilhoso, pelas suas composições, que dão um novo gás a Música Popular Brasileira, e principalmente pelo conjunto de sua obra, que mesmo pequena (dois CDs), mostra que ainda terá uma vida longa e de gratas surpresas para o público que pede coisas novas. Ana veio para ficar!
CD 1 “Amor e Caos”
Faixas:
1. Mandinga Não
2. A Ana
2. Vacina na Veia
4. Para Todas as Coisas
5. ?
6. Coração Vagabundo
7. Cadê Você?
8. Devolve, Moço
9. Super Mulher
10. Rainy Day Women
CD 2 “Hein?”
Faixas:
1. Na Multidão
2. Coçando
3. Na Medida do Impossível
4. Esconderijo
5. Sempre com Você
6. Chucky Berry Fields
7. Gira
8. Problema Tudo Bem
9. Aquário
10. A Menina e o Cachorro
11. Não Quero Mais
12. O Amor é Mesmo Estranho
13. Na Medida do Impossível
Conheça mais o trabalho de Ana Cañas aqui!