Neste final de semana, volta ao palco do Teatro José de Alencar a peça “A Saga de uma Certa Bárbara“, em cartaz nesta sexta (29/01). O espetáculo tem por sustentação a união de três contos fantásticos de origem popular de diferentes regiões e épocas: La Loba, Mulher-Esqueleto e Pele de Foca, Pele de Alma (ou Mulher-Foca).
As obras de domínio público foram compiladas originalmente pela psicóloga junguiana e contadora de histórias, Clarissa Pinkola Estés, e adaptados para a peça pela protagonista Juliana Carvalho. No ano de 2004, a peça foi montada em forma de esquete, trazendo apenas um dos contos; depois, como obra completa, a peça foi aos poucos evoluindo, atingindo a compleição após ter o projeto aprovado pela Secretaria de Cultura do Estado do Ceará, através do primeiro Edital de Incentivo às Artes, ainda em 2004.
Dois anos após, em 2006, a peça teve sua última apresentação. Agora, em 2010, “A Saga de uma Certa Bárbara” volta à Fortaleza com pequenas mudanças. A concepção artística da peça se baseia estruturalmente no teatro de rapsódia, que perfaz o caminho entre a literatura narrativa e o teatro, e no método das ações físicas, que funciona como ferramenta de pesquisa tanto para a atuação, quanto para a direção.
Serviço: A SAGA DE UMA CERTA BÁRBARA Espetáculo teatral solo de Juliana Carvalho sob direção de Sidney Souto e musicado ao vivo por Rodrigo de Oliveira, da Tear Cia. de Teatro
Apresentações dias 29, 30 e 31, no Theatro José de Alencar (praça José de Alencar, s/n & Centro), às 19 horas
Censura: 16 anos
Entrada: R$ 5 (meia) e R$ 10 (inteira)
Outras Informações: (85) 3101 2583
Nos dias 14 e 15 de novembro (sábado e domingo), no palco principal do Teatro José de Alencar, a atriz, autora e diretora de teatro, Denise Stoklos, encena o espetáculo “Louise Bourgeois: Faço, Desfaço, Refaço”. O monólogo faz referência aos registros biográficos da artista plástica francesa que dá nome à peça.
O espetáculo-solo aborda a vida, a obra e os anseios do universo artístico de Louise Bourgeois. Uma de suas famosas esculturas, “Spider” (de 1993), uma aranha de bronze gigantesca, com mais de três metros de altura, está em exposição permanente no Museu de Arte Moderna (MAM) de São Paulo, no Parque do Ibirapuera.
A cenografia-instalação da produção é composta por esculturas de aço e vidro, representando uma cela, uma escada e um grande espelho oval. O cenário reúne vários objetos de Louise, como pequenos moldes de escultura, manequins e obras em tecido, ferramentas, tudo original e pertencente ao arquivo de seu estúdio. A atriz brasileira assina direção, coreografia, figurino, iluminação, tradução e adaptação do texto, além de atuar; enquanto a francesa, atualmente com 95 anos, é responsável pelo texto, parte da música – com o rap “Otte” de sua composição e execução – e interpreta antigas canções de ninar.
Serviço: Louise Bourgeoius: Faço, Desfaço, Refaço
Ingressos: R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia)
Outras informações: (85) 3101 2583
A Companhia de Dança Vidança entra em cartaz nos dias 5 e 6 de novembro, no Teatro José de Alencar o espetáculo “Rua de Sonhos”, sempre às 20 horas no palco principal. Com três momentos distintos, os meninos e meninas encantarão o público com representações artísticas que vão desde o balé clássico ao batuque da percussão popular. A apresentação contará com a participação do primeiro bailarino do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, Francisco Timbó.
Todos os jovens – residentes da Barra do Ceará – participam de todas as etapas de produção do espetáculo. Além de ensaiar diariamente, produzem o próprio figurino, o cenário e os próprios instrumentos, uns ajudam aos outros e uma grande comunidade artística se renova a cada espetáculo.
Serviço “Rua de Sonhos”
Companhia de Dança Vidança
Teatro José de Alencar
às 20h
Preço: R$ 10 (inteira) / R$ 5 (meia-entrada)
Informações: (85) 3101.2583
Com passagens por todo o país, chega ao palco do Teatro José de Alencar neste final de semana (10 e 11 de outubro), a peça “Doce Deleite“, dirigida por Marília Pêra e protagonizada por Reinaldo Gianecchini e Alessandra Maestrini, a Bozena do seriado “Toma Lá Da Cá” da TV Globo.
O espetáculo é formado por 11 esquetes que giram em torno de histórias que fazem parte do mundo teatral, no qual os personagens são bilheteiros, contra-regras, espectadores e por aí vai. A peça já havia sido encenada nos anos 80 com Marília Pera e Marco Nanini nos papéis principais.
A nova roupagem mantém três das esquetes originais e apresenta diferentes temas e interpretações. Os textos passeiam pelos mais diversos tipos de comédia rasgada, focando no besteirol clássico. Os atores ficam em cena durante todo tempo, realizando as trocas de roupa na frente da plateia.
Serviço: Doce Deleite
Com: Reinaldo Gianecchini e Alessandra Maestrini
No palco principal do Theatro José de Alencar no sábado, 10, às 21h, e domingo, 11, às 20h
Ingresso: R$ 80 (inteira) e R$ 40 (meia)
Outras Info.: (85) 3101 2583
Censura: Maiores de 14 anos
Neste mês de outubro, o Theatro José de Alencar oferece ao seu público diversas montagens feitas por grupos cearenses. De Plínio Marques a Machado de Assis por Adísia Sá, cenas do cotidiano, infantis, ficções, drama, comédia e outros tons, as montagens locais formam plateia e ampliam interações entre palcos, artistas e públicos.
A programação começa às terças, em uma incomodante montagem que mexe os sentidos e já há três meses de cartaz. “O abajur lilás” é encenada na sala Nadir Pápi Saboya (anexo do TJA), às 19h, pelo Grupo Imagens de Teatro, que referencia os 40 anos do clássico e forte texto do dramaturgo Plínio Marcos, falecido há uma década. O público adentra no universo underground, e em meio a boate O leite da Mulher Amada com música ao vivo, cachaça e farofa, assiste a atualidade dos temas que envolve viés sexual e violência.
Já nas quintas, o tema é Machado de Assis que ganha olhares de um quarteto afinado em “Capitu conta Capitu”, que também está em seu terceiro mês em cartaz, agora na sala de teatro Nadir Pápi Saboya, às 19h. O solo de Ana Cristina Viana a partir do livro de mesmo nome de Adísia Sá, sob direção de Ana Marlene e adaptação de Ceronha Pontes dão nova perspectiva à história de Dom Casmurro. Às 20h é a hora de ver “Preciso dizer que te amo”, no Teatro Morro do Ouro (anexo do TJA), que versa sobre a delicadeza e intensidade dos fragmentos psicológicos em torno do amor, a partir de texto e direção de Eduardo Bruno e elenco que conta com Dyhego Martins, Gabriel Matos, Juliana Weyne e Marcos Chavez. É livre para todas as idades!
Para quem pensou que acabou, está enganado. Todas as sextas, ‘Gran”Dior nº 3″ está no Teatro Morro do Ouro às 19h30 – para quem tem mais de 14 anos. No palco, ilustrações do dia a dia que vão dos ímpetos e inverdades entre famílias a variações capturadas nos textos de Victor Augusto, Silvianne Lima e Victor Ribeiro de Lima, interpretados por Denise Costa, Diego Mesquita, Denis Lacerda, Fábio Frota, Li Mendes, Rachel Jatai, Simone Evans e Thaissa Melanie.
Para saber maiores informações, ligue: (85) 3101 .2583.
Nos dias 26 e 27 de setembro, o Teatro José de Alencar oferece aos amantes das artes cênicas a montagem baiana do espetáculo “Ó Pai Ó“, montado pelo Bando de Teatro Olodum. O espetáculo narra o modo de ser e sobreviver dos moradores e frequentadores do histórico bairro do Pelourinho, Centro Histórico de Salvador. O nome deriva da expressão popular das ruas de Salvador, uma corruptela de “olhe para isso, olhe“.
Em um Cortiço, administrado com mão de ferro por uma evangélica, moram os mais diferentes tipos que movimentavam o bairro. A realidade do Pelourinho Antigo é apresentada através de personagens cômicos que dividem o ambiente do pequeno cortiço, tendo de enfrentar a intolerância de Dona Joana, a religiosa proprietária.
São músicos, artistas plásticos, prostitutas, travestis, baianas de acarajé, proprietários de pequenos bares, associações comunitárias, blocos afros, enfim, personagens reais que, pouco a pouco, foram expulsos do local para dar espaço a um fictício shopping turístico a céu aberto. A montagem retrata um dia na vida desses diversos tipos que viviam no Centro Histórico. Um dia especial: uma Terça-feira de Benção, quando a movimentação na área é ampliada e também as alegrias e sofrimentos dos moradores de uma região estigmatizada e abandonada pelas autoridades.
No ano de 2006, com direção da cineasta Monique Gardemberg, participação dos atores Lázaro Ramos (que iniciou sua carreira artística no grupo), Wagner Moura, Stênio Garcia, e os atores do Bando, a adaptação para o cinema de “Ó Pai Ó” ganhou o gosto nacional. Com o sucesso da montagem nos palcos e a repercussão no cinema em 2008, o Bando fez a adaptação da história para a TV, e com volta prevista para setembro de 2009, na TV Globo.
“Ó Pai Ó” Com bando de teatro Olodum
26 e 27/09
19h no palco principal TJA
R$ 5 e 10
Informações: (85) 3101.2583
Para os amantes da música clássica, nesta quinta (27/08), a Orquestra Filarmônica do Ceará, sob a regência do Maestro Gladson Carvalho recebe o violoncelista alemão Walter-Michael Vollhardt para a realização de um grande concerto no Teatro José de Alencar, às 19h, com entrada grátis. Adoro!
O evento é uma parceria da Embaixada Alemã em Brasília, do Consulado da Alemanha no Ceará, do DAAD – Casa de Cultura Alemã, das Amêndoas do Brasil Ltda, e da Orquestra Filarmônica do Ceará. Walter-Michael Vollhardt (imagem ao lado) nasceu em Heidelberg/Alemanha. Ganhou por três vezes o Concurso Federal da Alemanha “Jugend Musiziert” (Jovens Músicos).
Em Boston, venceu o concurso “Concerto-Aria”, que lhe valeu uma noite de estreia com a Orquestra Sinfônica de Boston, sob a regência de Arthur Fiedler. Desde então apresentou-se como solista de Cello, com a Orquestra Sinfônica de Berlim, e as filarmônicas nacionais da República Checa e da Romênia.
Em 1982, fundou a Orquestra Sinfônica do Conservatório de Hamburgo. Em 1992, a “Sinfonietta da Alemanha do Sul”. Apresentou-se como regente convidado na Suíça, França, Itália, América do Sul e Índia. Desde 2002 é maestro da Orquestra de Ortenau na cidade de Offenburg.
Após grande sucesso no mês de agosto, o espetáculo “Abajur Lilás“, ficará até outubro na Sala Nadir Papi Saboya, anexo ao Teatro José de Alencar, sempre às quintas, a partir das19h. A sala tem capacidade para 120 pessoas. Na primeira temporado, que termina no próximo final de semana, o espetáculo teve uma média de 150 pessoas por sessão, um recorde de público no local. Por isso, antes mesmo de terminar a temporada a diretora do teatro, Izabel Gurgel, fez a proposta para o espetáculo ficar até outubro. A peça tem o apoio cultural do ZONAMIX.
“O Abajur Lilás” narra o drama de três prostitutas torturadas pelo cafetão, que quer descobrir quem quebrou o abajur lilás do seu quarto. A trama que inclui da tortura ao assassinato, foi escrita há 40 anos, transcende o momento, a circunstância e infelizmente, resiste ao tempo, demonstrando a extrema atualidade de seu contexto.
O Grupo Imagens, responsável pela montagem, mergulhou em uma pesquisa profunda tanto da obra como do universo que o autor Plínio Marcos traz para o seu texto, através de análises sobre a vida e obra do autor e contextualização histórica, prosseguindo com pesquisa de campo, palestras, seminários, oficinas, filmes e vivência em entidades, enriquecido por laboratórios em que os atores visitaram cinemas pornôs, casas de prostituição, saunas, bares e praças, locais onde os personagens retratados na peça viveriam.
O CULTucando fez uma entrevista com o diretor Edson Cândido, reveja aqui!
O Abajúr Lilás Local: Teatro Jose de Alencar (Sala Nadir Papi Sabóia)
Todas as quintas de setembro e outubro
Horário: 19h
Entrada: R$ 10,00 (inteira) R$ 5,00 (meia)
Informações: (85) 8834.1071
Blog: www.grupoimagensdeteatro.blogspot.com
No último sábado (22/08), o CULTucando esteve na VII Mostra de Teatro Transcendental, no Teatro José de Alencar, em Fortaleza. A peça escolhida por mim foi “2 de Novembro“, em alusão ao Dia de Finados, e que também fez o público cearense se emocionar. Eu mesmo saí do teatro aos prantos, ao ver uma algo tão singelo e bem construído.
O espetáculo, de Belo Horizonte (MG), narra a história de uma mulher de meia-idade, solitária e sem perspectivas, e recebe a visita do filho único que a deixou 10 anos antes. Um encontro onde se procura entender o porquê dos conflitos, das diferenças e porque o grande amor de ambos não foi suficiente para evitar momentos de dor na relação.
Com texto de Wesley Marchiori e direção de Kalluh Araújo, “2 de Novembro” é baseado no drama da atriz Heloísa Duarte, que teve o filho assassinado quando saía de uma comemoração durante a estreia de um dos seus espetáculos. Acho que foi por causa disso que boa parte das falas da atriz são confessionais e sinceras. A trilha sonora de Roberto Carlos é algo indescritível pelo casamento de texto e músicas.
Mesmo quem não faz ideia da biografia de Heloísa tem boas chances de se emocionar. A separação de filho e mãe no mundo real parece dar à intérprete o tom exato para construir a separação de filho e mãe no mundo ficcional.
Aqui, a biografia se torna ferramenta de trabalho. A experiência pessoal dá a medida para a construção teatral. Ao longo do espetáculo, o público é preparado para uma surpresa no final, mas como tudo é anunciado antes, boa parte dos espectadores poderá antecipar o desfecho.
A interpretação de Heloísa, fazendo a si mesma dá um tom de grande verdade, que a cada instante sentimos que estamos juntos com ela, no quarto, ouvindo partes de sua vida, e principalmente interagindo e nos identificando com a história.
Eu, por ser filho único (como na história do espetáculo), fiz uma grande reflexão sobre a minha relação com a minha família (pai e mãe), e vi que não podemos perder tempo de expressar nossos sentimentos com o próximo, principalmente com nossos pais. E hoje você já falou para eles o quanto os ama! Então não perca tempo!
Este texto fica em tom manifestação. Ao ler, vocês vão me entender. Amante de teatro como eu sou, existe algo que me incomoda nas salas de espetáculo em Fortaleza: é a falta de uma boa acústica e/ou de uma aparelhagem de som para que possamos (nós, o público) ouvir os atores com qualidade.
Vou dar um exemplo. Na sexta-feira passada, 21 de agosto, fui ver o espetáculo “Estranha Loucura”, que fazia parte da VII Mostra de Teatro Transcendental, no Teatro José de Alencar. Ao abrir as cortinas do teatro e começar as falas, eis que ninguém escutava o que os atores falavam. Na verdade, parecia um grande cinema mudo.
A princípio pensei que apenas eu senti esta falha, mas eis que nos primeiros 10 minutos de espetáculo começam as reclamações do público em geral: “falem mais alto” e “não estamos escutando nada!” eram as frases esbravejadas. Bem que os atores tentaram falar mais alto, mas os aparelhos de ar condiconado do teatro tomaram de conta do som em um zumbido infernal. Resultado: pessoas saindo no meio da peça, grito de todos os lados e uma balbúrdia que transcedeu de verdade!
Ao sair do espetáculo, a reclamação era geral. Duas senhoras que conversavam na frente da Praça José de Alencar diziam: “o espetáculo parece que é bom mas não consegui escutar nada“. Já a sua amiga fez um relato mais aprofundado: “fui ver no Dragão do Mar o monólogo da atriz Betty Faria, e lá aconteceu a mesma coisa com pessoas reclamando e ninguém conseguiu escutar a voz da atriz“. Aí pensei: não sou eu que estou surdo, e sim essa reclamação já começa a se tornar corriqueira nos teatros da cidade.
Este alerta vai para os produtores teatrais da cidade. Boa parte deles reclama que o público cearense não é adepto às artes cênicas, mas o pouco público que gosta se sente desprestigiado com a falta de cuidados com o som dos espetáculos.
Abram os olhos (e apurarem os ouvidos), produtores culturais, e passem a investir mais não só na questão cênica dos produtos, mas na técnica, que é tão fundamental quanto a peça em si.
Começa hoje (18), no Teatro José de Alencar, a VII Mostra de Teatro Transcendental. Para a abertura o espetáculo, escolhido foi “O Amor Jamais Te Esquece”, que revive o mais célebre julgamento da História, culminando na condenação e crucificação de Jesus. A mostra artística é realizada anualmente com fins solidários e envolverá, neste ano, seis espetáculos de companhias de São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Rio de Janeiro e Ceará.
A peça desvela a personalidade de alguns dos seus principais protagonistas, entre eles Pôncius Pilatos, representante de César na Judéia, cuja omissão, simbolizada no lavar as mãos, ficaria eternizada na História. Da companhia paulista Operários do Palco, “O Amor Jamais Te Esquece” é uma adaptação de obra homônima ditada pelo Espírito Lúcius ao médium André Luiz Ruiz e remonta à história passada há dois mil anos em Roma e Jerusalém, revelando os bastidores do processo movido pelo clero judaico.
Além de relembrar o amor de Jesus por Pilatos, antes e após o drama da crucificação, o espetáculo remete a reflexões sobre o cotidiano, criando a possibilidade de o público repensar conceitos, valores e sua relação com a humanidade. O espetáculo, adaptado e dirigido por Marco Nicolatto, utiliza como cenários painéis pintados pela médium Solange Godoy, o que confere às cenas um forte conteúdo de misticismo e emoção.
Em todas as quintas de agosto, o Teatro José de Alencar abre as portas para o texto da jornalista Adísia Sá, através do espetáculo “Capitu conta Capitu“. Sempre acusada de ter traído o marido Bentinho com o seu melhor amigo, Escobar, Capitu vai além da dissimulação pela qual ficou nacionalmente conhecida, ganha voz e conta a sua versão da história.
Em sua obra, diferentemente de Machado de Assis, Adísia assume o papel de advogada de Capitu, procurando ouvi-la, senti-la. E o resultado é um espetáculo que acaba prestando uma homenagem às mulheres. Encenada por Ana Cristina Viana, como a protagonista, o espetáculo apresenta a personagem em três momentos superpostos: infância, idade adulta e velhice, regidos pelo desfiar da memória.
Capitu conta Capitu Todas as quintas de agosto, às 19h
Teatro José de Alencar
Ingressos: R$ 10 e 5
Informações: (85) 3101.2583
Na última sexta (07/08), o CULTucando esteve na gravação do DVD do espetáculo “Cabaré de Dama“, parte do monólogo “Uma Flor de Dama”, encenado há cinco anos pelo ator Silverio Pereira. Logo na bilheteria uma lista de assinatura era solicitada ao público, para a autorização das imagens na gravação do material. Assinatura dada, agora era entrar e se jogar no Cabaré. E foi o que fiz…
Ao som das músicas de Blita Block, diva da música drag nacional e natural do Piauí, a prévia do espetáculo era dada através de driques bem regionais como a boa caipirinha e a famosa “Jurubeba”. Não me atrevi na “Juruba”, fiquei só na caipirinha, que diga-se de passagem, estava uma delícia! Já com a mente “calibrada”, eis que entra Silverio que interpreta o hit do momento “No Meu Cross Fox”, de outra dica piauiense, a famosa Stefhany.
Os shows das drags, com os nomes bem esquisitos, tomaram conta do ambiente por 40 minutos antes da peça, mas valeu a pena pelas perfomances, dentre elas uma me chamou a atenção: um remember do hit dos anos 80 “A Roda”, imortalizado pela cantora bahiana Sarajane, o público delirou e com certeza abriu a rodinha junto.
Após a sessão de draguilismo, eis que o espetáculo começa. Neste momento surge Silverio na pele de uma travesti, que ao longo de uma conversa de bar com um “possível” cliente, conta um pouco de sua trajetória, que mescla com o texto de Caio Fernando Abreu “Dama da Noite”. Esse também é seu nome.
No texto, a “Dama” conta como se eu estivesse por fora do movimento da vida. “A vida rolando por aí feito roda-gigante, com todo mundo dentro, e eu aqui parada, pateta, sentada no bar. Sem fazer nada, como se tivesse desaprendido a linguagem dos outros”. Essa grande roda-gigante é como se fosse a exclusão pela qual as trans passam em suas vidas por suas escolhas.
Ao longo das quase 1h de encenação, Silverio deu uma grande aula não só de interpretação, mas também mostrou que teatro dos bons independe de bilheterias lotadas, ou de globais em cena. “Cabaré de Dama” vai muito mais além disso. O espetáculo não fragmenta a recepção, mas sim incentiva o convívio entre as diferentes audiências. Silverio sabe que fala para públicos diferentes e, por isso mesmo, desenvolveu uma série mecanismos para irmanar expectativas.
Com grande apelo queer, a montagem subverte a rubrica do segmento LGBT. O público, sempre empolgado, atraído pelos shows de transformismo que antecedem a apresentação, no formato chamado pelo ator de Cabaré da Dama, escuta atento o texto forte do gaúcho Caio Fernando Abreu. Cultura e entretenimento juntos, ponto para o teatro cearense!
Segundo informações da produção do espetáculo, a gravação do DVD é um projeto independente do ator Silverio Pereira, que sinaliza para projetos futuros de “Uma flor de dama”. Um registro de maior qualidade facilita a divulgação da produção, abrindo, assim, novas possibilidades de convite para festivais e temporadas fora do Ceará.
A próxima apresentação do espetáculo será na mostra paralela do Festival Nordestino de Teatro de Guaramiranga. No formato “Cabaré”, a montagem será apresentada na tradicional Tenda do Sesc. Com certeza você não vai se arrepender em dar de cara com essa “flor de dama”!
De quinta a domingo (13 a 16 de agosto), o Teatro José de Alencar recebe o projeto “Direção Musical“. A reunião de renomados músicos e novas sonoridades é o mote para reeditar o sucesso em seu segundo ano, que inicia as apresentações no palco principal e jardins do TJA. Os ingressos, custam R$ 5 e 10 no jardim e R$ 15 e R$ 30 dentro do teatro.
Veja a programação:
Dia 13/08, 21h: Waldonys e Renato Borghetti.
Abertura: Lu de Sousa;
Dia 14/08, 21h: Simone Guimarães (imagem ao lado) canta Isaac Cândido e Breculê, seguido de João Mamulengo e Fulô de Aurora;
Dia 15/08, 21h: Nonato Luis e Adelson Viana no palco principal seguido de Samba de Rosas no jardim;
Dia 16/08: Tambor das Marias às 19h no jardim e Cia. Barrica de São Luis do Maranhão com César Nascimento.
Estará em cartaz hoje e amanhã (07 e 08 de agosto), no porão do Teatro José de Alencar, a partir das 20h, o espetáculo “Cabaré da Dama“, do grupo Parque de Teatro. A peça é uma progressão do solo “Uma Flor de Dama”, de Silverio Pereira, baseado no conto “Dama da Noite”, de Caio Fernando Abreu. Desta vez, a noite traz uma série de surpresas, shows e brincadeiras com o público. Durante os dois dias de apresentação será gravado o DVD do espetáculo.
Com o solo, resultado de uma pesquisa de Silverio sobre o universo dos travestis cearenses, o ator foi premiado em 2006 no 13º Festival Nordestino de Teatro de Guaramiranga (FNT). Agora, o público é novamente convidado a passar uma noite na vida de um travesti, onde percebe a hipocrisia de uma sociedade perversa. No elenco, Jomar Caramanhos, Bernardo Vitor e Silverio Pereira, que assina também a direção do espetáculo.
CABARÉ DA DAMA Porão do Teatro José de Alencar
Dias 07 e 08/08 (sexta e sábado), às 20 horas
Ingressos: R$ 10,00 (inteira) e R$ 5,00 (meia)
Informações: (85) 3101.2583
** por Thiago Marinho
imagens: Marcello Holanda e Anderson Santiago
A partir deste sábado (1° de agosto), e durante todos os finais de semana (sábados e domingo) de agosto, o Grupo Imagens de Teatro, em comemoração aos 10 anos da morte do dramaturgo Plínio Marcos, leva ao palco do Teatro José de Alencar (Sala Nadir Papy Saboia), a peça “O Abajur Lilás“. O espetáculo faz parte do projeto “Trilogia do Maldito”, em que serão montados também nos anos que se seguem, “Barrela” e “Navalha na Carne”. O espetáculo tem o apoio cultural do ZONAMIX.
“O Abajur Lilás” conta o drama de três prostitutas torturadas pelo cafetão que quer descobrir quem quebrou o abajúr lilás do seu quarto. A trama foi escrita há mais de 30 anos, transcende o momento, a circunstância e infelizmente, resiste ao tempo, demonstrando a extrema atualidade de seu contexto. Ação dramática, humana e de alta significância, “O Abajur Lilás” joga atores e público no olho do furacão, levando-os às entranhas do submundo que preferem ignorar existir, fazendo-os cúmplices privilegiados do mundo de Plínio Marcos. Este universo denso e marginal invade os palcos do teatro cearense.
O grupo mergulhou em uma pesquisa profunda, tanto da obra como do universo que o autor traz para o seu texto, através de análises sobre a vida, obra e contextualização histórica, prosseguindo com pesquisa de campo, palestras, seminários, oficinas, filmes e vivência em entidades, enriquecido por laboratórios onde os atores visitaram cinemas pornôs, casas de prostituição, saunas, bares e praças, locais onde os personagens retratados na peça viveriam.
Esse é o princípio que torna a obra de Plínio Marcos tão contemporânea, pois podemos encontrar esses personagens em cada esquina de Fortaleza. Como em toda obra do autor,” O Abajur Lilás” expõe a alma humana. O ambiente é um bordel de quinta categoria, tendo à frente um bar, salpicado de luzes vermelhas. Há música de cabaré, cantada ao vivo. Ao fundo, o quarto na penumbra, onde ocorrem os programas e as tramas.
Confira a entrevista feita com o diretor do espetáculo, Edson Cândido:
CULTucando: Por que a escolha de Plínio Marcos para o tema da “Trilogia do Maldito”? Edson Cândido: Em homenagem aos 10 anos da ausência de Plínio Marcos e por sua grandeza na dramaturgia, ele merecia muito mais do que apenas o um espetáculo, por isso resolvemos montar essa trilogia. A homenagem que pretendemos fazer ao dramaturgo Plínio Marcos não se extingue na representação ou reapresentação de três de seus textos. Prossegue demonstrando a importância do trabalho que realizou nos seus 64 anos de vida, escrevendo 40 peças e denunciando o poder constituído, dando voz aos menos favorecidos, bem como mostrando que os seus textos, apesar de escritos há décadas, continuam atuais.
CULT:Lidar com o universo marginal é sempre mais complicado que outras encenações. Como está sendo para você dirigir esse tipo de contexto? EC: Um desafio, mas gostamos de desafios e aprendemos muito com eles e acredito que nesse processo aprendi muito com os atores e com o que vimos e ouvimos nas ruas. Temos que nos jogar e acreditar que podemos fazer teatro sério, pautado em pesquisas, em análises e estudos aprofundados como está acontecendo com O Abajur Lilás. Processo árduo e sofrido, mas bastante enriquecedor. Sou um privilegiado, pois tenho um elenco que acreditou no meu trabalho e confiou na minha direção e se entregou de corpo e alma para esse espetáculo, sem medo do feio, do ridículo, do sujo, do imoral, pois é isso que torna o nosso trabalho verossímil. O que o público irá ver é um retrato fiel do que encontramos de mais degradante e humilhante, e que as pessoas teimam em fingir que não existe. Mulher com cicatrizes profundas, prostitutas, homossexuais e marginais, vítimas e carrascos de suas vidas vazias.
CULT: Como foi a pesquisa para a criação da trilogia? EC: Em “O Abajur Lilás”, a referência é a amnésia crônica que abate o Brasil acerca do período em que o povo esteve subjugado pelo Regime Militar. O cafetão Giro, depois de torturar as prostitutas por causa do abajur quebrado e matar Célia, a subversiva, que quer instaurar uma nova ordem, diz: “Ânimo gente! Esqueçam tudo, vamos se virar. Vão pra rua. Na volta ninguém mais se lembrará de nada. A putaria é assim mesmo. É assim mesmo.” (trecho do texto O Abajur Lilás). Todo trabalho inicial de pesquisa foi aprofundado pelas experiências vividas nas pesquisas de campo, fomos à boates, cinemas pornôs, saunas, a praças, ruas onde a prostituição acontece a céu aberto e conseguimos dar voz e corpo aos nossos personagens. Colocamos na peça recortes da realidade que encontramos em 1 ano e 3 meses de pesquisa.
CULT:A plateia não ficará como se habitualmente fica nos teatros convencionais, e sim em forma de barzinho, com mesas e cadeiras. Como surgiu a ideia? EC: Nossa pesquisa de campo começou na Praça José de Alencar e entramos, no meio dela, num bar onde todos os personagens de Plínio estavam reunidos: prostitutas, homossexuais, homens à procura de sexo, bebidas, drogas, brigas e vimos que seria uma proposta interessante. Queremos transportar o público para esses lugares. O ambiente é uma boate de quinta categoria, tendo à frente um bar, com músicas de cabaré, cantadas ao vivo. Ao fundo, o quarto onde ocorrem os programas e as tramas. O público tem contato direto e real com o universo que Plínio queria mostrar. Teremos, sim, na plateia mesas e cadeiras, como em um bar, aonde iremos servir cachaça, com direito a música ao vivo e strip-tease.
CULT: Fazer teatro aqui no Ceará é também uma forma de incomodar e questionar a nossa sociedade tão provinciana? EC: Sim, mas precisamos de loucos, pessoas atrevidas que toquem nas feridas. O diferencial do nosso grupo é esse. Queremos levar mais que diversão, queremos denunciar, informar, conscientizar, levar para cena coisas veladas, revelando a desesperança desses seres marginais neste mundo tão corrompido pela falta de ética. Queremos quebrar paradigmas, sufocar o falso moralismo. A dramaturgia de Plínio Marcos não permite ornamentos, porque é objetiva e direta, é olho no olho. Nela, ninguém é bom, ninguém é ruim. O sistema leva as personagens a tomar atitudes porque elas precisam sobreviver. Sobrevivência é a palavra chave. Os marginais de Plínio podem ser qualquer um, não importa a classe social.
CULT: Conte-nos como surgiu o Grupo Imagens de Teatro. EC: O Grupo Imagens de Teatro teve origem em janeiro de 2002, quando seus integrantes iniciaram o estudo do texto de nome Meia-Sola, do mesmo autor da peça Imagens (Benê Rodrigues), que deu origem ao nome do grupo, estudo esse iniciado em uma oficina de teatro realizada no SESC. O grupo vem se destacando nos principais festivais regionais e nacionais, sendo contemplado com mais de 15 prêmios e tendo reconhecimento no cenário artístico. Sempre pautados na pesquisa de autores “malditos”, nessa linha de pesquisa estamos escrevendo nossa historia. Acreditamos num teatro que veio para incomodar a quem acha que a nossa sociedade é perfeita.
CULT: Faça uma análise sobre a atual produção teatral no Ceará.
EC: O Ceará é um celeiro de grandes artistas, o que nos falta é apoio do poder público. Como já disse, montamos “O abajur Lilás” com a cara e a coragem e é assim que se encontra a cultura no Ceará, morrendo e ressuscitando através de iniciativas próprias. Temos uma grande produção, porém falta conscientização da mídia, e estamos sempre correndo atrás de divulgação de espetáculos, de espaço na imprensa. Temos alguns cursos de formação. Temos o CEFET, que coloca muitos atores bons no mercado, mas ainda é pouco. Há muita gente à procura de formação, de cursos, e a demanda é grande mas os recursos para cultura não insuficientes. A classe teatral está organizada e em busca de seus direitos e a maior prova disso é Cooperativa Cearense de Teatro, um movimento que visa a continuidade de ações culturais, como projeto de manutenção de grupos e ocupação de espaços públicos.
CULT: Quais as expectativas do grupo para a estreia de “Abajur Lilás”?
EC: Estamos ansiosos porque foi um processo árduo de mais de 1 ano, mas confiantes no trabalho, uma vez que o processo foi muito revelador e descobrimos muitas coisas lendo, assistindo a filmes emblemáticos como Anjos do Sol, Amarelo Manga, Querô entre outros. A convivência semanal nos puteiros, nas praças, na boca do lixo de Fortaleza contribuíram muito. Lógico que foi bastante difícil porque não temos nada a ver com esse universo. Agora é só colher os frutos de um trabalho sério, com atores que se debruçaram e se entregaram a um trabalho inovador no cenário artístico cearense.
Serviço: O Abajúr Lilás
Local: Teatro Jose de Alencar (Sala Nadir Papy Sabóia)
Estreia: 1° de agosto
Horário: 19h
Dias: Sábados e domingos de agosto
Entrada: R$ 10,00 (inteira) R$ 5,00 (meia)
Informações: (85) 88341071
Blog: www.grupoimagensdeteatro.blogspot.com
De 16 a 19 de julho, às 20 horas, no Teatro José de Alencar (Sala de Dança), volta em cartaz após o grande sucesso de janeiro de 2009, o monólogo “Dias de Setembro“, do Grupo Cabauêba de Teatro. O espetáculo conta a história de um relacionamento homossexual e seus conflitos. As sessões no começo deste ano tiveram todos os ingressos esgotados.
Numa noite de setembro, Henrique tenta escrever uma carta para Eduardo, seu ex-namorado. A tempestade separou os dois e após um ano Henrique tenta entender as verdades do amor contemporâneo, esse amor líquido. Divide seu relacionamento em início, paixão, crise e fim, e busca nas experiências da plateia obter respostas para suas questões. Porém, uma nova tempestade está se formando e Henrique não sabe ao certo como lidar com ela novamente. Logo, “Dias de Setembro” é um retrato crítico da relação amorosa e das fragilidades do indivíduo contemporâneo. O espetáculo tem o apoio cultural do ZONAMIX.
>> Conheça o ator Lucas Sancho:
Lucas é dramaturgo, ator e diretor teatral. Iniciou sua carreira em 1999 participando de diversas montagens teatrais. Em 2001 fundou o Grupo Cabauêba de Teatro, no qual desempenha direção e dramaturgia dos espetáculos Mistério (2003), Linha Férrea (2004), Vento Verde (2005), As Meninas (2006), Dias de Setembro (2008) e Para Ana (2009). Também dentro do grupo realizou mais de quinze experimentos cênicos no formato de esquete rendendo vários prêmios na categoria.
Como ator, participou de espetáculos do projeto VESTEATRO (Dôra, Doralina -2001, Os Verdes Abutres da Colina e Epifania – 2000). Além disso, integrou a Cia de Teatro LUA nos espetáculos A Verdadeira História de Chico Mangueira (2003) e As Anjas (2006). Participou de importantes festivais e mostras dentre eles o FILO – Festival Internacional de Londrina, Festival Palco Giratório, Mostra SESC de Cultura, Centro Cultural São Paulo, Mostra Cariri das Artes e FESFORT – Festival de Esquetes de Fortaleza.
Estudou diferentes vertentes do teatro com Joca Andrade, Pamela Duncan, Antunes Filho, Bete Dorgan, Samir Yazberc, Luiz Fernando Marques além de ter estudado no Studio Fátima Toledo de Interpretação para o Cinema. É formado em Comunicação Social pela Universidade de Fortaleza, onde defendeu a monografia Das Letras Ao Palco: Análise do Processo de Transcriação do Romance “As Meninas” para a Linguagem Teatral, e faz pós-graduação em Design pelo SENAC – SP, onde estuda o design gráfico para construção de imagens icônicas na Dramaturgia Cênica e Mestrado (como aluno especial) em Artes Cênicas na ECA/USP.
Atualmente se dedica à pesquisa da poética do Ator Maestro, processo de construção realizado pelo Grupo Cabauêba de Teatro, visando a criação de uma sistemática de construção para espetáculos tendo o ator como protagonista do acontecimento teatral.
>> Veja a entrevista que o CULTucando fez com o ator Lucas Sacho:
CULTucando – Como é lidar com o tema homossexualidade em seu espetáculo? Lucas Sancho – Muito tranquilo. E a aceitação pelo público hetero vem sendo incrível. Em São Paulo o espetáculo teve uma plateia bem mais hetero do que gay. A peça fala antes de tudo sobre o amor atual. Sem gênero. Se substituisse o nome Eduardo (namorado do personagem central) por Eduarda não haveria diferença. O ser humano contemporâneo sofre as mesmas angústias e carências afetivas, idependente da sua sexualidade. Ponto. Por isso a peça é tão universal. Em algumas apresentações houve até beijo de um homem da platéia. Os heteros adoraram. (risos)
CULT – Na sua opinião, como está a aceitação da sociedade aos relacionamentos de pessoas do mesmo sexo? LS – Atualmente moro na cidade de São Paulo, mais precisamente na Avenida Paulista, e lá as pessoas lidam muito bem com isso. Fazendo um paralelo com Fortaleza, por exemplo, a situação é mais complicada. Acho que grandes passos foram dados. Acredito que o segredo é não ficar rodeando sempre as mesmas questões, entende? Acho que se cada indivíduo considerar certas questões resolvidas e superadas, vamos pouco a pouco respeitando mais o próximo. Vivemos numa socidade que é constituída de seres que perante a lei são todos iguais. Ponto.
CULT – Você acha que a atual produção de bens culturais (TV, Teatro, Cinema, entre outros) retrata de forma correta o “ser gay” dos dias de hoje? LS - Assim como produtos que falam do mundo hetero, existem bens e bens. O Cinema Europeu trata o homoerotismo de forma bastante lírica, às vezes bastante crua, às vezes como um soco no estômago. Já a televisão brasileira, salvas algumas excessões, acaba por retratar o gay sempre de forma estereotipada, analisando um arquetipo apenas do gay.
CULT – Como foi a repercussão, em São Paulo, do espetáculo? LS - Muito positiva. Tivemos ótimas críticas de veículos que tratam da cultura gay como a Revista G Magazine, Mix Brasil e por aí vai. Também fomos bem recebidos pelo público em geral. Fizemos uma temporada de dois meses na famosa Praça Roosevelt, no horário da meia-noite. Foi uma experiência bem marcante e gratificante.
CULT – Fale um pouco sobre a sua pesquisa teatral “Ator-Maestro”. LS - Tudo partiu de uma vontade de sistematizar uma processo de criação a partir do que já havia vivenciado nos espetáculos do Cabauêba. Posso dizer que o ator-maestro é o ator regente da cena e do processo de criação. Na cena, ele próprio opera luz e som e sempre joga com a plateia. Atualmente não acredito na plateia passiva. Tento, a partir do ator-maestro, sempre deixar o espetáculo aberto em alguns momentos para que a plateia construa junto com o ator, na forma de interação. No “Dias de Setembro” isso é muito forte.
CULT – Como você analisa a atual produção teatral do Ceará? LS – Maravilhosa. Sempre falei que o que falta ao Ceará é investimento e público. Nossos artistas não devem em nada aos artistas do eixo Rio-São Paulo. Às vezes são até melhores, porém precisamos que as pessoas de Fortaleza frequentem mais o teatro local e não somente para espetáculo de “globais”. Em relação à verba pública, temos muito poucos editais para o Ceará e os que existem oferecem quase esmola aos espetáculos. Como vamos pagar dignamente à equipe com tão pouco?
CULT – Quais as suas expectativas para a reestreia da peça “Dias de Setembro”? LS – Considero mais uma estreia que uma reestreia. O espetáculo está muito diferente. Texto, interpretação, cenário, trilha, interações, tudo passou por um processo de aprimoramento. Espero todos no Theatro José de Alencar. Desta vez vamos fazer na Sala de Dança, pois é um espaço mais intimista. Estou apaixonado pelo cenário novo. (risos)
Serviço: Espetáculo ´Dias de Setembro´, direção e interpretação de Lucas Sancho. Em cartaz de 16 a 19 de julho, às 20h, no Theatro José de Alencar. Censura: 14 anos. Duração 50 min. Contatos: (85) 8806.0181 ou lucassancho@gmail.com ou www.cabaueba.blogspot.com
De 19 a 23/Ago, no Theatro José de Alencar, acontece a VII Mostra Brasileira de Teatro Transcendental, uma realização da Estação da Luz.
Serão 5 peças, cada uma representada por grupos espíritas de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Bahia e Ceará. Este ano, o ingresso personalizado pode ser trocado por 2kg de alimentos não-perecíveis para cada espetáculo.
Veja as peças que farão parte da Mostra:
Dia 19/08 - “O Amor Jamais Te Esquece“. Da companhia paulista Operários do Palco, o espetáculo de estreia da mostra é uma adaptação de obra homônima ditada pelo Espírito Lúcius ao médium André Luiz Ruiz e remonta a história passada há 2.000 anos em Roma e Jerusalém, revelando os bastidores do processo movido pelo clero judaico.
Dia 20/08 – “Quem tem Medo da Morte?“. A Companhia Espírita de Artes Cênicas, da Comunidade Arte e Paz de Salvador (BA) leva humor e musicalidade e traz uma divertida apologia à vida.
Dia 21/08 – “Estranha Loucura“. Espetáculo paulista, é uma adaptação da peça “A Estranha Loucura de Lorena Martinez”, do dramaturgo paraense Nazareno Tourinho. Apresenta a história de uma mãe de família que se descobre médium ao sofrer um processo obsessivo. Vencedora do Primeiro Concurso Nacional de Dramaturgia Espírita pelo Núcleo Espírita de Artes Cênicas (NEAC).
Dia 22/08 – “02 de Novembro“. Retrata a emoção de um reencontro entre mãe e filho. A peça é baseada no drama da atriz Heloísa Duarte, que teve o filho assassinado quando saía de uma comemoração durante a estréia de um dos seus espetáculos. De Belo Horizonte (MG).
Dia 23/08 – “Inquieto Coração“. Monólogo que encerra a Mostra contando a vida e a obra de Santo Agostinho.
*** Informações e Troca de Ingressos
CLEJA – Clube do Livro Espírita Joanna de Angelis, com Raimundo Santos – Cel: (85) 9973 .5760 e E-mail: clejace@yahoo.com.br
Se você pensa que religiosidade não tem nada a ver com CULTura, está enganado! Vou passar duas dicas especiais que incluem cultura e a doutrina espírita.
Nesta quinta-feira, 09/07, às 20h, no Teatro José de Alencar, haverá a apresentação do Maestro Tarcísio Lima, com o lançamento do CD duplo de “Tarcísio José de Lima canta DOUTRINA ESPÍRITA“, contendo 29 faixas, a maioria delas anteriormente registradas fitas K7 em meados dos anos 90.
No show serão mostradas músicas autorais (espíritas, tanto pelo conteúdo, quanto pela origem da composição), como: “Cantilena”, “Amigos de Jesus”, “O Poeta” e “Obrigado, Meu Irmão”. Tarcísio é também divulgador do Esperanto e suas músicas neste idioma já venceram festivais internacionais. O ingresso do show custa 10 reais e o CD duplo custa apenas 20 reais. Ambos podem ser encontrados na FEEC, na Rua Princesa Isabel, 255 – Centro. Informações: (85) 3212.1092.
Já deixe agendado. No último final de semana de julho (24, 25 e 26 de julho),o Teatro José de Alencar, localizado no Centro de Fortaleza, recebe a peça “Monstra“, com a atriz, apresentadora e escritora Patrycia Travassos. É com “y” mesmo. Patrycia mudou a escrita do seu nome por causa da numerologia.
O espetáculo tem o texto baseado no livro homônimo de Patrycia, que reúne crônicas bem humoradas publicadas na revista “Marie Claire” sobre o universo feminino. Ambientada em uma conferência de auto-ajuda, a palestrante, que se encontra em uma grave crise com seu cotidiano, com sua vida amorosa e com o inexorável envelhecimento, é a prova viva de que o que ensina não se aplica a ela. Ao exemplificar os casos que garante corrigir com seu método, vivencia a problemática de várias personagens e acaba por sofrer, ela própria, todas as armadilhas emocionais que pretende curar.
A primeira montagem do espetáculo estreou em agosto de 2008 no Teatro da Caixa Cultural do Rio de Janeiro. Em seguida, a peça ficou quatro meses em cartaz no Teatro dos Quatro (no Shopping da Gávea) e passou por Niterói e Volta Redonda. Em 2006, Patricya lançou o livro que inspirou a peça
>> Sobre Patrycia Travassos:
Começou nos anos 70, quando integrou o lendário grupo “Asdrúbal Trouxe o Trombone”. Na década de 80, foi figurinista, diretora e compositora da banda Blitz e roteirista dos programas “Armação Ilimitada” e “TV Pirata”. Como atriz, trabalhou em inúmeras novelas da TV Globo, como “Vamp”, “Brega & Chique” e “Filhas da Mãe”, além de participações especiais nos programas “Os Normais”, “Minha Nada Mole Vida” e “A Diarista”. Seu último trabalho na TV foi na novela “Mutantes – Caminhos do Coração” , da TV Record.
Monstra
Teatro José de Alencar
24, 25 e 26 de julho
Preço: Promocional até 23/7: R$ 40 (inteira) e R$ 20 (meia)
A partir de 24/7: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia)
Informações: (85) 3101.2596 e 3101.2583
Grande sucesso no cenário humorístico nacional, a companhia teatral de humor Deznecessários chega a Fortaleza para três apresentações no Theatro José de Alencar, nos dias 15, 16 e 17 de maio. A apresentação é composta por esquetes, monólogos, números musicais, redublagens de filmes e outras atrações.
Os textos e personagens são criações coletivas, geralmente feitas pelos próprios atores. Personagens como: traficante gay, o afro-descendente, o playboy e o ex-viado fazem muito sucesso na internet. Entre os integrantes está o ator Eduardo Sterblitch, que interpreta o personagem César Polvilho no programa humorístico da Rede TV!, “Pânico na TV”.
A peça também é adaptada a datas temáticas e humor de situação misturando vários estilos de comédia com alguns quadros de Non Sense. O grupo teatral de humor Deznecessários é formado por seis integrantes, sendo cinco atores e um músico.
Serviço: Deznecessários Theatro José de Alencar
15, 16 e 17 de maio
Ingressos: R$ 50 (inteira) e R$ 25 (meia).
Mais informações pelo fone: (85) 3261 0665 (Free Lancer)
Ficha técnica: Elenco: Paulinho Serra, Eduardo Sterblitch, Rodrigo Capella, Marcelo Marrom, Maíra Charken e Miá Mello
Direção: Paulinho Serra
Figurino: Rafaela Almeida
Adereços e coreografia: Deznecessários
Trilha sonora: Costa
Operador de som: Costa
Iluminação: Rogério
Programação visual: Beto Vandesteen e Eduardo Sterblitch
Ilustração: Beto Vandesteen
Operador de som: Costa
Protagonizado por três grandes promessas da dramaturgia nacional, os atores Carol Castro, Marcelo Faria e Duda Ribeiro, a peça “Dona Flor e seus dois maridos”, estará em cena nos dias 23, 24 e 25 de outubro no Teatro José de Alencar. A história narra as peripécias de Vadinho (Marcelo Faria), o primeiro marido de Dona Flor (Carol Castro), que morre fantasiado de baiana em pleno carnaval. O motivo: excesso de folia. Vadinho tinha suas raízes cravadas na vadiagem. Estava longe de ser o marido ideal. Mas, apesar disso, era um homem maravilhoso, um mestre na cama, um malandro capaz de grandes gestos. O sofrimento de Flor é grande.
Após a morte de Vadinho, Dona Flor se casa com Teodoro Madureira (Duda Ribeiro), farmacêutico respeitado e amante da música clássica. Ele é o oposto de Vadinho: caseiro, zeloso e fiel. Após um ano de casamento, vivendo numa paz estável (mas tediosa), acontece algo inesperado para Flor: o fantasma de Vadinho aparece, deitado em sua cama, para satisfazer os desejos que ficaram à flor da pele desde a sua morte. Seduzida pelo fantasma de Vadinho, Flor vive um triângulo amoroso. Dona Flor encontra o ideal do homem em dois maridos: um oferece a sensualidade, já o outro é amável e fiel. Detalhe muito importante: o ator Marcelo Faria aparece nuzinho no palco. Ufa! Já vale o ingresso.
O cenário, que remete ao Pelourinho, e os figurinos são do estilista carioca Ronald Teixeira. A direção musical é de Bruno Marques e tem trilha sonora composta somente de obras de Dorival Caymmi. Passada em clima anos 40, a peça com 1 hora e 50 minutos de duração teve enorme sucesso de público e crítica e recebeu duas indicações ao Prêmio Shell (Melhor Diretor: Pedro Vasconcelos; e Melhor Ator: Marcelo Faria).
Elenco:
Carol Castro (Bang Bang, O Profeta, Beleza Pura)
Marcelo Faria (Uga Uga, Celebridade, Beleza Pura)
Duda Ribeiro (Amazônia, Sitio do Picapau Amarelo)
E mais Ana Paula Bouzas, Marcello Gonçalves, Elvira Helena, Carlos André Faria, Carolina Freitas, Cristiano Queiroz, Daniely Stenzel, Lisieux Maia, Luana Xavier, Marco Bravo, Ewe Pamplona, Michelle Martins, Fabio Nascimento.
Ficha Técnica:
Adaptação: Pedro Vasconcelos e Marcelo Faria
Direção: Pedro Vasconcelos
Direção de Produção: Marcelo Faria
Produção de Turnê: Guilherme Abrahão
Produção Executiva: Letícia Tórgo e Déborah Aguiar
Iluminação: Luciano Xavier
Direção Musical e Trilha Sonora: Bruno Marques
Cenografia e Figurino: Ronald Teixeira
Realização: Faria & Vasconcelos
Servico:
Dias: 23,24 e 25/10
Quinta, Sexta e Sábado 21h
Theatro José de Alencar
Quinta: Torrinhas R$ 40,00 inteira e R$ 20,00 meia / Demais lugares R$ 50,00 inteira e R$ 25,00 meia
Sexta e sábado: Torrinhas R$ 50,00 inteira e R$ 25,00 meia / Demais lugares R$ 60,00 inteira e R$ 30,00 meia
Venda de Ingressos na bilheteria do teatro de 13hrs às 17hrs