A Parada Gay de Fortaleza foi um grande palco democrático

Por Thiago Marinho

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Pois bem, aconteceu durante o período da tarde e parte da noite deste domingo (28.06) a X Parada pela Diversidade Sexual de Fortaleza, mais um grande sucesso do Grupo de Resistência Asa Branca (GRAB) juntamente com todas as ONGs LGBTTs do Estado do Ceará.

Na minha concepção como jornalista que faz a cobertura do evento durante 3 anos, 2009 foi um dos anos mais calmos. Como em anos anteriores, o atraso fez parte da festa. O que iria sair às 15h30 veio sair da concentração às 16h30.

Mas o principal problema não foi a saída e sim a foma devagar com que os trios se deslocavam na Beira Mar. Para se ter ideia, o primeiro trio, o oficial do GRAB, veio passar em nossa Redação (distante cerca de 800m da concentração) por volta das 20 horas.

parada1A baixa nos trios, que antes seriam nove e foram condensados a cinco, deu um tom mais organizado ao evento que trouxe atrações como os grupos Las Bibas from Vizcaia, Rafaella Manville, ZonAzul, Djs locais e transformistas. Todo mundo teve o seu momento de brilhar. A Parada funcionou como um grande céu, onde coube todas as estrelas envolvidas.

Após a saída dos trios o público foi ao delírio com músicas para todos os gostos. Durante todo o percurso, a palavra de ordem era “diversão”. Valia sambar com música eletrônica, criar coreografias com os amigos. Segundo informações da organização do evento o público esteve em torno de 900 mil pessoas.

Mesmo com a colocação de banheiros químicos (sessenta no total) ao longo do percurso, muitos não se intimidaram ao usar os postes ou os muros para aliviar as necessidades. Os cacos de vidros foram os principais motivos de reclamação da população. Nem sempre a combinação trio elétrico e bebida alcoólica dá certo. Se não fossem os excessos, a Parada poderia sim ser um evento familiar e social.

parada2Não só de gays foi feito a Parada. O que se pôde ver durante o percurso foi um grande público heterossexual no evento, numa demonstração de que a discriminação vem aos poucos reduzindo e cedendo à aceitação das formas não convencionais de amar e ser amado.

O destaque do trio principal da festa  foi a madrinha da Parada 2009, Vânia Dutra, ex-presidente da Associação das Primeiras Damas do Ceará, e os representantes do movimento LGBTT. Em seus discursos, os dirigentes das entidades conclamaram a sociedade para aderir a luta contra a homofobia. Às 18 horas de ontem, houve um minuto de silêncio em homenagem às vítimas do preconceito. Nesta hora a festa deu lugar ao seu tom mais importante: a luta contra a homofobia.

Neste mesmo horário, quem subiu ao trio da Coordenadoria pela Diversidade Sexual de Fortaleza foi a prefeita de Fortaleza, Luizianne Lins, que falou bonito: “estou muito feliz de participar desse momento tão especial para a comunidade gay do Estado do Ceará. Nosso governo tem como uma das metas a luta contra a homofobia em nossa cidade. Em 1999, éramos apenas 300 pessoas e hoje somos quase 1 milhão que invadem a Av. Beira Mar. Isso é uma vitória de todos nós, declarou a prefeita.

O evento foi um grande sucesso. O que nós vimos durante o percurso foi que a política sobressaiu o tão criticado formato de “micareta” em que a festa todos os anos se transforma. Teve tudo para todos, política e falácias para as ONGs e muita festa para foliões. Foi um evento plural, com vários rostos, crenças, vontades e desejos. Mas de uma coisa tenho certeza, o principal foi cumprido: a conscientização de que todos nós somos iguais!

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