Por Thiago Marinho

E ontem se deu a IX Parada pela Diversidade Sexual de Fortaleza, mostrando a força das entidades LGBTT do Ceará. Com um público de 800 mil pessoas, segundo a Polícia Militar, o evento que poderia ter sido um grande momento político de paz, transformou-se em uma grande praça de guerra atrapalhando entidades, jornalistas, fotógrafos e principalmente o público em geral que foi para curtir o evento. Em alguns momentos, eu com o fotógrafo (Júnior Avilla) tinhamos receio de tirar a câmera para fotografar o evento, em meio a grande incidência de gangues, arrastões e assaltos.
Os dois maiores jornais do Ceará (O Povo e Diário do Nordeste) deram grande ênfase para a Parada deste ano em suas respectivas edições de hoje, mas com enfoques diferentes. O “Diário do Nordeste” noticiou a festa de forma mais branda, ressaltando o colorido e a luta contra a homofobia no Estado. “Em meio a alegria escancarada das caras exageradamente pintadas, dos adereços rosa pink e dos abraços e beijos indiferentes às censuras de uma sociedade predominante hetero, a festa também cedeu lugar as denúncias contra a violência praticada contra os homossexuais“, trecho da matéria dos jornalistas Mozarly Almeida e Guto de Castro, do DN.
Já “O Povo” foi mais incisivo na denúncia da violência a céu aberto durante a Parada, dando espaço a um artigo do repórter fotográfico Evilázio Bezerra, contando as dificuldades e medos de se trabalhar em um evento de grandes proporções como foi a Parada, que em contraponto a estimativa da Polícia Militar, o GRAB estima um público de 1 milhão de pessoas. “Em 20 anos de profissão, cobrindo multidões, nunca vi tanta falta de segurança e desrespeito com o próximo como na extensão da avenida Beira Mar, durante a Parada Gay de ontem. Eu mesmo quase acabei sendo vítima de uma gangue de mais ou menos seis a dez pessoas, por volta das 18 horas. No calçadão, próximo ao GranVille, fui cercado. Eles me viram e disseram entre eles que eu andava com uma pochete e era grande. Pressenti que ia ser roubado, peguei a repórter Amanda Queirós pelo braço e saí com ela a procura de um local mais seguro“, artigo de Evilázio, em O Povo de hoje.
Mesmo com toda a ênfase na violência teve sim seus pontos positivos, desde o aumento de héteros, a alegria estampada nos rosto dos brincantes, e tom politizado nas falas, mesmo com a folia sendo o alvo de quem se deslocou até a orla de Fortaleza. Nos trios, a animação era geral, seja com rock, axé-music, pagode ou mpb todos os ritmos congregaram na luta pela homofobia no Ceará.
E que venha a do próximo ano!
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Publicado em: Fortaleza em 30.06.2008 | Nenhum Comentário »